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segunda-feira, 4 de julho de 2011

A nossa (in) segurança de cada dia.


Praticamente todos os dias de manha ao acordar, e, a noite antes de dormir minha filha de cinco anos me faz sempre a mesma pergunta: Papai, você gosta de ser meu pai? Você queria ter filha menina? Por que você não arrumou um irmãozinho para mim? Na noite antes de dormir, após as devidas explicações ela me olhar com um olhar profundo da alma e cheio de amor, e, em seguida adormece. Na parte da manha após as respostas dá-me um abraço apertado e diz que me ama. Quando não estou em casa ( saio em viagem) demora a dormir e fica irrequieta durante o dia.
Após suas perguntas na madrugada de hoje, fiquei meditando porque a insistência em perguntar todos os dias e o que eu poderia fazer para dar a ela mais segurança. Depois de horas pensando, analisando os problemas vividos na família, meus pensamentos saíram da família e foram  para a sociedade. A violência que campeia para todos os lados, as marchas, o povo irrequieto, não seria falta de segurança do cidadão para com os seus líderes? O povo brasileiro está carente de sentimento de ser amado, e, tem se refugiado em religiões e  idéias fundamentalistas que acaba por os empurrar cada vez para mais violência.
Continuei pensando, e analisando os líderes que temos. Não temos dado bons exemplos. A ingratidão, a falta de virtudes, a corrupção, tudo tem contribuído para a insegurança moral. Sim, vivemos em um tempo de insegurança moral por que não sabemos mais se vai valer a pena sermos honestos. Empresários, renderam-se definitivamente a lógica mais perversa do capital. As religiões tornaram-se espaços de fuga do medo da desgraça ainda em vida. Os partidos políticos, tornaram-se instrumentos de exercitar a ganância pelo poder. Exemplos recentes mostram isso o tempo todo na mídia. Traição, corrupção, violência, perversão está se espalhando para todos os lados.
Os cidadãos parecem sentir-se impotentes diante da realidade que se agiganta e se assemelha a uma grande engrenagem invisível. As leis, as normas, tudo é manipulado nas mãos de quem detém o poder. Um dia, perguntei para minha filha por que ela me fazia aquelas perguntas e ela me respondeu: Papai, eu tenho pesadelos onde sempre estou sozinha, e eu tenho medo de você ir embora, me deixar e partir meu coração. Acalmei-a. Prometi que jamais a deixaria. Assim está o povo, vivendo um pesadelo, como medo de serem deixados sozinhos. E é assim que o povo se sente quando a justiça é lenta. Recentemente fui acusado injustamente por um cidadão; a acusação já dura um ano e meio que foi feito a ocorrência; e, agora, só agora começa a se definir que a acusação foi caluniosa, que falta provas. Imagina, um ano e meio depois, sofrimento, impotência, prejuízos materiais, emocionais, dificuldades para as minhas filhas; e só agora, a justiça começa a entender que a acusação é injusta. Quem pagará  pelos prejuízos? O povo se sente órfão de justiça.
Quanto tempo o mutirama está fechado? O povo está órfão de lazer. As redes de proteção social sofrem cortes o tempo todo. O povo está órfão de direitos básicos como saúde, alimentação, segurança, educação, cidadania. As escolas públicas estão ruins, o povo está carente do seu futuro, e, não conseguem ter esperanças de dias melhores. Onde estão os nossos líderes que tem a força e o poder de governar? Precisamos de líderes espartanos, líderes dispostos ao sacrifícios para construir o futuro de nossa gente. Do contrário o povo continuará a perguntar todos os dias: O que será de nós? Ficaremos sozinhos, vítimas de todas as dificuldades, nas mãos daqueles que detém o capital, e todo o aparato que pode fazer da vida algo mais que um campo de sofrimento? O povo pede esperança, o povo pede segurança emocional e espiritual.

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