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segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A vida e a Justiça divina ou o tempo de longa duração




Algum tempo passado fui colocado como mentiroso em uma história acontecida, na verdade, em pouco menos de seis anos a história tornou-se recorrente e eu fiquei como mentiroso três vezes, e como resultado vi rui minha grande tentativa de construir uma família e ser família. As três pessoas envolvidas fizeram juramento para provar que estavam falando a verdade. A primeira, jurou pela vida, e por momentos vividos; a segunda e a terceira juraram pela vida dos filhos fazendo a seguinte afirmação: Quero que deus me mate e leve os meus filhos se eu estiver mentindo. Eu, por minha vez não jurei. Aprendi com minha mãe que homem que jura, mente, e mulher que jura não tem sentimentos.
Desde então me pus a refletir sobre a justiça divina. E sempre que orava e meditava perguntava a Deus por que ele não atendida o pedido de tais pessoas? Por que a justiça não se fazia? Outrora, pensando melhor, cheguei a conclusão de que a justiça divina não é como nós pensamos, ou pelo menos, como a maioria de nós pensamos. Do nada comecei pensar no meu tempo vivido. 38 anos dentro de tantos milhares de existência do Universo, aos olhos de um ser infinito. Foi então que pensei que a história da minha vida feita de 38 anos não poderia ser considerada apenas assim. Lembrei que os seis anos da vida de minha filha, ( que faz aniversário um dia depois do meu) são sempre contados , como sete anos, afinal, sempre conto o tempo da gravidez, e o tempo que levei para convencer a mãe a casar comigo. Percebi então, que tudo era uma questão de perspectiva.
Comecei a pensar então como funciona na mente dos avós, a idade dos netos; certamente, é outra perspectiva. Foi então que veio a mente a questão do tempo e as leituras sobre o mesmo feito ao longo da vida. Na história, há basicamente dois modos/métodos de se tratar o tempo: o que eles chamam de tempo de curta duração e o tempo de longa duração. No primeiro resumidamente, tem se a tendência de ver os fatos com início meio e fim próximo do que é chamado de pico dos acontecimentos; no segundo, as razões são sempre buscadas em um tempo histórico mais longos, vendo neles as causas, das quais os acontecimentos atuais são os efeitos. Do primeiro, não me lembro agora de nenhum representante, do segundo, lembro-me de Ferdinand Braudel.
Como se não bastasse, minha mente devaneou ainda mais e comecei a pensar no processo da reencarnação. Bom, se os acontecimentos da vida tem sempre como causas, ou pelo menos os mais importantes, em um processo de longa duração a idéia da reencarnação torna-se plausível para explicar algumas tragédias sofridas pelas pessoas e que geralmente não se consegue ver as causas. Ora, pois, bramia meus neurônios – imagina que daqui a 100 anos a mãe que odernou que seus filhos morressem se eles estivesse mentindo ( e ela estava), reencarnasse, tivesse filhos lindos, e um dia do nada um carro explode e mata todos os filhos motivo e razão da existência dela. E como vemos, em muitas histórias de nossos dias, esta mãe começasse a gritar “ meu deus, meu deus, o que eu fiz pra merecer tamanha tragédia?” – no tempo de longa duração aliado ao processo de reencarnação estaria a explicação pedida: ela mesma definiu como seu castigo pela sua mentira a perda dos filhos queridos.
Foi então que percebi que a justiça divina não pode obedecer mesmo a idéia do tempo de curta duração. Uma vida é pouco tempo demais para se resolver qualquer coisa, e o que pensamos que são injustiças na verdade são apenas causas, ou efeitos plasmados em um tempo de longa duração. Olhar a vida deste modo, torna tudo mais fácil. Eu chamo de olhar a vida em perspectiva. Os incautos e ignorantes vivem a determinar causas para efeitos futuros nas suas vidas, outros já percebem que nada passa ao largo das leis da natureza universal ou da natureza do Multiverso.
Quando criança ganhei o livro “ O gerente minuto”. Nele aprendi que o maior patrimônio que recebemos de Deus é o tempo, e através dele podemos conquistar o que quisermos. Foi desde então que tive a idéia de usar a data do meu aniversário para refletir sobre como tenho usado meu tempo na vida. Agora, aprendi mais, muito mais que saber usar o tempo é preciso compreender como o tempo age diante de nossas ações ou como nossas ações agem em nossa vida ao longo do tempo. Palavras e ações são as grandes armas que nos leva a construir ou destruir o nosso patrimônio precioso, mas que se acrescente os pensamentos, pois são nos pensamentos que nascem as causas de nossas palavras e ações. Agora, pois, quando pensar que a vida está sendo injusta com você, coloque em perspectiva e se pergunte, o que tem feito com o seu tempo presente, afinal, é nele que se constrói o mais distante futuro.

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