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sábado, 22 de janeiro de 2011

É preciso sempre acreditar no amor - Homenagem a minha grande amiga Elaine Augusta de Oliveira

Um homem quando se sente perto da morte deve homenagear todos os seus amigos. Uma ameaça de morte não é algo do qual devemos ter medo. Afinal, diz o ditado que quem ladra não morde. Como também existe um ditado que diz que "seguro morreu de velho", e, "Prevenir é melhor que remediar", e, eu não quero morrer sem homenagear a todas as pessoas que amo, aqui vai a minha homenagem a minha grande amiga Elaine Augusta de Oliveira.

Vi Elaine a primeira vez na porta de uma boate. Verdade? vou confessar, pensei que ela fosse lésbica. Eu a via sempre grudada em uma amiga. E por mais que eu a convidasse para dançar ela nunca ia. Eu, que sempre dancei bem, nunca entendi quando uma mulher se recusava a dançar comigo. Era o ano de 1999, e eu estava próximo de me formar. Chegando ao final do ano entrei em uma tristeza profunda, quase depressão. Sumi da faculdade. Eu já estava praticamente aprovado, só tinha que entregar o trabalho final ( Monografia), para poder colar grau.

A notícia se espalhou que o "esquisito" do Nelson, mais uma vez havia sumido da faculdade. E desta vez nem o Mirandão, ou o Adelino tinha conseguido convencê-lo a entregar o trabalho final para concluir o curso e colar grau. Elaine ficou sabendo da história e foi atrás do "Esquisito". Ela me encontrou na praça da cidade, e, não foi preciso muito charme para consegui se aproximar de mim, afinal, eu já estava de olho nela há muito tempo. Ela é daquelas mulheres sensíveis, românticas, que acredita no amor. Costurava para criar bem a filha sem depender de ninguém, e, ficou sabendo da história por que estava trabalhando no vestido de algumas colegas minhas. Ela era presença em todas as festas de elite da cidade. Loira, linda e cheia de amigos era vista por todos.
Convidado, fui uma tarde na casa dela. Depois de muito conversarmos ela disse que tinha ouvido falar que eu   tinha desistido da faculdade nos últimos meses e queria saber a razão. Disse ainda que as pessoas embora não gostassem muito da minha companhia, todos me achavam um dos alunos mais inteligentes da faculdade, e, que eu não podia deixar a faculdade, não aquela altura. Foi ai que fiz a ela a seguinte pergunta: O que tem valor na vida pra você? diploma, riqueza, ou pessoas? Do que me adianta ser inteligente e no dia da formatura não vou dançar a valsa por que vou estar sozinho. Não tem ninguém que ame que venha a festa, e, ( para estragar o possível romance, pois ela já estava envolvida no meu drama eu disse) a mulher que amo nem sabe onde estou, e, nem eu sei onde ela está. E depois, nem tenho com quem entrar.

Ela, meio muda, olhou para mim, deu uma gargalhada e disse:  - Escuta, eu estou a três anos tentando entrar na faculdade, meu sonho é fazer uma faculdade e você quer desistir de colar grau por que não sabe onde está sua mulher amada? Vai fazer isso por que não tem com quem entrar na formatura?
Eu disse: - Sim, é por isso mesmo.

Ela ficou em silêncio por alguns minutos enquanto fazia a máquina trabalhar em mais um vestido. Era uma tarde de pouco sol, quase nublado. As ruas estavam em silêncio. Alguns minutos depois ela me olhou e disse:
_ Você é um homem de coração lindo, não é só inteligente. Você tem idéia de quantos homens existem como você? Quero te fazer uma proposta - emendou - Você vai para sua casa agora, termina a monografia, e, eu não posso não me tornar a mulher que você ama, mas posso fazer um vestido e dançar a valsa com você.

Ah, terminei a monografia em dez horas ininterruptas de trabalho. No outro dia estava procurando um terno para alugar. E imaginando como seria poder entrar naquele salão com aquela loira linda. Na noite da colação de grau lá estávamos nós, para a surpresa de todos que achavam que eu não estaria ali. Entrei de cabeça erguida, em um terno escuro, ela, em um vestido lindo, loira, cabelos com um penteado arrasador que mais parecia uma noiva moderna vestida para casar em uma tarde de primavera. Quando chamaram meu nome, todo o salão se levantou surpreso por acharem que eu não entraria. Ao som da música "Tocando em Frente", entramos triunfalmente, eu, sentindo-me um imperado entrando em Roma após vencer a mais dura das batalhas.

Como em minha vida, nenhuma alegria é só minha, no ano seguinte Elaine passou no vestibular. Hoje, professora, com especialização, uma ótima professora. Elaine não tornou-se um grande amor para mim, afinal, meu coração já estava ocupado, e, acho de forma sincera que nunca fui o tipo dela. Tornamo-nos grandes amigos. Como não peguei o album de fotos, fica aqui registrado que aquele, Elaine, foi um dos melhores dias da minha vida. Você foi uma destas estrelas que brilhou em minha vida e que me fez acreditar que mesmo que eu  nunca viesse a ter uma família como eu sonhava, ou nunca reencontrasse meu grande amor, valia a pena viver, lutar contra as injustiças, fazer o bem, seguir em frente. Obrigado, Elaine, Obrigado.

Nesta madruga, as cincoo horas e vinte minutos da manha do dia  23 de janeiro de 2011, eu sou grato por você fazer parte da minha história de vida.E vou postar a música "Tocando em Frente" na voz de Renato Teixeira, tal qual todos ouviram ao nos ver entrar naquele salão.

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