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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Terça-Feira Negra - Confesso que chorei.

Hoje foi um dia estranho.Tenho de confessar que chorei. A vida parece bela, o sol alegre, minha filha correndo de um lado para outro com uma felicidade pura no rosto como nem parece ser possível existir neste mundo. O restante, tudo no mundo parecia igual. Sai para a rua e vi infinitos rostos cruzando com os meus, uns alegres, outro triste, outros indiferentes. Entrei na net, olhei e-mails, twitter, tudo parecia igual. As pessoas sempre com os mesmos comentários, os mesmos programas, as mesmas discussões, as mesmas contendas. Tudo parecia igual.

Sentei. Sentei daquela forma como sentamos por não saber o que fazer, ou como para quem tudo que está igual não tem mais nenhum sentido. Fiquei ali sentado, horas a fio, olhando tudo passar a minha volta. O meu quarto era o meu mundo sem portas e nem janelas. A televisão, quantos canais, quantos programas, em nenhum estava você. As redes sociais, todas vazias, simplesmente, por que em nenhuma delas estava você. A única coisa que eu tinha era as lembranças tuas. Lembranças de um amor não vivido, mas sentido com toda a força do meu coração.

Quisera eu ser como as garças que vooam, e ir para bem longe desta saudade que sinto agora. Uma saudade que arde, que fere, que dói, que rasga meu peito atravessando o meu coração impetuoso que não desiste de te amar.  Queria ser como as aves migratórias que voam para longe quando as condições climáticas são adversas. Queria voar para longe, bem longe agora, não para o longe geográfico, mas para o longe desta dor que me consome.

Todo o dia, toda a manhã, toda terça feira. Terças-feira negras por que longe de você. Eu não posso voar. Refugio-me na meditação. Sou homem cafona, conservador, romântico. A bebida, mesmo o vinho pouco me apetece, e qualquer coisa me apetece menos ainda por que longe de você.  Sequer a comida que sustenta o meu corpo é bem vindo. Tudo em mim parece rejeitar viver longe de ti. Eu me sinto como a planta que morre sem a luz do sol, como o peixe fora da água, como a ovelha longe do seu pastor. Nada, nada pode ter significado pleno longe de você.

Toda a tarde se arrasta em uma tristeza profunda, meu espírito inerte se recusa permitir que meu corpo se mova. A mente preguiçosa faz meus olhos contemplar as velhas filosofias, todas cinzentas por que não explicam a força deste amor que tenho em meu peito. Este amor que destrói o meu ser, constrói minha alma, alimenta e torna faminto todo o meu viver. Todas as coisas superficiais tornam-se ainda mais superficiais. Nenhuma filosofia pode explicar. É mais forte que os quatro elementos da natureza. Terra, água, ar e fogo, tudo é consumido pelo fogo abrasador deste sentimento que reside em mim.

Confesso que chorei. A dor da saudade intensa. A dor compartilhada no calor de uma noite vazia no diálogo com aqueles que buscam o amor, com aqueles que buscaram e viveram, ou pelo silêncio vazio daqueles que nunca experimetaram e não sabem o quão pobre é a vida da matéria quando se concebe o amar. Confesso que chorei, ao relembrar tuas palavras doce, teu olhar carinhoso, tua felicidade sentida no olhar seguro de quem chegou a sonhar com dias felizes entre nós.
Confesso que chorei ao lembrar do teu rosto em lágrimas. Confesso que não resisto  e choro cada vez que me lembro o quanto o mundo foi duro contigo, das tuas dores e de teus sofrimentos e do quanto mereces ser amada.
Confesso que choro e chorei copiosamente ao lembrar do teu sonho de um mundo mais igualitário onde homens e mulheres se sintam como irmãos e irmãs, vivendo e servindo, amando e sendo amados. É forte teu sonho de um mundo melhor. Sinto-me pequeno diante do teu sonho e por isso, mais ainda por isso desejo-te do meu lado para que seu amor me transformasse no homem que tu sonhas poder existir em mim.

Confesso que choro e chorei hoje, copiosamente, ao lembrar da dor que vi nos teus olhos por não compreender as injustiças humanas, a maldades dos homens, a preguiça, a covardia, a desonestidade que toma conta do mundo. Não tem como não me emocionar ao lembrar do teu desejo de contribuir, todos os dias, silenciosamente, para fazer feliz todos aqueles que estão contigo, que estão ligados a ti por qualquer razão de ser. Tua sensibilidade, quem não percebe tua sensibilidade, ao carregar nos teus ombros tantas dores humanas, até mesmo dos desconhecidos, em seu desespero por distribuir amor.

As lágrimas caem do meu rosto novamente, como vi cair dos teus tantas vezes. São lágrimas de felicidade por saber que em algum lugar existe alguém como você. São lágrimas de tristeza por você estar tão distante de mim que não posso lhe tocar. São lágrimas de felicidade por que este amor me ensinou o quanto belo é a vida e a força que ela possui. São lágrimas de tristezas por que a vida é uma morte vivendo longe de você.

Confesso ...

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