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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Lições de Sun Tzu e a batalha de 2010 – parte II



As eleições de 2012 já estão com seu calendário marcado. Segundo o mestre, hora de analisar e ponderar sobre a empresa essencial do Estado – a guerra; no nosso caso , a batalha eleitoral. No artigo anterior, ponderei sobre alguns exemplos, neste, vamos tentar ponderar sobre quem foram os grandes vencedores e quem foram os grandes perdedores em 2010. Existe duas formas de analisar e ponderar: uma, pela lógica das lideranças; a outra, pela lógica dos matizes ideológicos.

Ponderação  I - O caso das Grandes lideranças. Iris, Marconi e Demóstenes.

“O general é o pilar essencial do estado”. Em goiás existe dois grandes generais – Marconi Perillo e Iris Rezende Machado. Diga o que quiserem enquanto Iris viver será assim. E quando ele morrer poderá ficar um grande espaço vazio, por que o seu nome continuará vitorioso. Nas eleições passadas, um primeiro olhar parece mostrar que Iris foi o grande perdedor. Ponderando melhor, vê-se que não. A derrota de Iris foi mais por um erro de configuração estratégica de forças do que pelas qualidades dele.  É por isso que para Sun Tzu, o General deve cuidar para com a configuração estratégica das forças; conhecer o terreno, o céu, a terra, as leis e normas; e conhecer bem o exército inimigo.
Iriz Rezende entrou em uma batalha confusa. Durante todo ano de 2009, não sabia direito quem era os seus inimigos. Titubeou na oposição ao Governo Alcides, herdeiro e ex-aliado de Marconi. Governo este que na verdade era uma terra dividida, um terreno arenoso difícil de ser compreendido. Percebendo o quanto perigoso se tornava o governo Alcides, Marconi se especializou em confundir o inimigo; primeiro, deixou parecer que não disputaria o governo, e, que lançaria um vôo nacional; segundo, fez parecer distante a possibilidade de ele voltar e vencer as eleições. Lançou para isso o estratagema da defesa do seu patrimônio político com poucos soldados, deixando parecer que todo restante do exército estava livre.
A idéia da dispersão confundiu os adversários. PMDB e PT, não sabiam a quem atacar. Afinal, quem era o adversário a ser atacado? Alcides? Desmostenes? A primeira candidatura de Desmostenes já servira bem a este propósito. Muitos apostaram que o DEM poderia caminhar junto com o PMDB. Ledo engano e amadorismo pensar que mesmo o PP pela liderança de Alcides poderia caminhar junto com forças aliadas do Governo Federal.
Chegou a hora da batalha e não foi difícil Marconi reunir novamente seu exército. Com sua sabedoria estratégica lançou mão de todos os ardis. Para isso contou com uma base totalmente fiel composta por lideranças partidárias como Gilvane Felipe no PPS, e Jovair Arantes no PTB, e um conjunto de líderes do próprio partido. No DEM, contou com a fidelidade de Vilmar Rocha, e mesmo no PP, com a fidelidade da liderança de Roberto Balestra. O que parecia impossível foi se concretizando, a união de um exército que parecia totalmente disperso. Marconi tinha uma estratégia e uma tática e líderes que cumpriram suas ordens de forma profundamente fiel.
Olhando assim, Marconi parece ter sido o grande vencedor; mas não foi. Ao confrontar com Lula no passado, Marconi cometeu um erro grave. O PT no poder e na pessoa do líder Lula, é o que Sun Tzu chamaria de Cidade bem guarnecida. Contra cidadelas guarnecidas não se deve travar batalhas. Para evitar a derrota, vendo-se atacado por um exército bem alimentado, Marconi teve de repartir despojos antes mesmo de ganhar a guerra para garantir não só a fidelidade como a ferocidade na batalha. E, pior, sabia que a guerra não terminaria nas urnas, teria de enfraquecer o adversário para conseguir tranqüilidade para governar. Utilizou para isso, a fraqueza dos políticos goianos – cargos, cargos, cargos. A cooptação de Thiago Peixoto e a agregação de todos os pequenos partidos, incluindo partidos que não o apoiaram na eleição, como PV, PDT, e muitas lideranças esparsas não só dividiu mais ainda a oposição como abalou o espírito do velho general Iris Rezende Machado.
Apenas seis meses depois de tomar posse, Marconi consegue seu intento. PP, PDT, DEM, todos fazem parte de sua base de apoio e as lideranças que se opuseram a isso no ano de 2009, estão relegadas ao ostracismo. No entanto, Marconi não foi o grande vencedor. Ao se aliar a forças conservadoras, Marconi permitiu o surgimento da liderança de Demostenes Torres; este sim, e o seu partido foram os grandes vencedores em Goiás. Marconi complementa agora sua vitória, mas ao enfrentar as forças poderosas do Governo Federal tornou-se mais frágil perante seus aliados a direita.

Ponderação II -  A ilusão das pequenas Lideranças.

Se a batalha de 2010 foi a batalha das grandes lideranças, tendo ainda um reforço da cidadela fortificada chamada de Lula da Silva, a batalha de 2012, será a batalha das pequenas lideranças, ou será a ilusão das pequenas lideranças. Em 2012, ilusão vai campear de forma devassadora e causará dores de todos os tipos. Saiu de 2010, muitas pequenas lideranças pensando-se extremamente vitoriosas – Os jovens do PMDB, Fábio Souza, Helder Valin, Heuler Cruvinel, Henrique Arantes, e tantos outros. A ilusão maior foi mesmo de Thiago Peixoto; este entrará para a história como o mais precipitado de todos. E segundo Sun Tzu um líder precipitado leva seu exército a ruína.
Os jovens do PMDB, erram por achar que é hora de oxigenar o partido agora. Fazer isso, ajuda mais uma vez a aumentar a força de Marconi para 2014, e tirar a possibilidade de qualquer um deles conseguir  se apresentar para 2014 perante as massas. Outro erro de pequenas lideranças é o ajuntamento de interesses que visa a criação do PSD. Parece que nasce um partido forte, mas é só aparência. O destino do PSD em Goiás, passará diretamente pelos estritos interesses de Marconi Perillo, que, por sua vez não poderá fazer movimentos bruscos que venha desagradar ao DEM; que por sua vez não vê com bons olhos o crescimento do PSD. Administrar tais divergências não será fácil, e causará divergências a alguns que no momento sonham crescer um pouco mais em 2012.
Fábio Souza no PSDB, é uma grande pequena liderança que terá, a não ser que o céu intervenha a seu favor, que adiar os seus sonhos sob o risco de obter terríveis desilusões. O terreno não lhe é favorável, os fatores não estão ao seu favor. Embora simpático não parece um líder agregador, sobretudo, em um momento de debates acirrrados e fundamentalista de valores e princípios. Ao contrário, o momento favorece a Demostenes, não só por ser uma grande liderança e parecer depender apenas de si mesmo ( o que é uma ilusão), aparece como um libertário defensor dos princípios e valores universais de liberdade, igualdade e responsabilidade. Assim, não só sai na frente para ser o grande vencedor de 2012, como também pode aparecer como um grande jogador, ao lado de Ronaldo Caiado e José Eliton no jogo de 2012. Caso consigam unidade entre eles poderá fazer a balança da base pender a favor do DEM na maioria dos municípios onde o mesmo tem lideranças. José Eliton, o vice, já percebeu isso e tem trabalhado diuturnamente.
Jovair Arantes parece ter compreendido seu papel. Parece perceber que não pode permitir que seu filho cometa o erro cometido por Thiago Peixoto. A precipitação. Sabe que o momento é de consolidar a liderança do filho como realizador e executor responsável de políticas públicas, aliado a uma reputação de fidelidade e companheirismo. Assim, o PTB em 2012, será uma peça de fácil manejo para quem possui ou consegue influenciar o TAO do Poder. Da mesma forma, o PPS e suas lideranças, bem como outros partidos de médio e pequeno porte como PSB, PDT, não terão muitas margens de manobras. O PPS, mais uma vez deverá seguir o caminho do PTB, fortalecer suas lideranças  e se aproximar das massas dentro da estratégia de fidelidade ao projeto ligado a liderança de Marconi Perillo.

Ponderação III – As ideologias e as massas.

Vanderley Freire professor da UFG, tem dito insistentemente que está existindo no Brasil, e em Goiás não é diferente, a ditadura de um partido único. O partido do Capital. Segundo ele, todos os partidos estão a serviço do capital rentista, dos grandes investidores, e o povo, bem, o povo está totalmente abandonado. Concordo com o professor de que a ideologia progressista ou esquerda democrática foi a grande perdedora nas eleições de 2010. Mesmo os movimentos libertários, como o movimento homossexual, estudantil, de etnias, de moradores, etc, estão dominados por idéias direitistas e conservadoras. E o pior, é que estas ideologias começam a chegar as massas de forma avassaladora.
Aqui não se trata de concordar ou discordar com as idéias que o movimento defende, mais que isso, é a forma. Que todos os seres humanos precisam de ter direitos garantidos é mais que salutar, no entanto, existem métodos e métodos de se fazer isso. O que está ocorrendo nos movimentos sociais é um domínio e uma batalha conservadora. O  Movimento negro está mais para KuKluxKan que para Martin Luther King, movimentos de luta contra o racismo que também são racistas. No movimento homossexual parece ocorrer a mesma coisa. O movimento parece agir com uma violência latente impressionante. É uma forma extremista, radical e de ser fundamentalista, e fundamentalismo de nenhuma forma torna uma sociedade melhor.
A direita conservadora acaba colocando tudo isso a serviço do grande capital. A luta contra a pobreza vai sendo relegada a políticas de estado, cujo fundamento passa a ser a bondade daqueles que a concedem e não um direito de todos viverem de forma digna. Os direitos dos trabalhadores perdem espaço para lutas libertárias por direitos civis; enquanto isso, quem está em cima sobe, e o debaixo desce. O perigo é que tais formas de luta, vão levar a sociedade a uma forma de decadência, por que o homem comum ou as massas vai perdendo o contato com a realidade e começando a viver totalmente de ilusão. Os marxistas chamam isso de alienação, os romanos, chamaram de política do pão e circo.
Por fim, cria-se uma idéia de que não existe mais ideologias, apenas pragmatismo político. Para as massas, esta pode ser uma idéia até aceita, mas aqueles que se pretendem jogadores pensar assim é no mínimo burrice, ingenuidade ou total ignorância mesmo. A concentração de capital e devassidão dos valores não torna o mundo homogêneo. Aliás, são justamente estes fatores que contribui para acirrar as lutas por direitos civis, pois desvia o foco das verdadeiras necessidades humanas. Como diz um grande amigo e mestre, na luta contra o capital, falta estofo teórico. Os pensadores da esquerda, ou a esquerda democrática ainda não conseguiu compreender o Tao, para ser fiel Sun Tzu, e, pior ainda, não conseguiu formar os  seus generais, enquanto que o grande capital tornou-se especialista no processo de cooptação.
No estado de Goiás, consta que o Capital está concentrado nas mãos de menos de vinte famílias. Isso mesmo, vinte famílias em uma população de mais de cinco milhões. O conhecimento, concentrado nas mãos de pouco menos de dois mil doutores; as propriedades, nas mãos de menos de 500 empresários. É uma alta concentração de riqueza e poder. As massas ficam desorganizadas, manipuladas ao sabor do vento, e, de outro lado poder ser um instrumento perigoso na luta política. Nos últimos anos, este perigo tem aparecido na forma de corrupção. As campanhas políticas estão ficando cada vez mais caras, uma vez, que todo mundo quer recompensa imediata por não acreditar mais nas lideranças e no futuro. Massas corrompidas, segundo Sun Tzu, depauperam o estado, empobrece os generais e torna extremamente cara as batalhas.

Ponderação IV – Os quintas Colunas.

Os quinta-colunas desde sempre foram as desgraças dos exércitos. Considerando que a guerra é o TAO do ardil, esta espécie vai existir sempre. E é um desafio a sabedoria do General. Exército malogrado, dos quais segundo o mestre existem seis tipos, é sempre presa fácil dos quinta-colunas. Tudo está nas mãos do General. Se o general é sábio saberá usá-los para dividir os adversários, se não tiver sabedoria, será engolido por eles. Em Goiás, alguns desta espécie são bem conhecida. Umas como lideranças, e outros como organizações. A desgraça do quinta coluna é que vivem na lama. Não cresce muito, também não desaparece por completo nunca.
Para Sun Tzu, o general deve pesar bem como lidar com eles; aqueles que trouxerem muitos prejuízos devem ter suas cabeças cortadas, única forma de eliminar esta gente. Os menos exigentes deve sempre ser atendidos em suas reivindicações. Aguçar-lhes a vaidade também é uma arma que pode ser usada. É uma espécie ainda mais perigosa quando possui ligação com as massas. Neste caso, Paulo Garcia e Marconi na capital, terá muito trabalho com este povo. A sabedoria dos generais caberá selecionar os homens, e conseguir empregar o poder estratégico. Sendo assim, 2012, já começou mesmo antes de 2010, ter terminado; a configuração do poder estratégico de 2012 já está praticamente montado, o que já está se montando são as possibilidades da configuração do poder estratégico de 2014; e certamente já tem general pensando em 2018.
O problema de lidar com os quinta-colunas é que eles não possuem valores arraigados e nem tão pouco princípios. Não importa onde eles estão, apenas uma coisa os move – as vantagens materiais, os saques e os despojos. São perigosos, por que muitos deles não têm nenhum respeito à vida. Por vezes são vaidosos e esquecem a própria origem, e, por aventureiros que são não temem atentar para a derrota do general se isso lhe servir de possibilidade de vantagens materiais.

Ponderação V – O perigo de amar o Povo em demasia.

“Quem ama o povo pode encontrar problemas”
A política é arte da guerra, mas é também e só tem sentido se for a arte de servir ao povo. Sendo assim, fazer política é extremamente perigoso; bem mais perigoso que manobrar um exército. Na política democrática o céu é o povo, a terra são as necessidades do povo, as armas é o povo, o exército é feito de povo que preparados são transformados em soldados. No entanto, amar o povo em demasia também pode ser perigoso para o político. Na política como na guerra, muitas vezes é preciso sacrificar o povo. Pesar com sabedoria os limites disso é tarefa do general.
Marconi por exemplo, escolheu sacrificar muitos dos seus no ínicio do seu governo para garantir a vitória o mais completa possível. Atrasou as nomeações, parcelou os salários, apertou o cinto financeiro. De outro lado, Paulo Garcia fez exatamente o contrario, concedeu aumento ao funcionalismo, aumentou aliados por meios de benesses, onerou o estado. O futuro dirá qual foi melhor estratégia. A grande jogada de Marconi foi ter aumentado seu exército no mesmo momento em que sacrificava o povo e ainda assim, manteve a coesão.
O líder muito cauteloso que ama demais o seu povo, que teme sacrifícios, ou perdas, pode não ter sucesso. Uma vez mais, depende do líder ter a serenidade da escolha das perdas. Portanto, para Sun Tzu, a lição essencial para o General é obter o auto-controle e estar disposto a compreender as situações sem se deixar perturbar pelas possibilidades dos resultados. O líder que se deixa vencer pela cólera, que se exaspera, precipita, está fadado ao fracasso, e, nos dias atuais com o poder das redes sociais, mais próximo ainda estará ele do fracasso e ostracismo.
Portanto, para o líder atual a vitória deverá ser vista sempre adiante. Jamais deverá se preocupar com perdas momentâneas. Manter-se sempre o auto-controle e a serenidade é melhor que vencer uma batalha em uma guerra longa; mesmo que não seja aconselhada guerra de longa duração, uma vez que estas tornam as perdas extremamente pesadas e os sacrifícios grandes demais.

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