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domingo, 31 de julho de 2011

A polidez é a virtude das crianças



Escrevo como quem se cansa da vida polida da grande cidade. Minha orientadora do mestrado não aprovaria jamais este título. Diria que é subjetivo demais, mesmo para um texto que se pretenda de reflexão. E não vou ter a presunção em dizer que se trata de um texto filosófico. Na verdade, ao afirmar que a polidez é a virtude dos corruptos insisto em não ser polido, apenas falar a verdade; não existe corrupto nos dias de hoje que não seja polido. A polidez, se no passado foi considerada como virtude menor que fazia pouco caso da moral, não deveria mais ser considerada virtudes nos nossos dias. Acredite, se alguém é polido demais para mim, já o considero menor moralmente, pois se a polidez não for a virtude dos corruptos é a virtude das crianças.
O maior exemplo de que a polidez é a virtudes dos corruptos nos dias atuais é a vida na política brasileira. Tornou-se exigência ser polido, educado, de boas maneiras. Assistir a TV câmara ou a TV Senado é uma programação de humor a que me reservo. Quem não se lembra das brigas dos anões do orçamento e não ouviu expressões como: “ Vossa Excelência é um filho da Puta”; “Vossa Execelência é um ladrão do dinheiro público, um larápio”. Recentemente, vi uma cena que não vai sair jamais de minha mente. Senador Tasso em confronto com o Senador Renan; veja o vídeo:
Em outra cena veja o Senador Pedro Simon em confronto com o Senador Renan Calheiros:
Em comum a polidez de todos eles. Isto me lembra um fato de minha vida pessoal. Quando estava no mestrado fui parado por uma mulher bonita, até, que me questionou como um homem tão chucro e que se vestia tão mal podia ter ingressado no mestrado. Tão mal vestido, exclamava ela. Eu fiquei parado alguns instantes tentando entender o raciocínio dela. Na verdade ela já havia aprendido que vivia na sociedade do simulacro, da polidez, da hipocrisia onde é melhor parecer do que ser. A polidez é requisitada em todos os lugares, e tem sido a forma de se manter o simulacro, a hipocrisia e todos os males que os acompanham.
No reino dos relacionamentos a polidez tem feito outros grandes estragos.  Comecemos pelo romance. Que Capitu era polida ninguém duvida. E com sua polidez e por sua polidez ninguém sabe até  hoje se ela traiu ou não traiu Bentinho. Machado de Assis não estava apenas criando um personagem, estava representando a polidez da alta sociedade brasileira. Na França, Madame Bovary de Flaubert,  mulher pudica, pura, alta sociedade e totalmente prostituta, vagabunda, protegida pela polidez e educação refinada.
A polidez não deve ser mesmo uma virtude nos dias atuais. Se Flaubert e Machado de Assis se consideraram realistas ao criar seus personagens eles se escandalizariam com as mulheres da sociedade de hoje. A polidez e educação refinada não esconde mais apenas o desejo escondido da prostituição e da libertinagem, esconde mesmo é a piscopatia e tantas outras doenças mentais só perceptível ao convívio de um observador arguto. Em nome da polidez já não se diz mais  a verdade, portanto, não peça conselhos a um homem ou mulher polida, não ouvirá o que pensam e sim e apenas, aquilo que o marketing e ou network aprovar como sendo politicamente correto.
No campo da filosofia, a polidez não está entre as virtudes. Entres os Gregos, não foi enumerada. Kant ao concluir que apenas pela educação o homem se torna humano, entendeu que a polidez é, no máximo, a virtude das crianças, e que a verdadeira polidez seria a polidez da alma, ou seja, um saber viver consigo mesmo. Andrés Conte –Sponville em seu “Pequeno Tratado das Grandes Virtudes”, também afirma que a  polidez é mais a virtude das crianças, daqueles que ignoram a moral e cito-o “A polidez levada demais a sério é o contrário da autenticidade. (...) O saber viver não é a vida; a polidez não é a moral.” [1]
Em fim, a polidez definitivamente é a virtude dos corrputos, daqueles que não conseguem olhar-se no espelho, por que se olham o mostro que vêem é insuportável demais. A polidez é a mascara da hipocrisia, do simulacro, das dores não vividas, dos amores fracassados, dos desejos reprimidos. A autenticidade é o domínio de si, da vida, o viver de peito aberto, mandando brasa como diria a velha musica sertaneja.[2] Com isso posso dizer fora aos polidos de plantão, aos certinhos que insistem em transformar a vida em um espetáculo sem graça e sem nenhuma espontaneidade.



[1] Comte Sponvile, Andrés. Pequeno Tratado das Grandes Virtudes. A polidez. Pg. 13/21
[2] Veja o post. Olha eu aqui de novo catucando a jurubeba.

sábado, 30 de julho de 2011

Olha eu aqui, de novo, catucando a Jurubeba.



Depois de alguns dias de meditação volto a escrever no blog. Mais do que nunca fiquei muito pensativo se não estava na hora de fazer a opção que muitos fazem: fechar os olhos para injustiça e aproveitar as oportunidades que aparecem mesmo que elas sejam negar os princípios pelos quais se aprendeu que a vida vale a pena. Mais do que tudo meu tempo de sentir vítima da sociedade, se é que já tive algum, definitivamente já passou. Meu dever, sinto, é lutar, não contra a sociedade, mas a favor da sociedade. Afinal, creio que  a felicidade de um é a felicidade de todos, e infelicidade de um é também a infelicidade de todos.
O motivo dos meus pensamentos demorados foram os acontecimentos do início de ano. Olhando rápido a impressão que tive é que sofri algumas injustiças, mas olhando direito, vejo que o que aconteceu era mesmo o que tinha de acontecer, portanto, não houve nada de errado. O que parecia perda vejo que na verdade foi ganho, e, que  o que vale na vida mesmo é a consciência tranqüila, a certeza de se estar caminhando no caminho certo e do modo certo.
Existem muitas formas de se corromper as pessoas. No meu caso todas as tentações são colocadas na forma da garantia da própria sobrevivência, o que não é diferente para 90 % dos cidadãos deste país. Em Goiás, no entanto, a coisa parece bem pior. As instituições estão contaminadas. Naquelas  onde deveria reinar a mais límpida pureza, muitas coisas ou quase tudo é decidido a partir do compadrio.
No reino do estado as coisas são ainda piores. Não vejo em Goiás, nenhum partido assumir de fato e de cabeça erguida a luta em defesa dos direitos humanos. Direitos humanos se transformou em uma luta solitária de alguns promotores isolados de todos os lados. Uma questão premente que muito incomoda e ninguém diz nada é a questão do trabalho escravo. É incrível como não vejo ninguém em Goiás na luta contra o trabalho escravo. Nos meios de comunicação, na semana que o Ministério do Trabalho publicou a lista negra do trabalho escravo no Brasil, nenhum grande jornal em Goiás deu ênfase. Curioso, resolvi pesquisar, e assustado descobri que Goiás possui mais de 50 fazendas autuadas por causa do ilícito do trabalho escravo.
Na última lista, 25 grandes fazendeiros goianos estão entre aqueles que não respeitam os direitos humanos dos trabalhadores. Pior que isso é ver que a absoluta maioria daqueles que não respeitam as leis estar no eixo Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso. Mato Grosso do Sul, Pará e Tocantins. Eu já sabia pela experiência, por ter vivido que o nordeste goiano todo trabalho em grandes fazendas é desumano e degradante, e o mesmo se aplica a região sudeste do Tocantins que é a que mais conheço. No entanto, ver que mais de 200 fazendas estão neste eixo, tenho de admitir que me assustou. O pior é que estes fazendeiros são do tipo que mata para defender o lucro absurdo que conseguem com tal ilícito.
Quando alguém se propõe a levantar a voz contra este tipo de ilícito significa ter os familiares perseguidos, não arrumar mais emprego no estado em lugar nenhum, se for funcionário público ser perseguido, ou de alguma forma demitido, por alguma razão, na maioria das vezes inventada. É por tudo isso, e que por estar com duas filhas para criar cheguei a pensar em calar a minha voz. No entanto, algo me diz, que não devo fazer. Portanto, a todos aqueles que pensavam que tinham ganhado a luta calando a minha voz, ofereço a música abaixo.


Catucando a Jurubeba.
Pirapora e cambará.

Meus amigos estou chegando.
 Eu estive viajando,
mas agora estou voltando.
Meus negócios não atrasam.
Teve gente que gostou,
A Meninada até chorou
Os inimigos se enganou
Por que vim mandando brasa.
Por que sou como madeira;
Que enverga mais não quebra;
Olha eu aqui de novo,
Catucando a Jurubeba.
(catucando a jurubeba)
(Catucando a Jurubeba)

Eu estive no estrangeiro,
E ganhei muito dinheiro
 sou  um grande fazendeiro
E forneço pro Ceasa.
E agora que voltei
Os amigos eu abracei
Os inimigos eu assustei
Por que vim mandando brasa
Por que sou como madeira
Que enverga mais não quebra
Olha eu aqui de novo
Catucando a Jurubeba.
(cutucando a jurubeba)
( e catucando a jurubeba)

Tenho amigos competentes
Que por mim ele  ir pra frente
Eu sei que de muita gente
Nós vamos cortar as asas
Eu sou mesmo deste jeito
Eu nunca tive despeito.
O meu único defeito
É viver mandando brasa.
Por que sou como madeira
Que enverga mais não quebra.
Olha eu aqui de novo
Catucando a Jurubeba.
(catucando a jurubeba)
(catucando a jurubeba)

Meu rolo não me enrrola
Sou bom e não sou gabola
Quando o sujeito me amola
Comigo ele se arrasa.
Se ele for invejoso
Fica todo furioso
Ta vendo que eu sou gostoso,
E vivo mandando brasa.
Por que sou como madeira
Que enverga mais não quebra
Olha eu aqui de novo
Catucando a Jurubeba  ( bis)

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O Congresso da UNE e a dinâmica do Movimento Estudantil: Do que precisam nossos estudantes.

Na semana que se instala o congresso da UNE ( União Nacional dos Estudantes), em Goiânia, duas outras notícias ligadas a Educação chamam minha atenção: a primeira, a decisão do MEC  ( Ministério da Educação) de fechar vagas em diversas Universidades particulares; a segunda, bem mais cruel, o fracasso generalizado dos estudantes de direito na prova da OAB ( Ordem dos Advogados do Brasil). Tais notícias levam a duas reações distintas: de um lado alguns que defendem o fim do exame da Ordem, e, de outro, aqueles que entendem que a educação superior caiu de qualidade após a expansão via ensino particular.
A defesa do fim do exame da Ordem é um disparate. Poderia se falar em aperfeiçoamento, por fim, jamais. O exame da ordem é o que garante o mínimo de qualidade para a formação dos futuros profissionais. Na contramão dos que defendem o fim de tais exames, creio que deveria haver lei que exigisse exame para todas as profissões. Isto, por que é fato: O ensino superior perdeu a capacidade de dar formação de qualidade aos jovens, e tornou-se em sua maioria fábrica de diplomas com notas superfaturadas.
Isto é simples de explicar. Com a expansão do ensino superior as faculdades particulares adentraram no terreno da clientela de alunos que vieram do ensino público. Tais alunos, em sua maioria, possuem imensa dificuldade de leitura e escrita, e no campos das atitudes não possuem as mínimas condições para vivenciar as aprendizagens da Educação Superior. Não raciocinam de acordo com as necessidades de aprendizagens, nem possuem a consciência de que ali estão para aprender a arte de trabalhar para servir, para viver, para conviver. Pensam apenas nas notas, e,  carregam uma idéia obsessiva por terem notas boas.
De outro lado as faculdades particulares, em sua maioria, estão preocupadas em manter um número x de alunos que propicie o lucro, afinal, a grande maioria trata a educação como qualquer outro negócio, onde o que importa é o lucro. Sendo assim, pouco investe em pesquisas, bibliotecas, ou titulação e formação de professores. A maioria dos docentes é especialista e não tem nenhuma experiência na pesquisa. Os mestres e doutores que por acaso existem nas faculdades particulares são aulistas e raramente desenvolve pesquisas ligadas a Instituição. O resultado é que os alunos acabam convivendo com um Ensino Médio melhorado não tendo a mínima chance de ter contato com o Espírito Científico.
Não é a toa que as Universidades Públicas deixaram na poeira as faculdades e Universidades particulares na questão do exame da Ordem. Nas públicas, embora a qualidade também tenha caído nos últimos anos, tem sido ainda o reduto do desenvolvimento de pesquisas e formação do espírito científico. Nelas, o ambiente universitário ainda é preservado e a aprendizagem ainda é mais importante que ter boas notas. Valoriza-se a formação de grupos de pesquisas, seminários, palestras, situações nas quais o aluno pode vivenciar o próprio processo de aprendizagem e experimentar como será o seu futuro profissional.
Nas faculdades particulares agrava ainda mais a aprendizagem dos estudantes a situação pessoal   de cada um. Em sua maioria, são estudantes noturnos que trabalham durante todo dia. Cansados da jornada de trabalho poucas condições possuem de desenvolver um processo de aprendizagem necessário ao que se precisa aprender em cada um dos cursos universitários. Como não possuem tempo disponível pressionam os professores a diminuir o ritmo das aulas, buscarem textos “fáceis”, e, trabalhar praticamente em ritmo de segundo grau ou ensino médio. A conseqüência é que os mesmos não entram em contato com os clássicos de cada área tendo no máximo contato com os comentadores, no mais das vezes, comentadores de uma pobreza extrema.
O resultado disso são alunos que não melhoram a capacidade de leitura ou escrita, não enriquecem a linguagem, tendo uma pálida idéia da profissão ser exercida e vendo-a apenas pelas lentes do senso comum. Não me estranha que tão poucos passem nas provas do Exame da OAB. Estranho seria se todos fossem aprovados. Tenho dito repetidamente que nas faculdades particulares a maioria das notas são superfaturadas por dois motivos: primeiro, nós professores quase sempre não trabalhamos os conteúdos com a profundidade necessária; segundo, ao avaliar as coisas são meio que “facilitadas” para que o aluno consiga a nota necessária a aprovação.
Diante disso, mas do que tenho visto nas manchetes, nossos estudantes precisam de um novo tipo de consciência. Não mais a consciência política, a participação cidadã, mais que tudo isso nossos estudantes precisam compreender que de uma boa formação dependem todo o resto. A própria participação política não terá sentido e nem fará muita diferença se os mesmos não tiverem alta capacidade de leitura e interpretação de mundo nas áreas que escolherem atuar. Nossos estudantes precisam compreender a necessidade de que o primeiro e mais importante do estudante e dominar a área de conhecimento onde pretende exercer a profissão, ou seja, ter acesso a ciência e a verdadeira formação de um espírito de ciência.


quarta-feira, 13 de julho de 2011

A embriaguez como pecado capital ou O Remédio de minha tia para problema dos rins.


Muitas pessoas têm vergonha dos vícios que possuem. Vícios, em sua maioria são pecados capitais. A luxúria, a gula, a ganância, a avareza, a embriaguez de todos os tipos; são alguns dos chamados sete pecados capitais. Diz-se que os pecados capitais nunca estão sozinhos, são unidos, por vezes vivem todos juntos no mesmo hospedeiro co-habitando no mesmo espaço, muitas vezes desafiando mesmas as leis da física.
Quando o assunto é embriaguez quase sempre vem acompanhado da luxúria, da torpeza e de alguns outros quesitos mais. E não se pode falar que embriaguez é apenas o uso de bebidas que nos faz perder a lucidez dos sentidos. Embriaguez é tudo aquilo que nos faz perder a  lucidez dos sentidos. Assim, não é de se assustar que tem muita gente por ai embriagada de futebol, de trabalho, de religião, de conhecimento. A embriaguez entorpece cega, mutila nossa visão correta das coisas, e, quando menos, distorce a realidade.
Dizem que a embriaguez, segundo o dicionário Aurélio, é o entorpecimento dos sentidos, e que tudo aquilo que entorpece, que exalta, que leva ao êxtase pode embriagar alguém. Então, podemos falar de embriaguez da vitória, da derrota, do amor, do ódio, da religião, da tristeza etc. O certo é que a embriaguez se dá pelo excesso de algo do qual, em síntese, necessitamos. Necessitamos de amor, mas em excesso ficamos embriagados. O mesmo pode se dizer da paixão, do ódio, da ira, da raiva, da alegria, da tristeza, enfim, das coisas físicas e biológicas sabemos que nosso organismo necessita de álcool, ma que em excesso leva-nos a embriaguez.
É difícil saber quando estamos nos alimentando de algo para nossa vida, e quando estamos nos embriagando. Os apaixonados, dizem alguns, são aqueles que vivem embriagados de amor. E, os loucos, são os embriagados da paixão. Entre a paixão e o amor o espaço e tênue como também o são entre o amor e o ódio e entre a paixão e a loucura. Na nossa sociedade, no entanto, quando falamos de embriaguez logo nos lembramos da bebida com alto teor alcoólico; nos rincões do nordeste goiano – a famosa cachaça.
Os indivíduos vencidos pela embriaguez ou com seus sentidos entorpecidos já não possuem mais nenhum senso de realidade. Suas formas de compreender o mundo ficam distorcidas, suas respostas ás questões cotidianas já não correspondem mais a concreticidade do material. O exemplo mais claro disso são as constantes piadas de bêbados. O personagem de João cana brava é um exemplo de como a sátira nos mostra a situação daqueles que se deixam perder no mundo da embriaguez.
A minha tia, somos de uma família de negros que viveram em  terras isoladas da sociedade, mas, que mesmo no isolamento cultivaram um alto gosto pela cachaça feita de cana. Tornou-se um costume da comunidade plantar a cana, fazer a cachaça no alambique e tomar ao redor das fogueiras, ao som do batuque, nas rezas, festejos e dias santos. No entanto, algumas pessoas aos poucos deixaram de se contentar em tomar a branquinha apenas nos dias de festejos e alegrias. Minha tia era uma destas insignes que passou a consumir a branquinha como substituta da água potável.
A bebida,  já deixara de ser há muito tempo, para ela, um instrumento de sociabilidade. Na verdade, tornara-se motivo de constrangimentos contínuos, vergonhas, cochichos e sofrimentos. No entanto, o consumo  só foi aumentando com o avançar da idade. Hoje, a sortuda já está para mais de setenta anos e ainda continua consumindo a branquinha regularmente, de forma assustadora, e muitas vezes ficando totalmente embriagada.
Durante anos os familiares insistiram  que deveria parar de beber. Enfim, no enterro da minha avó, meu irmão mais velho a inquiriu quando ela iria finalmente parar de beber. Ela reticente respondeu que não poderia. Todos que ouviram ficaram curiosos para saber a razão.
- Não meu filho, disse ela, não posso parar de beber, se paro ataca um dor nos rins; e depois, por que devo ficar com sede? Sempre que paro sinto uma sede danada.
Estava descoberta a água que realmente mata a sede e, um novo remédio para os rins. 

terça-feira, 12 de julho de 2011

A fantástica história de Didi Mentira

Dizem que Didi mentira viveu nas margens do Rio Claro no Estado de Goiás, mas precisamente no município de Caçu. A história que se conta é que recebeu a alcunha de “Didi” por ser engraçado, em alusão ao Didi do grupo “Os Trapalhões”. Não posso dizer se Didi mentira ainda está vivo. A  história que ouvi refere-se apenas ás suas fantásticas mentiras.
Ele era engraçado por mentir, mas não era aquela mentira maldosa, com objetivos de tirar vantagens ou coisas que o valha. Era a mentira que tornava a vida mais alegre. E Didi não mentia como quem inventava histórias; suas mentiras pareciam fazer parte de sua vida, mas do que uma mentira o Didi de caçú parecia viver em um mundo imaginário; um mundo feito de acontecimentos nas quais só as crianças são capazes de acreditar. Talvez Didi mentira não mentisse, fosse apenas um ser que acreditava em seu próprio mundo.
A mentira é  definida como sendo um nome dado a afirmações falsas ditas por alguém que sabe, ou no mínimo suspeita de tal falsidade. No entanto, se alguém conta algo que não sabe ser mentira não pode ser chamando de mentiroso, o que mostra que a mentira está ligada a consciência daquele que mente sobre a falsidade do que afirma ser verdade.  No campo da moralidade a mentira é tida como pecado em muitas religiões, e mentir, é contra os padrões morais, no entanto, não foram poucos aqueles que fizeram concessões a mentira. Platão afirmava que a mentira era permissível se fosse para auxiliar na construção do bem estar da Polis; já Aristóteles, Kant, Santo Agostinho não admitiam em nenhuma hipótese a possibilidade da mentira ser usada como instrumento útil na construção de uma sociedade.
Durante a segunda guerra mundial um general de Hitler ficou famoso pela frase que pronunciou afirmando que uma mentira dita mil vezes acaba tornando-se verdade. Não é diferente muita das estratégias utilizadas pelos donos do capital para fazer as pessoas consumirem alguns produtos. A psicologia da mentira mostra que aos quatro anos e meio as crianças já tentam testar se as pessoas acreditam ou não em suas mentiras; seja, contando-as ou utilizando do instrumento da culpa, culpar-se ou se sentir culpado como forma de lidar com a mentira e ou com a verdade. Por incrível que pareça, na política recente um presidente americano utilizou recentemente o que pode ser chamado de a “nobre” mentira de Platão como instrumento para justificar a invasão ao Iraque.
De outro lado, é preciso lembrar que em essência no mundo atual todos mentimos, e mentimos o tempo inteiro por que assim a sociedade o exige. Somos uma sociedade de mentirosos, hipócritas, egoístas e esquizofrênicos; é o que se convencionou chamar de mentira social. Perguntados como está o nosso dia, não importa se está horrível, quem pergunta sempre espera que digamos estar tudo bem. Didi mentira não mentia em nenhum destes aspectos. Sua mentira parecia fazer parte da sua própria forma de exisitir.
Certo dia Didi Mentira descia triste, acabrunhado. Todos pensaram que algo horrível teria acontecido a ele. Então, dirigindo-se a ele o inquiriram: Didi, que se passa, por que está tão triste?
Didi não perdeu a oportunidade de mentir, e nem se sabe se a arte de aparecer pelas ruas triste e a acabrunhado já não fazia parte da mentira. Didi responde: Ora, estou triste por que aquele amigo de outrora está doente moribundo, e acabou de falecer hoje a tarde.
Tão verossímil pareceu a história que muitas pessoas desceram a casa do moribundo que falecera. Ao chegar lá, qual surpresa de todos encontrou o dito moribundo fundando seu cachimbo sentado em sua cadeira preguiçosa. Raivosos, prometeram encontrar uma forma de pregar uma mentira tão absurda em Didi que fizesse  acreditar que fosse verdade.
Tramaram dias, dias, semanas. Então chamaram Didi e lhe contaram a seguinte história para ver como ele reagiria. Didi, olha, é o seguinte, ocorreu uma história que todos estamos perplexos. Um homem andando de moto em alta velocidade quando viu uma vaca em sua frente. Quando viu que não poderia frear a moto, o homem pulou por cima da vaca, deixando a moto passar por baixo da bichana, e, como se não bastasse pulou na moto do outro lado, tudo em questão de segundos diante dos nossos olhos.
Didi olhou com naturalidade para o seu contador de historia e perguntou:
- Você viu mesmo isso acontecer?
O moço respondeu: - Claro que vi, como os meus próprios olhos.
Didi insiste – Você tem certeza de que viu mesmo, presenciou tudo e não tem dúvida de nada que viu?
O moço responde: - Claro Didi, e não foi só eu que vi. Estava lá eu e alguns amigos.
Didi então abre um largo sorriso, olha para todos e afirma:
- Que bom que vocês estavam lá, que bom que viram. O moço que vocês viram em cima da moto era eu. Eu queria tanto poder contar esta história e tinha medo de que não acreditasse em mim, que pensasse que fosse mentira; mas já que vocês estavam lá, fico tranqüilo, agora sei que  ninguém poderá dize que estou mentindo.
Como se pode ver, Didi mentira não mentia, vivia de sua forma o aspecto absurdo da realidade. Aquele que torna capaz transformar os piores momentos da vida, ou as mais toscas armadilhas em instantes de vitória e supremacia. Eis ai registrado a história a mim contada por meu amigo Wiliam Sandro, - a fantástica história de Didi Mentira.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

O episódio Marina Silva e o Cartel dos Partidos Políticos no Brasil


A saída de Marina Silva do PV está sendo tratado pela imprensa como uma polêmica envolvendo métodos de direção e democracia interna em um partido. É um erro. A saída de Marina Silva do PV tem um significado muito maior do que parece ao primeiro olhar. O professor Vanderley, Filósofo goiano destilou em seu blog recentemente que na verdade vivemos um momento de ditadura no Brasil: a ditadura do partido único – o partido do capital. A saída de Marina Silva do PV, é uma demonstração da verdade. O capital reassume mais um espaço e a sociedade fica ainda mais indefesa. No Brasil formou-se um cartel na política, uma coisa incrível pois o capital conseguiu tornar-se representado em todos os partidos, e, praticamente calar a voz do povo e dos trabalhadores.
O movimento começou quando a social democracia do PSDB optou pelos banqueiros e o seu principal representante esqueceu o que escreveu no passado. Depois, foi a vez do PT,  quando na carta aos brasileiros iniciou um processo que culminou em sua rendição ao grande capital. Por fim, o PT levou consigo todos os demais partidos e as mais expressivas lideranças. Marina é aquela liderança que saiu do PT chorando por ver sua história de décadas sendo abandonada e desprezada. Antes dela, foi Heloisa Helena, Chico Oliveira, e, depois dela, já se foi Wladimir Palmeira.
O tal movimento conseguiu de forma silenciosa invadir e ocupar das mais diversas formas, partidos como o PSB, o PDT, PTB. E como diz o deputado Vilmar Rocha não existem mais ideologias, todos são iguais, pragmáticos; na verdade eu entendo, todos se renderam ao capital. Casos sintomáticos de rendição é lideranças que se formaram na defesa de uma sociedade justa serem hoje, assumidamente de direita, como o Senador Goiano Demostenes Torres; que iniciou sua militância no PCB, e hoje, é senador pelo DEM, e, é contra cota para negros nas Universidades, entre outras coisas.
Depois de ocupar os espaços partidários, o capital criou a ideologia de não ter ideologia, e inventou uma nova forma de ser de direita e conservador. Agora ser conservador é ser a contra o aborto, contra cotas para negros, etc. A idéia do liberalismo não interessa mais, principalmente por que o capital está em momento de reeinvenção. A última grande crise deixou os teóricos do capitalismo perdidos e atônitos, então, voltaram-se para temas moralizantes, esquecendo que muito do que agora eles querem combater só existe por que foi estimulado pelo consumo desenfreado, o fetiche da mercadoria, e alienação extravagante.
O próximo passo do capital parece ser tentar criar uma nova moral. Uma aliança estranha começa se formar entre as religiões de todos os tipos. As marchas e contramarchas se multiplicam. Os velhos modelos de instituições são dissolvidos ou tem seus fundamentos modificados quando lhes aprouver. O engraçado é que como a ideologia do capital é facilmente adaptável os religiosos pregam contra eles mesmos na medida em que fazem da religião, até por força da necessidade de fazer a instituição religiosa existir, uma empresa a ser administrada sobre as regras do capital. Destarte o capital reina soberano. Do lado daqueles que gritam por novos direitos civis, o fundamento último é ditado pelo direito de consumir e lidar com o patrimônio, pois a técnica tornou a vida tão artificial que até o que parece existir de transcendente parece ser criado por palavras vazias.
Como sair deste circulo? Esta é a grande pergunta que aqueles que querem lutar por um novo modelo civilizatório terão de responder. Felizmente a humanidade já viveu outros momentos assim em sua história e sobreviveu. Que o diga os sobreviventes do velho império romano, os renascentistas, ou ainda, bem mais no passado na queda de cada grande império civilizador. Ao sair do PV Marina terá o desafio de se colocar com fidelidade na defesa desta busca por um novo rumo para a civilização ou se dobrar finalmente ao grande capital; aquele que pelo lucro desmata tudo que estiver pela frente.

A corrupção nossa de cada dia


Quando Palloci caiu tentei não escrever sobre o assunto aqui no blog. Resisti, mas por fim, uma leitora pediu. Queria saber o que eu escreveria sobre o assunto. Então levantei a tese de que a queda de Palloci representava apenas uma conseqüência lógica do jogo do poder, e da forma como o jogo do poder é jogado na atualidade. Tento esclarecer melhor agora: O jogo do poder na atualidade não é jogado com o objetivo de governar a sociedade, e sim, e quase que apenas no sentido de atender aos interesses egoístas dos envolvidos no jogo. Isto parece senso comum e óbvio, não é. Tudo é feito como se fosse o interesse do povo que está em disputa, quando na verdade a única coisa em disputa é quem será o próximo a ser desmoralizado.
No jogo do poder quase todo mundo sabe os podres de todo mundo. No caso de Palloci tudo começou e terminou com o interesse dos partidos aliados por cargos. Digo terminou por que a nova ministra assumiu dizendo que infelizmente não iria atender aos pedidos de todos, e que haveria sim descontentes. No caso do Ministério dos Transportes desconfio que a fumaça da corrupção já era vista de longe. Alguns meses atrás conversando sobre o embróglio que envolve o Deputado Sandro Mabel e a o dirigente do PR Valdemar da Costa Neto, um bem informado executivo afirmou: Sandro Mabel conhece o jogo do poder, sabe como funciona, não vai deixar a direção do PR em Goiás tão fácil assim. Que não me falhe a memória, Sandro Mabel é o mesmo que no passado esteve envolvido dossiê envolvendo Marconi Perillo, o fato foi noticiado no dia 15 de Junho de 2011.
O esquema de corrupção no Ministério dos Transportes vai acabar minando a autoridade de Costa Neto, e, por conseqüência resolvendo o problema de Mabel. O interessante é que logo depois que Mabel disputou a presidência da Câmara, Marco Maia, Henrique E. Alves e Vacarezza procuraram os interlocutores do PR, para interceder pela não punição a Mabel. Entenda: pessoas de grosso calibre do Governo Federal já haviam perdoado a aventura solitária do deputado goiano. Os bastidores do poder têm sempre muito mais segredos do que imaginamos, e é quase impossível saber o que acontece entre uma conversa e outra. A minha tese é que desde sempre já se sabia da fumaça e que todos os envolvidos sabiam que uma briga no PR não seria boa para ninguém. A questão é que por mera coincidência, claro, Juquinha das Neves seria presidente do PR Goiano  no lugar de Mabel, e, claro, fique bem claro este blogueiro só acho interessante a coincidência e não tem nenhuma evidência que uma coisa esteja ligada a outra.
No final, Goiás como estado saiu perdendo, e perderia de qualquer jeito. Se Mabel perdesse a guerra sairia desprestigiado, e hoje é um importante político goiano, embora sem uma definição clara de bandeiras para colocar a serviço do povo. Do outro lado, ao cair, Alfredo Nascimento levou nomes goianos, que certamente faz diminuir a interlocução goiana com o Governo Federal. Infelizmente, parece que os grandes esquemas de corrupção passam por Goiás; primeiro foi Delúbio, agora, Juquinha das Neves e Companhia. A pergunta é quem será o próximo.
Retornando a minha tese: a queda do Ministro Alfredo Nascimento nada adianta se não mudar as relações existentes entre o poder público e os interesses privados e corporativistas seja de empresas, ou mesmo e até, dos partidos políticos; e, repito, precisamos urgente de trabalhar a formação para a cidadania para que as pessoas entendam que, as vezes, é preciso recusar até mesmo uma boa proposta de emprego se o mesmo significar envolver-se em um esquema de corrupção. Caso não se encontre caminhos para a mudança necessária, vamos esperar o próximo ministro cair, quando um novo esquema de corrupção for “descoberto”, e os nacionalistas de plantão sair em defesa do patrimônio nacional.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Perdão para os dirigentes do Brasil III – O segundo reinado


Senhor, eu lhe peço o meu perdão.
Para este pobre menino;
Ele não teve juventude; coitado era arrimo.
Não sei como o coitado conseguiu tanta paciência;
Vivendo entre liberais, estudando a ciência;
Ouvindo conservadores, todos vítimas da demência;
O pobre ainda cresceu e governou até a convalescença.

Este menino foi D. Pedro de Brangança;
Vulgo Pedro II.
Ele acreditou na perseverança;
E que o Brasil era seu mundo.

Assim que assumiu o trono,
Enfrentou revolução.
Foi o bravo do Gaúcho;
Que cansado de enrrolação;
Acreditou que podia fazer do Sul uma nação.
Depois veio a praieira
E, mais ainda, a balaiada.
E pra não fugir das tradições;
Tudo acabou em nada.
Só serviu mesmo pra fazer uma consolidação;
E os interesses dominantes prevaleceu sobre o povão.
O povo não participava, e ainda tinha a escravidão.

O imperador barbudo, outras guerras enfrentou.
O oribe, e os Rosa, nas terras do Uruguai;
E outra mais importante, nas terras do Paraguai.
E se o imperado não tinha como recorrer a um Messias;
Usou o que tinha em casa, virou-se com o Caxias.
Não se deu bem, ele na guerra.
A  história não perdoou – também foi mesmo covardia!!
Era três contra um, brigando por uma bacia;
E que no final da história ninguém saiu ganhador.

Tem uma parte da história que merece uma vista.
Foi o surgimento de uma planta – origem do coroné.
É o surgimento dos paulistas.
E das plantações de café.
Parece até brincadeira – coisa de homem viril.
Tem horas, no entanto,  que penso
Que estas duas pequenas coisas foram o mal do Brasil.
Então perdoa, senhor, perdoa D. Pedro II>
Foi ele quem inventou o café, inventou o coroné;
E nos apresentou para o mundo.

E no fim do seu reinado;
Exército grande demais;
Não existia Caxias, e excesso de Marechais;
O império acabou indo para a mão de um capeta;
Um general chamado, Deodoro da Fonseca.






Perdão para os dirigentes do Brasil II – O primeiro reinado.


Senhor, neste capitulo especial.
Perdoa D. Pedro I.
Ele sofreu de dar dó;
Ao inventar ser brasileiro.

O D. Pedro é o homem sinônimo da Covardia.
Primeiro renunciou ao trono de Portugal.
Passou o trono para filha,
Por medo de se dar mal.

E como já não bastava ter inventado uma nação;
O Covarde do D. Pedro era uma confusão só.
Inventou uma constituição;
E se envolveu no assassinato de um tal de Badaró.

E como em toda encrenca, tem um mineiro no meio;
Lá foi ele para as bandas de minas
Tentando não fazer feio.
E por tudo, lá termina
No meio de um cafezal,
Por medo de ser dar mal.
O medroso do D. Pedro,
Volta pra Portugal.

Deixou toda esta encrenca para o coitado do filho
Que tinha só cinco anos;
Não sabia se vestir de pano
E nem mastigava milho.

Daí veio à desgraça do destino galopante.
A tal da regências, trina, provisórias;
Era tudo acachapante;
Depois veio a tal da una, a renuncia revoltante.
E, ai, Araújo Lima, cansado de tanta besteira;
Inaugurou o golpismo nas terras brasileiras.

O engraçado é que o golpe pareceu algo bem bom.
Foi feita por gente boa, escrita com bom teor
Não existia esquerda, trabalhador não dava o ton;
Foi a conseqüência do avanço do liberal conservador.




Pedido de perdão pelos governantes do Brasil - I do Descobrimento a Independência.

Senhor, Eu lhe peço perdão pelos dirigentes do meu país.
Não quero ser negligente por, nenhum deles, senhor;
Por isso, eu peço desde já, mesmo por aqueles de quem não me lembro o  nome.
Não me lembro do endereço, e nem mesmo do telefone.
É que está muito difícil fazer pedido de oração.
Os pastores e padres pedem tudo, até número do cartão.

Senhor, perdoa todos que já morreram,
Eu sei que eles pouco fizeram,
Mas já morreram, senhor.
Livra-nos de ter que continuar a acender velas nos seus túmulos.

Na lista dos que já morreram, senhor;
Perdoa Cristóvam Colombo.
Ele não sabia senhor, que isso viria ser o Brasil.
Perdoa também Pedro Alvares Cabral.
Ele só queria vender alguma coisa para os índios,
E Ver se por aqui tinha ouro e sal.
Mas perdoa, mais ainda, senhor, os deuses do vento e do mar.
Foram eles que permitiram os portugueses aqui chegar.
Pois, Por que não os afundaram, no meio do grande mar?

Entre os políticos mortos, não faça algaravia.
Perdoa, todos de uma vez, os chefes das capitanias.
Que bom tempo era aquele, que os maus morriam de peste.
E o mapa do Brasil, só era feito do nordeste.
Mas como nada era perfeito, já existia oposição.
E existia o fracasso, e já existia o ladrão.
Já existia e a mentira e o  homem público que mente.
Portanto só logrou sucesso, Pernambuco e São Vicente.
Então perdoa senhor a todos os fracassados.
Foi por causa deles que o Brasil
Expandiu-se desordenado.

E no governo Geral, perdoa cada governador.
Perdoa o Tomé de Souza.
Ele era Tomé demais.
Ele acreditou  nos índios
E encheu aqui de canaviais.
E como os índios eram indomáveis;
Escravizou meus ancestrais.
Hoje, pagamos o preço de tamanha loucura.
O preconceito é imenso,
Pois ainda se pensa que preto,
Nasceu pra fazer rapadura.
E pra piorar as coisas, aumentar sua desdita;
Ele foi o infeliz que trouxe os jesuítas.

Perdoa o Duarte da Costa.
Ele não teve autoridade.
Foi o Álvaro e o Sardinha;
Que agiu com a maldade.
E enquanto ele se esbaldava,
Comendo bife a milanesa;
Ainda teve de conviver
Com a invasão francesa.

Perdoa o Mem de Sá.
Ele, talvez não foi tão mau.
Mas acabou com os tamoios.
Mandou os franceses ao arroio,
Inventou o carioca;
Fez beju de tapioca;
E guardou o que pode  no embornal.
O seu filho, o Estácio,
Montou uma faculdade;
Que ainda é tradicional.

Senhor, depois destes três foi tanta confusão;
Era um, era dois, era tanta divisão.
Que eu nem sei se vale apena enumerar
Para pedir tanto perdão.
Tentou-se melhorar com a vinda de João.
Mas este é outro danado que precisa de perdão.

Senhor, no campo dos reis.
Não preciso só de perdão.
Quero perdão e clemência.
Por que primeiro veio D. João.
Depois a independência.
Com um tal de D. Pedro,
Que sofria do mal da desinência.
Pois não sabia se ser brasileiro era uma abstinência.

No campo dos revolucionários;
Perdoa as Minas Gerais.
Até hoje pensam que foram os únicos inconfidentes;
E que lutaram demais.
Os inconfidentes baianos;
Que foram pegos dormindo em rede;
Também merecem perdão;
Eles dormiram porque estavam com sede.
Os inconfidentes cariocas;
Foram pegos dançando carnaval.
Eles só estavam alegres, senhor.
E não fizeram por mal.
Teve também os mascates;
E também os emboabas.
E no final de tanta guerra,
Tudo acabou em nada.
Parece até CPI do Congresso;
que coisa mais engraçada.





Democracia do Coronel.

Não existe mais o céu
Não existe mais a lua.
É tudo do coronel;
Mesmo a calçada da rua.

As abelhas já não fazem mais mel.
As flores não são beijadas pelo beija-flor.
Não se pinta mais quadros com pincel.
Por que? Por que o coronel mandou.

A água da velha fonte;
Não corre mais e está vazia.
Os pobrezinhos da cidade,
Tomam banho de bacia.

A reputação tem preço.
A vida é mercadoria.
E dizem que é tudo que mereço;
No que chamam de democracia.

Não existem mais caminhos;
O ar, não se respira mais.
O jardim, só tem espinhos.
A lavoura, bananais.

As estrelas , já não brilham.
Ligam e são desligadas.
Os carros que descarrilam.
Vidas que são apagadas.

É a nossa democracia.
Onde abelha não produz mel,
Os passarinhos não cantam,
Sem a ordem do coronel.