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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Orlando Silva Caiu: E agora? O que fazer com os esquemas de corrupção?



Nelson Soares dos Santos

Na terça feira, 18 de outubro, em meio à saraivada de denúncias que eram recebidas pelo ministro do Esporte Orlando Silva, escrevi aqui neste blog que o ministro cairia, não por ser honesto ou desonesto isso já não estava mais em questão. Outras questões bem mais poderosas, razões bem mais fortes e convincentes o fariam cair. E, convicto, de que a corrupção no Brasil faz parte de uma epidemia social acredito que os que advogam a queda de Orlando Silva, sabem que a mesma não vai estancar o processo de corrupção, uma vez, que de certa forma a corrupção parece ser vital para a manutenção do atual sistema político.
Por fim, nesta tarde começa a ser anunciada a queda de Orlando Silva. Daqui a alguns dias as denúncias de corrupção serão esquecidas pela mídia, como já foi as denúncias feitas em relação a todos os ministérios onde houve acontecimentos similares. A corrupção está sendo institucionalizada como instrumento da luta política por espaços no poder. Não vai demorar para que surjam denúncias de que, na verdade, muitos documentos que são utilizados, são produzidos com o único objetivo de desestabilizar aqueles que estão no poder.
Mas o que significa o fato da corrupção começar a ser utilizada como instrumento da luta política? O que se devem temer quando aqueles que denunciam não querem de fato apurar os erros cometidos, ou os atos de corrupção e tão somente ocupar o lugar nos esquemas já estabelecidos? Que tipo de reflexão precisa ser feita quando a mentira, a desonestidade, o roubo se torna instrumento legítimo na busca pelo poder na sociedade organizada, de forma institucionalizada, ou tolerada? Não se trata de ser moralista, ou de querer sê-lo, mas em um país onde denúncias de corrupção servem apenas para derrubar ministros ou governos, alguma coisa pode estar muito errada nisso que chamamos democracia.
É preciso que  o governo tome posição quanto as mecanismos de gerência da coisa pública. Não se trata de questões que possam ser resolvidas trocando pessoas. É muito mais que isso. Nos últimos vinte anos com o processo de abertura democrática, privatização de diversas empresas públicas, aumento da renda das classes B, C e D; Crescimento econômico sustentado, maior acessa a educação escolarizada, acesso a bens de consumo, etc; levou  a construir uma confusão enorme entre o que é o público e o privado; o individual e o coletivo, e, isso fez aumentar a corrupção pela própria decadência moral que tal processo proporciona, justamente pelas condições mais propícias a realização das paixões e desejos inerentemente humanos.
A mídia e os seus próceres que posam como heróis a cada ministro que é derrubado deveriam estar bem mais desconfiados, uma vez que ela própria é vítima do mesmo processo, fazendo um jornalismo profundamente tendencioso e que agrade a um  público em vez de se preocupar com a informação e a narração das notícias. Li recentemente no Observatório da Imprensa, uma análise interessante de um analista político: a maioria das revistas de informação, notícias, jornais e colunistas não passam de um senso comum que tem como único objetivo agradar o público leitor, sem nada levar de novidade ou de utilidade. Trabalha-se cada vez com os sentimentos, com os desejos, as paixões, em vez de se trabalhar com uma preocupação com o bem estar coletivo dos indivíduos. E neste sentido, constroem-se impérios individuais, riquezas, baseadas no roubo, na mentira, e na desonestidade.

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