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terça-feira, 27 de março de 2012

A queda do último moralista: Ascensão e queda de Demóstenes Torres



Nelson Soares dos Santos

Conheci Demóstenes Torres quando deixou de ser promotor e tornou-se Secretário de Segurança. Dizem que antes de se tornar promotor foi militante do PCB – antigo partidão. Na Secretaria de Segurança Pública foi o Xerife durão, e durante sua estada foi quando a Rotam mais foi louvada. É verdade que o crime diminui na primeira gestão do Governador e eu, na época, dirigente estadual do PC do B, até o admirava. Tudo começou a ficar estranho quando de uma hora para outra, o promotor secretário aproveitou com oportunismo impressionante, um vácuo político e foi eleito, na sombra do Governador Marconi, Senador por Goiás.
No seu primeiro ano de Senado, tive a oportunidade de ouvir o Senador  pela primeira vez. Ele foi fazer uma palestra na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas de Goiatuba, cidade, onde por acaso mora o sogro do seu primeiro suplente atual. Na palestra, que deveria ser sobre direito constitucional, o senador desancou o PT, e tudo que não era de direita. Atacou as cotas e chamou negros de preguiçosos. Desde então, passei a conhecê-lo como o senador de direita que era contra tudo que significasse busca de igualdade social. Passei a sentir vergonha quando diziam que ele era senador por goiás, e a culpar Marconi por ter criado verdadeiros monstros em seu primeiro Governo.
Como se não bastasse o Senador resolveu romper com seu criador e ser candidato a Governador. Naquela época, votei novamente no PMDB. Não dormiria em paz se votasse no Cidinho, ( candidato do Marconi), ou no Demóstenes ( candidato do demo). Felizmente, o demo não ganhou as eleições, e como a vida dá voltas que a gente não imagina, e a política mais ainda, no retorno de Marconi eis que o Demóstenes volta a apoiar Marconi. No segundo Turno fui acompanhar uma carreata em que estava os três senadores, e quando vi o Demóstenes acenando para o povo, comentei: este não vai durar na política, por que é visível que não gosta de estar ao lado do povo. Para minha surpresa o nome do homem cresceu e se transformou em candidato a presidente da república. Eu, no meu silêncio, questionava: por que homens maus e corruptos se dão bem enquanto tantos trabalhadores sofrem?
O Senador era um homem deus. Condenava as cotas por que dividia a nação e favorecia aos preguiçosos, na verdade, condenava tudo que representasse conquistas dos direitos humanos. Corria-se a boca miúda na cidade de Goiatuba que o seu suplente bancaria a campanha e que ele renunciaria para ser candidato a prefeito de Goiânia, quase, que de fato a rádio corredor tinha razão. A cidade de Goiatuba é uma cidade cheia de desmandos,  e se você quer ouvir tudo que acontece de ruim  vai a Goiatuba. Lá ouvi coisa que até o diabo tem vergonha de falar em voz alta. Quando se falava na cidade que o Demóstenes era o novo paladino da moral, pessoas simples davam risadas e murmurava: quero ver até quando.
No final, parece que os informantes de beira de bar da cidade de Goiatuba não estavam errados. A operação da PF que parece conspurcar a honra do senador – último paladino da ética e da moral – liga-o ao homem que roubou a esposa do seu primeiro suplente. Mas não é apenas isso, o que se diz, a boca miúda é que se a Operação da PF tiver tido mesmo sucesso não sobrará nenhum político com mandato em Goiás que não esteja envolvido, e isso se ouve de pessoas que foram assessores de longos anos de políticos graúdos no Estado. A verdade e pelo que já consta, já tem pessoas dos principais partidos envolvidos, até mesmo, e quem diria, Elias Vaz, do PSOL. Todos agora seguem o ritual da queda anunciada. No primeiro momento dizem-se inocentes e recebem apoio dos seus colegas; no segundo momento ( quando aparece mais coisas), dizem-se vítimas e afirma que vai provar a inocência; no terceiro momento, esbravejam, gritam e afirmam, que se cair, meio mundo cairá junto; No quarto momento, começam o processo de renúncia dos mandatos para não serem caçados. E, finalmente, desaparecem no ostracismos político. E assim, segue a nação entre o moralismo e o realismo político. Enquanto isso, milhares passam fome, professores recebem um piso de 1460.00, outros milhares morrem nos hospitais por falta de tratamento adequado. 

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