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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

As escolhas de cada dia.- Pensamento incompleto.

Todos os dias temos de fazer escolhas. Quando acordamos temos de decidir se levantamos, ou se permanecemos um pouco mais na cama. Temos de escolher se agradecemos a Deus por mais um dia, ou se apenas começamos o dia, como se tudo fosse do nosso merecimento. O dia cheio de possibilidades se coloca diante de nós. Nós escolhemos o que fazer do dia que se nos apresenta. Se tem raios de sol, podemos render graças a Deus, ou simplesmente ignorar, pensando que tudo é natural. Se tem chuva, podemos pensar no quanto a água significa para a vida, ou reclamar que vai tornar nossa saída de casa mais problemática que nos dias de sol.

Aqueles que escolhem fazer uma prece em gratidão a Deus pelo novo dia, tem de escolher se agrade por toda a vida que já possui, ou se pede mais. Ao decidir pedir, é preciso escolher se pede prosperidade espiritual, moral, intelectual e ou emocional, ou se pede tudo. É sempre de escolhas que é feita nossa vida. Tudo no final, se resume às escolhas que fazemos. O que muito de nós nos perguntamos é: Por que escolhemos o que escolhemos? Por que escolhemos isso e não aquilo? Por que escolhemos comer maçã em vez da banana que está bem ali diante de nós? Por que escolhemos ir a igreja e não parque? O que nossas escolhas dizem de nós?

Hoje, quero me fazer uma outra pergunta: O que precisamos para escolher a verdade? No filme Matriz, Neo pergunta a Trinity, por que razão ele deve escolher permanecer no carro e continuar em busca da pergunta O que é a Matrix, e tem como resposta, - a rua por onde você pode voltar, você já sabe onde vai terminar. Talvez esta seja a verdade que nos impulsiona. Aquilo que já sabemos, já experimentamos, já conhecemos exatamente onde vai dar. Já sabemos as saídas que estão ao nosso dispor. Será esta, então, a razão para continuar a caminhada? Ao se encontrar com Morfeu, o personagem Neo fica diante de uma nova escolha: tomar uma de duas pílulas; a promessa, conhecer o real. A pergunta se desloca e a pergunta inicial do personagem vai perdendo o sentido. De uma escolha a outra o personagem vai se colocando diante de novas questões, e cada nova questão o desafia ao aprendizado e a novas escolhas.
Platão, ao discutir o mito da caverna, mostrou-nos que no nível do mundo sensível, mundo ilusório de dos sentidos, não podemos fazer escolhas verdadeiras, simplesmente por que não é possível conhecer o real. O mundo dos sentidos nos engana, vai dizer Descartes, mais tarde. O que dizer do mundos dos sentidos de hoje? A ciência e tecnologia ampliou a possibilidade de sentirmos prazer por meio dos sentidos, e com isso, ampliou também, a possibilidade da ilusão. A tecnologia que traz a velocidade da informação é a mesma que pode aumentar nossa ignorância, simplesmente, por que continua sendo nossas escolhas o que faz a diferença.
É difícil admitir e compreender que nossas escolhas selam nosso destino, que na verdade, nossa vida está em nossas mãos, de que na verdade nós temos o controle de tudo. Afinal, isso coloca sobre nossos ombros uma responsabilidade muito grande. Gostamos de pensar que os outros são culpados pelo que vivemos, como dizia Satre, é fácil pensar que o inferno são os outros. Aceitar que nossas escolhas fazem a diferença é assumir o desafio de em vez de olhar para os outros, olharmos para dentro de nós mesmos. De volta, novamente, ao "Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os Deuses". O conhece-te a ti mesmo é uma frase sobre a qual muito tempos a meditar e pensar. Existe uma vastidão de possibilidades de compreensão que podemos chegar, e subjetivamente, existe uma que nos ensina o caminho do conhecimento dos deuses e da sabedoria divina.

Michel Foucault em sua Obra "Hermeneutica do Sujeito", traz um capítulo interessante sobre o cuidado de si. Creio que nos dias de hoje, nada mais espetacular do que pensar o cuidado de si. Cuidar de si tem tomado as mais diversas interpretações,  e, o pensador francês, volta a analisar toda a relação de Socrátes com Alcibiades para mostrar que o cuidado de si não pode existir sem auto-conhecimento. No final, toda ciência e tecnologia pode tanto ajudar a nos libertar, como nos fazer mergulhar em um mundo ainda mais ilusório. Até mesmo as palavras já é um campo da ilusão, não define mas um mundo de um mesmo modo. O fantástico é, cada vez, o mais ilusório. A superação do mundo dos sentidos continua como um imperativo.

Quando o personagem Neo, volta a Matrix, agora depois de ter visto o real, reflete: eu vivia toda esta vida, e pensava que era real. Não é a mesma coisa que diz os viciados em bebidas quando abandona o vício? Eu pensava que isso era a vida, dizem eles. A mesma coisa dizem aqueles que se converte a uma religião. No final, é uma infindável de possibilidades do real, que se sutiliza cada vez mais, na medida em que nos distanciamos do mundo dos sentidos. No, final, tudo é resultado de nossas escolhas, e nossos caminhos só se torna possível quando escolhemos. 

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