Pesquisar este blog

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Enade, ética, Moral e avaliação na Educação Superior




Durante toda a minha vida tive problemas com a avaliação sobre minha prática docente feita pelos discentes, ou seja, pelos alunos. Recentemente comecei a refletir sobre as razões de tais problemas, e, foi então que muitos questões começaram a surgir na minha mente. Questões que parecem sem respostas mas que despertam outras tantas reflexões. A primeira grande questão que sempre trouxe inquietação é: Pode o aluno ter condições de avaliar a prática pedagógica de um docente? É claro que esta questão envolve outros tantas questões éticas, morais e técnicas que embora não seja possível problematizar neste artigo podemos tecer pequenas considerações.

Para problematizar se um discente pode ter condições , técnicas e éticas para avaliar um docente  precisamos problematizar o que é o discente, afinal, precisamos saber sobre quais parâmetros este ser olha e lê o mundo, e portanto, como é capaz de ver o próprio professor. Em todas as faculdades e Universidades onde ministrei aulas, ( com a rara exceção de um curto tempo de professor Substituto na Universidade Federal de Goiás), convivi com um grave problema: mais de 80% dos alunos que passaram pelas minhas mãos chegaram a faculdade ou Universidade, e no período no qual ministrei as aulas sem saber ler e escrever o básico em linguagem erudita (aliás, já escrevi mais de uma vez neste blog que eu o comecei como incentivo para que os alunos praticassem a escrita, e por isso, costuma escrever com erros de português para despertar nos que liam a crítica, e, engraçado é  que bons professores, colegas, muitas vezes, elogiavam textos sofríveis que eu publicava, muitos deles ainda publicados neste blog).

No ano de 2004, fiz de propósito e tabulei a qualidade de leitura e interpretação de texto de cem alunos da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas de Goiatuba. No resultado, 95% dos estudantes pesquisados apresentaram sérias dificuldades de leitura e interpretação; e pior, dos alunos tabulados no Oitavo período do Curso, apenas 3% chegavam a apresentar 50% do conhecimento básico do curso no qual estavam aptos a receber o diploma. No ano de 2007, 2008 e 2009, realizei a mesma pesquisa na mesma Instituição, o resultado apresentado foi o mesmo. Não é, portanto, novidade para este que escreve o resultado da Instituição no Enade. A pergunta é: Tem tais alunos condições de avaliar se um docente possui capacidade didática?

No ano de 2009, tive acesso a todas as avaliações discente sobre os docentes da Instituição, e, foi então que notei um fato interessante. Os professores menos qualificados da Instituição foram os mais bem avaliados pelos alunos. Curioso, passei a observar as aulas de tais professores, na condição de Coordenador, e notei que a maioria dos professores bem avaliados não ministrava sequer meia hora de aula útil em um período de duas horas aulas, ou seja, tratava-se daqueles professores que mais matavam aulas, que mais passavam tempo no início e no fim da aula conversando futilidades com os alunos que em nada se relacionava com o conteúdo básico da disciplina que ministravam.

Tal situação gera um problema ético e outro moral. O ético na medida em que se universaliza a idéia de que o bom professor é aquele querido pelos alunos, sem mesmo analisar as razões de tal bem querer, ou a real capacidade didática do professor; o problema moral, é que as faculdades com tal realidade colocam no mercado e na sociedade todos anos uma quantidade imensa de profissionais medíocres que quase nada sabem da profissão que vão exercer.

O que fazer então, quando o maior problema das Instituições, diga-se as periféricas públicas e as privadas, recebem um aluno do Ensino Médio que não sabe ler, não sabe escrever, não sabe interpretar e não tem quase nenhuma bagagem cultura e erudição? Em tal situação os gestores destas Instituições ficam diante de um dilema ético e um problema moral prático: o dilema ético trata-se, ou encontra uma forma de o aluno “sair-se bem no Enade, ou terá os cursos fechados pelo MEC”; o problema moral prático é que, a depender da solução encontrada para que o aluno saia-se bem no Enade pode transformar os cursos em cursinhos para ENADE, jogando no mercado profissionais medíocres e com formação humana sofrível.

Novamente, o problema retorna para as mãos do docente. E então é que novamente se pode perguntar: como pode o docente ajudar o aluno a superar as deficiências? Aqui, a maioria das instituições tem pecado por uma simples questão: a maioria absoluta tem apostado no ensino de Língua Portuguesa, baseado na Leitura e escrita como forma de superar a defasagem do aluno, e esquece, que grande parte do problema situa-se no binômio Cultura Erudita/cultura popular; senso comum/ conhecimento Científico e que a tão esperada evolução do aluno não pode, e não se dará pela prática de leituras, e sim de vivências onde será possível a formação do Espírito de Erudição e do Espírito Científico.

Neste sentido, a filosofia, a missão, os valores que norteiam o projeto Pedagógico da Instituição e a forma como são vivenciados na prática, influenciam muito mais que o papel do docente ou mudanças pontuais nas disciplinas com aumento ou diminuição de cargas horárias. De nada adianta colocar duas ou três vezes mais horas aulas de uma determinada disciplina, se por outro lado, a Instituição “aceitar” abonar faltas de alunos, professores não aproveitar ao máximo o tempo útil em sala de aula para apresentar e discutir conteúdos, e não se exigir dos alunos aprendizado mínimo para que sejam aprovados em cada uma das disciplinas.

Percebe-se que os problemas vão se sobrepondo. Aluno sem formação necessária para receber Educação Superior, ( e que se torna o elemento definidor do que deve ser um bom professor); professores que passam a medir suas práticas tendo como parâmetro “agradar” o aluno que pouco sabe, faculdades que fazem “qualquer negócio para manter o aluno”, aluno que faz qualquer negócio para conseguir o diploma com a maior facilidade possível, ( e o pior é que grande parte acreditam que já sabem tudo do curso e que só precisam do diploma); o resultado disso está cada vez mais claro para todos: deputados que acreditam que exigimos não se escreve com G, a degradação cada vez maior da Língua Portuguesa, e pior, a banalização da cultura. Hoje, parece que ser culto é saber de cor a música do Michel Teló. Mas, retomando a questão inicial é difícil entender que em tal situação não há quem possa avaliar um bom professor? Não precisamos aqui sequer entrar na questão da fragmentação do conhecimento que faz de médicos, enfermeiros, advogados etc. tornarem-se professores e acreditarem de todo coração que sabem tudo sobre educação, aprendizagem e formação humana, muitos deles, sem nunca ter lido nada sobre Pedagogia, ou mesmo sobre desenvolvimento humano. Pior ainda, vamos rejeitar a possibilidade de analisar as fórmulas milagrosas dos economistas que olham para a educação e acreditam que o número de alunos em sala de aula não interfere na aprendizagem, e, fiquemos apenas com esta verdade: para avaliar é preciso sempre saber mais, e ser virtuoso o suficiente para ser imparcial.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A vida e a Justiça divina ou o tempo de longa duração




Algum tempo passado fui colocado como mentiroso em uma história acontecida, na verdade, em pouco menos de seis anos a história tornou-se recorrente e eu fiquei como mentiroso três vezes, e como resultado vi rui minha grande tentativa de construir uma família e ser família. As três pessoas envolvidas fizeram juramento para provar que estavam falando a verdade. A primeira, jurou pela vida, e por momentos vividos; a segunda e a terceira juraram pela vida dos filhos fazendo a seguinte afirmação: Quero que deus me mate e leve os meus filhos se eu estiver mentindo. Eu, por minha vez não jurei. Aprendi com minha mãe que homem que jura, mente, e mulher que jura não tem sentimentos.
Desde então me pus a refletir sobre a justiça divina. E sempre que orava e meditava perguntava a Deus por que ele não atendida o pedido de tais pessoas? Por que a justiça não se fazia? Outrora, pensando melhor, cheguei a conclusão de que a justiça divina não é como nós pensamos, ou pelo menos, como a maioria de nós pensamos. Do nada comecei pensar no meu tempo vivido. 38 anos dentro de tantos milhares de existência do Universo, aos olhos de um ser infinito. Foi então que pensei que a história da minha vida feita de 38 anos não poderia ser considerada apenas assim. Lembrei que os seis anos da vida de minha filha, ( que faz aniversário um dia depois do meu) são sempre contados , como sete anos, afinal, sempre conto o tempo da gravidez, e o tempo que levei para convencer a mãe a casar comigo. Percebi então, que tudo era uma questão de perspectiva.
Comecei a pensar então como funciona na mente dos avós, a idade dos netos; certamente, é outra perspectiva. Foi então que veio a mente a questão do tempo e as leituras sobre o mesmo feito ao longo da vida. Na história, há basicamente dois modos/métodos de se tratar o tempo: o que eles chamam de tempo de curta duração e o tempo de longa duração. No primeiro resumidamente, tem se a tendência de ver os fatos com início meio e fim próximo do que é chamado de pico dos acontecimentos; no segundo, as razões são sempre buscadas em um tempo histórico mais longos, vendo neles as causas, das quais os acontecimentos atuais são os efeitos. Do primeiro, não me lembro agora de nenhum representante, do segundo, lembro-me de Ferdinand Braudel.
Como se não bastasse, minha mente devaneou ainda mais e comecei a pensar no processo da reencarnação. Bom, se os acontecimentos da vida tem sempre como causas, ou pelo menos os mais importantes, em um processo de longa duração a idéia da reencarnação torna-se plausível para explicar algumas tragédias sofridas pelas pessoas e que geralmente não se consegue ver as causas. Ora, pois, bramia meus neurônios – imagina que daqui a 100 anos a mãe que odernou que seus filhos morressem se eles estivesse mentindo ( e ela estava), reencarnasse, tivesse filhos lindos, e um dia do nada um carro explode e mata todos os filhos motivo e razão da existência dela. E como vemos, em muitas histórias de nossos dias, esta mãe começasse a gritar “ meu deus, meu deus, o que eu fiz pra merecer tamanha tragédia?” – no tempo de longa duração aliado ao processo de reencarnação estaria a explicação pedida: ela mesma definiu como seu castigo pela sua mentira a perda dos filhos queridos.
Foi então que percebi que a justiça divina não pode obedecer mesmo a idéia do tempo de curta duração. Uma vida é pouco tempo demais para se resolver qualquer coisa, e o que pensamos que são injustiças na verdade são apenas causas, ou efeitos plasmados em um tempo de longa duração. Olhar a vida deste modo, torna tudo mais fácil. Eu chamo de olhar a vida em perspectiva. Os incautos e ignorantes vivem a determinar causas para efeitos futuros nas suas vidas, outros já percebem que nada passa ao largo das leis da natureza universal ou da natureza do Multiverso.
Quando criança ganhei o livro “ O gerente minuto”. Nele aprendi que o maior patrimônio que recebemos de Deus é o tempo, e através dele podemos conquistar o que quisermos. Foi desde então que tive a idéia de usar a data do meu aniversário para refletir sobre como tenho usado meu tempo na vida. Agora, aprendi mais, muito mais que saber usar o tempo é preciso compreender como o tempo age diante de nossas ações ou como nossas ações agem em nossa vida ao longo do tempo. Palavras e ações são as grandes armas que nos leva a construir ou destruir o nosso patrimônio precioso, mas que se acrescente os pensamentos, pois são nos pensamentos que nascem as causas de nossas palavras e ações. Agora, pois, quando pensar que a vida está sendo injusta com você, coloque em perspectiva e se pergunte, o que tem feito com o seu tempo presente, afinal, é nele que se constrói o mais distante futuro.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Mensagem de Aniversário


Hoje completo 38 anos de idade. Para muitos jovens que perderam suas vidas aos 17, 18, até os 25 anos de idade, 38 anos é mesmo uma eternidade.  Quantos pais gostariam de ter visto seus filhos completarem 25 ou 30 anos de idade? Quantos morreram vítimas de balas perdidas, guerras, latrocínios, assaltos, drogas, e tantos outros males? Quantos nesta data perderam ou perderão suas vidas para o crack, a cocaína, ou qualquer outro vício fatal?
Talvez, apenas por isso eu já teria todas as razões do mundo para agradecer a Deus por estar aqui, aos 38 anos de idade. Mas não só por isso. Cheguei até aqui com  meus um metro e oitenta e sete centímetros de altura, 87 quilos e com uma saúde de quem nunca precisou ficar internado em um hospital. Muitos que sofrem de diabetes, e tantas outras doenças viriam nisso momento suficiente para agradecer a Deus. Eu agradeço, não só por isso.
Muitas crianças, nascidas como eu, no nordeste goiano, morreram de fome. Eu também passei fome. E sobrevivi. Tive sonhos, lutei, alguns, consegui. Sonhar é a força que mantém qualquer homem vivo, dizia minha querida professor Mariinha, quando eu ainda tinha oito ou nove anos de idade e ela tentava dissuadir meu pai que minhas idéias e meus sonhos não eram loucuras. É que lá pelas bandas do nordeste goiano, antes mesmo dos dez anos de idade, eu não sonhava calado e já queria ser presidente da República. Claro que meu pai pensava faltar um parafuso em minha cabeça, e reclamava para a professora estar preocupado comigo, pois alguma coisa dizia a ele faltar um parafuso na cabeça do seu menino. É, eu sonhava alto, mas sobretudo sonhava ser livre.
Logo minha professora aconselhava que a melhor forma de descobrir os mistérios do mundo e realizar os sonhos era estudar, ler. Muitos mistérios já foram desvendados, dizia ela, e o segrego estão nos livros. Tempos depois, já entre os nove, dez, onze anos, era a vez do Meu amigo Joel Pinto Barros cochichar aos meus ouvidos: Muitos dos livros possuem mistérios os quais as pessoas lêem e  não compreendem, não basta apenas aprender a ler, dizia ele, tem de se fazer merecedor de compreender os mistérios da vida.
Aos 38 anos, quase tornei-me doutor. Este sonho cruzou o caminho com outro sonho ainda mais forte: Ter família e ser família. E quando dois sonhos se cruzam na mente de um homem é como fogo na floresta. Com cuidado, alguma coisa sobra. Posso dizer, no entanto, que aprendi que ser família não depende apenas de uma pessoa. O casamento é algo que só funciona quando decidimos ficar do lado de alguém e este alguém decide ficar do nosso lado. Não tive tanta sorte com as mulheres, mas posso agradecer o fato de que na luta por ter família fui agraciado por duas filhas lindas, e, a caçula que se revela a cada dia o alimento da minha alma e motivo da minha existência.
Aos 38 anos aprendi que o verdadeiro amor não provoca sofrimento, e prefere-se sempre se dar ao sacrifício. Já aprendi que conhecimento não tem limite, e que o muito estudo enfada a alma. Já aprendi que sabedoria se conquista no silêncio da alma e na quietude do espírito. Aprendi que inimigos e adversários são mestres que deus coloca em nosso caminho para nos ensinar aquilo que jamais aprenderíamos com nossos amigos.
Só por isso, teria milhões de razões para agradecer a Deus. Entretanto, ainda há tanto mais. Como não me lembrar dos amigos que fiz ao longo desta jornada? Das músicas que marcaram época, e, dos livros que me revelaram alguns dos mistérios do Universo? Algumas companhias é quase impossível não nomear. Lenizio Léllis, Adriano, Wagner, - pessoas com as quais pude vivenciar a vida de adolescente.
Como não lembrar das noites em que sonhando com o futuro ouvia as músicas de Richard Clayderman no Internato? Carruagens de fogo, Balada por Adelino, e, o inesquecível e tradicional quarteto dos arautos do Rei, enquanto meditava nos sábios conselhos do Professor Silas. Tempos depois vieram Tocando em frente de Almir Sater, que foi trilha sonora da minha entrada na formatura do Ensino Médio e da Licenciatura, e ao som da qual tomei vinho em Campos Belos acompanhado dos amigos Adelino Machado e Joel Pinto de Barros. Boiadeiro e Pense`neu  de Luiz Gonzaga; Reconvexo de Maria Betânia, e tantas outras que ao longo desta jornada acalmaram a alma e silenciaram meu espírito de buscador.
Ah, o capitulo dos amores. Deixemos de lado o capítulo dos amores, pois este ainda é feito de sonho, uma vez que não guardo comigo as dores e sofrimentos da jornada. Há algo, que, no entanto é preciso dizer. Muito menino ouvi e li o texto de Primeiros Cor. 13. E nunca mais o esqueci. Durante este anos alimentei em minha alma um amor pela humanidade e um sonho de ver menos pessoas passando fome, menos pessoas sofrendo, e, o que é pior, menos, muito menos, pessoas na ignorância, por que hoje, me parece uma grande verdade o ditado: “Existem pessoas que são tão pobres, mas tão pobres, que de tão pobres só possui muito dinheiro”.
Ah.... Certamente existe muito mais do que agradecer. Todos os mestres que tive, os amigos, aqueles que de tão íntimos, de tão presentes nunca estiveram ausentes. Hoje completo 38 anos. Para o que morreram tão cedo, uma eternidade. Para os que conseguiram viver um século, é pouco mais de um terço da vida. Para mim, tempo suficiente para compreender a grandeza de Deus,e, de que existem deveres a serem cumpridos na nossa existência terrena. Afinal, hoje completo 38 anos, e ainda carrego em mim o sonho de ser amado e sentir uma mulher do meu lado, ainda sonho com um mundo mais justo; ainda sonho em descobrir os mistérios do Universo. Por certo, 38 anos, e carrego todos os sonhos possíveis de se sonhar.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Poesia para toda mulher que pasa...e que pensa que tem graça.


Nelson Soares dos Santos
Tive todas as mulheres que quis.
Tive-as todas quando eu quis ter.
Por isso não sou feliz nem infeliz.
Isto é apenas um bônus do viver.

Por isso mulher que adoidada passa.
Se olho para ti, não se  deixe levar por ledo engano.
Não pense que meu olhar te ameaça.
Não existem chances de ser a mulher que eu amo.

Por isso mulher que sôfrega, rouba meu tempo;
E, compras meus elogios com ares de graça.
Esqueço-te como esqueço o vento.
Que na tempestade traz todas as desgraças.

E tu mulher que insatisfeita vive as espreitas.
Tentando ter o que o marido não lhe provém.
Esqueça, sou campo seco, sou estrada estreita.
E, um miserável sem nenhum vitém.

O meu coração é terreno já cultivado.
Meu peito, meu ser, todo cheio de amor.
Sou homem que amou e já foi amado.
E  sabe que a vida é terreno cheio de dor.

E  tu, mulher, bonita e sorridente.
Se olhar para ti é a natureza que vejo.
E se vejo rosa, também vejo serpentes.
Um mar de insetos e  de percevejos.

Por isso,  mulher não me deixo enganar,
Mesmo que tentes, não podes prender-me,
Não és a mulher que nasci para amar.
Portanto, não há em ti que eu deseje ter.

Nada quero de ti se não lhe dei flores.
Por que uma flor vale uma vida.
E para a mulher que tenho amores....
Não ofereci  rosas, ofertei orquídeas.

Esta miséria humana


Nelson Soares dos Santos



Estou  quase cansado da miséria humana,

quase cansado de ver crianças abandonadas nas ruas.

 ver perambulando sem rumo mulheres  quase nuas.

Estou quase cansado, exausto, cativo desta vida de iguana.



Estou quase cansado de tantas misérias,

Quase cansando destas mulheres mal amadas;

Que vivem revoltadas, feridas, cheias de dores,

Chorando, reclamando, de tudo e de nada.



Estou quase cansado de homens corruptos..

Que sangram o estado para alimentar as amantes.

E estas vivem infelizes, sôfregas, desesperadas,

Sonhando com a felicidade do cavalheiro andante.



Já estou quase cansado dos homens gananciosos.

Estes que vivem perdidos, buscando o lucro maior.

E são tenazes, infelizes, guerreiros, sediciosos

E são amargurados, embriagados, desgraçados e morrem sós.



Já estou quase cansando destes jovens sem esperança.

Estes que vivem “puxando saco” pra garantir o futuro...

Não sabem o que é mérito e querem viver de bonança.

Acreditando que tudo é paz do outro lado do muro.



E que quero parar, quando uma voz me diz: Não ainda.

E eu quero gritar, quando a voz me diz:Não ainda.

Pois chegará  a hora do juízo final.

Quando os pontos se ligam e tudo se finda.

Poesia para o teu coração.

Nelson Soares dos Santos
(Rascunho de poesia escrita em 2010)

Logo que o sol amanhece a vida,
Ouço tua alma chamando pela minha.
Hoje sei que o amor é o que move a lida.
Ainda que os espinhos invadem a vinha,
Insisto que a vida vale pena ser vivida,
Na dor, na tristeza, nas mágoas esquecidas
Yeschua nos ensina a louvar a vida.

Rude, duro e triste é o sozinho;
Ouvindo lamentos, tristeza e dor,
Daqueles que escolhem as rosas sem espinhos;
Rezando para que isso seja o amor.
Isso é o que chamo de brindar com vinho,
Garantindo que a fé é mais forte que a dor.
Usando todas as pedras do caminho
E utilizando para construir um castelo de amor.
Sentindo-se como Colombo, um descobridor.

Tudo é sombrio vivendo sem você.
Ouvindo os murmúrios que a vida apresenta,
Rompendo barreiras, sentindo o coração doer.
Rasgando meu peito, desejando lhe ter;
E esperando os sonhos que a vida alimenta,
Sentindo que sem sua companhia tudo é sofrer.

A promessa e a palavra dada como ato moral por excelência


Nelson Soares dos Santos

Que vivemos em uma época considerada de crise, isto todos já sabemos. Em tais épocas torna-se difícil dizer o que é certo ou errado, alguns, até se arriscam a dizer que não existe certo ou errado, que tudo depende das circunstâncias do ato, caindo em um extremo relativismo moral. Não creio que por mais que seja  uma época de crise e transformação, e que portanto está sendo gestada uma nova sociedade ou uma sociedade de novo tipo que não possamos analisar, pensar, e tentar compreender os mecanismos e ou critérios que as pessoas utilizam para justificar moralmente os próprios atos. Neste texto vou citar alguns exemplos no campo da política e da vida social tendo como eixo a questão da promessa e da palavra dada tida aqui neste tópico como excelência do ato moral na atualidade.
Por que a Promessa e a Palavra dada é a excelência do ato moral na atualidade.
 Por que vivemos em uma época de profundo relativismo as sociedades constituídas colocaram como regras a normatização das regras, e a existência de normas escritas prevendo os mais detalhados atos humanos. Assim, uma pequena sociedade, grupo ou empresa mal se constituiu e lá já se tem um regulamento, regimento, código de ética para dizer o que é certa e errada nas ações e atitudes dos seus membros. Não é o objetivo de entrar no mérito se isso é bom ou ruim, mas apenas dizer que a partir disso não sobra espaço, ou sobra pouco espaço para o ato moral, pois este se define exatamente como algo livre das regras escritas, impostas, normatizadas. Engraçado mais ainda é muitos professores que ministram a disciplina de Ética aplicada se deter no estudo de códigos de ética, como se fosse possível colocar a “Ética”, que é uma ciência que estuda o comportamento moral em um código com alguns artigos, incisos e parágrafos.
Daí por que no meio da tantas normas a serem seguidas e obedecidas, a maioria de forma coercitiva sobra pouco espaço para uso da liberdade e consciência, ou mesmo para se saber se as pessoas seguem tais normas é por ser livre e consciente, ou apenas por que se é obediente ou tem a tendência a sê-lo. Um exemplo é na questão da família. Temos tantas regras sobre como ser pai, ser mãe, que uma pessoa medrosa tende a criar os filhos de acordo com o estatuto da Criança e do Adolescente, uma vez que este prevê penas para aquele que não o observa. O mesmo poderia ser dito para a questão do idoso, do respeito às mulheres, às minorias etc. É tanta regra e tanta norma que o individuo precisaria de uma vida para conhecer cada uma delas, o que faz com que muitos se deixem guiar pela voz dos “especialistas”, antes de tomar decisões ou praticar qualquer atitude.
É justamente por estas razões que a palavra dada e a promessa feita torna-se em nossos dias a excelência do ato moral. Em ambas, dá-se a palavra por não existir uma obrigação contratual, ou mesmo, faz-se uma promessa por que não existe a  obrigação do fazer, ou de outro modo, dá-se a palavra que desobedecer-se-á a lei para ajudar, ou auxiliar alguém. Em ambos os casos significa a excelência do ato moral, pois apenas indivíduos livres, conscientes e responsáveis são capazes de analisar quando se pode estar acima da lei para quebrá-la, ou colocando-se como tal ter como objetivo a justiça, a prudência e  sabedoria. Outra questão, é que a palavra dada e a promessa feita acontecem todos os dias. Quem hoje não prometeu algo que não tinha nenhuma obrigação de prometer? O filho que promete a mãe não se exceder nas bebidas, o aluno que promete ao professor não colar, o político que promete administrar com transparência e honradez, o pai que promete aos filhos dar um presente, o namorado ou  a namorada que promete fidelidade ao parceiro. Em toda promessa a única garantia é a palavra empenhada que pode ser cumprida ou não.
Em todos os casos quando existe a promessa e a palavra dada fugimos das normas e estabelecemos uma nova convenção entre os envolvidos. De fato, uma promessa e uma palavra dada leva a ignorar possíveis normas existentes, pois se deu a palavra e ignorava a dificuldade de cumprimento da mesma, só isso, já revela por si, pequenez moral de quem o fez, pois consciência significa também conhecer as possibilidades de cumprir aquilo que foi prometido. Não se pode confiar em alguém ou seguir alguém que não tem idéia das dificuldades do caminho ou não tem a capacidade de enfrentar os percalços e dificuldades que se apresenta. De fato, uma vez dada a palavra ou feita  a promessa resta o cumprimento ou a desmoralização, ou seja, a descrença naquele que as faz e não as cumpre.
 A Palavra e a promessa descumprida e a Justificação Moral.
 Após empenhar a palavra, fazer um acordo, ou mesmo uma promessa e não cumprir,muitos se põe a buscar justificativas. A pergunta é: existe justificativa moral para a quebra de um acordo, a quebra de uma palavra ou o não cumprimento de uma promessa? É possível que um indivíduo faça uma promessa ou acordo, e não tenha por ele responsabilidade moral?  Se entendo que o ato moral é um ato livre, consciente e responsável, tal sujeito pode reivindicar que no ato em que fez o acordo encontrava-se sob processo de coerção?
Devemos pois relembrar que as mais universais das teorias do comportamento moral que se existe consciência por parte do sujeito este não pode alegar coerção, pois as escolhas morais significa aceitar a conseqüência das mesmas, e o exemplo histórico mais emblemático é o de Sócrates que bebeu cicuta para que fosse mantida as regras da cidade como válidas, uma vez que se não o fizesse, significaria renegar tudo o que ele havia pregado. Sendo assim, e tendo consciência de que aqui falamos apenas de pessoas que possuem capacidade moral ( portanto, excluído as crianças e os doentes mentais), nenhum político pode justificar o comportamento de não cumprir promessas feitas por meio de justificativas sejam ela sociais, práticas, lógicas, científicas ou dialéticas. A palavra dada e a promessa não cumprida não pode ser justificada justamente por não ser uma norma, e portanto, não ser passível de justificativa, apenas cumpre-se ou não. O que é passível de justificativa a partir dos critérios acima colocados são normas morais escritas nas leis, nos costumes, nos valores e cultura de uma sociedade.
Outra questão, é que a palavra dada e a promessa feita, é algo individual e singular. Cada palavra proferida carrega em si a individualidade do sujeito que a profere, pois nela está incluso as capacidades que o sujeito possui ou que demonstra possuir. A confirmação pois, do cumprimento da palavra/promessa revela se o sujeito é mesmo quem acredita ser ou apenas um embuste a enganar seus contemporâneos. A palavra/promessa proferida é pois algo singular não podendo ser transferida para outro, apenas aquele que promete é capaz de cumprir o prometido, não podendo ser terceirizado.
Muitas pessoas tentam justificar a quebra de acordos, não cumprimento de promessas alegando que a pessoa com quem fez o acordo no passado também deixou de cumprir. Tal fato confirma apenas a má fé ao fazer o acordo, ou seja, já o fez consciente de que não cumpriria; e, jamais produz razões críveis para não cumprir o prometido.  O sujeito que dá uma palavra, faz um acordo ou promessa, já sabendo que não cumprirá não é digno sequer de ser sujeito público e viver em sociedade, pois está abaixo do nível do processo civilizatório atual ou revela em si a parte mais cruel  e danosa da sociedade que precisa ser combatida e destruída.


Conclusão ou o que dizer das promessas dos políticos.

Não creio que exista espaço da sociedade onde a palavra dada, os acordos tenham tão pouco valor como na política, talvez, exatamente por isso, no momento atual e no Brasil atual, exista tanta corrupção e tantos escândalos. Talvez por ser a política a origem da construção das normas legais, criou-se algo intuitivo, inconsciente de que os políticos estão acima da lei, e isso leva a um exagero na mudança de rumos propostos para a sociedade, ou mesmo a uma deturpação do que deve reger as relações sociais e políticas.
Pior ainda é a forma como que se dão as lutas nos bastidores dos partidos políticos. Creio que se a maioria dos homens comuns ( que não participam da política), tomassem conhecimento de como funciona os bastidores dos partidos políticos a sociedade entraria em uma guerra de todos contra todos, uma violência interminável  de tal forma se veria banalizado as normas e a própria vida humana. Não existe nenhum compromisso de cumprimento da palavra, de acordos, de obediência as eleis. Tudo vai sendo banalizado de forma cruel e desumana.
Os partidos políticos que se querem com decência, com elevada retidão moral devem fugir de acordos escusos que prejudicam a sociedade, e zelar, para que em suas fileiras tenham homens que cumpram com as promessas que fazem, que respeitam as normas que se põe, e que tem no ser humano o fim último da ação política. Não será decente o partido político que aceita em suas fileiras homens sem escrúpulos, desumanos, sem palavra, e que vive na certeza da impunidade. É justamente por ser a política o espaço da construção das leis que devemos zelar para que a palavra dada e a promessa feita sejam cumpridas, ou que não sendo cumpridas os sujeitos sejam responsabilizados na medida certa.


domingo, 8 de janeiro de 2012

Pomba rosa.



Eras a pomba, branca, alva e singela.

Tua voz um canto suave com cheiro de amor.

Eras a na vida uma aquarela.

Um canto de alegria, suavidade e amor.



Eras  as águas da chuva correndo intrépida.

O pássaro preso desejando liberdade.

A luta determinada, vontade lépida,

Eras a aprendiz em busca da verdade.



A vida e o tempo levaram-te para outras esferas

Um caminho  de duras e cruéis tempestades.

Fustigadas por ventos uivantes.



Mas tornastes, contraditoriamente, mais nova e mais bela.

Contrariando  a força cruel das idades,

E, fazendo brotar, por onde passa, desejos alucinantes.

sábado, 7 de janeiro de 2012

O legal e o Moral no comportamento Político.

Nelson Soares dos Santos

Quando o senso comum se coloca a falar de moral é sempre uma confusão. Primeiro por que sempre se confunde a moral com a ética, e se põe a dizer que as pessoas não tem ética e coisa e tal; segundo, por que confunde o que é comportamento moral com comportamento jurídico ( legal). Em tempos nos quais virou moda na política falar em combate a corrupção, defesa da ética, da decência, da transparência e tantos outros valores ligados ao comportamento moral do ser humano é preciso esclarecer premissas que envolvem o comportamento político, ou do contrário estaremos sempre caindo ou em um realismo político, ou, de outro lado, em um moralismo abstrato.
A primeira coisa que é preciso esclarecer é que o comportamento político não será igual em absoluto, sobretudo em uma sociedade desigual, ao comportamento moral. Sendo assim, é preciso entender o que é comportamento moral e comportamento político, sabendo que ambos possuem semelhanças e diferenças entre si. Ademais, é preciso antes disso, entender como se compreende o que é comportamento político e o que é comportamento moral. Para isso, precisamos lembrar que comportamento moral são o resultado de todos os atos humanos praticados de forma livre, consciente e responsável, e que portanto, quando se fala de Ética, estamos falando de uma ciência que estuda o comportamento moral dos seres humanos; compreendendo assim que não existe ninguém sem Ética, embora possamos dizer que existem pessoas incapazes moralmente, que são o caso das crianças, dos doentes mentais ou daqueles que vivem na completa ignorância.
Bem diz Mário Sérgio Cortela que pode se definir Ética como o conjunto de experiências, conhecimentos, valores, etc, que utilizo para responder a três questões: O que quero, o que devo, e o que posso; isso por que segundo ele, existem coisas que posso mas não quero, quero mas não posso, posso mas não devo, devo mas não quero. A isto colocado nasce então as formas de comportamento humano. Adolfo Sanchez Vasquez, em sua obra, “Ética”, ao definir a Ética como ciência que estuda o comportamento moral do ser humano, afirma que isso acontece a partir de uma profunda integração que a Ética estabelece com outras ciências que estudam outras formas de comportamento humano, sendo elas, a Ciência Política, a Antropologia, o Direito, a Sociologia, a Economia, a Psicologia, a Psicanálise, a Biologia e outras ciências que estudam o comportamento humano, e, em sua origem com a filosofia, uma vez que a filosofia como origem da interrogação sobre o sentido da existência humana e do próprio conhecimento está na raiz do estudo do comportamento moral como ramo da filosofia, ou seja, como filosofia moral.
Sendo assim, podemos destacar, pelo menos, cinco formas de comportamento humano: o Comportamento Moral, o Jurídico, o Político, o Trato Social e o Religioso. É claro que não é difícil perceber, com uma pequena dose de racionalidade diferenças entre eles. O trato social poderíamos , de forma sintética dizer que são as formas de comportamento que assumimos nas relações com nossos pares, seja na família, na empresa, no clube de  lazer, nas ruas da cidade. É o tratamento que dispensamos aos outros e que a partir dele os outros constroem uma determinada imagem de nós. Não existem regras escritas determinando obrigatoriedade de um tipo de trato social e a forma de fazer nossas escolhas depende de como e por quem queremos ser aceitos na sociedade. No comportamento Religioso existem regras chamadas dogmas que na maioria das religiões são tidas como mensagens reveladas, e  os membros os seguem, muitas vezes mesmo sem compreender por que as estão seguindo.
No trato social e no Comportamento Religioso a existência se dá como sujeito individual na relação com os outros, no primeiro, e na relação com Deus no segundo. E nisso consiste a principal diferença de tais formas de comportamento para o Comportamento Jurídico, Político. No jurídico o individuo existe como membro de uma Instituição, uma país, uma nação cujas leis já existiam antes do individuo nascer, e estas mesmas leis são obrigatórias para todos. Na política, o individuo só pode existir como cidadão, ou seja, membro de um grupo, partido, cidade, estado ou país e está submetido a todas as formas de coerção impostas aos membros do grupo ao qual pertence. Aqui, vai a primeira questão que precisa ser lembrar ao pensar as relações entre a política e a lei. É na política, ou seja,  no grupo vencedor que se faz as leis, portanto, nas sociedades democráticas é na política que se modifica as leis e para tal é preciso que um grupo político torne-se hegemônico no uso dos instrumentos de governança.

O Legal e o Moral na Política na atualidade.

Consciente de tais diferenças resta agora refletir sobre legalidade e moralidade. É bem claro que nem tudo que é legal é elevado moralmente – digo elevado moralmente para não cair na idéia de que existe pessoas ou atos imorais, que quer dizer com isso? Relembrar as lições de Kolberg: O homem elevado moralmente no nível mais alto da teoria Kolberguiana não  necessita de leis, pois a única lei que possui é a própria consciência e harmonia com a sabedoria e a Justiça em um desejo puro de uma sociedade justa e perfeita. Assim podemos dizer que Nelson Mandela e Martim Luther King seguia a mais pura lei moral escrita na consciência quando transgrediram leis em defesa da justiça e da igualdade, levando-nos a  compreender que um homem elevado moralmente deve sentir na obrigação e sente de desobedecer leis injustas.
E aqui repousa importante questão: Como agir de acordo com a mais elevada lei moral funda na justiça, na transparência, na honestidade e em todas as virtudes que nos levam a sabedoria em uma sociedade corrupta e viciada? É necessário fazer esta pergunta para podermos entender a necessidade que se tem alguns homens que lutam por justiça de quebrar leis e  regulamentos na atualidade e que isso não os faz corruptos. A questão é: Na luta política devo cumprir um acordo com um corrupto sabendo que ele utilizará de meu ato virtuoso para prejudicar milhares de pessoas? É claro que muitos homens que buscam a justiça utilizam de tal argumento para se eximir da participação política, uma vez que, segundo eles na política é impossível viver com elevada retidão moral.
Tal posição, creio infundada. Caso os homens defensores da elevada retidão moral se afastem da política com tal argumento, os corruptos assumirão a hegemonia do poder, e, certamente por medo de uma rebelião dos homens de bem tentará exterminá-los da face da terra. O que é preciso entender, então, é que retidão moral em uma sociedade corrupta está relacionado ao tempo, e muitas vezes, ao tempo que excede a vida vivida. Parodiando o general romando vivido no cinema no filme “O Gladiador”, é preciso entender que “ O que fazemos na vida ecoa na eternidade”, ou seja, a definição de que, se fomos ou não justos na vida, não pode ser julgado no presente, apenas na posteridade. Parece-me que também esta é a definição presente em “A República” de Platão.
Outra questão que precisa ser colocada é que se é na política e por meio da hegemonia política que se faz as leis, somente teremos leis justas ou que se aproxime do conceito de justiça tendo homens virtuosos na política. E, tendo claro que não nascemos justos é preciso nos submeter ao processo educativo da vida prática para que possamos exercer as possibilidades de construção de uma sociedade cada vez mais humanista, igualitária e justa que permita aos homens evoluir no desenvolvimento de talentos e virtudes.
Na atualidade, quando tudo parece estar corrompido não podemos deixar-nos cair no erro  de ceder ao moralismo abstrato que tenta reduzir tudo a moral tornando a moral uma questão legalista; nem tão pouco, cair no realismo político, onde o vale tudo torna-se a norma e esquece o verdadeiro sentido da luta política que é a construção de possibilidades para a evolução do ser humano. A política da elevação moral, da honestidade e da decência é uma arte para homens que estão acima dos instintos da carne ( acima do fazer política com o fígado, o rancor e o ódio), e compreendem que a disputa política é necessária para evitar e coibir a violência direta ou a guerra entres os homens.

Conclusão – A Política e o processo de elevação Moral.

Considerado todas estas questões e sabedores de que não somos e não nascemos perfeitos ( Mário Sérgio Cortella diz que não nascemos prontos, Guimarães Rosa diz que somos seres inacabados e tantos outros); precisamos admitir que é na vida prática que vamos aprendendo a sermos justos. E é claro que aqui devemos concordar com os gregos de que os jovens não deve fazer política, e  devíamos acrescentar, não apenas os jovens de vida corporal, mas todos aqueles que não alcançar a condição de exercício do ato moral que requer condição do exercício da liberdade, da consciência e da responsabilidade. Poderia então fazer parte dos quadros eletivos apenas indivíduos cuja biografia demonstrasse possibilidades de errar menos quando estivesse diante de decisões que viesse exigir alta elevação moral.
É claro que os limites de idade hoje prevista em nossa constituição já tenta responder a esta necessidade. Entrentanto, é preciso mais. Seria preciso que os partidos políticos tivessem a responsabilidade de evitar, por exemplo, em um mundo globalizado e altamente especializado que alguém que ignorasse determinado assunto fosse colocado em posição de influenciar ou decidir sobre referido assunto. Esta sim, seria para os nossos dias a base para uma verdadeira e real meritocracia. O mérito que refletisse a liberdade, a consciência e a responsabilidade para que o sujeitos jamais pudesse se furtar de assumir perante as leis e a sociedade a responsabilidade por atos praticados e decisões tomadas.  Este é, para mim,  um dos elementos do caminho para resolvermos as desigualdades do nosso país, e quiçá, eliminar o alto grau de violência e crise de perspectiva entre as nações.