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sexta-feira, 27 de maio de 2011

O papel dos pequenos partidos no desenvolvimento da democracia em Goiás



Que a política em Goiás é marcada pelo coronelismo, fisiologismo e corrupção é senso comum para todas as pessoas. No entanto, nos últimos anos um fenômeno está se desenvolvendo de forma alarmante. Os pequenos partidos se tornaram um instrumento de compra de votos nas eleições e a engenharia de como isso é feito é dar inveja a célebres antropólogos que teriam em Goiás um fecundo campo de estudo.
Parece que tudo começou quando com o processo de democratização nos anos 80, deputados que sequer eram conhecidos em algumas regiões resolveram “negociar” apoio de pequenas lideranças locais para “invadir” a base eleitoral dos adversários. Para conseguir tal intento, ofereciam pequenas vantagens e “estrutura” para as pequenas lideranças realizar a campanha de divulgação do seu nome.  Logo, tal estratégia evoluiu para “negociação” de apoio de prefeitos e vereadores que viram nas pequenas lideranças uma ameaça á sua hegemonia local. Com isso, nos municípios, os prefeitos aprenderam a “liberar” as bases. Assim, criava-se uma confusão onde na atualidade ninguém sabe direito quem apóia quem, e favorece a manutenção das hegemonias locais.
Quando apertou o cerco na questão da fidelidade partidária, a saída de algumas lideranças foi então “pegar” siglas partidárias, organizar comissões provisórias municipais para em seguida “negociar” com candidatos a  prefeito ou nas eleições majoritárias deputados estaduais e federais o “apoio”, que sempre vem acompanhado de despesas, despesas, despesas. Cada pequena liderança sai então, no desespero em busca de uma sigla que lhe dê garantia que ele vá depois morder um pedaço do bolo. Isso criou outro fenômeno: as disputas internas por poder dentro dos partidos sem nenhum componente ideológico.
Creio que quando o Deputado Vilmar Rocha e seus companheiros afirmam que no Brasil não existe mais direita ou esquerda, na verdade, eles estão querendo dizer que os Partidos Políticos no Brasil perderam suas identidades ideológicas e passaram a ser um agrupamento de pessoas, cujo motivo que os une e a conquista e a repartição do poder ou da perspectiva do poder. O exemplo do PSD, em Goiás, é claro, um ajuntamento descontentes que  não acreditam ter perspectiva de poder nos partidos onde estavam. Neste sentido, os pequenos partidos que poderiam se tornar instrumentos do desenvolvimento de uma democracia radical, acabam sendo instrumentos apenas de luta pelo poder, sem embasamento de nenhum projeto de sociedade.
Deste fenômeno padece tanto a coligação do Governo no Estado de Goiás, quanto a coligação que está na Oposição. Ambas são vítimas de um fisiologismo desenfreado, que muitas vezes, é alimentado pelas lideranças intermediárias, que vê nesta situação uma maneira de se manter no poder e no círculo de influência do Poder. Em Goiás, eu desafio que me seja mostrado pequenas lideranças que vieram a ocupar espaço político e prestar serviços ao estado sem se aliar incondicionalmente a fulano ou ciclano. Alguns chamam isso de ter grupo, eu chamo de estranho fisiologismo, por que simplesmente tira a possibilidade de pensarmos de forma independente, exercer o pensamento crítico, e pior, retira mesmo a liberdade de expressão. Caso houvesse nos partidos uma discussão de idéias, e se aproveitasse os melhores quadros para prestar serviço à sociedade, concordaria que é preciso respeitar a idéia de grupo, mas não é esta a questão e por isso desafio que me seja mostrado algum grupo político em Goiás, cujo mecanismo de crescimento dos quadros é o mérito de serem quadros qualificados e não aliados incondicionais do principal líder do grupo.
Desta forma, os pequenos partidos se tornam cada vez mais caros para as coligações e os governantes, uma vez que estes são obrigados a “negociar” no varejo, pessoa por pessoa, quando na verdade, seria o papel destes pequenos partidos aproximarem os governantes da população, dos grupos minoritários para que pudesse levar o atendimento do estado às demandas requeridas pelo povo. Perdidos em suas próprias lutas por migalhas de poder, os pequenos partidos deixam de atender e representar uma grande parcela da sociedade que confia a eles o papel de representá-los e não de vendê-los, como gado, seja na estrutura do estado em troca de cargos, ou na estrutura interna dos partidos em troca de espaço para futuras negociações.  Macktub.

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