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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Da responsabilidade de Governar e ser Governo sem Tolerar a Corrupção – O PPS no governo Marconi



Nelson Soares dos Santos

                                                             
Duvido que exista alguém com sã consciência que não tenha ainda percebido a gravidade das relações dos políticos goianos com o Empresário e acusado de Contravenção Carlos Cachoeira. Na melhor das hipóteses houve uma grande confusão entre o público e o privado com prejuízos imensos para os homens simples do povo, os trabalhadores, aqueles que realmente representam a maioria da sociedade goiana e brasileira. E neste sentido, que é preciso que dirigentes políticos e partidários assumam a responsabilidade de conduzir a sociedade para dias melhores, sem hipocrisias, sem máscaras, afinal, o episódio Demóstenes já representa hipocrisia suficente.
O PPS é um partido que por ora, querendo ou não, alguns, que por acaso representa praticamente a maioria do partido em Goiás, faz parte do Governo Marconi, que tem como secretário de Cultura Gilvane Felipe, filiado e membro do Diretório Regional do Partido. E por isso mesmo, que o partido deixa passar o tempo de se posicionar de forma clara perante a sociedade sobre o escândalo Monte Carlo e as ligações do Governador com  o suposto esquema montado pelo empresário Carlos Cachoeira. O Grande problema é que a maioria do partido não se sente representada no Governo, nem se sente parte do Governo Marconi, uma vez, que o próprio Gilvane Felipe alardeava que sua nomeação como Secretário não adveio da representatividade do partido, e sim, de sua amizade com o Governador. Fora Gilvane e seu pequeno grupo político dentro o PPS, desconhe-se outros quadros partidários a serviço do Governo Marconi e do povo de Goiás, apesar, de que o partido tenha tido mais de 100 mil votos para deputado estadual, grande parte deles de legenda.
Malgrado tal situação, O PPS tem uma responsabilidade para com o povo goiano, não apenas pelo que já representeou na história de Goiás, mas, e sobretudo pelo que ainda vamos representar. O PPS tem a responsabilidade de cuidar para que o tratamento dado pela mídia ao escãdalo não distancie ainda mais, o povo e o eleitor do exercício do voto e da política. A hora é, justamente, dos novos quadros se apresentarem para sociedade indicando um novo rumo, e dias melhores para o nosso povo. É por isso que creio, que mesmo aceitando que o cargo ou a secretaria de Cultura do Estado torne o PPS parte do Governo, não podemos nos furtar de unirmos ao povo e exigir completa apuração de todos os desgovernos representados pelas notícias e divulgações já apresentadas na Operação Monte Carlo. Se é verdade que o Governador não teme a investigação e está mesmo disposto a temer, não pode ser o PPS a se negar a ficar ao lado do povo, conscientizando, mostrando a verdade, e lutando para que a verdade apareça em toda a sua força.
Os dirigentes e líderes do PPS de Goiás precisam se levantar na luta contra a corrupção. No entanto, não é apenas contra a corrupção que é preciso lutar, são muitas as outras frentes as quais exigem participação. A violência contra a mulher, a prostituição infantil,  a (in) segurança pública, o transporte coletivo nas grandes cidades, a saúde, e, a Educação, que no caso do Estado de Goiás, está muito aquém daquilo que o PPS defende como caminho para uma revolução educacional. Um governo que não se coloca ao lado do aprofundamento da democracia, que não investe na valorização do educador, não precisa  e não deve receber o apoio do PPS. E, neste caso, mesmo que o cargo de Secretário de Estado seja do PPS, é preciso pensar coletivamente se não é o caso de deixar o governo e seguir um caminho que coloque o partido mais perto do povo goiano.
Pela cultura que tem o PPS, o mínimo que se tem que fazer é proceder uma reunião da executiva estadual do partido, discutir o caos apresentado pela Operação Monte Carlo, e reinvidicar do Governador audiência para ouvir de forma leal e serena, do próprio governador o que ele tem a dizer das notícias veiculadas na mídia.  E então, posicionar-se publicamente perante a sociedade, pensando com tranquilidade nos caminhos necessários para enfrentar a atual conjuntura sem descurar da luta por uma sociedade justa e pelo bem comum. Do contrário, o PPS não será mais que um partido a mais, fisiológico, corrupto e com dizem, o partido da boquinha. 




Nelson Soares dos Santos é Secretário de Formação Política da Direção Estadual do PPS em Goiás, e Diretor Geral da Fundação Astrogildo Pereira em Goiás.

Encontro de Formação Política de Morrinhos: O PPS Trilhando novos caminhos.



Como parte do esforço da atual direção do PPS no Estado de Goiás, de reconstruir a identidade do partido no Estado, foi realizado na cidade de Morrinhos mais um encontro regional de lideranças do partido. Estiveram presentes o Presidente Demilson Lima, o membro da Coordenação Provisória de Goiânia Ricardo Tavares, a Diretora Financeira da FAP – Goiás, Noemi Vasconcelos,  o Tesoureiro da Direção Estadual do Partido, João Dias Campos, e, o Diretor Geral da FAP e Secretário de Formação Política Prof. Nelson Soares dos Santos.
Estiveram presentes na abertura o deputado Estadual Evandro Magal , Pré -candidato a prefeito de Caldas Novas, e, Rogério Troncoso, pré-candidato a prefeito de Morrinhos. Do PPS Regional, estavam representados os diretórios de Pires do Rio, Caldas Novas, Rio Quente e Morrinhos. Os presentes aprovaram a ideia dos encontros regionais e a necessidade de se discutir politicamente o estado por regiões como meio de construir alternativas políticas representativas e produzir novos quadros dentro de uma nova cultura política.
O presidente Demilson Lima, destacou em sua fala a necessidade de se encarar a política de forma séria, profissionalizada e sem espontaneísmo. O planejamento minucioso das ações é uma forma de evitar futuros constrangimentos e aperfeiçoar a prática política dos nossos quadros. O Secretário de Formação Política, destacou a necessidade dos pré-candidatos a vereadores, desde já, tomarem consciência do papel do partido na vida política, da necessidade de organização do partido no munícipio, de uma política de planejamento orientada pelas políticas públicas defendidas pelo partido, e, sobretudo da importância de se lutar para aproximar o partido da sociedade civil organizada.
Tentando sempre mostrar a importância da fidelidade partidária, foram distribuídos material formativo a todos os presentes, e em breve, será envidado Estatutos do Partido para todos os dirigentes regionais e  municipais, com  objetivo de conscientizar os filiados, millitantes e simpatizantes da importância da organização partidária, uma vez que por lei, os mandatos não são mais dos mandatários e sim dos partidos pelos quais os mesmos se elegeram.
O próximo encontro de Formação Política do PPS, será na cidade de Nerópolis, nesta sexta feira, dia 04, das 19 às 22 horas, na câmara municipal, onde será realizada uma palestra sobre planejamento estratégico de campanha e o papelo do vereador. E no Sábado será realizado mais um encontro regional, na cidade de Uruação das nove ás 16 horas.  

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Por que Precisamos de Educação?




Nelson Soares dos Santos

Os últimos acontecimentos envolvendo políticos, empresários e gente de toda espécie, mas do que nos indignar, deve-nos levar a pensar sobre os valores morais da sociedade brasileira, pois em nenhum lugar do mundo ou da história um país se tornou grande e poderoso sem ter no seu cerne alguns princípios basilares, ou, no pelo menos um sonho de uma sociedade justa. Foi assim no Egito Antigo, na Caldéia, na Pérsia, Grécia, Roma, o Reino Inglês com a lenda da Távola Redonda, e, mas recente, os Estados Unidos da América, fundada em um sonho de liberdade.
No caso brasileiro, todos já sabemos que o nascimento do que se chama hoje, nação brasileira se deu de forma diferente. Degredados em busca de riquezas, e que sonhavam, uma vez ricos voltar a pátria mãe; escravos trazidos a força da África; índios subjugados e doutrinados. No momento, quando se vê, negros se aquilombando novamente, índios invadindo terras no nordeste; e a sucessão de roubalheira envolvendo políticos, empresários, e toda espécie de gente, parece que estamos vivendo um pesadelo que quer nos levar ao passado, como se houvesse uma força querendo nos fazer viver de novo ao avesso aquilo que já foi vivido.
O que faltou na construção do ideário da nação brasileira foram valores morais. Desde o seu princípio, liberdade, igualdade, fraternidade e todos os demais valores que os acompanham não foram por aqui, senão palavras pronunciadas por poucos e vividas por menos gente ainda. Falava-se de liberdade em um país que retirava a força de trabalho por meio da escravidão, não dando direito as negros, sequer, de serem tratados como gente. Falava-se de igualdade e tratava índios e negros como bichos, e, mesmos os imigrantes que aqui não logravam cair nas graças dos governantes eram tratados como escória a ser explorada. Não foi por acaso que por aqui houveram tantas revoluções nativistas como a mais famosa – Guerra dos Farrapos, todas tratadas como rebeliões contra a ordem e o progresso que até hoje tarda chegar para a grande maioria do povo brasileiro.
A democracia, esta vilipendiada e tratada como prostituta, por aqui nunca foi reconhecida. Os negros, só vieram a ter liberdade em 1888, e, assim mesmo, foram jogados ao vento, deixados a própria sorte, sem alimento, sem escola, e sem possibilidade nenhuma de futuro, pois não tiveram nenhum tipo de apoio do estado. As mulheres, só vieram ter o direito ao voto no governo ditatorial de Getúlio Vargas, o mesmo que tentou melhorar a vida dos trabalhadores. Democracia mesmo, não creio que já tivemos, ou mesmo que no momento temos, pois como pode existir democracia em um país com tanta gente vivendo na miséria? Enquanto a nossa democracia se assentar na ignorância do povo, e na compra do voto teremos cachoeira, sanguessugas, mensalões e todas as demais formas de corrupção.
Urge, enfrentarmos o verdadeiro problema da sociedade brasileira. Precisamos de princípios morais. Precisamos de virtudes morais. E não se trata de moralismo abstrato, trata-se de necessidade política de preservação e fortalecimento do Estado Brasileiro. E como teremos isso? Investindo em Educação. Sobretudo a Educação Básica humanista, gratuita e para todos. Precisamos de educação que devolva a humanidade retirada pela alienação do consumismo, a maquinização do ser humano. Precisamos de uma educação que nos torne conscientes da necessidade de uma ecologia planetária, universal. E só conseguiremos isso, invertendo imediatamente a prioridade dos recursos públicos, investindo um mínimo de 10% do PIB em Educação, revendo o Pacto Federativo, e promovendo todas as mudanças necessárias a uma valorização real do educador; e, propiciando acesso de todas as classes sociais a uma educação humanista que tenha nela um projeto de sociedade.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Operação Monte Carlo, Marconi Perillo e a Credibilidade do Estado Democrático de Direito



Nelson Soares dos Santos



Este artigo não se trata de atacar ou defender Marconi Perillo ou quem quer que seja. A intenção é fazer uma reflexão sobre o Estado democrático de Direito. Penso que nesta história toda há uma vítima sendo atacada diuturnamente e sem defensores. Esta vítima é o Estado Democrático de Direito, e, a Democracia. Por tabela, ataca-se a República Federativa do Brasil ( O Estado Brasileiro), e arranha a auto-estima do Brasileiro. A grandiosidade da contravenção no Brasil, fica escancarada; e, se comprovada a influência e envolvimento direto da Delta Construtora, fica ainda mais complexa a situação. No final, poderá contar mais de dez estados brasileiros onde a organização criminosa pôs os seus tentáculos, além, claro das vultosas verbas da União.

A Operação Monte Carlo, Marconi e os Assessores Puxa-sacos.

Não se pode negar, quem tem um mínimo de compromisso com a verdade, que Carlos Cachoeira teve ( ou ainda tem), influência sobre o governo de Goiás, chefiado por Marconi Perillo. Somente aqueles que vivem dependurados e dependentes de um salário vindo do governo são capazes de negar tal fato. As demissões que já ocorreram ( a pedido, da Chefe de Gabinete, Presidente do Detran), e, as escutas que mostram as nomeações feitas na Secretaria da Educação, são fatos no mínimos estranhos e que devem ser elucidados. A investigação precisa ser profunda, afinal o assunto é sério. Ora, veja, a questão dos prédios da china. Pode ser só uma mera coincidência, mas precisa ser investigado. É preciso perguntar se tais projetos existem, ou existiram, e o Governo precisa se explicar.
O Governador Marconi tem o dever de fazer uma profunda limpeza no Governo. Querendo mesmo mostrar que não é conivente com as situações já apresentadas, precisa demitir todos os citados na Operação. Não é mais tempo de meias medidas e meias palavras. Ou se investiga com profundidade ou passa-se uma mensagem de que existe conivência com a situação. Os tentáculos da Organização precisam ser extirpados do seio do Estado. Ao fazer isso, Marconi não estará protegendo a si mesmo, ou ao seu governo, mas sim, ao Estado, a Credibilidade da Máquina Pública e da própria democracia.
Talvez, o grande problema de Marconi, seja mesmo os assessores puxa-sacos. Estes também devem ser extirpados da máquina do Estado. Neste sábado, vi um Assessor anunciar que só havia umas 500 pessoas na manifestação na praça pública. O infeliz, nem percebeu a infelicidade da fala, afinal, 500 pessoas é muita gente para uma primeira manifestação, mas o que é pior, é que naquele momento já se tinha informações de que a manifestação na praça passava de cinco mil pessoas. Imagine agora, o Governador ouvindo análises e opiniões de um tal assessor, que tipo de decisão pode-se esperar do Governador? O Governador tem errado por que parte dos seus secretários já deveriam ter sido demitidos, ou por incompetência técnica, ou por falta de compromisso político. No caso da Educação falta ambas.
Estes tipos de assessores, secretários, deputados na base aliada não ajuda ao bom governo. Um exemplo clássico foi a aprovação do Pacto pela Educação. Imagina que não teve um deputado da base aliada que teve coragem de se rebelar para ser ouvido. Não houve seque um com coragem suficiente para dizer ao Governador o buraco que era o tal plano, e a ilegalidade que se estava cometendo. A razão, medo de perder poder de nomeação. Todos aceitaram sem pestanejar, votaram sem ler ou questionar, por que era um projeto vindo do Executivo. Outro fato recente, ilustra a questão. Alguns assessores inventaram uma manifestação pró-marconi, e, o próprio Governador teve de vir a público ordenar a não realização. Ou seja, não existe assessores capazes de olhar a política, ler a conjuntura, ouvir e compreender os movimentos da sociedade.

A corrupção na Esfera do Estado.

Uma coisa é certa. A corrupção na esfera do Estado não foi invenção de Carlos Augusto Ramos e de Demóstenes Torres. Ela existe, e já existia mesmo nos tempos da ditadura militar. Desvios de verbas, licitações viciadas, sentenças compradas no judiciário não é novidade no Brasil. O que é novidade foi a capacidade que teve o Bicheiro de envolver tantos homens públicos em suas tramas.
No ministério Público e na magistratura, eu mesmo já vivi experiências pessoais de como o poder, o dinheiro e a influência pode fazer com que um juiz não dê uma sentença. Um mandado de Segurança contra a Prefeitura de Goiatuba durou dois anos para ser julgado, e só o foi, quando o juiz da comarca foi aposentado e outro juiz foi designado para substitui-lo. E mesmo tendo ganho a ação no Tribunal de Justiça, até hoje a sentença não foi cumprida, e eu? Bem, continuo com os prejuízos que tal situação causou.
No Nordeste Goiano, onde recentemente um promotor foi vítima de um atentado, são décadas de desmandos. O Crime que ceifou a vida do Ex-Prefeito de Monte Alegre Zé da Covanca, nunca foi elucidado e os criminosos nunca foram punidos, estão soltos e levando a boa vida. Promotores e Juízes no Nordeste Goiano sempre viveram com medo, ou de alguma forma, amarrados diante das dificuldades de se aplicar a lei. Em 2006/2007, apenas por tentar conscientizar empregadas domésticas a trabalharem de carteira assinada ouvi ameaças patentes de quem não quer ver a Justiça chegar naqueles rincões.
Promotores e Juízes corruptos sempre existiram. Que o digam Arizon Aires Cirineu que perdeu diversas eleições sem compreender como. Já houve casos sobre as eleições de Divinópolis, que o avião com as urnas voavam de São Domingos com um resultado e eram publicados no Tribunal em Goiânia outro resultado. Fico pensando como os votos aumentavam, no caso da parte perdedora, durante o voo. Tais perguntas nunca tiveram respostas. E todo mundo tem medo, mesmo de comentar. Nos encontros de esquinas, bares nos fins de semana, pode-se ouvir tais histórias, e as pessoas contam com o silêncio ensurdecedor do medo que ronda a sociedade civil.
No serviço público do estado, a situação é ainda mais grave. Poderia citar inúmeros casos de demissão por abandono de cargo, e, que na verdade, o individuo foi posto de lado, em uma salinha, até desistir do emprego. Motivo? Fez uma crítica, ameaçou denunciar, quis que a situação não fosse tão negra quanto os olhos viam. A situação é tão crítica quanto é mentirosa as manifestações de decepção em relação a Demóstenes Torres. Antes, todo mundo acreditava na inocência do Senador, agora, existe uma fila de ingênuos enganados. Tudo indica que os tais e maiores decepcionados são os mesmos que faziam fila na porta do agora execrado senador para pedir alguma coisa, uso de tráfico de influência, nomeações, etc. E pasmem tem gente que procura até forma de retirar multa de trânsito corretamente aplicada. Carlos Augustos Ramos, e Demóstenes Torres é produto da sociedade que vivemos, e possivelmente como disse o Procurador Hélio Telho, pode existir outros cachoeiras por ai, e eu acrescento – deve existir mais Demóstenes, mais Vladimir Garcês, e tantos outros atores e situações assemelhadas.

A estrutura da Sociedade e a Democracia Representativa.

Vivemos em um mundo que pode ser descrito em uma estrutura triangular – O mercado, o Estado e a Sociedade sendo as três pontas deste triângulo. Quando se olha, de soslaio, parece que a corrupção nasceu na sociedade civil e se alastrou na estrutura do Estado. As análises que se fazem na mídia, tudo parece levar a compreender que o Mercado nada tem a ver com o processo que ocorre. Entretanto, e na verdade, é mesmo as relações de mercado e portanto de consumo de mercadorias o nascedouro das corrupção, talvez, por este lado, se compreenda que uma das pessoas envolvidas e presas na operação tenha usado o dinheiro sujo para nada mais, nada menos, que fazer uma cirurgia plástica.
Outro exemplo que mostra e explica tal situação é o alarmante alcance dos tentáculos da Organização Criminosa. Até o momento, além de Goiás, já se pode ver estragos no DF, Tocantins e Mato Grosso, além do fato da Construtora Delta ter contratos milionários, inclusive com o Governo Federal. Conta-se ainda que os tentáculos absorvem governantes de todos os partidos, o que mostra que para além da questão ideológica, a situação diz respeito a forma como se estrutura toda a sociedade. Neste, sentido, é preciso repensar qual deve ser o papel e o peso do Estado e do Mercado sobre a Sociedade civil. Quando o Mercado se torna muito poderoso, a única coisa que importa é ter dinheiro ou ser dono dos meios de produção. É quase isso que acontece quando se diz que na cidade de Anápolis e entre a alta Roda do Estado de Goiás, todos sabiam que o Carlos Augusto era contraventor, mas, ao mesmo tempo a grande maioria queriam estar com ele, mesmo sabendo que não era um homem virtuoso, ou seja, não importa de onde vem o dinheiro o que importa é que  se tem dinheiro.
Para uma democracia representativa, quando representantes do povo são eleitos baseado no tanto que gastam para conseguir a eleição, algo está errado. E o que se vê é que se for levar a sério, nenhum candidato eleito consegue recuperar pelo salário o que se gasta em uma campanha eleitoral. Ora, se alguém paga, alguém vai querer recuperar tal dinheiro. Não é difícil ver onde nasce a corrupção. Eleitor que vende o voto, político que se vende para conseguir dinheiro para a campanha, empresário corrupto que utiliza da situação para se enriquecer as custas do Estado. Está montado todo circulo vicioso que só será destruído com uma profunda reforma política, financiamento público de campanha e aumento da consciência política do povo brasileiro.

O Grande risco de nossa democracia.

Tudo isso posto, não fica difícil concluir que o que está em risco não é o governo de Siqueira Campos no Tocantins, ou o Governo Marconi em Goiás, ou Agnelo no DF, ou mesmo Dilma, enquanto presidente do Brasil. O que começa a estar em risco é o estado democrático de direito. O Mercado avançou sobre o Estado, e em sua forma mais dura, de guerra, de saques, de roubo, transformou as estruturas do Estado em meios de se aumentar o lucro. Pessoas que não tem coragem de trabalhar para conseguir o próprio sustento colocam-se como defensores de uma situação indefensável, onde a única lógica e manter uma elite que já não possui mais nenhum limite para manter os confortos e prazeres animalescos da vida.
Por trás destas mesma lógica está a prostituição infantil, a violência nos lares, o tráfico humano, as drogas e o tráfico de drogas e todo mal que tudo isso ocasiona a sociedade. Como não existem limites para o mercado as leis da sociedade - as quais se fundam nas virtudes – perdem o valor e ser desonesto, quebrar as leis, desrespeitar a vida passa ser a regra, desde que se consiga alcançar alguma vantagem e juntar algum dinheiro. O que é mais triste é que nenhum país torna-se desenvolvida por meio desta lógica. Os que, na história, seguiram esta lógica, se fragmentaram e acabaram vendo seu povo em guerras civis intermináveis.
O que precisamos agora é fugir das falácias e das tautologias. Urge que surjam vozes a gritar em todas as esferas, da política, do estado, da sociedade civil. E que os gritos sejam ouvidos. Existem sim juízes corruptos o que não significa que toda a justiça seja corrupta. Existem promotores, procuradores, desembargadores corruptos, o que não quer dizer que todos sejam corruptos. Existem políticos corruptos, o que não quer dizer que todos os políticos e a política em si, seja arte da corrupção. É preciso, mais do que nunca na história deste país, lutar contra o distanciamento do povo da política, e mais ainda, o desinteresse do povo pelo exercício da cidadania. É chegada a hora de defender não este ou aquele governador, mas a liberdade, a democracia, o Estado democrático de Direito.


Agradecimentos. Família Zé da Covanca.

Vejam a carta que recebi hoje. Digo a toda a família do Zé da Covanca, que assim como ele foi justo e me ajudou, eu farei de tudo para que os criminosos que tiraram a vida dele paguem pelo crime.


Sr. Nelson Soares,

Aqui quem escreve é Karina Furtado, sobrinha do ex- Prefeito de Monte Alegre,  José da Silva Almeida  - Zé da Covanca.
Somente hoje, encontrei um post, escrito por você no dia 21/02/2011, onde o meu tio foi citado e repassei para toda família. E em nome da família, gostaria de agradecer as palavras e o carinho que demonstrou ao citar meu tio em seu blog. 
É muito triste saber que mesmo após 13 anos do ocorrido, até o momento o caso não teve nenhum desfecho. Os assassinos continuam soltos como se nada tivesse acontecido.
 Na ocasião da morte do José, brutalmente assassinado por pistoleiros, o Secretário de Segurança da época era exatamento o hoje Senador Demóstenes Torres que agora está em desgraça, por suas ações e comportamento de PARECER UMA COISA E FAZER EXATAMENTE OUTRA. ESSE É UM TRAÇO DE SUA PERSONALIDADE, SÓ AGORA DESCOBERTO EM VIRTUDE DESSE ESCÂNDALO DO CARLINHOS CACHOEIRA.
 
Na época, ficamos todos esperançosos que ele, sendo Secretário de Segurança do Governo Marconi Perilo e vindo da condição de Promotor de Justiça, faria a sua parte e o caso do José teria emfim um desfecho com JUSTIÇA.
 
Foi exatamente o contrário. Talvez uma das maires demonstrações de acobertamento político dos verdadeiros culpados. O caso não foi adiante e o mandante não foi julgado e está solto até hoje.
 
Um verdadeiro absurdo que mostra claramente que é o Senador Demóstenes Torres. Como DEUS cobra a fatura aqui mesmo na terra, agora ele está começando a pagar por tudo de ruim que fez em sua vida profissional e política. Não desejo o mal de ninguém mas, o Senador está pagando pelo seus próprios erros. Simples assim.

Quero mais uma vez agradecer em nome de toda família do José da Silva Almeida.

Um forte abraço,



--
Karina Furtado

domingo, 15 de abril de 2012

Encontro Estadual de Formação Política dos pré-candidatos do PPS




Nelson Soares dos Santos

Aconteceu neste sábado o primeiro encontro de dirigentes e pré-candidatos do PPS Goiano. Estiveram presentes mais de 200 pessoas, sendo 30 pré-candidatos a prefeitos, e pré-candidatos a vereador de mais de 100 cidades goianas. O encontro teve início as 10 horas da manha, e contou com a presença de representantes de diversos partidos na abertura sendo: Fernando Henrique, dirigente do PHS; Dário Paiva, PSL, Paulo de Jesus PSDB, e Deputado Elias Júnior, PMN.
O presidente do PSL, Dário Paiva manifestou seu desejo de ver O Presidente do PPS, Demilson Lima continuar como vice-prefeito na cidade de Rio Verde, hipotecando o apoio do seu partido a este projeto. Paulo de Jesus ( PSDB) lembrou da necessidade dos partidos da base aliada agir de forma racional, lembrando os adversários comuns e trabalhar para obter o maior número de vitórias para a base aliada. “ Onde tivermos candidatos nos quias o PPS estiver com mais chances de vitórias, o racional é o PSDB apoiar o PPS, e, esperamos o mesmo para que possamos vencer no maior número de cidades”, disse ele. O presidente do PMN, Elias Júnior lembrou os trabalhos e projetos conjuntos que estão sendo buscados pelo PPS e PMN no cenário nacional e, a responsabilidade que tem ambos de dar ao consequência ao mesmo projeto em goiás, agindo como partidos irmãos e se coligando no maior número de cidades que for possível.
O Diretor Geral da Fundação Astrogildo Pereira em Goiás, Prof. Nelson Soares dos Santos, lembrou que o encontro tinha como principal objetivo a formação política, pois somente através da formação é possível descobrir e lançar novos quadros, fortalecer o partido, e participar com qualidade das lutas eleitorais. O presidente do PPS, Demilson Lima, lembrou a todos os presentes que o PPS lutará para lançar candidatos no maior número de cidades possível, pois não existe indústria sem linha de produção, e, todo time que quer ter torcida grande precisa ter a coragem de colocar o time em campo.
Esteve presente, Claudio Aguiar da Direção Nacional que falou aos candidatos sobre o papel do prefeito e dos vereadores no processo de construção de uma agenda social, e, as relações existentes entre os mandatários eleitos e o partido. Na parte da tarde, o encontro recebeu, ainda, a visita do Chefe da Casa Civil Vilmar Rocha, que falou da importância da formação política, da Fundação do Partido e do papel dos candidatos no processo de recuperação da credibilidade da política junto a população. Para ele, diante de tantos escândalos que ronda a política seria mais fácil cada um que milita na vida política deixar tudo e cuidar da vida, no entanto, é preciso resistir e reaproximar a sociedade da política, mostrando assim, que os políticos corruptos não são a maioria e que há mesmo uma necessidade de melhorar a qualidade do voto.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Da necessidade de novos caminhos: O papel do PPS na Política de Goiás.




Nelson Soares dos Santos

Escrevi no ano de 2010 uma artigo sobre o Papel do PPS na Política Goiana ( pode ser encontrado aqui http://amigosdosabor.blogspot.com.br/2011/06/o-pps-tem-consciencia-do-seu-papel-no.html . Ali, pela primeira posicionei-me sobre o que o PPS pode contribuir para a construção de um Estado de Goiás mais justo, e tentei, servir de voz para as muitas vozes dos filiados e simpatizantes que são o PPS goiano. Publiquei o artigo no dia 27 de junho de 2011. Muitos dos acontecimentos ocorridos desde então, naquele artigo eram apenas sonhos que se sonhava junto com a militância de todo estado. Hoje, André Almeida e a Vereador Gina, continuam lutado para fortalecer o partido em Anápolis sendo ambos pré-candidatos; em Planaltina Vilma Popular é a melhor alternativa para a cidade, e tantos outros exemplos que podem ser vistos no estado inteiro. O PPS cresceu, está crescendo e crescerá mais, com a consciência de que precisa assumir as responsabilidades que o povo goiano almeja. No momento em que se aproxima o primeiro Encontro Estadual do PPS, após reorganização da FAP ( Fundação Astrogildo Pereira) em Goiás, penso ser o momento de prestar conta de nossas lutas e movimentações.
No mês de outubro foi realizado o Congresso Estadual do PPS, e nele, deixamos de ser apenas suplente do diretório estadual que encerrou o mandato de Gilvane Felipe, e assumimos a responsabilidade junto com a nova direção de cuidar da Formação Política e da Direção Geral da FAP em Goiás. No Mês de novembro participamos do Congresso Nacional do Partido, onde por proposta nossa, foi incluído na Resolução Política do Partido a luta pela Educação. ( a defesa da proposta você encontra aqui. http://www.youtube.com/watch?v=IjOfb3S6ye4&feature=player_embedded ) e, a proposta final aprovada você encontra aqui. ( http://amigosdosabor.blogspot.com.br/2011/12/exertos-da-resolucao-politica-sobre.html ). Assumimos então, a defesa intransigente da melhoria da educação, valorização do professor, luta pela qualidade da escola pública, aumento dos gastos com a educação por meio da mudança da mentalidade sobre o papel da educação pública de qualidade para o desenvolvimento do nosso país.
Na questão ainda, da educação, declaramos solidariedade a luta dos professores goianos pelo pagamento do piso nacional do Magistério e manutenção do plano de carreira por entender, que o estado de goiás, mas que qualquer outro estado, precisa de investir muito em educação, tanto a Educação básica quanto a educação superior. Na questão da UEG – Universidade Estadual de Goiás, temos defendido que ela precisa de autonomia pedagógica, financeira e administrativa, tornando assim um projeto de Estado e não apenas um projeto de Governo.
Na questão da corrupção temos nos posicionado pela necessidade de prudência nos processos investigativos, mas que haja investigação séria, e sejam punidos todos aqueles que praticaram desvios éticos no exercício da Gestão Pública. Neste aspecto, ainda neste semestre, provavelmente no mês de maio faremos o lançamento do Livro “Despesa Pública e Corrupção no Brasil”, do Promotor de Justiça Ruszel Lima Verde Cavalcante , de tão alta qualidade representará uma grande contribuição a luta contra a corrupção em Goiás. Trabalharemos para que o lançamento seja amplamente divulgado junto aos órgãos públicos e privados para que possamos conscientizar nossos jovens da necessidade de mudar os costumes, e, sobretudo, aprender a votar, escolhendo bem os homens públicos para este país.
A Diretoria Geral da FAP ( Fundação Astrogildo Pereira) em Goiás 1, tem se reunido e debatido a situação política de Goiás e do Brasil, e tem estado atenta a construção de estratégias e medidas necessárias para a construção de um partido que consiga atender as reais aspirações do povo goiano. Os novos movimentos sociais, a importância das redes sociais, a defesa da liberdade de expressão no estado e a necessidade do combate cotidiano ao mar de lama que tem assolado o estado com tantos escândalos de corrupção tem estado constantemente em nossas preocupações. A FAP por si mesma, pelo caráter de abertura (três membros da diretoria não são filiados ao partido), tem condições de se ter um olhar lúcido sobre a situação política, ouvir os anseios do povo, e pensar a partir das necessidades do povo.
Outra preocupação, é resgatar a memória política do PPS em Goiás, e da participação da Esquerda goiana na luta pela anistia e pelas diretas Já. Para isso, até o ano de 2013, organizaremos debates, palestras, seminários buscando reunir os intelectuais que trabalham com tais pesquisas no Estado. O projeto “ O PPS Goiano Tem memória”, será lançado no primeiro seminário da Fundação, que deverá ocorrer ainda no primeiro semestre deste ano. Procuraremos ainda, desenvolver um trabalho de formação política voltado para juventude por meio de parcerias com universidades, faculdades e outros órgãos da sociedade civil organizada.
O Encontro Estadual de Lideranças e pré-candidatos do Partido 2 será o ponto de partida, quando a sociedade poderá ver e ouvir as propostas do partido para Goiás. Nele, todos os pré-candidatos assinará o compromisso com a Educação e com o programa “Cidades Sustentáveis”, que será de diversos seminários da FAP, até o final do ano de 2013. Nós, temos a consciência da necessidade de se construir novos caminhos para o Estado de Goiás; consciência de que nossa gente precisa de líderes; e, por isso, desde já, estaremos trabalhando diuturnamente na formação de novas lideranças. Portanto, podemos novamente reafirmar – O PPS tem consciência do seu papel no processo de construção de uma sociedade justa em Goiás, e por isso, em breve, o PPS será um grande partido.

1Diretor Geral – Nelson Soares dos Santos
Diretor Administrativo – André Almeida
Diretora Financeira – Noemi Vasconcelos
Diretora de Eventos – Cristiane Santos
Diretor de Assessoria e Documentação – Ana Souto
2O Encontro Ocorrerá neste Sábado, das nove as 17 horas, no Hotel Biss In, Antigo Hotel Araguaia, ao lado do Diário da Manha.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Operação Monte Carlo: Sinais dos tempos?



Nelson Soares dos Santos


Tenho acompanhando cotidianamente os desdobramentos da Operação Monte Carlo que prendeu o acusado de explorar jogos de azar em Goiás, e de contravenção, Senhor Carlos Ramos Cachoeira. Dos acontecimentos até agora revelados muitos são dignos de reflexão, no entanto, quero tratar de três apenas, como ponto de partida, para que possamos pensar em que sociedade estamos vivendo e que sociedade queremos. A primeira coisa que me deixa espantado, perplexo é a reação de jornalistas, empresários e políticos de todas as matizes; a segunda, é como de fato há um espanto, como se houvesse um real descoberta sobre Demóstenes Torres;e a terceira, é a forma como se lida, os acusadores de um lado, e os defensores de outro.
Já escrevi diversas vezes, neste espaço sobre a imprensa em Goiás. Seja na forma escrita, rádio ou televisão, o que se vê é que não existe jornalismo independente. As coberturas realizadas nas operações existentes mostra isso, vide, Operação Sexto Mandamento, a cobertura sobre o Governo Alcides, dentre outras. O que se vê, e de forma generalizada é uma imprensa que age ao sabor das verbas publicitárias. É claro que para que tal argumento tivesse mais credibilidade era preciso apresentar dados que demandaria trabalho para além do tempo que tenho disponível, no entanto, se acompanharmos apenas as posições dos jornalistas na operação Monte Carlo, pelas postagens na internet, e reportagens nos jornais, não fica difícil perceber a existência de duas torcidas organizadas: uma que defende o PT/PMDB e seus aliados, e, outra, em defesa do Governador Marconi e seus aliados. O problema é que o que se faz cai em um tipo de linguagem quase chula, falácias, tautologias, que envergonharia qualquer professor de curso de Jornalismo. Um exemplo é a disputa que se apresenta, como se o objetivo fosse demonstrar que ambos os lados estão envolvidos no crime, e ao ignorar a possibilidade da existência de um terceiro grupo político no estado, diferente da bipolarização falsamente construída, passa-se uma ideia de que não existe ninguém no estado que não esteja envolvido, direta ou indiretamente com o Crime.
Outra questão é o espanto que se vê nas ruas de gente e mais gente, dizendo, quase envergonhados pois realmente acreditavam no Demóstenes. A maioria dos eleitores de Demóstenes, pelo que pude acompanhar nos últimos dez anos, são pessoas racistas, conservadoras e, as vezes, reacionárias, ou alienados por uma ideologia que não condiz com a realidade em que vivem. Um exemplo, grande parte dos “eleitores envergonhados”, são aqueles mesmos que pagam propina ao guarda, faz gato na energia, subornam faculdades para conseguir diplomas falsos, e tantos outros delitos. Difícil entender que estas pessoas ao condenar Demóstenes, agora, na verdade estão condenando elas mesmas, que também tem um discurso ideológico, o qual não seguem, que radicalizam na separação da vida pública da vida privada, ou seja, aquele que esbraveja nas redes sociais contra a corrupção e na noite de sexta feira vai para o prostíbulo desfrutar prazeres com meninas de 16 anos de idade. No entanto, acreditam que não podem ser condenadas e que ninguém tem o direito de discutir o que fazem na vida privada.
E, por último, a forma como agem acusadores e defensores. Nas redes sociais a impressão que se tem, para um observador, é que reina um desespero geral na sociedade goiana mais esclarecida. Aliado aos discursos de que “Toda pessoa com alguma relevância social, ou os principais quadros políticos de Goiás já tiveram algum contato ou fizeram negócios com o Cachoeira”, instalou-se uma verdadeira verborragia para demonstrar que não existe nenhum quadro político isento de culpa. O desespero é tanto que parece que a mentira é verdade, e que culpado mesmo foi a Polícia Federal e o MP, por terem feito a investigação. O alcance dos tentáculos, que segundo a mídia já chega a quatros estados mais o Distrito Federal, coloca os crimes investigados como se fosse algo moralmente permitido, e de que a saída é legalizar o jogo do bicho com toda as particularidades com que foi tramada pelo Empresário Cachoeira. O que mais se vê são tautologias e falácias de todos os tipos, na tentativa de explicar o vão existente entre o moralismo abstrato e o realismo político banhado de pragmatismo que se instalou no Estado.
Há uma passagem bíblica que fala sobre os finais dos tempos. Nela, diz mais ou menos, de que a justiça se esvairia da face da terra, que o mal pareceria prevalecer. Quando se observa, não só o tamanho dos tentáculos do Empresário bicheiro, e a forma como a sociedade reage, fica a sensação de que estamos vivendo os sinais dos fim dos dias. O poder que deveria cuidar da justiça, usado para espoliar, roubar o mais fraco. Os homens públicos que deveriam agir com prudência e sabedoria, travestidos de mensageiros da anomia social, da contravenção, e da quebra da lei, e, os homens, fingindo que não vêem os próprios atos, imersos em um farisaísmo e hipocrisia infinita. É como se a frase de Rui Barbosa tornasse realidade, e, os homens honestos começassem a sentir vergonha de serem honestos de tanto ver o mal prevalecer. Fala-se de ética e de moral para justificar o autoritarismo, a perseguição, o amordaçamento, o atentado a liberdade de expressão. Fala-se de ética para justificar a desordem, a injustiça, e a exploração do mais fraco. O humanismo se esvai engolido pelo mundo das aparências ficando cada vez mais difícil perceber as reais motivações dos tomadores de decisões. Ser corrupto tornou-se normal, e quase perfil necessário para ser um homem público. É tudo isso que me fez aprender que não é preciso buscar a virtude, é preciso aprender a conviver com o vício sem deixar de ser virtuoso, até que o joio possa ser separado do trigo.