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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

A vida: Uma vez mais – qual o sentido da vida?



Nelson Soares dos Santos

Esta semana deparei-me com alguns casos interessantes que levou-me a questionar uma vez mais o sentido da vida. Um deles, o caso da Atriz Grazi Massafera. Ouvi que anda deprimida. O motivo: está entediada da vida uma vez que já conquistou muito mais do que se sonhou ter. Era aniversário de uma amiga e passe meia hora conversando com ela sobre casos análogos. Tantas pessoas conseguem tantos bens materiais e não conseguem entender o sentido da vida. Muitos, não apenas entram em depressão, usam drogas, no final, matam-se a si mesmos. Diz-me minha amiga aniversariante que foi o caso da Cássia Eller, e tantos outros artistas no mundo da dança, das artes cênicas e no mundo da fama.
Afinal, por que estas pessoas depois de conquistarem tudo que sonhou ter entram em estado tão lastimoso? A resposta, talvez seja mais simples do que pensamos e está na própria resposta: estas pessoas possuem tudo que se sonhou ter, e na verdade esqueceram de sonhar em ser. Sem entrar aqui no aspecto complexo do que é a vida, vamos entender a vida apenas como este espaço de existência na matéria, onde todos nós homens estamos condenados a viver dia após dia, de alguma forma, em algum lugar, e que a única forma de escaparmos de viver uma vez nascidos é tirando a própria vida ou atentando contra ela. É desta existência que nos perguntamos: Qual o sentido? Que devemos fazer nesta vida? Qual a razão de estarmos aqui?
Os deterministas vão responder que afinal não temos tanta liberdade assim, que tudo que tem de acontecer no final acontece, e no senso comum pode se dizer que no final tudo vai dar certo, e ironicamente alguém completa, e se não deu certo, é por que não chegou ainda no final. O certo é que no determinismo tudo que acontece já houve uma causa anterior, sobre a qual pouca ou nenhuma influência temos. O mundo assim, a vida, a existência parece meio sem sal. É como no filme de Matrix, cuja mensagem mais forte que vai ficando depois de assistir repetidas vezes é que na verdade pouco adianta entender as razões de nossas decisões, no final, nós as tomaremos do mesmo jeito.
Os existencialistas, sobretudo com Sartre vai proclamar que na verdade somos plenamente livres, e que condenados a liberdade não podemos nos furtar jamais a responsabilidade de nossas escolhas. Recusar a responsabilidade por nossas escolhas é má fé, e, pior, colocar a culpa nos outros é má fé da má fé. Não sei o quanto Sartre possa estar certo em suas andanças e na sua existência, parece no entanto, que o ato de colocarmos culpa nos outros não é uma das melhores saídas para justificar nossas escolhas.
Para os cristãos, o sentido da vida é a vida de serviço a Deus, ou a um ente supremo. O poder e o sentido da vida está em servir a tal Deus. Assim, basta ter fé e seguir tranquilamente pela vida. São inúmeros as passagens bíblicas que atestam isso. O papel do cristão é viver segundo os mandamentos divinos e o restante colocar nas mãos de Deus, portanto, o verdadeiro cristão não questiona os acontecimentos, uma vez que os mesmos fazem parte da vontade divina para a vida de cada um. Muitas guerras foram feitas fundamentas em tal verdade, muitas pessoas foram queimadas na fogueira, mas também, muitas coisas belas e muitos milagres foram testemunhados pela história.
As religiões que carregam a tese da reencarnação ( segundo a qual o homem vive diversas vidas na terra), tem claro que o sentido da vida na terra é a busca da perfeição humana, e que só deixamos de aqui viver quando cumprimos nossa missão de alcançar a perfeição. O problemas é que estamos meio sozinhos nesta história, pois existe o tal do Karma. Na verdade é quase definido pelo senso comum quando diz: “aqui se faz, aqui se paga”. Então mesmo quando não queremos errar, e até com boas intenções podemos estar juntando sofrimentos para vidas futuras, e, os sofrimentos atuais podem ser frutos de decisões erradas tomadas no passado.
Em comum, todas as religiões tem a verdade de que não estamos aqui na terra para juntar bens materiais. Estamos aqui para desenvolver o ser, desenvolver o espírito e não juntar bens materiais. Ou seja, é do ser que se trata, e jamais do ter. Talvez por isso tantas pessoas que colocam toda sua energia da juventude na busca do ter, sentem-se vazios quando chegam o momento mais produtivo da vida. Vazios, por que o espaço do ser não foi trabalhado, o tempo passou e estão literalmente vazios. Os bens materiais não podem preencher o vazio interior. E este é o grande mal do nosso tempo. Perdemos a consciência do real sentido da vida e do viver. O capitalismo e suas diversas formas de expressão nos mais diversos campos da experiência humana tem-nos roubado a possibilidade de viver a real experiência de ser, ser com nós mesmos, ser com os outros, sermos humanos.
Ser humano, tonar-se humano, alcançar a perfeição possível ao ser humano. Este é o grande sentido da vida. Cada pessoa tem o desafio de descobrir o caminho que pode levá-lo a este encontro maravilhoso. Para alguns pode ser tornar-se milionários, para outros, pode significar abandonar todos os bens materiais. Para uns, pode ser buscar todas as formas de poder, para outros pode ser abandonar toda forma de exercício de poder. Daí por que o humanismo de que falo sempre não pode deixar de respeitar jamais a individualidade do ser humano, também não pode deixar de propiciar aos indivíduos a oportunidade de escolher os próprios caminhos da auto-realização.

3 comentários:

  1. Puxa vda ! acho que hoje consegui login para postar comentarios no seu blog pela primeira vez! Parabens .. muita producao , temas variados .. originalidade, sentimentos sem sentimentaloidismo tampouco senso comum! Seus textos de politicas estao muito bons .. de educação nao preciso nem dizer né? voce é um grande estudioso!! E alem de tudo verdadeiramente sensivel ao mundo !!

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  2. Obrigado Doutora Ana. Um elogio seu é mais que um elogio. Tenho esforçado para aprender um pouco, tirar as lacunas e seguir em frente. Quanto a política assumi recentemente a tarefa no PPS de cuidar da formação ideológica do partido, e pensar um projeto ou pelo menos participar da discussão de um projeto de Educação para o País. Tento entender o mundo, compreendê-lo. É verdade que as vezes o coração quase atrapalha, mas afinal, é do coração que vem toda a força para continuar. Contarei sempre com você como interlocutora, e suas sugestões serão sempre bem vindas.

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  3. Obrigada amigo .. vc é daqueles grupo raro e seleto de amigos que poucos tem e qdo tem vc conta nos dedos de uma mão! Mesmo o tempo e as intempéries da vida nao enfraquecem a nossa amizade de admiro e respeito muito como amigo e intelectual! Sucesso sempre vc merece de coração e de razão! Abracos e um feliz final de ano e um super frutífero ano de 2012!

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