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domingo, 5 de junho de 2011

O amor perdido das metrópoles.


Foram anos perdidos e de uma procura dolorosa. Cada dia, cada sonho, cada dor. O tempo passou e a única coisa que nunca mudava era o desejo de amar. Amar docemente, fortemente, amar com a vida, amar com o amor. O encontro não poderia ser menos dramático. O tempo e o espaço deixaram de existir, a história humana entrou em pausa. E ali,os dois, um a frente do outro sentiam o olhar que traspassa a alma e fazem os homens viverem mil anos em alguns segundos.
Não foi de alegria o re-encontro. As impossibilidades de se viver aquele amor transformou  lágrimas de alegria em lágrimas de dor. O sorriso, em quase gritos estridentes de um desejo mútuo de não mais se separar. Não existia duas pessoas ali, parecia um daqueles momentos em que a natureza se manifesta em sua unidade perfeita. E que tudo mais parece ter sentido e significado.
As lágrimas desciam suavemente do rosto. Não havia mais nenhuma palavra a ser dita. Apenas o destino e a liberdade para  mudar os rumos até então seguidos. Corpos esguios, olhos distantes, e uma dor, uma dor imensa, quase insuportável. Era uma tarde cinzenta, barulhenta, esquizofrênica a gritar as responsabilidades aos ouvidos surdos para qualquer coisa que não fosse o amor.
Mãos trêmulas. Lábios trêmulos, respiração ofegante. A eternidade parecia habitar o pequeno quarto. Lençóis brancos pareciam refletir a pureza das intenções que fazia mover cada parte dos corpos ali presentes. Era o sonho de anos vividos em algumas horas que se tornariam eternas. Tudo deixaria de ser palavras e se tornariam lembranças. O toque dos corpos, o beijo suave, o abraço apertado. Era pura, verdadeira, decidida, determinada a fazer do futuro uma escolha que pudesse vencer todas as tempestades.
O que faltou? Não faltou nada. Foi o destino que interveio. Quem será o diretor deste filme chamado vida? Por que duas almas tão próximas, tão afins, planejam se encontrar neste mundo e não guardam em suas memórias o  perigo do distanciamento? O amor, se vicejou, não teve a força para vencer as correntezas da dor e da agonia. O medo, a fraqueza superou a sabedoria, a força e a beleza do amor. Tudo terminava ali. O sol se pôs e  a vida continuou na cidade grande. A dor que agora sentiam e compartilhavam era incerta, insegura, mas uma dor consciente de que já estavam aqui onde podiam se encontrar sob o poder de uma escolha livre e consciente.

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