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quarta-feira, 27 de abril de 2011

O tempo de cuidar?



Não publiquei nada na semana santa. Poderia ter sido de propósito, mas não foi. A semana santa é sempre um tempo propício à reflexão, ao voltar-se para nosso interior e  compreender alguns acontecimentos de nossa vida. No mundo cristão é uma das datas mais especiais. Nela, vida e morte se encontram de forma ímpar e nos leva a compreender o alcance e o significado do renascer. Poderia ter sido por esta razão, no entanto não atualizei o blog por problemas técnicos.
Hoje retomando o contato com o mundo virtual vi um artigo que chamou minha atenção. Tratava da campanha da fraternidade 2011, da páscoa e da necessidade de espiritualização da humanidade. O que pode ser a dimensão cristíca do Universo Inteiro preconizado pela campanha da fraternidade 2011? Esta tentativa louvável de levar os indivíduos a sentirem-se cidadãos do mundo, a importância do cuidado de si, o cuidado do outro, de todos os que nos cercam, enfim o cuidado com o planeta e com o Universo inteiro.
A ética do cuidado, uma tese desenvolvida por Leonardo Boff é o eixo central da campanha. A idéia do cuidado é profunda, vai além da idéia de cuidado compreendida pelo senso comum. Na filosofia pensadores eminentes como Kikergaard, Heidegger, para ficar apenas em dois aprofundaram de forma inequívoca o sentido do que significa cuidar. Ao buscar a origem da palavra cuidar vamos encontrar dois significados possíveis: o primeiro, ligado a idéia de cura, daí o fato de costumeiramente vermos a idéia de cuidar ligado ao trabalho das enfermeiras; o segundo significado está ligado ao pensar, angustiar, procurar um sentido para as coisas.
Tanto em um como em outro sentido o  mundo atual pode servir-se em muito da idéia do cuidado. O capitalismo selvagem, o egoísmo, a ganância tem tomado conta de todos os ambientes. Quase já não nos sentimos refletidos no outro que está diante de nós. Vivemos como autômatos, robôs que vivem juntos com outros, mas que não vemos nem em nós nem nos demais a humanidade que deveria existir. Em meio a tanta dor e abandono talvez seja mesmo a hora e o tempo de cuidar.  Cuidar no sentido de curar o planeta e  os homens dos males que nós mesmos plantamos; cuidar no sentido de pensar mais na importância de viver juntos com os nossos irmãos, de sermos cidadãos do mundo superando preconceitos de raça, de cor, de gênero e de todos os tipos que oblitera os sentidos humanos e nos torna menores.
O tempo de cuidar para o teólogo da libertação não é apenas uma necessidade que se restringe a uma campanha ou a algo novidadeiro. A ética do cuidado é para ele a única chance do homem não ter o mesmo destino dos dinossauros: a extinção. Apenas a ética do cuidado pode levar o homem a se reconciliar com a natureza no sentido de preservar a vida na terra. Que o espírito da páscoa permaneça em todos nós, e que possamos recomeçar as lides da vida com a idéia de cuidado em nossa mente, conscientes que o Universo está em nós.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Cem dias do governo Dilma e o Óbvio Ululante.



Não consigo entender as análises que os cientistas políticos e especialistas em poder estão fazendo do Governo Dilma. Pelo que fica dito e publicado nos jornais parece que alguém esperava que a Dilma fizesse algo diferente do que está fazendo, ou seja, o óbvio, possível e necessário. Dilma tem como principal característica ser boa gestora, e como tal trabalha com contas a receber, e contas a pagar. Por mais que administrar uma nação não seja tão simples assim, no final, é quase isso, só se investe quando se tem recursos.
De outro lado fica parecendo que alguém em sã consciência acreditou que Dilma poderia fazer alguma estripulia em relação ao governo Lula. Dilma é mulher guerreira, cujo caráter foi forjado na dor, na fome e na necessidade, é o que se diz na Bahia comeu pão, farinha e sal junto com Lula, e, só uma mente delirante poderia acreditar que ela poderia fazer algum governo cuja marca não fosse a continuidade.
Dilma fez algumas correções de rumo, que talvez o próprio Lula faria. Assim foi na Política externa, na economia, cujas medidas tem como objetivo conter a inflação e preservar os investimentos e a política social; e,  de novo mudou o jeito de governar. E isso também óbvio pois Dilma não teria sucesso se tentasse ser uma Lula de saias. Dilma sabe que para ter sucesso tem de ser Dilma e permitir que o Lula continue sendo Lula.
A maior novidade mesmo dos 100 dias ficou por conta da oposição. Aécio ungido líder da oposição tentou no seu discurso impor uma nova forma de fazer política, de instaurar o debate, talvez não por vontade própria, mas por que sabe que enfrentar Dilma da mesma forma que enfrentou Lula é entrar numa fria ainda maior. Pior que o PSDB, ficou o Democratas vendo muitos dos seus bons quadros migrando para um tal PSD, ( na verdade o partido ainda não existe juridicamente), que parece querer não ter nenhum lado e nenhuma ideologia, embora todos saibam que será sim um partido defensor do livre mercado. Diminuído o Democratas fica ainda mais alinhado ou aliado do PSDB para conseguir sobreviver nos Estados.
Entres os Partidos aliados de Dilma, fica aquela sensação de esperar mais para ver como ficam as coisas pois quem esperava uma Dilma inábil deu com os burros na água. Dilma acenou para oposição, tratou bem governadores como Marconi Perillo e Alcmim dentre outros, conteve o apetite dos aliados por cargos, e alcançou uma popularidade jamais vista na história deste país por um presidente eleito.
Por tudo que vai se consolidando fica a incomôda sensação de que 100 dias é mesmo muito pouco nos dias atuais para se avaliar qualquer governo. A estratégia dos cem dias não serve mais. Uma agenda positiva para o país e para os estados deve esperar para o mês de agosto, e quem tiver o mínimo de inteligência aprenderá logo que governar é administrar a marca do possível com o que se tem e não com o que se sonha. É por descobrir isso que tanto Dilma quanto Marconi sequer conseguiu nomear toda a equipe necessária em cem dias de Governo.

Cem dias: Uma estratégia que não mais tem serventia.



Passou-se os primeiros cem dias de todos os governos estaduais e do Governo Dilma, enquanto governo central. A pergunta que todos especialistas estão fazendo é qual é a marca que fica para os governantes que tomaram posse em Janeiro. A pergunta que todas as análises  levam-me a fazer é se ainda tem sentido analisar cem dias de governo nos tempos atuais.
A idéia estratégica dos cem dias nasceu nos Estados Unidos da América, pós crise de 1929, com o desejo do então presidente Americano Rosevelt de resolver em tempo recorde e com medidas amargas a crise americana. Deu certo para 32º segundo presidente Americano, que curiosamente governou os Estados Unidos da América de 1932 a 1945, o mesmo tempo de Getúlio no Brasil, só que ele sendo um democrata e com eleições.
A estratégia dos 100 dias perdurou desde então. Todo novo governo todos ficam esperando quais ações serão tomadas nos primeiros 100 dias. No governo Marconi não era preciso ser nenhum especialista em política para saber que as medidas seriam amargas, o que surpreendeu a muitos foi a promessa de agilidade que não veio. Creio que o caso goiano se explica por uma crítica exagerada a leniência do Governo Alcides e a criação de uma expectativa muita alta por parte dos aliados de que seria uma gestão extremamente moderna, ágil e com resultados milagrosos. Com as principais empresas do estado à quase pedido de falência, Marconi pouco pode fazer. E a alta expectativa transforma para muitos em frustração.
Hoje a situação do estado não é nada agradável para quem quer que fosse que estivesse no Palácio das Esmeraldas. As principais empresas, Celg, Saneado, Ipasgo, Iquego, Metrobus, estão sem caixa para investimento, muitas, em situação ainda pior do que não ter como fazer investimento. As estradas, pedindo reformas. As áreas de segurança, saúde, Educação e cultura pedindo altos investimentos.
Em 100 dias de governo já podemos aceitar como realidade uma coisa. Marconi é jovem, ágil e maduro; mas não sabe fazer chover dinheiro do céu, ou seja, é só um homem com muita vontade de governar, e que tenta governar bem. Governar, no entanto, não depende apenas do governante, e um governante sozinho não constrói uma nação. Marconi não terá sucesso se os aliados não se perguntarem o que podem fazer por nosso estado, em vez de buscarem o que o estado pode fazer por cada um de nós. A retomada do desenvolvimento do Estado de Goiás vai exigir sacrifício de todos os goianos.
É também ilusão os aliados do Governador querer acusar uma oposição que não existe. Sim, não tem como existir oposição em Goiás uma vez que a base dilmista padece dos mesmos males a nível federal. Para evitar o linchamento é só usar as palavras de Jesus, “quem não tem pecado que jogue a primeira pedra”; ou seja, só resta todos voltarem para casa e seguir cada um suas vidas; a Base dillmista defender o espólio de Lula e tentar seguir em frente em defesa da continuidade do crescimento do país, a base de Marconi administrar o que tem e como pode.
Concluo assim, percebendo que 100 dias como estratégia não tem mais valor. 100 dias não são mais suficientes para refazer caminhos, construir novas pontes. Não será com terapias de choque que se poderá resolver alguma coisa mas colocando sob um novo patamar a discussão política e o conceito de gestão da coisa pública. E isso é conceito não se coloca em 100 dias.
Marconi por exemplo colocou uma nova forma de fazer gestão pública com otimismo e tentando olhar para frente ( embora alguns aliados insista em ficar olhando para trás), tentou sair da letargia, ( embora tenha ficado preso a compromissos financeiros do passado), tentou envolver a sociedade civil na busca de soluções. Tudo isso é extremamente vantajoso. No entanto, só demonstra que não dá para avaliar os resultados em 100 dias.

domingo, 10 de abril de 2011

A criança ferida do realengo e a verdade inconveniente



Existe uma verdade extremamente inconveniente. A verdade de que nosso o pior mal de nosso mundo é o egoísmo, o profundo individualismo, esta idéia maluca de pensar que cuidar de si é pensar apenas em si mesmo. O sucesso do sistema capitalista só se dá justamente por explorar este terrível mal humano, o mal do egoísmo e o individualismo.
Durante a semana que terminou neste domingo muitas imagens teve potencial para nos deixar chocados e a imprensa escolheu o Assassino do Realengo para centrar fogo, para denunciar as mazelas da humanidade. De um momento pareceu que aquele jovem com traços de esquizofrenia carregava nele toda a crueldade da humanidade. Uma outra imagem no mesmo acontecimento despertou-me ainda mais sobre a crueldade humana.
Uma criança caída, atingida por um tiro e todos passando ao largo a procura de seus filhos. Policiais, pais, mães, professores, todos por algum motivo correndo. E a criança ali, caída, pedindo socorro. A loucura delirante do maluco atirador encontra o seu contrapeso ali mesmo. O egoísmo humano fez com que todos pensassem apenas nos seus e não vida que estava ali, caída, bem diante de todos.
Na vida cotidiana o tempo todo, somos colocados diante de situações semelhantes. Quase sempre consideramos o que fazemos ou a nossa posição como sendo a mais importante. Nada pode nos atrapalhar, e a razão última é nossa imagem e nossa reputação. O sacrifício pela coletividade é algo que já não existe ou se torna cada vez mais raro.
Há muitos que impregnados pelo egoísmo são capazes de mentir uma vida inteira para tirar uma vantagem que no final nem sequer se revela uma vantagem verdadeira. Outros, roubam, arriscam suas vidas apenas pela vaga ilusão de ter uma vida de conforto material, um cargo, um trabalho que no final não é capaz de prolongar-lhe a vida pois adoecem fruto do desespero e da consciência culpada.
Por egoísmo, pais abandonam os filhos iludidos, muitas vezes por desejos enganosos, ou na esperança de viver um grande amor, como se fosse possível deixar de criar bem os próprios filhos  e conseguir ser feliz vivendo um “grande amor”. Não entendem que um amor não admite sofrimento daqueles que esperam dependem de nós, e que quando amamos se tem algo a ser sacrificado, este algo é sempre o amor.
Por egoísmo, ganância e vaidade, governantes arruínam nações inteiras. Sim, a vaidade é a razão de inúmeras guerras, morticínios, massacres e tantos males que a sociedade enfrenta. Por egoísmo e vaidade muitos praticam ações que arruínam vidas de milhares, e, por ignorância sequer são capazes de perceber o mal que fizeram, pois a ignorância anda sempre de mãos dadas com o egoísmo e a vaidade.
Nesta nova semana que se inicia que possamos atender o pedido de socorro daqueles que caírem diante de nós. Que possamos pesar nossos pensamentos, palavras e ações e sobretudo que possamos entender o verdadeiro significado do amor e encontrar forças para entender que o verdadeiro amor é universal e não exige ou não pode exigir jamais que faltemos com a verdade, ou que abandonemos as pessoas que precisam de nós. 

A maestria da vida


A maestria da  vida não é algo que se conquista por  milagre, é um trabalho diário feito por cada pensamento, palavra e ação. Somos nós os únicos responsáveis pelo nosso destino e compreender isso pode fazer toda a diferença na nossa existência. Nos dias atuais convivemos com as mais cruéis contradições; pessoas com boa estrutura material vivem angustiada e infelizes, de outro lado pessoas com vida simples vivendo de forma tranqüila e feliz; da mesma forma é possível conhecer pessoas infelizes por querer possuir o que não se tem o que nos leva a pensar que não importa o que se tem ou o quanto se tem o que define a felicidade é o domínio que cada um tem sobre a vida.
 A pergunta então que surge é: que é preciso para se conquistar a maestria da vida ou o domínio da vida? Diz-se a ciência que estuda o comportamento moral do ser humano que o segredo do equilíbrio na vida é saber conciliar o que se quer, o que se pode, e o que se deve fazer. Entender o que quero, o que posso e o que devo e alinhar estas três questões seria então o segredo do equilíbrio emocional e da felicidade espiritual.  
Entretanto alcançar a condição de saber o que se quer, pode e deve fazer na vida, significa o individuo ser livre, consciente e responsável, que por sua vez requer um nível de desenvolvimento moral onde a pessoa fosse capaz de reconhecer o bem independente do medo da punição do mal ou por temor a algo mais poderoso. Ainda assim, tais indivíduos não estariam livres da dualidade da vida terrestre ou salvos dos desafios e problemas da vida cotidiana.
Muitos indivíduos acreditam piamente que uma vez conseguindo um determinado nível de desenvolvimento moral estão por isso livres de sofrer problemas, ser vítimas da injustiça, da miséria ou de vivenciar momentos angustiantes. Na verdade tais momentos na vida só são importantes para nos ajudar a entender o que já aprendemos na vida e o que ainda devemos aprender. Nestas condições a maestria da vida consiste em viver com sabedoria as circunstâncias as quais somos submetidos.
A caminhada para se tornar um sujeito consciente e livre é longa e dolorosa, mas alcançar o ponto da liberdade e da consciência é só o primeiro passo na busca do domínio da vida e de si mesmo. Uma vez encontrado ponto da percepção do eu  uma nova jornada se inicia; a jornada da construção da maestria, da busca da unidade pela percepção da dualidade existente na terra.
O domínio da vida é agora o caminho a ser seguido. Em todos os minutos, momentos, situações a vida vai nos oferecendo oportunidades de estar consciente das nossas limitações, do poder da nossa vontade. Então não faz diferença alguma ser pobre ou rico, belo ou feio, alto ou baixo ou mesmo estar com saúde ou doente. A percepção da nossa força e daquilo que nos liga a divindade levam-nos a compreender que é no viver cotidiano que é possível construir nosso desenvolvimento. A vida se torna apenas uma jornada de aprendizagem onde toda a humanidade passa a ser nossos irmãos.
O caminho da maestria é o caminho do discipulado. É sendo discípulos que aprendemos a ser mestre de nós mesmo. É por isso que devemos reconhecer em cada situação, em cada pessoa, em cada momento vivido um mestre a nos ensinar a beleza de ser cada vez melhor, a oportunidade de aprender  novas lições. E quando compreendemos isso estamos dando o primeiro passo para compreender o ponto de partida do domínio de si, o domínio da vida e a maestria tão busca por todos.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

O MASSACRE DO REALENGO E AS VERDADES INCONVENIENTES.


Ontem falamos de morte e não era  nossa intenção falarmos de morte novamente. Temos muitos assuntos em pauta no momento como a reforma política, os partidos políticos, as relações entre público e privado, as religiões e crenças, a educação, a segurança, a saúde, e, muitos outros  assuntos cadentes de tratamento. No entanto, o massacre do realengo nos impede de ir adiante sem antes tecer algumas considerações sobre ele.
É natural que todos fiquemos chocados e assustados com um massacre de tal magnitude, parece a um primeiro olhar uma tragédia, uma crueldade sem fim contra crianças inocentes, parece uma coisa demoníaca. Antes que façamos qualquer julgamento é preciso primeiro lembrar que massacre como este já ocorreram muitos nos últimos anos, sendo o mais famoso O massacre de Columbine. Precisamos nos perguntar então, é por que este tipo de massacre acontece? Por que não estamos preparados para enfrentar situações deste tipo? Por que somos achados de surpresa e quase não conseguimos reagir?
Crimes desta forma se acumulam com outros similares como filhos que matam os pais, namorados que matam as amantes, maridos que matam suas esposas, e, até pais e padrastos que matam seus filhos. Não me parece ser algo isolado, antes parece ser algo que apresenta um sintoma maior vivido na sociedade. Durkheim escreveu que tais acontecimentos são sinais evidentes de que está ocorrendo um processo de desagregação social, e sendo isso verdade não adianta ficarmos chocados, assustados ou com medo. É preciso fazer o diagnóstico correto, com serenidade para que se possa enfrentar a situação.
Vi ontem no Twitter muitos pais famosos afirmando que beijaram seus filhos antes de dormir e fiquei impressionado e imaginando que certamente não é costume deles beijar os filhos antes de dormir. Pela a forma como relatavam a relação com os filhos fica claro que são distantes. O assassino do realengo era solitário em sua família.
Recentemente a sobrinha de uma grande amiga ateou fogo no próprio corpo. Eu mesmo, parte do circulo social dela fui pego de surpresa, e, ninguém percebeu o quão perto ela estava da tragédia. A sociedade do capital, da hipocrisia, da dissimulação está nos tornando insensíveis. O assassino do realengo entrou em uma escola conversou com uma professora, certamente passou por diversas outras pessoas, ninguém percebeu nada diferente no semblante dele. Ninguém percebeu na tragédia que estava prestes a acontecer.
As tragédias que tem acontecido tem início nas relações familiares. As famílias estão se dissolvendo. Pais não cumprimentam mais seus filhos antes de ir ao trabalho, e foi invertida a posição – a empresa se tornou a família e a familial lugar de investimento. Muitos se casam não para construir uma família mas para potencializar a carreira. Pais não olham mais com amor a tarefa escolar do filho, e, se vê uma nota ruim logo questiona a mensalidade cara que está pagando não a razão da dificuldade do filho.
As tragédias que tem acontecido tem sua continuidade nos círculos sociais e nas escolas. Nestas, professores mal remunerados, muitos desajustados socialmente, com diversos problemas emocionais, deprimidos, revoltados, passam para os seus alunos uma carga de sentimentos negativos. O natural na sociedade não é mais ser transparente, é ser dissimulado. E o dissimulado que consegue esconder toda a sua frustração ainda assim, o que ensina ao seu aluno é a ser dissimulado, mesmo quando se faz o bem. A hipocrisia e a dissimulação se tornaram regra no trato social. O egoísmo, o individualismo encontrou seu píncaro mais alto.
O massacre do realengo e todos os outros massacres e crimes que vem ocorrendo revela a face oculta de nossa sociedade, ou a face que está exposta aos nossos olhos e nós tentamos não ver. São os hipócritas em sua maioria, os que governam nossa sociedade, são os mentirosos que recebem honraria, são os que fazem promessas falsas os que conseguem ir adiante. Vivemos em um tempo em que se dão bem quem consegue esconder as mazelas que vivem, e não aqueles que vivem de forma transparente enfrentando de cabeça erguida os problemas que se colocam na vida. O massacre de realengo e outros crimes é o fim de uma estrada na qual as pessoas fracas não conseguem percorrer, ou o fim de um jogo no qual os mais fracos não conseguem mais jogar e já não aceitam perder.
O massacre do realengo clama por mudanças na família,  nas relações familiares, nos círculos sociais, nas escolas, nas universidades. O mundo tem de tornar novamente humano. Não somos coisas, objetos, instrumentos de um sistema, é homem que somos. E como homens, precisamos de carinho, de amor, de viver em sociedade, de vermos e sermos vistos, de compreender e sermos compreendidos. Precisamos amar e sermos amados, tolerar e sermos tolerados, respeitar e sermos respeitados. Não somos mercadorias que podem ser trocadas a qualquer momento.
Ontem li uma reportagem que me chocou tanto quanto o massacre do realengo. Um casal fez inseminação artificial, pediram dois filhos, vieram três, o casal devolveu um dos filhos à maternidade. Veja que crueldade!! Filhos tornou-se uma mercadoria que se encomenda na maternidade e se não for na quantidade e na forma que se encomendou simplesmente se devolve. É a banalização da vida, a banalização do mal. É preciso que não esqueçamos que ainda somos humanos.


quinta-feira, 7 de abril de 2011

A morte, a vida, o amor e o vazio interior.



Converso com uma amiga que mora no rio de janeiro e ouço-a pensativa sobre a vida levada por acontecimento trágico: a morte de uma amiga íntima aos 34 anos de vida. A morte quando traga alguém na juventude tem este estranho poder sobre os demais que ficam: leva-nos a pensar sobre a vida. Parece paradoxal mas é preciso a morte de jovens sem explicação definida, por doenças graves com câncer, Aids, entre outras doenças para que sejamos levados a pensar seriamente na vida. E ao pensar na vida as pessoas se deparam com duas coisas: o amor e o vazio interior.
Talvez a morte nos leve a pensar sobre a vida justamente por que não é preciso pensar sobre a morte. Marilena Chauí afirmou em uma palestra que assisti que não é possível filosofar sobre a morte, pois se estamos vivos não sabemos do que se trata e quando a experimentamos já não temos mais como fazê-lo; os mortos não filosofam. José de Alencar ao responder questões, indelicadas ao meu ver, sobre sua saúde e se tinha medo da morte assim respondeu: ninguém sabe sobre a morte, por isso tenho medo da desonra.
Nas religiões a morte é tema explorado diuturnamente. É no medo da morte e não na vida que as religiões encontram o maior cabedal de instrumentos para aumentar seus membros. No cristianismo católico a morte é vista como uma passagem para o purgatório, céu ou inferno; e é o medo do purgatório e do inferno que leva muitos a viver dignamente. No cristianismo protestante é o  medo do inferno e  de se queimar eternamente em fogo abrasador que leva muitos a ter uma vida digna e respeitar seus semelhantes, afinal, que são as dificuldades da vida perante uma eternidade queimando no fogo do inferno?
No kardecismo, o chamado espiritismo cristão, codificado por Alan Kardec e popularizado no Brasil por Chico Xavier, a morte é uma transição para um outro plano da realidade que pode ser bom ou ruim de acordo com o nível de evolução daquele que faz a passagem. As regiões escuras são chamadas de umbral, e aqueles que alcançara uma evolução espiritual considerável vão para regiões de luz de onde se preparam para novas encarnações até terminarem seu ciclo evolutivo e alcançarem a perfeição. A vida na terra deixa de ser um ciclo importante para ser apenas de uma peça na existência do indivíduo que pode viver várias vidas até a chegar ao propósito de sua existência.
São muitas outras concepções que se tem da morte, e todas elas em uma relação definitiva com a vida e procurando pautar a vida de forma que uma boa vida leva a uma boa morte, ou  a um bom lugar após a morte. A morte poderia, no entanto, ter menor poder sobre a vida? Isso seria possível? Creio que sim. Para isso o agir humano precisaria ser movido pelo amor a própria vida. O amor deveria tomar o lugar do medo e a vontade o lugar dos apetites. A vontade, segundo Espinosa, é uma coisa que está na alma, faz parte da essência desta. Os desejos estão no corpo. Tomar consciência dos desejos e aprender a utilizar a vontade para atender aos apetites do corpo e a tudo que nos move na vida é encontrar uma forma equilibrada de viver.
Ao tomar consciência desta relação corpo e alma, morte e vida, é que muitos se deparam com o que chamam de vazio interior. Este vazio é descrito como uma vontade ou apetite de querer sempre mais. Aqueles que nada tem querem o alimento, o conforto; outros que tem o necessário querem amor, viagens, vida em família; os que tem família, querem mais, exigem mais, e mesmo pessoas bilionárias, com famílias estruturadas, as vezes, padecem do vazio interior. Muitas vezes, e em algumas filosofias e religiões, o vazio interior tem origem nas lembranças saudosas de vidas passadas e de  momentos que não podem ser revividos na vida presente. Outros dizem que o vazio interior diz respeito a essência humana e sua busca eterna por se unir ao divino.
Sendo difícil compreender a morte e uma vez que a vida pode ser agastada pela existência deste vazio que nada preenche e  nada explica, talvez a solução seja procurar na vida as razões para se viver. E se procuramos na vida as razões para se viver só uma coisa encontraremos que possa nos acalentar: o desejo de nossa alma de levar uma vida virtuosa que nos traga paz de consciência. Os sentimentos, as paixões passam, então, a ficarem em um segundo plano dando lugar as virtudes morais e espirituais, como pensadas por Aristóteles. Talvez se utilizássemos aqui uma metáfora cristã diríamos que a essência da vida está em aprender o exercício do amor, não o amor da carne, dos desejos mas o amor da alma que nos leva a nos unir a todos os seres humano e viver uma vida de equilíbrio  e serenidade. O certo é que quando compreendemos nosso caminho na terra, o sentido e razão de nosso viver, parte deste vazio existencial desaparece e aprendemos que não se pode viver no passado e nem antecipar o futuro. Só somos donos do nosso presente, daí por que é necessário vivê-lo com responsabilidade. É nele que podemos nos corrigir do passado e é nele que decidimos o nosso destino futuro. É por isso que como Nelson Mandela, todos os dias agradeço a todos os deuses por minha alma indomável, pois é ela que me faz dono do meu destino e único capitão de minha existência.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Aécio Neves e a Democracia em Novo Patamar



Aécio Neves agradou menos do que se esperava dele em seu primeiro discurso no senado. Deixou de agradar não por que deixou de fazer o que podia ser feito, mas por que se esperava muito, e, aqueles que esperavam nem sabiam direito o que queriam ouvir. Sabendo disso, Aécio fez o óbvio. Assumiu o papel de líder da oposição e propôs reconhecer todo o passado olhando pra frente.
O discurso durou 25 minutos, e mobilizou o senado todo resto da tarde. A imprensa, a mídia em geral repercutiu mais do que o necessário. Uma coisa me parecer ter passado despercebido no discurso de Aécio, ou aqueles que ouviram acharam melhor não demonstrar que entenderam. Aécio tentou elevar o debate político a um novo patamar tentando sensibilizar o plenário e o país de que o futuro exige de nós um maior senso moral.
E uma tacada só Aécio enfrentou adversários internos do seu partido pregando uma oposição sadia, não raivosa e programática e de outro lado, fustigou o PT ao lembrar as ausências do Partido Governista nos momentos nos quais o país precisou dele. Ao demarcar suas diferenças internas com líderes do Partido como José Serra, Aécio manda um recado claro: sua posição é a de um gestor que deseja se unir a todos aqueles que querem construir um país mais justo, e ai, neste ponto o líder da oposição esqueceu de dizer qual o rumo que o país deve tomar.
Não deixou claro, por exemplo, qual papel defende para o Estado, pois se de um lado defendeu o fortalecimento das políticas sociais, não deixou claro a intenção ao defender o Legado de FHC qual seu posicionamento sobre a questão da privatização. Neste caso, bem complicado, pois a relação estado mercado ainda é um fator importante se queremos entender o papel do estado na proteção dos direitos humanos e sociais na atualidade.
Quem não ouviu direito, o caso da Senadora do PSOL, ficou com a incômoda opinião de que o discurso poderia ter sido feito pelo Líder do PT, do PMDB, do DEM, ou do PSB, ou ainda do criado e inexistente PSD. Quase ninguém não quis ouvir ou não ouviu o chamamento a um novo posicionamento diante da condição moral que se encontra o país. Aécio tentou; tentou dizer a colegas de partido que na política não existe inimigos, existe adversários; tentou dizer que o senado é um lugar pra se debater idéias, projetos, programas em defesa do crescimento e do desenvolvimento do país, e, não da busca do poder a qualquer custo como se ali fosse um palco semelhante a um bigbrother; tentou mostrar gentileza e elegância como se dissesse que podemos dizer verdades de forma tranqüila e sem magoar as pessoas a quem dizemos. Aécio tentou ser maior que o momento político que o país vive, carente de líderes de elevada estatura moral.
Que o futuro nos ajude a entender o discurso de Aécio, e quiçá ele não se desvie do seu propósito de agir sempre em defesa dos interesses do país, mesmo que para isso precise sacrificar o seu próprio projeto de poder. Caso isso aconteça talvez ele não seja presidente do país, mas talvez ajude o povo brasileiro a dar um passo, desta vez rumo a evolução moral para uma existência livre, consciente e responsável.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Helena de Tróia ( Esparta) e as Mulheres de Atenas


Debruçado sobre o pensamento de Bachelard fui obrigado a conviver, mesmo meio a contra vontade, com um acontecimento que me fez refletir o tanto que a história do pensamento é realmente diferente da história da vida cotidiana. O acontecimento fez-me dirigir o pensamento aos gregos antigos e a vida cotidiana que tinham. A fuga de Helena com seu amante Paris é uma deixa interessante para se pensar como a racionalidade se perde quando se mistura a sentimentos e paixões, ou quando a vida se funda em uma ética que exclui o direito de liberdade aqueles que pensamos ser inferior a nós, os chamados de outros.
Helena, segundo consta na história ou a mitologia como melhor aprouver, era mulher de Menelau que por sua vez tinha o respeito e o afeto de todos os reis da Grécia. Bela como nenhuma outra mulher, Helena era filha de Zeus e da Mortal Leda, esta esposa de Tíndaro, rei de Esparta. Helena era não apenas uma mulher, era uma semideusa, pois filha de um mortal e de um deus. Todos os acontecimentos presentes na Ìliada e na Odisséia tem como ponto de partida a existência de Helena.
Helena é a mulher liberal que segue o seu coração e, a negação do comportamento das mulheres de Atenas. Estas eram submissas aos seus maridos, virtuosas, dadas ao trabalho e fiéis ao seu papel na sociedade. Helena é dominada pela sua paixão.
Na verdade toda a vida de Helena foi uma rosário de confusão. Quando ainda menina foi raptada por Teseu e libertada por seus dois Irmãos Castor e Polux. Voltando a Esparta, seu pai Tíndaro temendo ocorrer uma desgraça resolve propor uma forma de resolver a disputa entre tantos pretendentes. Acertou então que todos respeitariam a escolha de Helena. Em nenhuma das versões que conheço existe uma explicação lógica para que Helena escolhesse Menelau. Este era irmão mais novo de Agamenon novo rei de Esparta e casado com a irmã de Helena, Clitimnestra. Menos lógico ainda foi sua história de fugir com Paris para tróia. Paris não era, pelas descrições, nada tão sedutor assim, não era o típico soldado valente, corajoso e virtuoso.
Conseguindo a solidariedade dos demais reis gregos, Menelau organiza uma expedição a Tróia em busca de Helena. Uma das versões, que eu acho interessante, insinua que na verdade muitos dos reis gregos foram para a guerra não por solidariedade mas por que também tinham a intenção de desposar Helena, seria por exemplo, o caso de Aquiles. Helena em sua paixão febril, nem humana, nem divina escolheu Paris.  Em uma das versões, após a morte de Paris ela casa com seu cunhado Deifobo, trai-o, entrega-o a Menelau e volta para Esparta. Em outra versão, diz que ela sobrevive a morte de Paris, é expulsa de tróia por seu enteados, foge para Rodes onde é enforcada pela rainha Polixo que teve seu marido morto na guerra.
Na versão mais interessante, ela sobrevive a todos, e vai viver nas ilhas de forma afortunada com Aquiles. É um mito, muitas versões, mas uma verdade fica forte em todas as versões: a força da paixão de Helena e sua capacidade de enfeitiçar os homens e depois  abandoná-los sem nenhum pudor, o que a coloca em uma diferença colossal das mulheres de Atenas.
As mulheres de Atenas.

Mulheres de Atenas
Composição : Chico Buarque
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas:
Vivem pros seus maridos,
Orgulho e raça de Atenas.
Quando amadas, se perfumam,
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas.
Quando fustigadas não choram!
Se ajoelham, pedem imploram
Mais duras penas; cadenas.
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas:
Sofrem pros seus maridos,
Poder e força de Atenas.
Quando eles embarcam soldados
Elas tecem longos bordados;
Mil quarentenas.
E quando eles voltam, sedentos,
Querem arrancar, violentos,
Carícias plenas, obscenas.
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas:
Despem-se pros maridos,
Bravos guerreiros de Atenas.
Quando eles se entopem de vinho
Costumam buscar um carinho
De outras falenas,
Mas no fim da noite, aos pedaços,
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas, Helenas.
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas:
Geram pros seus maridos,
Os novos filhos de Atenas.
Elas não têm gosto ou vontade,
Nem defeito, nem qualidade;
Têm medo apenas.
Não tem sonhos, só tem presságios.
O seu homem, mares, naufrágios...
Lindas sirenas, morenas.
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas:
Temem por seus maridos,
Heróis e amantes de Atenas.
As jovens viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas,
Não fazem cenas.
Vestem-se de negro, se encolhem,
Se conformam e se recolhem
Às suas novenas;
Serenas.
Mirem-se no exemplo
Daquelas mulheres de Atenas:
Secam por seus maridos,
Orgulho e raça de Atenas.

Penélope, Helena e as Mulheres modernas.
O mundo precisa de mais penélopes, e menos Helenas. A revolução sexual povoou o mundo de Helenas. As mulheres tornaram-se semi-deusas, não são mais submissas, não se entregam ao projeto de se construir uma família, abandonam os filhos por suas paixões, e , que muitas vezes as levam a tragédia e morte. Grande parte das vezes não por parte do marido que as amaram, mas do amante que nada tinha a perder, e  nada desejava senão a ilusão da ilha de Loto, comer e se despender dos prazeres da vida.
Não creio que Penelópe não fosse livre. Creio que na verdade era ainda mais livre, mais consciente e mais responsável que Helena. É a velha discussão sobre o que é o poder e a liberdade, e o uso responsável que fazemos dela. Penelópe jamais seria considerada culpada se tivesse cedido as investidas dos seus pretendentes com a notícia de que Ulisses já estava morto. Mesmo assim, Penelópe prefere esperar mais e sempre mais. Penelópe é para mim a expressão do amor verdadeiro, em contraposição a Helena que é a expressão da paixão desenfreada e sem responsabilidade. Dirá as feministas de hoje que isso cheira a machismo. É claro que não considero aqui a possibilidade de que se volte no tempo e destrua as conquistas modernas dos direitos femininos. Trata-se de responsabilidade. Nos dias atuais precisamos conciliar a liberdade com a responsabilidade. Não se pode mais deixar que em nome da liberdade faça-se qualquer coisa e seja impune.
No amor verdadeiro não existe distância e tempo que justifique o comportamento infiel. Na paixão desenfreada obedece apenas os desejos e a vontade da carne. Nosso tempo tem sido o tempo das Helenas. O tempo da liberdade sem responsabilidade. O tempo da paixão, do atendimento ao desejo de forma inconseqüente. E que falta nos faz as mulheres de Atenas.


Reforma Política : Educação e Plebiscito Já!



A tentativa da reforma política começou para valer no Brasil. A comissão especial do Senado que debate, analisa e pensa a reforma trabalha a todo vapor. A Comissão especial do Senado é formada por notáveis. Presidida pelo Senador Francisco Dorneles, e com a presença de Itamar Franco, Fernando Collor, Demóstenes Torres, e outras figuras influentes do senado, será difícil o que passar por tal comissão não ter pelo menos o respeito dos demais membros dos seus respectivos partidos. E é bem ai que mora o problema.
A pergunta que fica é se a reforma saída das mãos destes notáveis refletirá o pensamento ou mesmo a necessidade da democracia brasileira em um momento no qual o país se encontra em franco crescimento. Pesquisa feita pelo Instituto do próprio senado mostrou primeira discrepância entra o que pensa os notáveis e o que pensa os eleitores. Na pesquisa 58 % da população prefere que continue a reeleição e o tempo de mandato como está; optou pelo voto facultativo em vez do obrigatório aprovado pelos notáveis; optou por votar no próprio candidato em vez de votar em uma lista; ou seja, o pensamento dos notáveis está na contramão do que pensa o eleitor.
Outra pesquisa realizada pelo PTB – Partido Trabalhista Brasileiro, mostrou algo ainda mais preocupante. Segundo o Blog do Jeferson, são poucos, bem poucos os brasileiros que conhecem e sabem como funciona o sistema político brasileiro. Na verdade a pesquisa ou enquete mostra uma coisa que o senso comum escancara; no Brasil mesmo dirigentes partidários sequer conhecem o estatuto do próprio partido. Falta informação ao eleitor sobre como funciona ou deve funcionar um estado democrático, e, falta aos notáveis, conhecimento do que pensa este eleitor.
Detectado o problema resta-nos apenas uma saída: educação política da população e realização de plebiscito ou referendo para a reforma política. Na melhor das hipóteses é preciso que seja feito uma boa consulta popular, audiências, seminários, para que o povo pelo menos tome consciência do que estará fazendo nas próximas eleições.


segunda-feira, 4 de abril de 2011

Em contraponto o debate do Bolsonaro, publico o credo da paz.


CREDO DA PAZ


CREDO DA PAZ - Ralph Maxwell Lewis

Sou responsável pela guerra quando orgulhosamente faço uso da minha inteligência para prejudicar o meu semelhante;

Sou responsável pela guerra quando menosprezo as opiniões alheias que diferem das minhas próprias;

Sou responsável pela guerra quando desrespeito os direitos alheios;

Sou responsável pela guerra quando cobiço aquilo que uma outra pessoa conseguiu honestamente;

Sou responsável pela guerra quando abuso da minha superioridade de posição privando outros de sua oportunidade para progredir;

Sou responsável pela guerra se considero apenas a mim próprio e a meus parentes pessoas privilegiadas;

Sou responsável pela guerra quando me concedo direitos para monopolizar recursos naturais;

Sou responsável pela guerra se acredito que outras pessoas devem pensar e viver da mesma maneira que eu;

Sou responsável pela guerra quando penso que sucesso na vida depende exclusivamente do poder da fama e da riqueza;

Sou responsável pela guerra quando penso que a mente das pessoas deve ser dominada pela força e não educada pela razão;

Sou responsável pela guerra se acredito que o Deus de minha concepção é aquele em que os outros devem acreditar;

Sou responsável pela guerra quando penso que o país em que nasce o indivíduo deve ser necessariamente o lugar onde ele tem de viver;

Os verdadeiros preceitos da Paz não são legislados, porém formados nas aspirações pessoais e na conduta de milhões de indivíduos. A ignorância proporciona uma felicidade perigosa. A verdadeira Paz nasce do conhecimento que faz desaparecer o medo. Quando os homens perceberem finalmente sua dependência comum manifestar-se-á uma compreensão que transcenderá as barreiras de tempo e espaço, credo e raça. 

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Sou responsável pela paz se direciono correta e construtivamente os poderes da minha mente;

Sou responsável pela paz se concedo ao meu semelhante o direito pleno de se expressar, de acordo com o seu próprio entendimento das verdades da vida;

Sou responsável pela paz se reconheço que os meus direitos cessam quando iniciam os direitos dos outros, e aceito isso com um mínimo indispensável de disciplina;

Sou responsável pela paz se faço uso dos meus poderes interiores para criar minhas próprias oportunidades;

Sou responsável pela paz se consigo promover a evolução dos que me cercam, sem considerar a minha posição ameaçada, e entendo que esta é a minha maior fonte de sucesso;

Sou responsável pela paz se compreendo que as Leis Cósmicas diferem das leis criadas pelo Homem, e que nenhum direito divino especial é concedido a alguém unicamente por seu berço;

Sou responsável pela paz se reconheço que os recursos naturais devem servir indistintamente a todas as formas de vida, e que não me cabem direitos exclusivos sobre eles;

Sou responsável pela paz se compreendo que nada é mais livre do que o pensamento, e que o pensamento construtivo transforma o Homem direcionando-o para a sua verdadeira meta;

Sou responsável pela paz quando sinto que toda felicidade depende do simples fato de existir... de estar de bem com a vida;

Sou responsável pela paz se percebo que todo ser humano poderá vir a ser um grato amigo, quando convencido pela argumentação sincera;

Sou responsável pela paz se considero que a Alma de Deus adquire personalidade no Homem, e que este só pode conceber Deus a partir de sua própria percepção da Divindade;

Sou responsável pela paz se reconheço a mim e ao meu semelhante como partes integrantes do Universo, e que a cada um cabe a busca do lugar onde melhor possa servir;

Se estou em paz, eu promovo a paz dos que me cercam. Por sua vez, eles promovem a paz daqueles que estão à sua volta e que também farão o mesmo. Então, a paz começa por mim! E sem ela não pode haver a necessária transformação social.

Bolsonaro, O Brasil quer é crescer em Paz.


Senhor Bolsonaro, não posso dizer que tenho tempo sobrando em minha vida. Sou negro, de origem pobre, do Nordeste Goiano, casado com uma negra, pai de duas filhas negras, pedagogo, Mestre em Educação pela Universidade Federal de Goiás e Doutorando em Educação pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás. A importância de me identificar, Senhor Deputado, não é por questão de ego pessoal, mas uma tentativa de fazer o senhor ler minhas palavras. Talvez o Senhor não queira perder tempo lendo o que um negro escreve, mas talvez o senhor pare para ler o que um Educador Brasileiro escreve.
Quero dizer ao senhor deputado, que nunca estudei por cotas e creio que cheguei ao doutorado por mérito pessoal, enfrentando todos os tipos de discriminação de pessoas como o senhor, e, contanto com a benevolência de homens justos e que querem um país com igualdade, mais humano e com justiça social.
Quero dizer ao Senhor deputado, que desde criança sou um espiritualista, defensor dos bons costumes, da família, das Instituições da sociedade. Sou um defensor da ordem, senhor deputado, mas também, um defensor da liberdade, da consciência e da responsabilidade. E, acredito do meu coração que se for feita uma pesquisa séria neste país se constatará que uma das pessoas que o senhor ataca em suas falas – O Gilberto Gil – certamente contribui com a vida dele e o exemplo dele para o crescimento deste país uns milhões de vezes mais que o senhor.
Gostaria de perguntar, senhor deputado, quem o senhor representa? Quem financia suas campanhas e quem pensa como o senhor neste país. Quem o elegeu, senhor deputado, defensor dos bons costumes, da ordem pública, logo o senhor, considerado pelo Exército Brasileiro indigno de pertencer aos seus quadros? Sabe-se que o senhor tem alguns seguidores, foi eleito por 120 mil eleitores do Rio de Janeiro, tem membros da família em mandatos legislativos, o senhor é também defensor da familiocracia no serviço público?
Ah senhor deputado!! Em  algumas coisas tenho de concordar com o senhor. O senhor insinua que promiscuidade tem a ver com a educação, logo, posso concluir que o senhor acredita faltar investimento em Educação neste país. Não concordo que promiscuidade tenha a ver com falta de educação, fosse assim promiscuidade só seria problema entre os pobres e miseráveis. Uma coisa, no entanto, é certa, falta educação neste país. O senhor por exemplo, tivesse sido bem educado não falaria tanta bobagem. Todos sofremos por falta de conhecimento, discernimento, sabedoria. Sabe do que tenho curiosidade, deputado, conhecer sua primeira esposa, não encontrei quase nada sobre ela. Ela esta viva? O que ela pensa de suas idéias? Vejo que tiveram dois filhos, o hoje, deputado estadual e vereador pelo rio de janeiro. Gostaria também de ouvir, longe de tua presença, a opinião dos teus amigos negros sobre o senhor, eu tive amigos brancos e racistas como o senhor, sei como agem e como escondem o racismo que estão em suas almas.
Senhor deputado, faça-nos um favor: deixe o nosso país crescer em paz. Faça o favor de reunir este povo todo que o senhor representa e ensine-os sobre uma cultura de paz. Ensine-os sobre como é bom dormir em paz, sentindo como se todas as pessoas do mundo fossem nossos irmãos. Sinta, deputado, a energia da verdadeira fraternidade, e abaixe suas armas. As trevas nunca haverá de vencer a luz, e a luz aponta para e evolução moral da humanidade por meio do exercício da liberdade, da consciência e da responsabilidade.
Senhor Bolsonaro, o senhor erra ao opinar sobre os negros, sobre os homossexuais e demonstra não conhecer nada da natureza humana. Tire os seus olhos do regime militar que teve nosso país, e aprenda a olhar para o ser humano. Não somos donos do passado, senhor deputado, aprenda pois a viver no presente. Aprenda senhor deputado, que nós seres humanos somos todos iguais, todos carregamos dentro de nós uma centelha divina, seja os negros, brancos, índios, homossexuais. Todos, exatamente todos temos em nós uma centelha divina e o sentido desta vida não está nestas pequenas coisas.
Senhor deputado, tenho curiosidade de saber como são suas noites de sono. O que o senhor sonha e como é a angústia do teu espírito, e, por que sei que não é possível alguém viver atacando os outros, detratando, cuidando da vida alheia e ser feliz eu lhe desejo paz, senhor deputado, paz, paz para o seu coração. O senhor precisa de paz, de amor, de luz em seu caminho.
Olha melhor para este país, senhor deputado. São mais de 190 milhões de brasileiros. Todos vão para o trabalho todos os dias, lutam, fazem de tudo para viver do suor do próprio trabalho. Hoje, nosso país é um país respeitado mundo a fora, e chegou a isso graças ao trabalho árduo de pessoas que o senhor desejaria fuzilar. Foi FHC, Lula, e Dilma, e não os militares que transformou nosso pais em uma democracia sólida, que propicia inclusive condições para o senhor dizer tanta bobagem. O senhor foi expulso do Exército por que foi considerado indigno de usar a farda, fosse o regime militar hoje, o senhor já se perguntou o que fariam com tanta bobagem que o senhor diz?
Deixe o país crescer em paz, senhor deputado. Deixe a nossa democracia se fortalecer, as diferenças serem respeitadas, as liberdades serem preservadas. Siga seu caminho por que só a democracia é capaz de suportar sua existência. Em nenhum outro regime o senhor conseguirá sobreviver.

sábado, 2 de abril de 2011

Sobre responsabilidade e felicidade



Outro dia conversei de forma rápida com um ex-aluno no MSN. Ao final da conversa ele disse: Professor, parabéns pelo seu blog, é um dos lugares onde leio as coisas e sinto que são verdadeiras, são críticas sinceras que tem como objetivo ajudar o mundo a ser melhor. Depois de alguns dias pensando, posso dizer ao aluno T ( vou chamá-lo assim) que não tenho a ilusão de que todas as pessoas tenham a mesma idéia do meu blog, mas que estou feliz de se constituir em um espaço onde lendo alguém possa encontrar forças para viver e seguir adiante.
É esta a principal razão que hoje resolvi falar sobre responsabilidade. Durante vinte anos no Brasil, tempos da ditadura falou-se muito na importância da liberdade em todas as suas formas, creio que chegou a hora de falarmos de responsabilidade. Liberdade, consciência e responsabilidade são três características importantes que nos leva a compreender o que é um sujeito moral, ou que nos leva a viver de forma equilibrada junto a sociedade, pois ajuda-nos a entender o que queremos, o que podemos e o que devemos fazer.
Nos dias atuais os meios de comunicação, a liberdade e o fácil acesso a educação permite que se adquira, mesmo que de forma breve na vida, os lampejos de consciência necessários para se escolher entre os caminhos a seguir. No entanto, pouco se fala da importância da responsabilidade. O motivo talvez seja o aprofundamento do egoísmo individualista onde cada um preocupa-se demais com o próprio sucesso nublando assim os olhos e não permitindo que se veja como estamos interligados a todos os seres do Universo.
Por mais que o senso comum nos alerte com frases de efeito como: “a vida é um bumerang, tudo que você lança volta para você”, “Tudo que se planta colhe”, “quem semeia ventos, colhe tempestades” “ O plantio é escolha, o colher é inevitável”; ainda assim não conseguimos perceber o alcance das responsabilidades de nossas escolhas, nossas palavras e nossos atos. Não conseguimos perceber por que não somos capazes de conceber que somos todos seres interligados, e estamos todos ligados a grande mente cósmica e universal. Os aspectos conflituosos do mundo, o tempo de transformação que vivemos não nos permite ver que nossos atos, palavras e atitudes vão muito além do nosso circulo próximo e que nossas responsabilidades são muito maiores do que pensamos.
Vamos a um exemplo corriqueiro. Um jovem para acalentar seu ego se propõe a conquistar uma jovem com o objetivo de demonstrar sua virilidade. Uma vez realizada a conquista este a despreza. A moça em desespero entra em profunda depressão e tal acontecimento causa um enorme transtorno a família. O pai da moça transtorna comete diversos erros em seu trabalho colocando em risco a vida de muitas pessoas por não conseguir lidar com a dor da filha. Em sua ignorância o jovem conquistador não percebe de que ele é um dos responsáveis por todas as tragédias devido o curso que o desequilíbrio da mocinha tomou.
Não conseguimos perceber nossas responsabilidades por que não somos capazes de re-conhecer nossa missão divina nesta terra. Entretanto o fato de não percebermos não significa que não tenhamos que responder pelos nossos atos. É preciso aprender, aos poucos, que tudo se trata de leis que devem ser obedecidas, causa e efeito, níveis de vibrações. Isso significa que não conseguiremos fugir da justiça e da verdade. Em algum momento de nossa existência a nossa essência terá de lidar com as conseqüências de nossos atos e responder por cada um deles.

Precisamos lutar para compreender o significado da palavra responsabilidade para os nossos dias. Devemos empreender uma luta para que possamos ter uma maior percepção de nosso eu, do alcance de nossa existência a partir dos nossos pensamentos, palavras e ações e assim entendermos os limites de nossa felicidade.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

O dia da mentira, o pastor americano e Bolsonaro no Brasil



O dia da mentira foi marcado por notícias que poderiam mesmo serem apenas uma mentira de brincadeira de mau gosto. No entanto, e infelizmente não foi. No Brasil, colocando sombra no luto de por nosso querido vice-presidente José Alencar, Jair Bolsonaro ocupou as manchetes. No mundo, o pastor americano maluco e extremista que acredita que só ele tem a verdade, queimou o alcorão; no Afeganistão fiéis do Islão revoltados atacaram a sede da ONU.
Jair Bolsonaro freqüenta o topo dos comentários e notícias da imprensa devido esta nossa morbidez por coisas ruins. Não devíamos dar ouvidos a este tipo de maluquice e extremismo. Devemos defender o diálogo. A luta dos negros por igualdade não tem nada a ver com extremismo. Que seja feito investimento na escola pública para que todos tenha escola de qualidade e se crie uma forte rede de proteção social para que ninguém passe fome e não precisaremos de cotas. Que sejam respeitados todos os quesitos da constituição nacional e nem mesmo Bolsonaro teria tanto direito a voz, pois, pelo que se sabe racismo é crime inafiançável. José de Alencar saiu da mídia não só pela morbidez da nação mas por que não é interessante para os que ficam admitir que temos tantos poucos homens na política com elevada estatura moral. No entanto, o forte apelo nacional de carinho por ele mostra que o nosso povo quer crescer, quer se elevar, quer combater a corrupção e construir a paz e a justiça social em uma democracia sólida.
O pastor americano há muito tempo vinha fazendo ameaças de queimar o alcorão. Em um primeiro momento até mesmo o Papa  Bento XVI interferiu alertando para que não o fizesse. Logo depois, todos esqueceram e lá se foi o pastor queimar o alcorão. O problema é que pessoas como o Pastor Americano e o Jair Bolsonaro nunca ficam satisfeitos, sempre estarão a procura de alguém para queimar na fogueira; são os velhos discípulos de Hitler. Hoje, queima-se o alcorão, amanhã serão os católicos o seu alvo, depois os budistas, hinduístas; afinal, para o pastor, apenas ele tem a verdade, e é ele o único enviado de Deus.
Como demonstração de sua insensibilidade o pastor não se sente culpado pelo ataque da ONU, e, ainda mais, defende atitude firme contra a violência dos afegãos. Não seria isso uma brincadeira? Quem irá punir o pastor pelo desrespeito ao alcorão? Gostaria ele de ver o livro em que acredita, no caso a bíblia sendo queimado? Não creio ser este o caminho. O mundo precisa de paz e não de guerra, de tolerância e não de hipocrisia.
Por fim, falemos de tolerância. É de tolerância que precisamos. Precisamos nos sentir responsável pela construção de um mundo de paz, reprovando moralmente todos os atos, palavras, atitudes que possa ser incentivadoras da intolerância, da guerra, e de todas as formas que possa colocar um homem contra outro. Chega a hora de entendermos que somos todos irmãos e que nossa família é toda a humanidade. Um futuro de paz nos espera.

Democracia e Justiça social



O destino do Brasil é a radicalidade democrática. Sim, este é o nosso destino, radicalizar a democracia e encontrar um equilíbrio entre a liberdade para todos em sua forma mais radical e o bem estar coletivo, mostrando ao mundo o caminho da justiça social. E podemos dizer isso por que apenas o brasileiro  - O homem cordial – pode ser capaz de viver a tolerância em sua forma mais radical e permanecer em sua essência cordial sem pender para o extremismo de direita ou de esquerda.
1.  O argumento histórico.
Nenhum revolta nativista teve um apoio massivo do povo brasileiro. Nenhum guerra de independência contra a ordem estabelecida teve sucesso. Foi assim com as revoltas nativistas, foi assim com a inconfidência mineira, Guararapes, cabanagem, confederação do equador dentre outras. Foi assim também com as guerras separatistas; os farrapos no Rio Grande do Sul, e nos anos trinta a Revolução constitucionalista dos paulistas.
No Brasil, o povo brasileiro prefere a ordem, parecendo que o slogam Ordem e Progresso na Bandeira Nacional não foi retirada da filosofia de Comte, e sim  do coração do povo brasileiro.  O povo brasileiro é um povo pacífico e prefere resolver os problemas nacionais de forma pacífica e sem derramar sangue. Aqui, os extremismos sejam de direita ou de esquerda não encontra guarida a não ser no coração de uma minoria barulhenta e inconformada com a própria vida.
A ordem, o amor a pátria, a segurança da nação e dos entes queridos supera qualquer tipo de ganância e desrespeito ao ser humano e a vida. E quando se chega o limite o povo brasileiro sabe dizer não. Foi assim para se colocar fim ao estado novo de Getúlio, e foi assim no momento de por fim a ditadura militar imposta em 1964.
2.  O argumento sociológico.
Já se disse que o homem brasileiro é o homem cordial, e também o mesmo Sérgio Buarque de Holanda, escreveu que a democracia no Brasil sempre foi um mal entendido. Uma e outra coisa ainda tem sentido nos dias atuais, no entanto, a primeira ainda é mais forte que a segunda. O que fortalece a idéia de liberdade no coração do brasileiro é sua cordialidade. Por isso mesmo idéias como a do deputado Jair Bolsonaro dificilmente  passará de ser uma voz de uma pequena minoria para representar uma ameaça a democracia.
De outro lado, não há espaço para a extrema esquerda. Partidos que se radicalizam em defesa de direitos de grupos que ainda são minoria na sociedade não terá espaço para chegar ao poder, ou mesmo de partidos que defendem idéias que não são compreendidas pelo homem comum do povo.
A força da cordialidade do homem brasileiro é que nos levará a radicalidade democrática. Apenas uma democracia radical será capaz de construir instrumentos representativos de diferenças tão dispares como a defesa das cotas para negros, respeito à homoafetividade e de outro lado a possibilidade da escolha de uma vida conservadora de defesa de modelos de instituições representativas do século passado.
3.  A radicalidade democrática possível.
O aprofundamento da democracia – nosso destino inevitável – só será possível após profunda reforma política que garanta a representação de todas as minorias, forte educação política e investimento na justiça social.
A reforma política deve obedecer as possibilidades da representatividade das minorias. Negros, homossexuais, mulheres, índios devem estar melhor representado em todos os espaços do estado seja na esfera municipal, estadual ou da União. Isso só será possível como uma reforma no funcionamento interno dos partidos políticos, financiamento público das campanhas eleitorais forte combate a corrupção.
Está ligada a isso a necessidade de um forte investimento em educação, mas sobretudo em educação política. Partidos políticos, instituições como família e a igreja precisará investir em esclarecer a população da necessidade da compreensão do sistema político e de como ele influencia diretamente em nossas vidas. Pesquisa realizada pelo Partido Trabalhista Brasileiro e publicado no Blog do Jeferson mostra que a maioria dos brasileiros não compreende o que é a reforma política atual, ou seja, não sabe como funciona a estrutura de poder que dirige suas vidas.
Por último, o caminho para a radicalidade democrática e a justiça social passa pela valorização dos nossos verdadeiros líderes que contribuíram para fortalecer a idéia de nação brasileira de forma pacífica e dentro dos idéias de cordialidade do homem brasileiro, como José de Alencar, Rui Barbosa, Getúlio Vargas, Tancredo Neves, Lula da Silva, Itamar Franco dentre outros que de forma calma e tranqüila ajudaram o país a encontrar seu caminho.