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sábado, 22 de janeiro de 2011

Os sonhos não acabam - Homenagem a minha amiga Tereza Batelli

Hoje, resolvi ocupar o espaço deste blog para falar de felicidade, falar de alegria. Quero fazer uma homenagem a minha amiga, companheira, colega de trabalho, Tereza Batelli. Sobretudo, uma amiga de Jornada, uma companheira de caminhada, daquelas que tenta manter puro o coração e seguir fazendo o bem, não importam as dores do caminho.

Tereza é um ser humano. Um ser humano daqueles que quando está com outros seres humanos se contenta a ser apenas um ser humano. Conheci Tereza no ano de 1994.Era tempos difíceis para mim. Encontrava em uma destas encruzilhadas da vida, quando Freud, religião, coração e a razão se enfrentavam dentro de mim. Muitos comentavam abertamente que era louco. Em uma cidade como Campos Belos, no Nordeste Goiano, vindo de Divinópolis, nascido em Nova Roma, e, sonhando ser doutor. Começava o curso de Licenciatura em Pedagogia na Universidade do Tocantins na cidade de Arraias. Tereza, mulher casada, mãe de três filhos, Psicológa vinda do Estado de São Paulo, radicada, até hoje não sei por que motivo nas terras do nordeste goiano. Aliás, eu sei, Tereza é uma destas estrelas que Deus manda para os lugares mais longínquos para combater o mal, e, servir de luz para aqueles que buscam a salvação.

Tornamo-nos mais próximos quando começamos a trabalhar juntos na Subsecretaria Regional de Ensino, ( naquela época chamada de Delegacia Regional de Ensino). Tereza, assessora do Delegado regional, eu, Orientador Pedagógico. Minha função era orientar os projetos pedagógicos das escolas da regional, e, cuidar em caso específico do processo de Inclusão escolar.Na luta contra o preconceito, e para introduzir o respeito às diferenças nas escolas, encontrei em Tereza uma grande aliada.

Tereza era uma daquelas que insistia em não ver o mal nas pessoas. O mal estava ali, visível de tal forma que era impossível não ver. E ela preferia atribuir os fracassos a nossa imperícia do que acreditar que as pessoas poderiam ser tão más ao ponto de nos sabotar. Uma vez o Delegado Regional colocou Tereza para ajudar-me,  a organizar uma grande palestra sobre inclusão social numa  escola, e, por outro lado, ele mesmo, o Delegado Regional cuidou de sabotar o evento. Primeiro, ele criou todas as formas de dificuldades; não tinha dinheiro para lanche, não tinha gasolina, não tinha motorista. Tereza, impávida, daquelas para quem missão dada é missão cumprida, pegou o próprio carro e começou a realizar as coisas. Não tinha dinheiro, ela mesmo buscou patrocínio.

No final, quando comemorávamos que o seminário teria sido um sucesso, eis que uma comparsa do Delegado surgiu, deturpando as falas dos seminarista, inclusive a minha e da Tereza, afirmando que nós estávamos denegrindo o trabalho da Secretaria. Quando fomos chamados a sala do Delegado, Tereza primeiro se recusou que ele pudesse acreditar em tão grande asneira, e, depois saiu em minha defesa. Não querendo como defender o indefensável, Tereza disse: Não fomos competentes, deveríamos ter gravado, assim não teria como alguém nos fazer um tão grande mal.

Também, por duas vezes, lideramos a organização dos jogos escolares regionais. Lá estava o Delegado sabotando, e Tereza, trabalhando dia e noite para o evento ser dos melhores. Um dia eu disse a Tereza: Olha, você acha que o que digo são coisas da minha cabeça, um dia o Professor Rosolindo Neto lhe mostrará a verdadeira face para você.
Ontem, encontrei Tereza no Facebook. Uma alegria só. Uma alegria cheia de tristeza. A primeira coisa que Tereza me conta é que seu marido faleceu. Tereza e sua família era como um farol de luz a brilhar na cidade de Campos Belos. Entre uma conversa e outra Tereza me diz como descobriu o quanto tinha de poucos amigos em Campos Belos, e como o Professor Rosolindo Neto não teve nenhum sentimento de pesar em relação a morte do seu marido.

Um acontecimento marcou-me especialmente. Uma vez o pessoal das subsecretaria se reuniram para discutir minha personalidade e tentar me entender. Eu era tido como homem inteligente e meio "esquisito". Tereza ao discorrer sobre mim, disse que na verdade eu tinha um amor, um grande amor guardado no meu peito, que era um grande segredo que me atormentava e eu  não dividia com ninguém. Um dia, eu dividi com Tereza, embora nunca tenha lhe contado o nome do amor, mostrei-lhe as poesias que eu escrevia nos momentos de maior saudade daquele amor não vivido. Tereza, em vez de achar loucura, contou-me como tornou esposa do marido que tinha e como amava o marido, e como ela gostava de ser feliz.

Ao sentir a tristeza de Tereza, veio, forte em minha memória, o rosto do marido falecido e de seus filhos, hoje, quase todos adultos. Eles eram luz, brilhando naquela escuridão. Não temiam a dor, ignoravam o mal, e buscavam fazer o bem constantemente. Tereza vivia pelo amor que tinha ao seu marido e a seus filhos.

Receba minha pequena homenagem Tereza, você e seus filhos são estrelas que brilham onde estiver. E, tenho certeza, seu marido, pelo amor que tinha a você e pela bela história que vocês tinham, certamente estará feliz vendo como você continua brilhando no meio de tantas trevas que existem neste mundo.

Ps. Tereza, a dor do meu coração foi equacionada. Ah, e antes que eu me esqueça, desculpe pelos erros de português, eu, apesar de estar agora no doutorado, continuo não dando a mínima para as regras da etiqueta social. A unica diferença é que agora sou um homem totalmente feliz, apesar das dores, ameaças de morte, problemas que torna esta vida na terra bem mais divertida quando decidimos lutar contra as injustiças.



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