Pesquisar este blog

domingo, 23 de dezembro de 2012

PPS - desenvolvimento humano, Sustentabilidade e a construção do futuro pelo presente


.

 

Os resultados das eleições de 2012, mostrou-nos algo do qual já desconfiávamos: o eleitor anseia por ideias novas, novas forma de governar e de lidar com a coisa pública.. São muitos os depoimentos que confirma esta conclusão, desde pesquisas realizadas nacionalmente á entrevistas como publicadas no Estado, do Presidente do PSD, Deputado Federal e Secretário da Casa Civil, Vilmar Rocha á mais recente, do presidente da FAEG, José Mário. Aliás, o grande trunfo que o PSD apresentou nestas eleições foi justamente o de representar o novo, ou a tentativa de se constituir como nova alternativa. Internamente, as vitórias do Médico Luciano Rezende para prefeito na capital do Espirito Santo, e, Juninho na Cidade de Cariacica foram as expressões mais fortes do anseio do novo por parte do eleitor.

 E é atendendo este anseio do eleitor que o PPS acena pela mudança de rumos em Goiás e no Brasil. Nacionalmente, a Fundação Astrogildo Pereira começa a discutir um projeto alternativo ao Lulo-petismo por meio da criação de um laboratório de Políticas Políticas Públicas onde Intelectuais Filiados e simpatizantes iniciarão uma discussão sobre problemas que assolam a vida do brasileiro e para os quais não tem sido apresentado soluções satisfatórias, como previdência, Saúde, Educação, Trânsito, Transporte, matriz energética, segurança, etc. Por outro lado, inicia-se um debate entres os dirigentes nacionais do partido sobre a necessidade de aperfeiçoar a forma de fazer oposição, compreendendo que a denúncia é necessária e salutar, mas que para além da denúncia é preciso que se tenha o anúncio das possibilidades alternativas ao que se denuncia.

Outra discussão que se impõe parte da compreensão que embora o PPS esteja na mesma posição do PSDB e do DEM ( na oposição ao governo central), o PPS guarda diferenças de identidade em relação a ambos os partidos, e que isso impõe a necessidade de reafirmar a identidade PPssista de um partido humanista, ambientalista, socialista e democrático. Tais diferenças  serão reafirmadas no próprio processo de organização partidária, no método de participação dos governos e no método de governar onde temos a responsabilidade de dirigir os rumos das cidades onde o eleitor deu-nos a oportunidade de gerir a coisa pública.

Tais diferenças às vezes, é manifestada por meio de um discurso mais radical de que devemos já em 2014, lançar candidatos próprios aos governos e para Presidente ( sair da garupa do PSDB ..), e nos estados deixarmos de sermos células do PSDB ou dos partidos aliados. De outro lado, existem aqueles que defendem a permanência da aliança junto ao PSDB como meio de fortalecimento da construção partidária. Uma e outra posição é salutar e mostra a força da democracia interna do partido e sua capacidade de buscar o equilíbrio nas diferenças. Ao meu ver, o que os eleitores esperam do PPS é que reafirme sua identidade de partido socialista, humanista, democrata; um partido que luta em defesa da ética, da transparência, pelo combate de todas as formas de miséria, e defende um desenvolvimento humano para toda a sociedade.

 

O PPS e O desenvolvimento Goiano.

 

Em Goiás, é do conhecimento de todos que participamos do processo que reconduziu o Governador Marconi Perillo ao Palácio das Esmeraldas, tendo sido o primeiro partido da base aliada a manifestar o apoio a candidatura do Governador. Após a eleição, passamos a fazer parte do Governo por meio da Secretaria de Cultura tendo como titular o Ex-presidente do PPS e ex- candidato a prefeito de Goiânia pelo partido , o historiador Gilvane Felipe. Entretanto, é preciso pontuar que a gestão da construção partidária de Gilvane Felipe não foi positiva para o partido, e que o partido vem decrescendo em tamanho e em qualidade.

A nova gestão de Demilson Lima não conseguiu, ainda, melhorar a organicidade do partido que permitisse um debate de ideias qualificadoras da posição do partido, sobretudo perante a sociedade. Neste sentido, o não lançamento de chapa de vereadores na cidade de Goiânia foi o efeito mais nocivo desta causa; uma vez que o atual presidente regional assumiu a direção com tempo já esgotado e teve de administrar uma renhida disputa entre grupos. No final, a candidatura de Darlan Braz como vice-prefeito na chapa encabeçada pelo Deputado Elias Júnior do PMN, mostrou-se acertada, tendo mais de 10% dos votos; o que mostrou um anseio do eleitor goianiense por novas lideranças e a possibilidade de se estabelecer um diálogo profícuo com a sociedade goiana no sentido de construir projetos futuros.

As mudanças realizadas pela direção nacional com a nomeação da nova direção provisória em harmonia com a direção regional do partido, mostra o desejo de continuar este diálogo com a sociedade goiana propiciando uma estruturação do partido em toda a região metropolitana, fortalecendo a organização partidária, a inserção do partido junto aos movimentos sociais e Instituições da sociedade civil, e, criando a possibilidade do partido participar mais ativamente da definição dos rumos  do desenvolvimento do estado de acordo com os princípios defendidos pelo perante o eleitor – desenvolvimento humanizado, sustentável e fundado no respeito da coisa pública.

A participação no Governo Marconi.

A discussão que se estabelece sobre a relação do partido com o Governo Marconi tem sido, por veze, mal entendida. Não se trata de busca de um rompimento brusco com o governo, e sim, de uma melhor qualificação desta participação. Para entender a preocupação de diversos dirigentes partidários sobre esta questão é preciso compreender as responsabilidades confiadas aos lideres partidários pelos eleitores goianos, uma vez que os mandatos eletivos não são personalizados e sim partidariamente determinados de acordo com a legislação partidária.

O que se depreende disso é que nos últimos dois anos a participação no governo foi personalizada em alguns nomes e distanciou da defesa do projeto do partido e pelo qual o partido dialoga com a sociedade. Devido a falta de compreensão de algumas lideranças muitas demandas e serviços que o partido poderia prestar ao governo no sentido de construir uma administração de qualidade deixou de ser feita, e como agravante, perdemos o único mandatário eleito no pleito de 2010.

O partido sai das eleições de 2012 com um novo desenho, e necessita fortalecer-se para o pleito de 2014. Sendo assim, o primeiro desafio é compreender o PPS que temos. Saímos da eleição de 2012 com cinco vice-prefeitos, sendo três em cidades importantes como Morrinho, Planaltina e Rio verde; dois prefeitos ( Agua Fria e Ivolândia) e mais de 60 vereadores distribuídos em mais de 40 municípios. Nossa responsabilidade primeira é dar uma resposta aos eleitores destes municípios, apresentando a identidade do partido na ação legislativa e executiva. A discussão da participação no Governo não pode ser desligada de tal responsabilidade pois a relação com os eleitores é o maior patrimônio de um partido que se leva a sério. A segunda questão trata de qualificar a participação saindo da mera discussão dos nomes para a compreensão de que é preciso quadros qualificados e comprometidos com a identidade partidária, no sentido de auxiliar o governo a cumprir junto ao eleitor o projeto de desenvolvimento apresentado durante o pleito de 2010. Para além de ter nomes no governo, o partido precisa-se sentir legitimamente representado por suas lideranças e por seus pleitos na discussão dos rumos a serem tomados.

 

A construção do projeto futuro.

Compreendemos que não interessa ao Governo e ao Governador ter ao  seu lado um partido fragilizado e que se apequena cada vez mais. E desta forma é que o partido busca reencontrar-se com um projeto de crescimento. A direção regional realizará diversos encontros regionais, tendo já deliberado por encontros na Cidade de Caldas Novas e Crixás nos primeiros meses de 2013. A direção da comissão Provisória Metropolitana apresentará para deliberação dos seus membros uma proposta de planejamento estratégico para organização do partido em Goiânia e toda região metropolitana com o objetivo de fortalecer o partido já para a disputa de 2014, auxiliando assim, a direção regional na formação das chapas de deputado estadual e federal.

Após a reunião de planejamento que será realizada na segunda quinzena de janeiro, a comissão provisória metropolitana realizará uma campanha de filiação de quadros, sendo que alguns nomes já estão sendo discutidos, e diversas conversas sendo realizadas. Todo cidadão que estiver disposto a auxiliar na construção do projeto e esteja de acordo com os rumos que estão sendo definidos e tenha afinidade com a proposta política do partido será bem vindo, e será dada prioridade a filiação de quadros que tiverem a disposição de compor a chapa proporcional para 2014. Na esteira do processo de filiação, será realizado cursos de formação política, seguindo o exemplo dos Estados de Minas Gerais, Paraná e Espirito Santo, onde nenhum quadro sai candidato a cargo eletivo pelo o partido ou participa de sua direção, em qualquer que seja o nível, sem antes passar por um curso de formação política.

Todas estas atividades propiciará um fortalecimento político do partido e de sua democracia interna, e cremos que irá colaborar com o restabelecimento do diálogo com os movimentos sociais e com as instituições da sociedade civil, recolocando o partido com ator ativo no processo de construção de novos rumos para o desenvolvimento do estado e da sociedade goiana.

 

 

O Caminho da Iluminação do Mestre Jesus


Está chegando o natal. Na verdade já é natal, já estamos no clima de natal. Uma época que inicialmente comemorava-se o nascimento do Mestre Jesus. Não vou entrar aqui no mérito do consumismo capitalista, da degeneração da data, do individualismo, pois mesmo considerando tudo isso, é a época do ano no qual mais sentimos próximos uns dos outros. É a época em que a sogra abraça a nora, irmãos que muito não se vêem se abraçam, e até mesmo os  piores inimigos são mais tolerantes uns com os outros.

E isso por que, acredito que nada define melhor o caminho trilhado pelo Mestre Jesus do que o caminho do serviço desinteressado ao próximo. Quem não se lembra de sua parábola do Bom Samaritano, o óbulo da viúva, e tantos outros ensinamentos que fez dele, segundo me parece, o mestre do serviço ao próximo. Não foi por acaso que quando perguntaram a ele se teriam vindo trazer um novo mandamento ele respondeu: “Amai a Deus sobre todas as coisas, e o teu próximo como a ti mesmo”.

O caminho do Mestre Jesus é o caminho que exige de nós interromper aquilo que estamos fazendo para servir aos nossos irmãos quando estes nos interpelam em busca de ajuda. É o caminho do sacrifício, o amor incondicional. Seguir o Mestre Jesus, é reconhecer que precisamos dos nossos irmãos, e que o menor deles aqui na terra pode ser o maior no reino dos Céus. Sigamos o caminho do Mestre, neste natal e em todo ano de 2013.
 
 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

O Novo Humanismo


Nelson Soares dos Santos

 

Ao final das eleições todos os dirigentes partidários, jornalistas, colunistas, analistas fizeram análises e mais análises buscando as respostas a mesma pergunta: quem saiu maior das eleições de 2012?  Esperei que Fernando Henrique Cardoso publicasse seu artigo mensal por que tinha esperança de que alguém fizesse uma pergunta ainda não feita. Infelizmente, o velho sociólogo não atingiu minhas expectativas, pois também este restringiu seu pensamento a filosofia do poder. Chamo de filosofia do poder a ideia de que a busca pelo poder tornou-se um fim em si mesmo, levando todos aqueles que lidam com o poder a olhar os resultados apenas do ponto de vista de quem ganhou ou perdeu, e não das perspectivas de mudanças sociais possíveis que podem emergir das urnas. Ninguém se perguntou ( que eu tenha visto ou lido) se do ponto de vista das políticas públicas municipais, ou dos fundamentos que regem as políticas públicas municipais haverá algum tipo de conflito entre os entes federados ou mesmo uma discussão qualitativa que possa levar a novas ideias de como servir melhor a população.

Nas análises que surgiram, (e teve análises para todos os gostos), alguns dizem que o PT saiu-se vencedor, pois venceu em territórios antes dominados pela oposição como no caso de São Paulo; outros disseram que o PSDB e DEM se revitalizaram, devido às vitórias no Nordeste e no Norte, outros ainda alardearam Eduardo Campos como, o grande vencedor, e, até mesmo, possível candidato a presidente da República.  Uma análise interessante que ouvi em um dos telejornais foi de que não é possível ver vencedores pois a salada feita no processo de coligações impede tal leitura, e, creio que esta é uma análise que precisa de maior reflexão, pois as coligações foram uma verdadeira salada, e isto um fato indiscutível que nas eleições nacionais os partidos terão de reposicionar levados à disputa pelo poder central.

Não vejo que o PSDB e DEM se revitalizaram. O que pode ser visto é que o eleitor está se cansando do PT. A decepção vivida por tantos Ex-petistas como Marina, Heloisa Helena, Padre Roque, e tantos outros começa a chegar no inconsciente coletivo. No entanto, estes ex-petistas não conseguiram galvanizar para si, tal movimento, e os eleitores sentem-se perdidos e sem ter o que escolher. Também não se pode ver a vitória em São Paulo como sendo uma vitória do PT, antes, o cansaço do eleitor paulista com as gestões do PSDB, o desgaste de Gilberto Kassab, e a falta de nomes novos com plataformas e planos de governos consistentes que estivesse à altura do eleitor paulista. Na ausência de tudo isso, o eleitor paulista votou pelo pragmatismo.

Talvez a grande novidade destas eleições fosse o número de partidos de pequeno e médio porte que conquistaram importantes prefeituras. PC do B que vem em um crescimento consistente e constante a cada eleição; PPS, que apesar dos altos e baixos depois das experiências de “candidatos paraquedas” a presidência da república, e depois do Congresso de 2010 parece reencontrar o seu caminho com uma identidade ideológica e projeto de nação fundada no humanismo e no ambientalismo; e o PSOL, que criticado por sua estreiteza em fazer coligações, flexibilizou-se um pouco e logrou algum êxito com um novo mote de governar com um socialismo para o século XXI.

Dito isso, retorno ao que me levou a escrever este artigo. Quais planos de governo de fato diferiram do status quo que governa o país? Quais partidos ousaram apresentar uma plataforma e plano de governo que tivesse por trás das eleições municipais um projeto de nação? PT, PMDB, PDT e outros partidos menores sobre o arco de influência direta de Lula praticamente constituem-se hoje em um grande partido. Transformaram-se em uma quase fusão mantendo a aparência de independência. O PSB, por mais que tente apresentar alguma diferença, sobretudo nos discursos de Ciro Gomes ( que não é a voz preponderante do Partido), representa o mesmo modelo de Governo Lulista, tendo perdido a identidade socialista e se adequando totalmente a ideia do poder-mercadoria a ser negociado com o mercado. O PSDB e DEM não tem como representar uma possibilidade diferente do Lulismo, pois este para conquistar e manter o poder utilizou-se de estratégia para ocupar o espaço tradicionalmente ocupado por estes partidos, fundando a ação política em novo tipo de paternalismo, uma nova forma de política clientelista, e mesmo, uma tentativa nova de coronelismo com controle da mídia seja por meio do aparelhamento da máquina do estado pelo partido, ou por meio da retórica de seus líderes. Creio que esta é a explicação para o crescimento dos pequenos partidos. A esperança dos eleitores é que votando em novos atores seja possível surgir novas possibilidades do uso do poder, e que o poder deixe de ser um fim em si mesmo, como está se tornando desde os últimos pleitos, e seja colocado a serviço do bem estar coletivo.

A Filosofia do Poder e a nova tirania.

Creio que a oposição esquece a forma como o PT e seus aliados chegaram ao poder central, e por isso, erram no combate. Uma breve historiografia pode nos ajudar a entender. Primeiro o PT, por meio da retórica de Lula da silva, conseguiu tornar-se herdeiro das lutas libertárias iniciadas ainda no Governo Vargas e intensificadas durante a ditadura; segundo, conseguiu reunir em torno de si grandes intelectuais, sobretudo no campo das ciências humanas e da Educação, que dedicados a conhecer o povo brasileiro assentaram as bases de uma organização social fundada na democracia; terceiro, o PT relegou tais intelectuais ( primeiros os intelectuais que faziam ação politica – padre Roque, Frei Beto, Leonardo Boff,  - depois os políticos que ousavam pensar como intelectuais – Erundina, Heloisa Helena, Marina), e, então, o PT cedeu aos reclamos do mercado e da ganância, fugindo de sua identidade para obter o poder a qualquer custo. Foi a chamada carta aos brasileiros. Naquele momento, grande parte dos petistas que representavam o compromisso político do partido com as mudanças já eram vozes vencidas no interior do partido, e, quer queiram ou não, massa de manobra nas mãos de Lula e Dirceu.

Se Lula e o PT sentiram-se obrigados a render-se ao mercado contra o qual lutavam, foi justamente por não perceber tal movimento que a população em geral o elegeu, apesar dos gritos de Brizola que via mais uma vez o sonho de um país livre se perder. Uma vez eleitos, Lula e o PT, aderiram a filosofia do Poder, que nada mais é que a tirania, ou seja, o esforço de manter o poder a qualquer custo e de acreditar poder dispor da mente humana como bem lhe aprouver. O Mensalão e todos os escândalos de corrupção nada mais é que produto desta crença que é possível fazer tudo para manter o poder e que já não  há mais justiça senão a  vontade daqueles que governam. Iniciou-se a instalação de um processo de tirania por meio do aparelhamento da mídia, do sistema Educacional e da máquina do estado pelo partido. ( quem não se lembra dos absurdos contidos nos próprios livros didáticos?)

A educação, antes defendida pelo PT,  e pensada por Paulo Freire, Padre Roque, Moacir Gadotti, José Carlos Libâneo, Guiomar Namo de Melo; foi deixada em segundo plano. Não mais pedagogia crítica libertadora, não mais pedagogia progressista, não mais pedagogia crítico social dos conteúdos; o que restou foi  a transformação paulatina da educação em mercadoria, do aluno em cliente e a educação colocada como objeto de lucro de grandes grupos empresariais. A oposição a injustiça e a maldade foi colocada em segundo plano. A ética ficou esquecida em algum armário. Os homens do povo, incluindo os seus executores das políticas educacionais passaram a ver a natureza humana como algo a ser manipulado pelos seus instintos, e para isso, utilizaram-se do mais vil,  dos programas de inclusão social, que de instrumento de libertação tornaram-se instrumentos de manipulação das massas miseráveis.

Instalou-se por meio da retórica e da sofística de que basta triunfar na vida, mesmo que para isso seja preciso abandonar todos os princípios éticos, esquecer a injustiça e a maldade, escolhendo, portanto, ficar ao lado do mais forte. Diante disso, não é assustador os tipos de coligações que surgiram entre os partidos. A luta pela sobrevivência chegou a todos os pontos da sociedade organizada. Nem é tão assustador assim o nível de violência que está se produzindo. Em uma sociedade onde a ética e a justiça é deixada de lado, não existe mais limite para o mal e a vida perde o seu valor. A violência que está se estabelecendo em grandes centros não é mais apenas uma questão social, torna-se uma questão política por que falta a ética que define o que é o bem e o que é o mal.

O Novo Humanismo.

Contra a tirania da retórica e dos sofismas sem fundamentos nos quais se constituíram os fundamentos dos discursos de Lula e do PT, apenas uma sociedade cuja educação tem como fundamento a formação do espirito, e os cidadãos possuam a consciência de serem homens livres pode ter sucesso. É preciso portanto, que se instale um novo humanismo. Não é preciso muito para se ver que uma forma de tirania está sendo instalada no país como disse Werner Jaeger ao se comentar o pensamento platônico Os grandes retóricos partem praticamente de uma concepção da natureza humana, baseada no mero instinto. A sua grande ilusão é poderem fazer dos seus semelhantes o que lhes der na cabeça. Ainda que a maioria deles atue politicamente em Estados Democráticos, o seu ideal concide com os dos tiranos, que é o de dispor de um poder total sobre a vida e sobre a morte dentro do Estado. Até o cidadão mais modesto tem dentro de si esta necessidade de poder e sente no seu íntimo uma grande admiração por quem conseguem alcançá-lo neste grau supremo” (Jaeger, Wener;2011 p 659).

A pergunta que se coloca é: como construir novos caminhos quando a própria oposião encontra se perdida, admirada diante do supremo poder conquistado por Lula e seus asséclas? A resposta é a mesma de séculos atrás. Quando a tirania se instala é necessário restabelecer relações sociais humanistas. Foi assim na antiguidade grega, foi assim no renascimento e no Iluminismo. É hora de buscar a percepção do outro, mas, sobretudo a busca da visão do centro divino no ser humano. Um Novo Humanismo requer que coloquemos a tecnologia a serviço do ser humano, que a ética, a justiça, e a luta contra a maldade torne-se um compromisso político daqueles que possume a competência técnia para gerir a sociedade.

Um Novo Humanismo requer o restabelecimento de uma ética cujo centro seja o ser humano em sua essência. Uma ética onde educação e preservação do meio ambiente não sejam mercadorias de troca no mercado da luta pelo poder. Um Novo Humanismo exige que os homens públicos tenham coragem de colocar o exercício do poder como um meio e não como um fime em si mesmo, e tenham a coragem de permitir ao povo o exercício do pensamento livre e o direito de eleger novos governantes propiciando a alternância do poder.

 

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Carta aos eleitos



No Congresso Nacional do PPS no ano de 2010, na cidade de São Paulo, estive nas fileiras daqueles que defenderam um envolvimento maior do partido na defesa de uma Educação de qualidade no país. Naquele momento, citei um artigo do Empresário Antônio Ermírio de Morais,  no qual ele escrever ser preciso pedir pelo amor de Deus para que os  homens públicos deste país, de uma vez por todas entendessem a necessidade de prover uma educação pública de qualidade para o nosso povo.
No referido congresso, foi aprovado entre outras questões, que o Partido entraria na luta pelos 10% do PIB para a Educação, maior investimento das prefeituras onde o partido tivesse a titularidade da prefeitura, e, uma atenção especial aos movimentos quanto a política educacional no país. Desde então, o partido por meio dos seus deputados deram um exemplo de disciplina partidária. Todos os deputados votaram pelos 10%, e toda a bancada vem participando das questões educacionais, com destaque para Stepam Necersian, representante da bancada na Comissão de Educação.
Eu não tenho dúvida que o comportamento da Bancada de deputados federais foi importante para melhorar a imagem do partido junto ao eleitorado que luta pela educação, e, que foi este um dos fatores do crescimento do partido, aliado a sabedoria nas negociações quanto a coligações e a luta ambiental. Uma prova de que a educação é uma luta premente do povo brasileiro foi a eleição de Amanda Gurgel na cidade de natal com um Recorde de votos após ter ficado famosa por enfrentar a Assembléia Legislativa do Estado, com um discurso em defesa da Educação.
No entanto, nos estados, os representantes do PPS ( deputados estaduais, vereadores e as cúpulas partidárias nos estados), não tem tido a mesma postura da Direção Nacional. Pouco se vê deputados estaduais do PPS, envolvidos nas lutas educacionais, e ainda menos, iniciativas nas Assembléias Legislativas onde temos representantes. Precisamos que todo o partido se envolva. A luta pela educação é mais que uma luta partidária ou institucional, é uma luta que precisa envolver toda a sociedade.
Por esta razão é que penso ser um momento alvissareiro, julgando pelas vitórias expressivas que tivemos em capitais e cidades de grande porte, lembrar a Esta Direção que é  o momento de manter viva a discussão feita no Congresso, e garantir que os prefeitos e vereadores eleitos tenham o mesmo compromisso que tem tido os deputados federais. No caso de Vitória, Cariacica, Ponta Grossa; que serão cidades vitrines do partido, doravante, é preciso garantir a aplicação do percentual votado no congresso, aliar competência técnica ao compromisso político com a Educação, e, sobretudo propor uma política educacional que buscando o máximo de harmonia com os Governos Estaduais e Federais, garanta:
1.       Erradicação do Analfabetismo
2.       Acesso Universal a Educação Infantil.
3.       Mudanças nas formas de Avaliação.
4.       Gestão eficaz dos programas de inclusão visando a qualidade do Ensino
5.       Investimento na Formação de Professores pesquisadores
6.       Elaboração de planos de carreira que garanta uma valorização real do Educador
7.       Instituição de Escolas de tempo Integral, visando o acesso a todas as formas de cultura e lazer.
Creio que este é o momento de mostrarmos as diferenças entre quem discursa e quem faz. Em dois anos, uma boa política educacional centrada em uma filosofia humanista e universalista de Educação será possível sentir mudanças em todas as áreas da sociedade, na família, nas ruas, no trânsito, na saúde, etc. Então, poderemos mostrar, que o gasto com educação é na verdade um grande investimento e um dos caminhos para a luta contra a violência e alto índice de criminalidade que assola o país.
Certo que a Direção Nacional aprofundará a reflexão sobre o tema  coloco-me a disposição para criarmos um Núcleo de Debate no partido, para que venhamos a ter uma proposta  de política educacional concreta e com a cara do nosso partido – humanista, socialista e ambientalista – e tenhamos assim condições de subsidiar nossos prefeitos e vereadores na luta local pela Educação.

Nos laços do Humanismo, despeço-me.
Nelson Soares dos Santos.
Técnico em Magistério
Licenciado em Pedagogia
Mestre em Educação Brasileira
                             Secretário de Formação Política e Diretor regional da FAP   - Goiás

domingo, 21 de outubro de 2012

Perguntas para minha alma


 

Nelson Soares dos Santos.

 

Alma minha indomável.

Por que não temes a escuridão

Que produz estas vidas, miserável.

Ao cercar tua manifestação?

 

Por que,  alma minha, não recolhes ao silêncio inovador?

Por que não amas o nada, o amor sem movimento?

Por que na roda da vida não temes enfrentar a dor?

E te tornas intocável como a calmaria do vento?

 

Deus meu, Deus meu,  graças dou-te por esta luz.

Esta paz, profunda e lívida que a meu coração acalma;

Mesmo quando meus pés sangram pelo peso desta cruz,

O meu corpo revitaliza, e dorme em paz a minha alma.

 

E sigo, grato oh Deus, por esta Alma indomável.

Que não me deixa sucumbir quando o mundo perde a calma,

E que nos  momentos mais difíceis, ouço de forma amável.

“És dono do teu Destino, capitão de tua alma”

 

 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Entre a Sandice e a Razão


Nelson Soares dos Santos
 
 
É madrugada. Do meu lado uma pilha de livros de Bachelard, de outro, uma pilha de livros sobre ocultismo. Ao lado do computador sobre a mesa onde escrevo “Espumas Flutuantes” de Castro Alves; “O Paradoxo da Moral” de Vladmir Jankélevitch, “A cabala da Saúde e do Bem – Estar” de Mark Stavish, “As Quarenta Questões sobre a Alma” de Jacob Boheme, e, “Dos erros e da Verdade” de Louis-Claude de Sam-Martim. Todos estes livros vieram a memória ao ler dois livros de Kabala, um de Michael Laitmam – “Alcançando Mundos Superiores” e, outro, “A Kabala do Dinheiro” de Nilton Bonder. Foram mais de cincos dias intercalados de leituras, estudos, comparações e lembranças de tantos livros lidos ao longo da vida que nos leva a esta busca intensa de uma verdade que nos guie na travessia da existência. De tudo isso, foi uma lembrança de uma passagem de “Memória Póstumas de Brás-Cubas” que me fez escrever este texto.

Tenho e sempre tive uma paixão espiritual por Machado de Assis e de seus livros nenhum marcou mais que “Mémórias Póstumas de Brás-Cubas”. Brás Cubas é o realista que parece nunca ter encontrado o que buscava no mundo e por isso sai dele  escrevendo “ com a pena da galhofa e a tinta da melancolia”. Talvez por isso o livro tenha me chamado tanto a atenção desde os meus tenros doze anos de vida. Confesso que sempre tive dificuldade de acreditar no amor, nas pessoas, na vida, e por isso, talvez, meu rosto tenha sorrido e meu olhar brilhado quando pela primeira vez li o discurso de abertura do enterro de Brás-Cubas, e quando eu, já quase emocionado li as frases seguintes –

“ Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos! Verdade é que não houve cartas nem anúncios. Acresce que chovia – peneirava – um chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste, que levou um daqueles fiéis de última hora a intercalar  esta engenhosa ideia no discurso que proferiu à beira de minha cova: - “ Vós, que o conhecestes, meus senhores, vós podeis dizer comigo que a natureza parece estar chorando a perda irreparável de um dos mais belos caracteres que tem honrado a Humanidade. Este ar sombrio, estas gotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul como um crepe funéreo, tudo isso é a dor crua e má que lhe rói a natureza as mais íntimas entranhas; tudo isso é um sublime louvor ao nosso ilustre finado”.

Pode o prezado leitor agora imaginar os sentimentos de um menino de 12 anos lendo tal livro, depois de já ter devorado Monteiro Lobato, José de Alencar, dentre outros. A emoção do anúncio da morte aos sessenta e poucos anos e com saúde, foi seguida de raiva. Quão ingratos os amigos, apenas onze amigos!! E logo depois, a calma, - afinal, chovia, mas... chuva fina, miúda. Sim, eram mesmos ingratos os amigos. O menino se consolava com a presença dos onze amigos e se perguntava se teria um dia onze amigos. O cruel disso tudo é que o menino agora com 38 anos ao refletir sobre os anos vividos já não sabe se tem onze amigos para acompanha-lo ao cemitério. A ideia engenhosa do amigo orador, tenho de confessar, levou-me lágrimas aos olhos, e até hoje, toda a vez que releio, mesmo já sabendo o desfecho irônico, ainda sinto uma fagulha de emoção. Temos de admitir que as palavras são belas, e por isso mesmo, impossível não se desatar a rir quando se lê no parágrafo seguinte: “Bom e fiel amigo! Não, não me arrependo das vintes apólices que lhe deixei”.

No entanto, não foi esta passagem o motivo principal da lembrança de Brás-Cubas nesta madrugada. Na verdade, estava eu a refletir sobre fé e razão, razão e formação do espírito científico quando me lembrei da pequena passagem dos delírios de Brás Cubas cujo título  quase tomei emprestado para este texto por falta mesmo de criatividade:

VIII – Razão contra a Sandice.

Já o leitor compreendeu que era a Razão que voltava à casa, e convidava a sandice a sair, clamando, e com melhor jus, as palavras de Tartufo:

La Maison est mói, c’est à vous d’em sortir (  A casa é minha; você é quem devia deixa-la)

Mas é sestro antigo da Sandice criar amor às casas alheias, de modo que, apenas senhora de uma, dificilmente lha farão despejar. É sestro; não se tira daí; há muito que lhe calejou a vergonha. Agora, se advertirmos no imenso número de casas que ocupa, uma de vez, outras durante as suas estações calmosas, concluiremos que esta amável peregrina é o terror dos proprietários. No nosso caso, houve quase um distúrbio à porta do meu cérebro, por que adventícia não queria entregar a casa, e a dona não cedia da intenção de tomar o que era seu. Afinal, já Sandice se contentava com um cantinho no sótão.

_ Não, senhora – replicou a razão - , estou cansada de lhe ceder sótãos, cansada e experimentada, o que você quer é passar mansamente do sótão à sala de jantar, daí à de visitas e ao resto.

_ Está bem, deixe-me ficar algum tempo mais, estou na pista de um mistério...

- Que Mistério?

_ De dois – emendou a Sandice -; o da vida e o da morte; peço-lhe uns dez minutos.

A razão pôs-se a rir.

_ Hás de ser sempre a mesma coisa... sempre a mesma coisa....sempre a mesma coisa.

E, dizendo isto, travou-lhe dos pulsos e arrastou-a para fora; depois entrou e fechou-se. A Sandice ainda gemeu algumas súplicas, grunhiu algumas zangas; mas desenganou-se depressa, deitou a língua de fora, em ar de surriada, e foi andando.

O leitor que conhece o que é kabala deve estar se perguntando como uma leitura básica de um livro acompanhado de consultas a Bíblia, ao Zoar e ao Talmude pôde me levar a tal citação. É simples de explicar. É que depois de dias estudando o alfabeto hebraico, compará-lo com o sânscrito, o grego, o latim e o aramaico em busca de certas respostas, encontrei uma reflexão simples, e talvez simplória: Não existe pior sandice na humanidade do que quando homem confunde egoísmo com altruísmo, é tão cruel, e de uma profundidade egoística tão grande que quanto mais se finge altruísta mais o homem enterra-se no egoísmo inevitável. É como aquela também, historieta do diabo que chega na sua casa e pede um espaçozinho bem pequeno que caiba apenas um prego, e, no dia seguinte volta com alguma coisa para pendurar no prego, de tal forma, que logo está ocupando a casa inteira.

As Sandices nossas de cada dia.

Não é difícil encontrar sandices do nosso tempo. E se o leitor não for muito preguiçoso pode tomar nas mãos o livro de Machado de Assis e ler as páginas anteriores a citação aqui referida. Verá eu tenho consciência de que cada século possui suas ilusões. E a ilusão dos homens do nosso século é pensar que a ciência evoluiu de tal forma que por si só, o homem já é capaz de encontrar a felicidade; pensa-se que a liberdade de vontade que faz do homem um individuo é a solução; e é esta solução que nos leva a uma sociedade que se adoece, um mercado contaminado pelo egoísmo exasperado que sobrevive do roubo e da trapaça.

Do estudante que acredita ser a nota a substituta do esforço pelo conhecimento, do diploma a solução para a vida sem o esforço da formação humana; do empresário que acredita que o ter a qualquer custo o torna rico; da donzela que acredita ser possível a construção de um lar sem os valores morais; do jovem que confunde liberdade com leviandade; a Sandice é quem expulsa a razão. Já não existe lugar para a justiça e honestidade. A razão vive no sótão quando não nos lixões da miséria. Os palácios estão embelezados de tal forma pela sandice que a galhofa e a melancolia já não produzem nenhuma graça ao transeunte desavisado e o humor transformou-se em agressão. Já não existe mais nenhum humanismo. Transformamo-nos  em máquinas e animais.

Já não existem mais vagas nas clínicas de Psicologia. As mulheres casadas já até tricotam enquanto esperam sua vez, como se fosse um salão de beleza do passado. O emplasto de Brás-cubas bem faria sucesso, e ele já estaria milionário, tamanha é a necessidade que tem homens e mulheres de fingirem-se doentes nos consultórios médicos e de psicólogos, quando o único remédio realmente necessário seria assumir as próprias responsabilidades, ou talvez o tamanho da própria maldade;  mas neste caso Madame Bovary ficaria corada de vergonha ao ouvir os relatos de suas herdeiras, e até mesmo Mefistófeles se esconderia do horror no qual se transformou a arte de transformar mentiras em verdades.

Parece que estamos no pior espaço do Inferno de Dante. A razão vive maltratada e já não encontra lugar, sequer nas Academias, lugares que foram devotados à ciência. Nelas, mérito se confunde com compadrios; e agora com as cotas ( que se diga que se sou a favor da Inclusão Social dos negros), o direito de nelas estar parece negar a necessidade do esforço e da disciplina na busca pela formação e auto-formação no processo de Auto-conhecimento. A autonomia vai sendo jogada no lixo em nome de políticas equivocadas de inclusão social. Já não há mais nem sótão para a Razão. Logo ela terá de voltar para lugares ocultos e a sandice reinará absoluta nas mentes e nos corações.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

O sono dos enforcados, ou a Roda do Destino


 
Nelson Soares dos Santos      

Recebi nesta semana, diversas perguntas de ex-alunos que por coincidência tratava da mesma questão: Por que existe tanta injustiça? Por que alguns trabalham tanto e outros parecem levar o lucro? O que fazer para tornar este mundo um lugar melhor para se viver? O que fazer para tornar-se melhor? Por que existe tanta gente com tanto conhecimento de como fazer o mundo melhor e não fazem nada de prático para melhorá-lo? Por que existe tanta pobreza e miséria no mundo? Por que a educação nunca muda e a ignorância parece cada vez mais reinar absoluta?

É claro que nem de longe me atreveria a dar respostas a questões de teor tão profundo que carregam em si outras questões que levam a indagação do sentido da vida, do por que estamos aqui no planeta terra, neste tempo, nesta época etc. O que pretendo fazer é elaborar algumas reflexões que possam nos ajudar a pensar de forma certa sobre o assunto. Na verdade é que todas estas perguntas nos remete a grande pergunta de nossa existência: Por que estamos aqui? De onde viemos? Para onde vamos? E, mais ainda, qual o sentido de tudo que fazemos aqui e agora? Aqueles que trabalham em dois ou três empregos e sentem-se injustiçados pelos chefes a pergunta correta, creio eu é: Por que eu trabalho todos os dias? O que me leva ao trabalho, o que me levou a buscar e lutar para que tivesse dois ou três trabalhos? Que tipos de recompensa esperam? São estas perguntas que podem levar a pergunta essencial: Por que estamos aqui?

Caso a pessoa que têm dois, três empregos ponderassem um pouco veria que o seu questionamento sobre por que tem que suportar três chefes ruins soaria como arrogância e pedantismo para aqueles desesperados que não conseguem sequer um único emprego e que já não conseguem o próprio sustento; de outro lado, pareceria pueril e tolo para aquele que tendo apenas um emprego e trabalhando apenas um terço do tempo consegue amealhar mais vantagens financeiras. Tais pessoas refletissem sobre o próprio trabalho e conseguissem ver além do vencimento no final do mês, um processo de interação com o universo e tudo ficaria mais fácil de compreender. Sim, pois olhando para este lado, estamos o tempo todo trabalhando, negociando, fazendo contratos e buscando resultados. A questão central está em como lidamos com o nosso egoísmo e a forma pela qual colocamos nossas intenções. Nilton Bonder em sua obra “A cabala do dinheiro” tem uma versão interessante sobre a questão  ao dizer que contrato é toda a forma de envolvimento e interação –  “ O  melhor contrato é o do justo que usufrui a situação da vida na medida certa: honrando quem é e os limites de quem é. (Bonder, 1991; p.132). Olhando por esta visão o problema nunca estará no chefe e sim nas razões e intenções que nos leva a usufruir da situação vivida.

Outra pergunta que insiste em se repetir é: Por que das injustiças? Afinal o que chamamos de injustiça é mesmo injustiças? Os pensadores  materialistas vêem na organização social uma ordem injusta, e, ao lutar contra tal ordem buscam-se colocar como sábios que guiam a sociedade a um processo de conscientização que levará a humanidade a uma ordem não consumista e igualitária. Esquecem, porém que para cada homem consciente no mundo existe um bilhão de tolos – como afirma no seu livro o Rabino Michale Laitmam; e quando se esquecem disso, o que conseguem é implantar governos totalitários, por que da mesma forma regidos pelo egoísmo, a inveja e a comparação de um homem com outro homem. Portanto, a pergunta que se deve fazer não é por que isso é injusto ou não; mas afinal, o que é a justiça para os nossos dias? A mesma pergunta feita há séculos pelos grandes filósofos desde Platão e Aristóteles volta a nos incomodar. Algo nos impele para que saiamos do mundo das aparências, das cavernas cujas paredes tornam-se cada vez mais espessas, e a subida para a luz cada vez mais difícil.

Também Nilton Bonder citando mais uma vez um rabino judeu escreve :

“Temos que ser capazes de ver o sutil ( Gênesis Raba X), de ver os anjos enquanto influenciam o crescimento de cada lâmina de grama no chão. Temos que vê-los enquanto postam-se ao seu lado e lhe incentivam: cresce, cresce! Enquanto não conseguimos perceber esta dimensão de ordem, enquanto não mergulharmos mais profundamente na sutileza das situações em que nos encontramos, continuamos presas do paradoxo e portanto imobilizados. Nossa percepção deve ser checadas com a acuidade de quem percebe no crescimento das plantas, de tudo, energias que ao seu lado lhe incentivam. Se vistos com estes “olhos”, então “justo” talvez tenha um significado diferente e similarmente “perverso”,  “bom” e “ruim” também.”(Bonder, 1991; p. 56)

Não se trata pois, de se perguntar por que isso ou aquilo é injusto, mas, o que é a justiça. Afinal, o que vemos como justiça na verdade pode ser a mais cruel das injustiças, o que vemos e cremos ser bom pode ser a maior expressão do mal. Bondade e maldade, justiça e injustiça aparentemente parecem se misturar em um mundo no qual reina a razão egoísta. Sim, vivemos em um tempo de uma razão profundamente egoísta e isso é o que explica o crescimento da violência, da corrupção, da desonestidade. Ser rico passou a se confundir com tornar-se rico, honestidade é confundida com aprovação popular e altruísmo se transformou em arma para realizar os mais profundos desejos egoístas. Enquanto isso, o respeito aos outros e a busca desinteressada pelo conhecimento e sabedoria são deixados em segundo plano.

O mundo que vivemos é o mundo mais coletivista e interdependente, porém, pautado por uma razão individualista e egoísta de tal forma que o sonho de todo comerciante é receber o dinheiro e não entregar a mercadoria, e, do comprador, receber a mercadoria e não pagar por ela. É um mundo de roubo e trapaça, cuja moeda maior, ainda é o tempo. É no uso do tempo que está o instante de distinção de interação entre os indivíduos. O individuo que de fato quer tornar-se melhor deve se perguntar como está utilizando o próprio tempo, e quais são suas verdadeiras intenções. Na verdade, aquele terceiro emprego pode ser o inferno; aquele namorado, aquele casamento que se anseia pode ser o pior uso possível a ser feito do tempo, se as razões pelas quais se busca não forem razões altruístas verdadeiras. Pior, aquela caridade que é feita todos os fins de semana pode ser a razão de todas as desgraças.

A saída possível ainda é a mesma nos dada por Sócratres a milênios passados: o autoconhecimento. Não existe outro caminho, não existe outra saída. Apenas o conhecimento de si mesmo como conhecimento de todo universo e cuidado de si como enriquecimento de toda a humanidade pode nos levar aquela paz tão procurada, tão sonhada e invejada dos que a têm. E este caminho passa por enfrentar as cavernas, que em nossa atualidade já não está mais fora, mas dentro de nosso ser. Escavar na escuridão é o trabalho que devemos nos impor para que possamos entender o caminho que procuramos.

domingo, 7 de outubro de 2012

A Masturbação como razão egoísta



“O meu egoísmo é tão egoísta que a essência do meu egoísmo é querer ajudar” Raul Seixas.

 

Desde criança ouvi que a masturbação era algo pecaminoso, e até, pouco não tinha encontrado uma explicação razoável para a questão. Tem sido comum nas últimas gerações, o ato da masturbação; dos meninos espiando as mulheres tomando banho peladas no rio, nas cidades pequenas; os homens que transformaram em um comércio rentável o mercado da pornografia; a masturbação tornou-se assunto em todas as camadas sociais, e ultimamente, tornou-se assunto feminino, uma vez que cada vez mais mulheres aderem a busca do prazer pela masturbação.

A primeira explicação que ouvi para justificar que a masturbação era pecado foi do meu pai. Ele disse que ao masturbar o homem jogava fora a semente divina que fazia do mundo um lugar habitado por homens. Tal explicação calou fundo em meu coração e fez de mim, talvez, um dos poucos jovens da minha geração a ter pavor de revistas pornográficas e a masturbação, e, pior, me fez chegar a segunda dezena de anos da minha vida virgem. Eu não queria ser o responsável por fazer do mundo um lugar habitado por monstros, e, fazer sexo, só era possível com a mulher amada.

A segunda explicação, eu ouvi aos 16 anos no Internato. Utilizando a Bíblia o Pastor leu uma passagem do Antigo Testamento, acho que em Levíticos, quando dois jovens são punidos justamente por se entregar ao tal prazer. Também citou Sodoma, onde dizia ele, a masturbação era uma constante forma de prazer. Como todos sabem Sodoma foi destruída com Fogo, e segundo se acredita, levando a Bíblia ao pé da letra, fogo vindo do céu e enviado de Deus. Também no internato, ouvi que a Masturbação fazia mal a saúde. Explicação incompleta, uma vez que nunca vi alguém aprofundar tal análise é a que hoje mais me parece plausível, não levando em conta apenas a saúde do corpo, mas as últimas descobertas da medicina de que a saúde do homem  só existe de forma integral; saúde do corpo, da mente e da alma.

Quando estava na Universidade fazendo o curso de Graduação em Pedagogia fui a um Congresso Científico da SBPC, apresentar um trabalho de Iniciação Científica. Ao retornar, perplexo com o que lá vi, perguntei ao meu orientador se ciência era aquilo mesmo, no que ele respondeu: não, ciência não é aquilo, aquilo que você viu e muito do que existe atualmente na maioria das Universidades brasileiras chama-se masturbação acadêmica. Desde então, fiz o mestrado e passei por um doutorado e sempre pensando o que o meu orientador de fato quis dizer com a expressão Masturbação Acadêmica.

Recentemente lendo alguns livros, encontrei uma expressão interessante sobre a vida, a sociedade, o conhecimento e os homens. Há uma tese de que no nosso mundo existem apenas dois opostos – o egoísmo e o altruísmo. Nos dois extremos está o desejo de dar e receber prazer. Entretanto, o egoísmo quase sempre prevalece em nosso mundo, diz os estudiosos do assunto por mim estudado, e, isso por que até mesmo o desejo de doar está impregnado do desejo de receber.

Ora, o desejo de receber prazer é um desejo egoísta, que manipula, domina de forma autoritária o outro, e, muitas vezes, ou quase sempre o explora. É também o desejo de receber prazer que faz os  homens se arriscarem. O caso do jovem que tudo faz para ter a atenção da donzela; o político que faz qualquer coisa para ter o voto do eleitor, o comerciante que faz de tudo em busca do lucro, o ambicioso em busca da riqueza. Do outro lado, temos o falso altruísta; aquele que faz caridade por egoísmo, para ser bem visto na sociedade, para se sentir bem consigo mesmo; até dizem que este é a pior forma de egoísmo, pois se o primeiro nos impede de perceber a existência de Deus, a segunda forma nos afasta dele e nos faz mergulhar na escuridão.

Então temos aqui a terceira explicação para o mal que nos faz a masturbação, e, aliás, o mal que a mesma pode estar fazendo para muitos relacionamentos. A masturbação é um prazer solitário, onde pelo pensamento e imaginação aprisionamos o outro nos nossos desejos. Na masturbação o  outro é exatamente como desejamos, deixando de ser o que o outro é, e tornando-se aquilo que gostaríamos que ele fosse. A masturbação elimina a necessidade de doarmo-nos ao outro por que sequer precisamos conviver com o cheiro do outro; somos apenas nós, o nosso cheiro, a nossa vontade, o nosso desejo. A masturbação, mesmo que na presença do outro elimina o outro, e se não o elimina faz com que o dominamos de tal forma, expelindo a possibilidade do encontro e deixando apenas a possibilidade da dominação.

Mas por que masturbamos?  O homem primitivo masturbava dominado pelo desejo da fêmea, (creio que foi assim que se descobriu a masturbação), ou a mulher pelo desejo do outro; ou pelo desejo do prazer. Desta forma, a ausência do outro leva a masturbação e a masturbação leva a eliminação do outro, ou da possibilidade do encontro com o outro. Nos nossos dias, mesmo não tendo o controle sobre muitos dos nossos desejos ( creio que só alguns poucos monges reclusos tem o completo domínio dos desejos do corpo); aprendemos a ter consciência da existência dos mesmos. Assim, a racionalização dos nossos desejos leva-nos a possuir uma nova forma de buscar o prazer. A busca passa a ser racional e consciente; de tal forma que a entrega ou não ao desejo dá as aparências de ser um produto do livre-arbítrio. Esta engrenagem que leva a esta aparência de livre-arbítrio neste processo é o que chamamos de razão egoísta.

A busca racional da satisfação dos prazeres de forma egoísta está presente ao longo da história. As guerras, sobretudo a primeira e a segunda guerra mundial, é um exemplo desta razão egoísta. Ali um desejo imenso de anular o outro, eliminar o outro para alcançar o prazer final, o prazer maior, a era de ouro, a felicidade completa do reino humano na terra. Em tempos de alta tecnologia, esta chamada razão egoísta tem feito história nas Universidades – a que me foi dado o nome de Masturbação Acadêmica – e no mercado. Em um como em outro a mesma característica – a vivência de um prazer falso, levado pela imaginação, pela solidão e pela ilusão da presença do outro. Na Academia ele aparece como falso conhecimento, no mercado como roupo e trapaça. Isto, o entanto, é assunto para outra ocasião.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Beleza singela.




Tu és bela. Tua beleza intriga a qualquer olhar.
Sem saber, tu és, quase sempre, singela.
Teu olhar traz aquela beleza única de tarde aquarela;
Sem saber, tu têns a suavidade da brisa ao luar.

Tu és linda. Invejas a ti a poderosa Helena.
Ah! Ela não tinha tua sabedoria, nem o teu poder.
Ah!, Ela não sabia ser encantadoramente doce e serena,
E, quando não sendo, saber sempre  ser mulher.

O teu olhar meigo, sonho de vidas idas.
A tua busca, imensa do amor perdido.
A tua sorte, que cresce ao entardecer.

És a ti, que dedico esta poesia/margarida.
No afã de que do sonho esquecido.
Tua alma se lembre no novo alvorecer.



sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Se eu morresse amanhã

Parece que foi ontem que li esta poesia pela primeira vez. Eu a decorei, recitei, cantei, e nela aprendia da força do amor.

Se eu morresse amanhã

Alvares de Azevedo.

Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!

Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!

Que sol! que céu azul! que doce n'alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!

Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o dolorido afã...
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!

Iniciação

Mas uma linda poesia relida. Desta vez, com uma compreensão bem mais real.

Fernando Pessoa


Iniciação
Não dormes sob os ciprestes,
Pois não há sono no mundo.
....................................................
O corpo é a sombra das vestes
Que encobrem teu ser profundo.
Vem a noite, que é a morte,
E a sombra acabou sem ser.
Vais na noite só recorte,
Igual a ti sem querer.
Mas na Estalagem do Assombro
Tiran-te os Anjos a capa :
Segues sem capa no ombro,
Com o pouco que te tapa.
Então Arcanjos da Estrada
Despem-te e deixam-te nu.
Não tens vestes, não tens nada :
Tens só teu corpo, que és tu.
Por fim, na funda caverna,
Os Deuses despem-te mais.
Teu corpo cessa, alma externa,
Mas vês que são teus iguais.
....................................................
A sombra das tuas vestes
Ficou entre nós na Sorte.
Não 'stás morto, entre ciprestes.
....................................................
Neófito, não há morte.

Autopsicografia


Mas uma releitura gostosa, desta vez, Fernando Pessoa.
Autopsicografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Pablo Neruda – Cem sonetos de amor
Soneto VIII



Se não fosse por que têm cor de lua teus olhos,
de dia com a argila, com trabalho, com fogo,
e aprisionadas tens a agilidade do ar,
se não fosse por que uma semana és de âmbar.

Se não fosse por que és o momento amarelo
em que o outono sobe pelas trepadeiras
e és ainda o pão que a lua fragrante
elabora passeando sua farinha pelo céu.

Oh, bem-amada, eu não te amaria!
Em teu abraço eu abraço o que existe,
a areia, o tempo, a árvore da chuva

e tudo vive para que eu viva:
sem ir tão longe posso ver tudo.
vejo em tua vida todo o vivente.

terça-feira, 31 de julho de 2012


A Rosa e a Cruz

Nelson Soares dos Santos



Finalmente compreendi sua voz misericordiosa.

Que fala meu aos meus ouvidos indicando o caminho.

Ensinando-me que não existem rosas sem espinhos,

E que a Rosa é a Cruz, e que a Cruz é a Rosa.



E, foi assim que entendi os ensinamentos da cruz,

Já com os meus pés sangrando pela via dolorosa;

Aprendi  a ouvir tua voz, seguir o raio de luz...

Vendo na Rosa a Cruz, vendo na Cruz a Rosa.



E com o peito sangrando e vertendo sobre a cruz,

Os soluços de perdão de tua voz amorosa.

Estava ali o mistério, o sentido de ser luz,

A Rosa brilhava na cruz, e a Cruz, brilhava na Rosa.






quarta-feira, 4 de julho de 2012

A Formação Política e a Batalha Eleitoral: Elementos para um plano de Governo popular.



Nelson Soares dos Santos[1]


Começaram as eleições e para muitos parece ter findado o tempo do processo de organização e formação política no partido. No entanto, não é isso que a realidade nos mostra. Na batalha eleitoral é também  hora e momento de construção ideológica do partido na práxis, no mundo vivido, na luta cotidiana. Um destes  momentos importantes é a formação do plano de governo, e a defesa das propostas partidárias durante a campanha. É pelas ideias e propostas que marcaremos nosso território nas mentes e corações das pessoas o projeto do nosso partido para a sociedade.

A ideia central que deve marcar o posicionamento de todos os candidatos do partido é  “A sustentabilidade”. A FAP vem publicando farto material sobre o tema com destaque para a última revista que tratou sobre os impactos das decisões da Rio + 20, sobre os processos de desenvolvimento das nações e dos povos. E, aqui, sustentabilidade não se trata de uma mera economia verde, e sim, de um processo de desenvolvimento que permita um desenvolvimento humano e aperfeiçoamento do processo civilizatório. Neste sentido, sintetizamos nos tópicos que segue.

1.     O poder Local.

A  ideia do poder local deve permear toda a prática partidária. Não apenas no processo da organização do partido, mas mais ainda, na organização da sociedade. No programa Nacional do Partido, fica claro a ideia de um programa de desenvolvimento com base nas municipalidades e isso requer:

A)    Defesa de Instalação de subprefeituras nas cidades com mais de 200 mil habitantes;

B)    Defesa da instalação de conselhos Municipais com já existentes nas cidades de São Paulo e Porto Alegre, os chamados conselhos municipais autônomos, como canais de verdadeira participação popular.

C)    Fortalecimento dos conselhos já existentes como entidades fiscalizadores, e como espaço da construção da cidadania.

2.     Educação.

O partido vem defendendo com afinco a causa da educação desde o seu último congresso nacional. Neste quesito, a bancada federal conseguiu incluir diversas conquistas no Plano Nacional de Educação que está em discussão no Congresso Nacional, dentre elas, a participação na luta que indicou os 10% do PIB para Educação, a Universalização da Educação Infantil, e  melhoria da qualificação e valorização dos profissionais da Educação. No nível do munícipio temos:

a)     Defesa de gasto de 35% do orçamento do munícipio com a Educação pública;

b)    Luta pela Universalização da Educação Infantil, com construção de CMEIS,;

c)     Valorização dos educadores em todos os municípios, com programa de qualificação, organização de Educação Científica e Investimento em Pesquisa mediante parceria com as Universidades, de preferência, Universidades Públicas;

d)    Criação de Programas de Educação para a cidadania, visando melhorar a participação dos pais na vida escolar dos filhos e orientar os pais no processo de Educação familiar.

e)     Fortalecimento dos conselhos escolares e conselhos do FUNDEB;

f)      Investimento na Educação Científica desde a Educação Infantil.

3.     Saúde

A questão da saúde no estado de Goiás está um caos. De um lado, o governo estadual reclama que o problema foi causado por falta de investimento ao longo dos anos, de outro, os munícipios reclamam da incapacidade de cuidar da demanda pela saúde.  Neste caso, é preciso que tenhamos atenção quanto aos últimos movimentos do Governo Estadual, no sentido de terceirizar a gestão dos hospitais públicos. Será esta a  melhor saída? Hospitais cuja gestão foram terceirizadas em outros estados produziram resultados?  Enquanto não temos respostas, algumas soluções que dizem respeito ao exercício da cidadania devem ser defendidos:

a)     Fortalecimento dos conselhos municipais de saúde e dos conselhos setoriais;

b)    Investimento no desenvolvimento humano dos servidores públicos municipais da área da saúde com a instituição de planos de carreira, qualificação e atualização;

c)     Valorização do profissional de saúde, e cobrança de profissionalismo no trabalho da rede pública;

d)    Defesa da construção de Hospitais  para prover leitos suficiente, ( hospitais de referência) nas cidades com mais de 100 mil habitantes;

e)     Defesa da melhoria do atendimento as mulheres e crianças;

4.     A segurança.

A questão da segurança tem sido tratada nos munícipios, muitas vezes, de forma simplista como se o aumento da guarda municipal e seu armamento com armas letais venha resolver o problema. Precisamos ver o problema da segurança não de forma isolada, mas como elemento do processo de sustentabilidade. Neste sentido é preciso desenvolver ações em dois campos: o campo da repressão e o campo da prevenção.

a)     Investimento em estudos sobre as influências dos processos migratórios sobre  o aumento da violência nos munícipios, sobretudo, nos munícipios de menor porte.

b)    Investimento em estudos e ações de programas de combate a violência com foco na família e na escola;

c)     Desenvolvimento de  uma nova mentalidade de combate a violência que inclua o processo de desmilitarização das guardas municipais e das polícias militares.

d)    Envolvimento da sociedade civil no combate ao tráfico de drogas, por meio do fortalecimento dos conselhos locais de segurança;



Outros temas devem ser discutidos com exaustão de acordo com a realidade de cada munícipio, com destaque para o investimento no transporte público nas cidades com mais de 100 mil habitantes, construção de ciclovias, etc; o processo de organização do espaço urbano, educação financeira para as famílias,  dentre outras.

No conjunto, é preciso entender que não haverá sustentabilidade sem investimento no ser humano, e que portanto, o caminho da sustentabilidade passa pelo entendimento de que o maior patrimônio da sociedade é o ser humano, e que urge mudar a forma perversa criada pela teoria do capital humano, quando tudo foi transforma em mercadoria. Precisamos construir uma nova lógica nas relações sociais e esta nova lógica começa nas cidades, no poder local, afinal, todas as outras formas de poder é um reflexo da lógica instaurada no poder local.



[1] Nelson Soares dos Santos é Pedagogo, Mestre em Educação Brasileira pela UFG, e Doutorando em Educação. É membro da Executiva Estadual do PPS Goiás, e Diretor da FAP=Goiás.