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quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Pablo Neruda – Cem sonetos de amor
Soneto VIII



Se não fosse por que têm cor de lua teus olhos,
de dia com a argila, com trabalho, com fogo,
e aprisionadas tens a agilidade do ar,
se não fosse por que uma semana és de âmbar.

Se não fosse por que és o momento amarelo
em que o outono sobe pelas trepadeiras
e és ainda o pão que a lua fragrante
elabora passeando sua farinha pelo céu.

Oh, bem-amada, eu não te amaria!
Em teu abraço eu abraço o que existe,
a areia, o tempo, a árvore da chuva

e tudo vive para que eu viva:
sem ir tão longe posso ver tudo.
vejo em tua vida todo o vivente.

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