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domingo, 22 de maio de 2011

Mercenários, piratas, pecadores e os políticos de hoje.



Mercenários existem desde os tempos mais antigos. Eles eram conhecidos por lutar apenas por dinheiro. Não tinham pátria, não tinham uma causa. Lutavam apenas pelo vil metal, lutava por quem pagava mais. Os piratas tinham, para  mim, um ar mais romântico que os mercenários pois viviam uma vida de aventuras, romances e conquistas. Em comum com os mercenários, viviam em busca de riquezas, ouro, tesouros e tudo pudesse levá-los a glória. Os momentos de crise e decadência de um império ou de uma época sempre foram cheios deles: mercenários, piratas, mas também um terceiro tipo: os pecadores, os profanos; aqueles para quem a vida se resume a satisfação dos prazeres imediatos e os mais fugazes possíveis.
A pergunta que me faço é o que traz a existência o predomínio dos piratas, mercenários e pecadores em uma dada época em detrimento dos homens de bem, ou homens de ideais? Os grandes impérios, as grandes obras da humanidade por mais que tragam em si as marcas do sofrimento humano e da desigualdade de conforto para viver entre os homens, não foram construídas por piratas, mercenários, e pecadores e sim, por homens que tinham um sonho. As grandes conquistas da humanidade foram frutos de sonhos compartilhados por milhares de pessoas e liderados por homens que tinham um sonho, um sonho de tornar o mundo um lugar melhor para viver.
Foi assim em todos os grandes impérios. Em Roma, o exemplo de Júlio César me enternece. O sonho de que Roma poderia ser uma luz para o  mundo, um espaço de ilustração o fez travar mais de vinte anos de guerras procurando sempre vencer a barbárie e tornar o mundo um lugar melhor para viver. Quando Roma entrou em decadência e as virtudes deram lugar aos vícios, Roma desapareceu. O que nós conhecemos como pais mais poderoso do mundo – os Estados Unidos da América – tornou-se realidade pelo sonho de milhares de europeus que sonharam com uma nação onde fosse possível ter liberdade religioso, liberdade de expressão, e tolerância para com todas as formas de diferença. Os Estados Unidos que conhecemos hoje, está muito distante do sonho que foi sonhado tanto quanto a Roma de Constantino estava longe da Roma de César.
No Brasil, o sonho de uma nação não aconteceu. O que tivemos foi concessão de exploradores cansados e que não sabiam direito o que fazer com uma colônia grande e que ser tornava cada vez mais poderosa. Os idealistas brasileiros foram derrotados desde a gênese de nosso país. Os inconfidentes, os farroupilhas, os cabanos, todos se perderam nas lutas contra um sistema estabelecido que não tinha os ideais como fonte de alimentação do poder.
Não consigo também apostar que abolição, a proclamação da república, dentre outros movimentos tenham sido uma vitória dos idealistas, dos homens que sonhavam com o Brasil uma nação grandiosa. Na abolição, os verdadeiros idealistas sequer chegaram a viver para ver a libertação dos escravos; na república,  nada mudou a não ser o fato de o poder sair das mãos da família imperial e ir para as mãos de uma elite. Na revolução de 1930, tivemos um sinal de que os sonhos de uma nação mais igualitária e livre poderia se tornar realidade, um sonho adiado várias vezes por alianças cujo sentido profundo era a manutenção ou a conquista do poder e não o sonho de uma nação justa.
O enfrentamento da ditadura foi um momento auspicioso em nosso país. O desfecho porém, significou uma composição com as forças conservadoras e retrógradas, e o processo de democratização seguiu o mesmo caminho. Tive esperanças de que quando Lula chegasse ao poder pudesse acontecer uma virada na história de nosso país. Lula, negociador nato, uma vez eleito pela força de um sonho poderia negociar uma estabilidade com os perdedores e realizar um governo revolucionário. Não foi o que aconteceu. A carta aos brasileiros mudou o rumo do sonho e nos fez mais uma vez refém de uma história que não ser tornou boa para ninguém, e que nos fez mais uma vez perdedores no jogo da história.
Vítimas que somos da falta de sonhos chegamos a um momento que pode ser considerado cruel. Chegamos no momento da decadência. Com uma democracia ainda frágil o que vemos é um amálgama de partidos políticos cujas ideologias não possuem a força unitária necessária para que possamos discutir um verdadeiro projeto de país. Mais do que nunca se faz necessário uma depuração dos partidos políticos, separação de interesses, sob o risco de cairmos em um jogo perigoso, onde os interesses individualistas de grupos minoritários se tornem tão poderosos que nos leve de volta a uma ditadura invisível.
Sim, nossos políticos em sua grande maioria não passam de piratas, mercenários e pecadores. Não temos idealistas mais em numero suficiente para construir um  projeto de país, de nação que possa contribuir para a construção de um mundo melhor. Um governante tem de conviver com a realidade de ver um deputado como uma mercadoria. Um deputado custa cargos, financiamento de campanha, favores, e quando não acordos que forçam os governantes a desviar verbas públicas por meio de “mensalão”, “caixa dois”, “dinheiro não contabilizado”. Nenhum governante aprova mais nada em uma casa legislativa sem o mecanismo da troca. O cargo de deputado virou moeda de troca e tem valor e não se tem mais nenhum ideal a não ser o desejo de privatizar os bens públicos. Nos partidos, a guerra interna é feroz. O controle do partido passou a se tornar mecanismo de negociação de cargos, vantagens e valores. Sim, vivemos em um tempo de piratas, mercenários e pecadores.


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