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quarta-feira, 30 de março de 2011

A DEMOCRACIA, JAIR BOLSONARO,JOSÉ DE ALENCAR E A ESTATURA MORAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA



No momento em que a sociedade chora a morte de José de Alencar, o vice presidente querido por todos que ajudou o presidente Lula a tirar milhares da pobreza a Corregedoria da Câmara recebe milhares de e-mails exigindo a punição a um outro personagem da vida pública brasileira. O nome dele é Jair Bolsonaro. Racista, homofóbico, conservador, reacionário e preconceituoso o deputado tem freqüentado a mídia nos últimos anos sempre protagonizando cenas que nada diz do homem brasileiro visto em sua maioria.
É Preciso perguntar quem é Jair Bolsonaro. A enciclopédia livre da internet diz que é um militar e político brasileiro. Em 1986, foi preso por 15 dias por liderar manifestação dos militares sem autorização dos superiores o que foi caracterizado como ato de indisciplina grave e de imoralidade. O general Leônidas Pires afirmou que o militar Jair Bolsonaro não era digno de ser um oficial do exército por sua postura problemática e indisciplinada. Saindo do exército ainda jovem, tornou- se político e já está no quinto mandato. Além de ser deputado federal tem na sua família no rio de Janeiro um deputado estadual e um vereador.
Jair Bolsonaro é considerado um representante das Forças Armadas no Congresso Nacional e  o único deputado brasileiro a defender abertamente a volta do regime militar no Brasil bem como todos os atos do regime implantado em 1964. Na sua vida política passou por diversos partidos, primeiro foi eleito pelo PDC  ( Partido Democrata Cristão) no ano de 1988, para o cargo de vereador no Rio de Janeiro. Para quem não se lembra o PDC foi o nome adotado pela Arena ( Aliança renovadora Nacional), que dava sustentação política ao Regime Militar. No ano de 1990, foi eleito deputado federal pelo mesmo partido. O PDC mudou de nome duas vezes, primeiro para PPR, depois para PPB, e lá continou o deputado  Bolsonaro. No ano de 2003, teve uma rápida passagem pelo PTB, e uma outra passagem ainda mais rápida no ano de 2005 pelo PFL ( atual Dem), enfim, voltou a sua antiga morada, agora novamente com um novo nome – o PP.
No PP, Partido Progressista, o deputado Bolsonaro é membro da direção nacional como vogal, membro da Comissão de Ética, e membro da Direção Nacional. Ou seja, é tido pelos colegas de partido como um homem íntegro que zela pelo estatuto do partido e pela moralidade. No Congresso Nacional, onde já defendeu na tribuna o fuzilamento de um presidente, segundo as notícias dos jornais, é membro da Comissão de Direitos Humanos, da Comissão de Segurança Pública e da Comissão de Relações Exteriores e defesa nacional.
A declaração dada no CQC não é a primeira declaração polêmica do deputado. No site pessoal ele defende abertamente o não desarmamento, já defendeu a tortura no combate ao tráfico e ao uso de drogas, e, até o fuzilamento do presidente em sessão plenária da Câmara dos Deputados. Pela importância da biografia do deputado, imagino que sua voz é mais que sua própria voz. E não é de uma pequena e isolada minoria como a imprensa faz parecer ser. É a voz de importantes parcelas da sociedade brasileira que se mostra cada vez mais ousada na demonstração de racismos e aversão a democracia. É isso que devemos ter medo, não do deputado Bolsonaro.
A democracia brasileira vive um momento de consolidação mas ainda precisa de cuidados. No momento em que perdemos um grande democrata como José Alencar, é bom tentarmos entender o que significa a voz de um homem tão reacionário e com tanta força dentro das instituições democráticas. Uma democracia só cresce e amadurece quando a maioria do seu povo alcança um elevado nível moral. E não são os líderes considerados como indignos por uma Instituição tão importante como o Exército Brasileiro que será capaz de guiar esta sociedade no caminho de sua elevação moral. Urge que sigamos o exemplo do nosso grande vice-presidente José de Alencar.
Uma educação política é urgente. O povo brasileiro precisa aprender a conhecer os partidos políticos, seus dirigentes, suas idéias. Os líderes partidários devem buscar selecionar melhor seus quadros que de fato represente seus ideais. No estatuto atualizado de 2003, do PP, consta que a defesa da solidariedade e dos direitos humanos é bandeira do partido, se assim o fosse, o próprio partido deveria punir o deputado. No entanto, o deputado é membro efetivo da comissão de ética do partido. A construção de uma democracia forte requer que as instituições se fortaleçam e de fato represente os ideais dos seus representados. 

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