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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Casar é fácil, difícil é construir um lar III - Do namoro ao casamento.

Antigamente, mas muito antigamente era fácil saber quando começava um namoro. Geralmente ocorria mais ou menos assim. O moço e a moça se enamoravam, se descobriam por meio de palavras, olhares e gestos a distância e, logo em seguida, o moço tinha como obrigação ir até a casa da moça pedir ao pai dela, a mão da moça em namoro. Era a permissão para namorar. Dai em diante com a autorização dos pais ambos começavam a se conhecer. O namoro acontecia, a maior parte, na sala de estar, nas festas familiares, grande parte do tempo , ali, diante dos olhos dos pais. Este ritual permitia ao moço e a moça perceberem-se, conhecerem-se, ver com tranquilidade os defeitos um do outro. Nas famílias mais tradicionais e religiosas tudo era ainda mais controlado, não havendo espaços para as escapadelas. Depois de algum tempo de namoro os próprios pais se responsabilizavam para saber as intenções do moço, não houvesse esperança de casamento por algum motivo ou de alguma forma colocava-se um fim no tal namoro. Havendo "boas intenções", começava-se os preparatórios  - construir casa, enxoval, - e logo tinha início a construção de uma nova família.


Os tempos foram mudando e os laços familiares foram se afrouxando. Logo os pais foram perdendo o controle sobre as decisões dos filhos, sobre suas escolhas e sobre como deviam se comportar na relação com o sexo oposto. Não vou entrar no mérito do que causou tal afrouxamento, mas interessante lembrar que o que se observa é que quando mais filhos autônomos para fazer escolhas, menos autonômas para se sustentarem.  O certo é que o namoro saiu diante dos olhos dos pais, e, os próprios jovens foram perdendo de vista os limites do que e quando se começa um namoro. Por fim, iniciou-se o ficar. O ficar era no início aquele encontro na festa com uma garota que nunca se tinha visto antes, ou uma colega de escola e troca de beijos. Disto, evoluiu para o sexo.  Ficar tornou-se símbolo de relacionamentos relâmpagos que terminava na cama, muitas vezes com muito sexo, drogas e bebidas de todo tipo. Instalando-se o ficar foi criando uma lei entre os rapazes e moças; começa a idéia de que um namoro só poderia existir se  houvesse química, e para isso deveriam experimentar fazer sexo uma, duas, três vezes. Caso sentissem vontade de continuar, houvesse química, então estava decretado o início do namoro. 


O problema é que a equação foi se desequilibrando. Em tal situação  não foi  difícil aumentar o número de mães solteiras. Muitas ficavam grávidas na primeira experiência, e, em alguns casos a moça só veria o pai do filho  novamente depois que este já nascido. O remédio foi, em vez de modificar a forma de namoro, introduziu o anti-concepcional. Assim, a moça poderia fazer diversas experiências para enfim escolher aquele que viesse a ser o seu futuro marido. O único problema é que se esqueceu de que as experiências cotidianas nos modifica e algumas vividas fora do tempo da natureza destrói-nos ou quando menos deixa marcas indeléveis na alma.


Nesta condição  não é difícil entender por que a profissão de psicólogo teve sua demanda aumentada nas últimas décadas. Uma pessoa marcada precisa reviver o ato/fato para se libertar, se perdoar pelo erro cometido, ou pelo menos aceitar que a responsabilidade do tal ato fato é apenas dele mesmo. Depois da primeira experiência, quase sempre dolorida, pelo fato de que quase tudo acaba sendo feito na hora errada, no local errado e na maioria das vezes com a pessoa errada, é preciso curar as feridas para seguir em frente. 


Aqueles cuja experiência consideraram proveitosa, descobriram que tinha quimica e começaram a entabular o namoro logo começam a perceber que não há vantagem em casar cedo. Então, decidem curtir um pouco mais a vida. O problema é que "curtir a vida" traz riscos incalculáveis.Vivendo juntos já  não é difícil encontrar atrativos para voltar a vida de solteiro, imagina vivendo cada um em sua casa, desfrutando de programas totalmente diferentes e compartilhando pouco do cotidiano? Uma receita assim só poderia produzir relacionamentos de pouca duração casamentos com falhas iniciais. Considerando nossa analogia entre a construção de uma casa, é como se você quisesse fazer uma sobrado de dois ou três andares sem utilizar pedras no alicerce. Não há dúvida que ao primeiro vento e a primeira tempestade tudo estará de volta ao chão.


A situação não é nada fácil nos dias atuais. Pior do que sobreviver a esta forma de namoro é descobrir a hora exata de pensar no casamento. Em tal situação a idéia de casamento é um Extra terrestre que insiste em morar nas mentes humanas. O problema é que a natureza humana leva-nos de volta a idéia de que é preciso procriar, de outrora, a civilização por nós racionalizada leva-nos a idéia de que é preciso cuidar dos filhos dando a eles carinho, atenção, amor e cuidados materiais. Assim, no inferno das idéias de liberdade e individualidade nos vemos de volta a necessidade de coabitar, conviver com o parceiro que haverá de trilhar conosco a jornada para qual é o destino de todo ser humano - nascer, crescer, reproduzir e morrer.


Bom, nestas condições, afinal , decide-se pensar em casamento. Quase sempre quem primeiro pensa é a moça. Ao rapaz é conveniente demais não pensar. A mulher pressionada pela idéia de que aos 45 anos acaba a oportunidade de ser mãe, no minímo, aos trinta anos entra em uma corrida desenfreada pela constituição do casamento. Na verdade poucas sabem até então o que significa casar, procriar, ter um lar. O que as move é apenas o instinto da reprodução. De uma hora para outra olha para aquele relacionamento namoro que era tão bom, e descobre que ele não vai a lugar algum. Pressiona o rapaz, este entra em desespero, por que de tão comôdo era ter uma mulher ao seu dispor sem responsabilidade alguma  que não consegue assimilar nada do que lhe é dito. Pronto, aqueles que ainda não tem maturidade nenhuma para a convivência ( a maioria), acaba o tal namoro ali. O rapaz vai pra noite procurar outra parceira de sexo, a mulher vai fazer terapia.


Aqueles que decidem pelo casamento descobrem que tudo que se fez até ali estava errado. A forma de ser relacionar com os amigos, o conceito que se tinha de respeito mútuo, nada, mas nada ou quase nada, combina com a idéia de um lar. Aos tropeços, e com muito diálogo, aqueles que possuem uma educação familiar de qualidade conseguem, agora voltando aos conselhos dos pais que até então desprezavam, conseguem constituir um processo que culmina no casamento. Aí, então novos desafios virão. O desafio de superar os momentos vividos no "namoro" e que agora serão fontes de supremas desconfianças. Mas esta é uma outra história e contaremos em outra ocasião.

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