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sexta-feira, 8 de julho de 2011

O episódio Marina Silva e o Cartel dos Partidos Políticos no Brasil


A saída de Marina Silva do PV está sendo tratado pela imprensa como uma polêmica envolvendo métodos de direção e democracia interna em um partido. É um erro. A saída de Marina Silva do PV tem um significado muito maior do que parece ao primeiro olhar. O professor Vanderley, Filósofo goiano destilou em seu blog recentemente que na verdade vivemos um momento de ditadura no Brasil: a ditadura do partido único – o partido do capital. A saída de Marina Silva do PV, é uma demonstração da verdade. O capital reassume mais um espaço e a sociedade fica ainda mais indefesa. No Brasil formou-se um cartel na política, uma coisa incrível pois o capital conseguiu tornar-se representado em todos os partidos, e, praticamente calar a voz do povo e dos trabalhadores.
O movimento começou quando a social democracia do PSDB optou pelos banqueiros e o seu principal representante esqueceu o que escreveu no passado. Depois, foi a vez do PT,  quando na carta aos brasileiros iniciou um processo que culminou em sua rendição ao grande capital. Por fim, o PT levou consigo todos os demais partidos e as mais expressivas lideranças. Marina é aquela liderança que saiu do PT chorando por ver sua história de décadas sendo abandonada e desprezada. Antes dela, foi Heloisa Helena, Chico Oliveira, e, depois dela, já se foi Wladimir Palmeira.
O tal movimento conseguiu de forma silenciosa invadir e ocupar das mais diversas formas, partidos como o PSB, o PDT, PTB. E como diz o deputado Vilmar Rocha não existem mais ideologias, todos são iguais, pragmáticos; na verdade eu entendo, todos se renderam ao capital. Casos sintomáticos de rendição é lideranças que se formaram na defesa de uma sociedade justa serem hoje, assumidamente de direita, como o Senador Goiano Demostenes Torres; que iniciou sua militância no PCB, e hoje, é senador pelo DEM, e, é contra cota para negros nas Universidades, entre outras coisas.
Depois de ocupar os espaços partidários, o capital criou a ideologia de não ter ideologia, e inventou uma nova forma de ser de direita e conservador. Agora ser conservador é ser a contra o aborto, contra cotas para negros, etc. A idéia do liberalismo não interessa mais, principalmente por que o capital está em momento de reeinvenção. A última grande crise deixou os teóricos do capitalismo perdidos e atônitos, então, voltaram-se para temas moralizantes, esquecendo que muito do que agora eles querem combater só existe por que foi estimulado pelo consumo desenfreado, o fetiche da mercadoria, e alienação extravagante.
O próximo passo do capital parece ser tentar criar uma nova moral. Uma aliança estranha começa se formar entre as religiões de todos os tipos. As marchas e contramarchas se multiplicam. Os velhos modelos de instituições são dissolvidos ou tem seus fundamentos modificados quando lhes aprouver. O engraçado é que como a ideologia do capital é facilmente adaptável os religiosos pregam contra eles mesmos na medida em que fazem da religião, até por força da necessidade de fazer a instituição religiosa existir, uma empresa a ser administrada sobre as regras do capital. Destarte o capital reina soberano. Do lado daqueles que gritam por novos direitos civis, o fundamento último é ditado pelo direito de consumir e lidar com o patrimônio, pois a técnica tornou a vida tão artificial que até o que parece existir de transcendente parece ser criado por palavras vazias.
Como sair deste circulo? Esta é a grande pergunta que aqueles que querem lutar por um novo modelo civilizatório terão de responder. Felizmente a humanidade já viveu outros momentos assim em sua história e sobreviveu. Que o diga os sobreviventes do velho império romano, os renascentistas, ou ainda, bem mais no passado na queda de cada grande império civilizador. Ao sair do PV Marina terá o desafio de se colocar com fidelidade na defesa desta busca por um novo rumo para a civilização ou se dobrar finalmente ao grande capital; aquele que pelo lucro desmata tudo que estiver pela frente.

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