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quarta-feira, 23 de março de 2011

Obama no Brasil


Por pedido de uma amiga resolvi escrever sobre a vinda de Obama ao Brasil. Nunca fui muito crédulo com a possibilidade de Obama ter sucesso como presidente dos Estados Unidos, e, não considero ser isso um pessimista, apenas considero-me alguém que acompanha as tendências das relações internacionais e da dinâmica dos povos.
Quando ainda jovem quase criança, me debrucei sobre os estudos das profecias bíblicas, ali, aprendi que o império americano um dia entraria em decadência, e quando isso acontecesse não teria consistência para manter sua hegemonia no mundo que entraria em profunda transformação. A eleição do Obama me pareceu mais um dos sinais daqueles estudos proféticos,  e hoje vejo ter sido um sinal claro de muitas outras transformações que viria. Os acontecimentos no Oriente Médio, as revoltas populares, os governos derrubados, a dificuldade de  estabelecer a paz entre israelenses e mulçumanos, a ascensão da china, da índia e do Brasil são, neste caso, sinais evidentes da nova realidade.
Soma-se a isso o aprofundamento do processo de globalização que mistura todas as culturas, todos os povos e nos aproxima da glória e das desgraças de todos. Aproxima-se o tempo em que nos tornamos cada vez mais uma unidade. O mundo se torna um em uma multiplicidade que assusta o mais tranqüilo dos leigos.
A vinda de Obama ao Brasil é mais um passo, um evento de toda esta cadeia simbólica. Nela se pode ver as demandas do futuro – respeito a diversidade, necessidade da serenidade,  etc – desde as demandas diplomáticas mais duras até as mais simples. Na visita ao Brasil vemos um Obama Família. Olhando para a família se deslocando de um lugar para o outro se passava a imagem de que os Estados Unidos hoje são os maiores defensores dos valores da Instituição familiar tendo a família nuclear como modelo, ou seja, a família em seu modelo cristão. Vendo a família unida assistindo a roda de capoeira até senti saudade da minha infância quando todos se reuniam na porta da casa ao final da tarde, as crianças brincando e os pais conversando enquanto anoitecia.
A visita de Obama a cidade de Deus não foi menos simbólica. A pobreza extrema recheada de violência e agora combatida como política de estado é saudada pelo homem mais poderoso do mundo. Sua presença ali, é como se dissesse, “adversários da Dilma, liberais, é preciso mesmo combater a pobreza em todos os cantos do mundo”. De outro lado, imagino que Obama se sentiu em casa. A alegria é algo que corre no coração dos negros de qualquer parte do mundo, e como dizia um amigo angolano não existe negro mais alegre que o negro brasileiro.
Simbólica também foi a postura de Dilma. Agiu como grande estadista, digna do país que representa. Não pediu o que se não devia pedir ou o que podai provocar constrangimentos ao governo e a diplomacia americana. Ponto para os nossos diplomatas. Simbólico também foi o convite aos ex-presidentes para o almoço. É como se dissesse : “ este país tem sim uma história e por isso deixa de ser um país do futuro e torna-se um país do presente, na defesa dos mais nobres valores tanto internamente quanto no campo externo.
E finalmente, pode se dizer: a vinda de Obama foi um motivo de celebração. Celebração da democracia, da amizade e do compromisso com um mundo mais justo e humano, por que é isso que o Brasil representa depois dos oito anos do governo Lula. Para não deixar passar em branco registro a percepção de minha filha de cinco anos: Pai, você viu que o homem mais poderoso do mundo é marrom bombom? E eu respondi: Sim filha, por isso não precisamos mais termos vergonha de sermos negros. E ela retruca: Mas papai, você já viu que os pobres são todos marrons bombom? E de novo eu respondo: Sim filha, mas podemos lutar, e como o Obama,  melhorar nossa vida. Ela sorriu e disse: Papai, eu te amo, e sou muito feliz de ser sua filha. Macktub.


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