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domingo, 20 de janeiro de 2013

A dengue, a internação involuntária e os políticos


Esta semana, dois assuntos chamaram minha atenção: o primeiro, a epidemia de dengue a vista se espalhando pelo país; a segunda, a questão da internação involuntária de usuários de drogas. Tais questões tem sido tratadas como problema dos políticos quando na verdade é um problema de toda a sociedade.

É bem verdade que um sistema de saúde eficaz diminuiria ambos os  males, no entanto, é preciso ponderar que o cuidado das pessoas com os seus,  e os espaços nos quais vivem é também, se não a melhor, uma boa forma de exercício da cidadania.

No caso da dengue é preciso reconhecer que se cada cidadão cuidasse dos seus espaços ( casas, lotes, etc), ficaria mais fácil o controle das pragas. A dengue para ser vencida precisa de ampla conscientização da sociedade. O trabalho dos político é importante; o trabalho dos servidores públicos da área da saúde é importante, mas a participação cidadã é imprescindível.

Na questão da internação involuntária o mesmo se repete. Se cada família conseguisse cuidar dos seus sobraria bem pouco serviço para o Estado. Em um país onde se tem bolsa para quase tudo é hora de cobrar de cada cidadão a responsabilidade pela própria vida. Acostumamos muito a falar de liberdade e pouco de responsabilidade. Falamos muito de direitos e falamos pouco de deveres.  Tudo isso tem levado a uma busca desenfreada por justiça que na verdade não passa de desejo de torcer a lei para justificas interesses que contradizem a vida em sociedade.

Ainda é tempo de cada um fazer uma boa reflexão sobre o que estamos vivendo. No caso da dengue, basta comprar um bom repelente para usar na sua casa ou em seu lote baldio, destruir tudo que possa juntar água parada e se tornar criadouro do mosquito, se, conscientizar o teu vizinho de fazer o mesmo. No caso das drogas, o começo é uma boa reflexão sobre o sentido da vida. Depois, dedicar a observar e cuidar daqueles que amamos para não deixa-los ter motivos para afundar no mundo sem volta das drogas.

Um país melhor, uma sociedade justa tem de ser construída, tijolo por tijolo. E é juntos que podemos construir, todos juntos.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Filosofa da Mamãe

 
 . Ditados Populares: Quem jura é quem mais mente.

568. Ditados Populares: A instrução é a luz do espírito.

569. Ditados Populares: Um dia da caça, o outro do caçador.

570. Ditados Populares: Quem quer vai, quem não quer manda.

571. Ditados Populares: Com coisas sérias não se brinca

572. Ditados Populares: Depois de fartos, não faltam pratos.

573. Ditados Populares: Burro velho não ganha andadura

574. Ditados Populares: A verdade gera o ódio

575. Ditados Populares: Manda quem pode, obedece quem deve.

576. Ditados Populares: Não há regra sem exceção.

577. Ditados Populares: As aparências iludem.

578. Ditados Populares: Para o bom entendedor meia palavra basta

579. Ditados Populares: Cada um a seu modo

580. Ditados Populares: Quem meu filho beija minha boca adoça

581. Ditados Populares: Por bem fazer mal haver

582. Ditados Populares: Para muito sono toda a cama é boa

583. Ditados Populares: Quando um não quer, dois não discutem.

584. Ditados Populares: Esta vida é dois dias e o Carnaval são três

585. Ditados Populares: Com tempo tudo se cura

586. Ditados Populares: A galinha que canta como galo corta-lhe o gargalo.

587. Ditados Populares: Para quem é, bacalhau basta.

588. Ditados Populares: O homem prevenido vale por dois.

589. Ditados Populares: Quem primeiro se queixa foi quem atirou a ameixa

590. Ditados Populares: Rei morto, rei posto.

591. Ditados Populares: Não há crime sem lei

592. Ditados Populares: Os opostos se unem

593. Ditados Populares: Paga o justo pelo pecador

594. Ditados Populares: Mato tem olhos, paredes tem ouvidos.

595. Ditados Populares: Quem vai à feira perde a cadeira

596. Ditados Populares: Águas passadas não movem moinho.

597. Ditados Populares: Muito se engana quem julga

598. Ditados Populares: Boda molhada, boda abençoada.

599. Ditados Populares: Cão de caça vem de raça.

600. Ditados Populares: Mais vale perder um minuto na vida do que a vida num minuto.

601. Ditados Populares: Uma andorinha só não faz, verão.

602. Ditados Populares: Por uma besta dar um coice não se lhe corta uma perna

603. Ditados Populares: Quem pergunta quer saber

604. Ditados Populares: Quem ama o feio, bonito lhe parece.

605. Ditados Populares: Macaco que muito pula quer chumbo.

606. Ditados Populares: Deus dá a farinha e o diabo fura o saco.

607. Ditados Populares: Vassoura nova é que varre bem

608. Ditados Populares: Quem procura sempre acha, se não um prego, uma tacha.

609. Ditados Populares: Mais vale um gosto na vida que (dez reis|seis vinténs) na algibeira

610. Ditados Populares: Focinho de porco não é tomada.

611. Ditados Populares: Mais vale rico e com saúde do que pobre e doente.

612. Ditados Populares: Quem muito espera desespera

613. Ditados Populares: A ociosidade é mãe de todos os vícios

614. Ditados Populares: Deus dá o frio conforme o cobertor

615. Ditados Populares: O saber não ocupa (espaço|lugar)

616. Ditados Populares: Longe da vista, longe do coração.

617. Ditados Populares: Caiu do cavalo.

618. Ditados Populares: Tudo que não mata engorda

619. Ditados Populares: Os amigos são para as ocasiões

620. Ditados Populares: Touro em pasto alheio é vaca

621. Ditados Populares: Cautela e caldo de galinha nunca fez mal a ninguém

622. Ditados Populares: Camarão que dorme a onda leva.

623. Ditados Populares: A ignorância é o pior de todos os males.

624. Ditados Populares: É de pequeno que se torce o pepino.

625. Ditados Populares: Quando se faz uma panela faz-se um testo para ela

626. Ditados Populares: Briga de marido e mulher, ninguém mete a colher.

627. Ditados Populares: Ovelha negra da família.

628. Ditados Populares: Muito riso pouco sizo.

629. Ditados Populares: No poupar é que está o ganho

630. Ditados Populares: Não te metas no que não te diz respeito

631. Ditados Populares: Ir à lã e ser tosquiado.

632. Ditados Populares: A intenção é que conta.

633. Ditados Populares: Depressa e bem, (há pouco quem|ninguém).

634. Ditados Populares: Casa de esquina, ou morte ou ruína.

635. Ditados Populares: Tal pai, tal filho.

636. Ditados Populares: Para quem sabe ler, pingo é letra.

637. Ditados Populares: Quem dorme com criança acorda molhado

638. Ditados Populares: Quem não chora não mama

639. Ditados Populares: Ninguém nasce sabendo

640. Ditados Populares: Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades.

641. Ditados Populares: Laranja na beira de estrada ou é azeda ou tem marimbondo no pé.

642. Ditados Populares: Falar é prata, calar é ouro.

643. Ditados Populares: Ignorante é aquele que sabe e se faz de tonto.

644. Ditados Populares: Quem nada não se afoga

645. Ditados Populares: A corda sempre arrebenta do lado mais fraco.

646. Ditados Populares: Gente tola e touros: paredes altas.

647. Ditados Populares: Não se deve dar pérolas aos porcos

648. Ditados Populares: Saco vazio não para em pé

649. Ditados Populares: Antes a minha face com fome amarela, que vermelha de vergonha.

650. Ditados Populares: Ao rico não faltes, ao pobre não prometas.

651. Ditados Populares: Para pé torto, só chinelo velho.

652. Ditados Populares: O que os olhos não vêem, o coração não sente.

653. Ditados Populares: As más notícias chegam depressa

654. Ditados Populares: O seu a seu dono

655. Ditados Populares: Mais vale prevenir que remediar

656. Ditados Populares: Não é com vinagre que se apanha moscas.

657. Ditados Populares: Panela que muitos mexem, não toma tempero.

658. Ditados Populares: Quem ama a rosa suporta os espinhos.

659. Ditados Populares: Feliz no jogo, infeliz nos amores.

660. Ditados Populares: Existem pessoas que nascem sorrindo, vivem fingindo e morrem mentindo.

661. Ditados Populares: As palavras (ou a conversa) são como as cerejas, vêm umas atrás das outras.

662. Ditados Populares: Quanto mais depressa mais devagar

663. Ditados Populares: Velhos são os trapos

664. Ditados Populares: O burro acredita em tudo o que lhe dizem.

665. Ditados Populares: Em boca fechada não entra mosca.

666. Ditados Populares: Água e vento são meio sustento

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Os Mandamentos do Amor ( Cristian Bernard)


1.    Aprendamos a nos amar como somos, mas cuidemos para não fazer de nossa pessoa o centro de nossa preocupações;

2.    Se um dia tivermos de escolher entre a neutralidade e o ódio, escolhamos  a neutralidade, pois é melhor não amar do que odiar;

3.    Não busquemos ser queridos por todos, pois quem deseja agradar ao maior número mente para si próprio e se nutre de hipocrisia;

4.    Respeitemos sempre a liberdade alheia, mas oponhamo-nos a todos que a utilizam para escravizar os corpos ou as consciências dos outros;

5.    Sendo a Vida uma expressão do Amor Universal, que a respeitemos em todas as suas formas, vegetais ou animais;

6.    Que a Tolerância guie nossos pensamentos, palavras e ações, mas que ela não seja o pretexto para uma fraqueza que contrarie os nossos ideias;

7.    Não confiemos a outro o que ele seja incapaz de compreender, pois, se nossas confidências não forem bem medidas, farão de nossos irmãos inimigos perigosos;

8.    Todos os dias tentemos fazer aos outros o que gostaríamos que nos fizessem e aceitemos que eles façam por nós o que não soubemos fazer por eles;

9.    Sejamos sinceros e fiéis em nossas amizades, e não esqueçamos jamais um bem que recebemos.

Retirado do Livro "Assim Seja" Editado pela Grande Loja de Língua Portuguesa da Ordem Rosacruz AMORC.  

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A PROSPERIDADE

 
Esta é a meta almejada por muitas pessoas. Ou todas as pessoas??? Quando não se está vivendo um momento de prosperidade é importante algumas reflexões.

1° A prosperidade vem em espiral. Melhor pensar como uma roda: A Roda da Fortuna.

2° Assim, você pode estar em vários ângulos da rotação da roda, ou seja, no auge da prosperidade, no seu momento de declínio, ou no seu momento de ressurgimento.

Pense nas FASES DA LUA: da lua cheia vem a minguante, a nova, a crescente e a cheia novamente.


3º Se você não estiver , no momento, no auge da prosperidade, o que fazer para aguardar a roda girar?

Esta é uma reflexão muito importante. Os árabes ensinam em um provérbio que :"quando um cavalo selado, símbolo da fortuna, passa em sua porta e se você estiver preparado, monte e galope". É o seu momento. Então a resposta a esta pergunta é a PREPARAÇÃO. A palavra chave desta vida é preparação. Preparar-se para a prosperidade e saber curti-la, quando ela chegar.

Outra série de reflexões interessantes:

1-Uma delas é definir o que é prosperidade. Sem esta definição não sabemos A META A ATINGIR e não teremos uma precisa visão do futuro. Se você pensar em prosperidade como riqueza e fama leia estas considerações a seguir:

Ralph Lewis, na revista “O Rosacruz de dezembro de 1981”, ensina que a riqueza não pode ser procurada por si mesma. Deve-se primeiro alcançar distinção em algum t rabalho ou em alguma arte, para que se possa pretender uma recompensa material. Simples, não? Mas verdadeiro. O mesmo se diz da fama. Para alcançar a fama, deve-se primeiro alcançar mérito em alguma atividade. Lutar pela realização de suas metas. Somente podemos atrair o sucesso por aquilo que fizermos de bom e útil para nós e nossa comunidade.

2- Não posso desprezar um conceito muito útil que carrego: um símbolo para a prosperidade.

Para mim prosperidade lembra ÁRVORE DE NATAL e PAPAI NOEL distribuindo presentes, assim como benção, conforto, proteção, recompensa. A família reunida, amigos reunidos, festa, alegria e muita troca de energia.
E você, qual o seu conceito sobre prosperidade? Qual o seu símbolo para prosperidade?

3- A prosperidade é a riqueza plena. De bens materiais, de boas ideias, de amigos, de trabalho, de família, de virtudes, de alegria de viver. Viver concentrado em sua vida, realizando seu s desejos, participando de sua comunidade, vestindo a camisa do seu "time" ( associação cultural ou artística, politica, mística, filantrópica, cientifica ou religiosa).

Outra reflexão sobre prosperidade:

1-Os conflitos humanos acontecem quando um lado da nossa natureza psicológica quer uma coisa e um outro lado, dentro de nós, quer outra coisa.

Exemplo: quando o EGO quer parar de fumar ou beber e uma parte no inconsciente quer continuar bebendo ou fumando. Uma parte quer moderar a quantidade de comida, outra parte quer comer como uma loba faminta.

Existe também conflito, quando o ego quer sucesso, prosperidade e o inconsciente quer viver o papel de coitadinho, vítima infeliz. Em outras palavras, muitos acham que nasceram para o sofrimento e não merecem a prosperidade. Feliz reflexão.
Feliz Reflexão!
Adilson Rodrigues, FRC
Frater Adilson é Médico, Psicanalista, estudante da Psicologia Analítica Junguiana e Diretor de Planejamento e Patrimônio da GLP.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Está tudo podre! E tu ainda sonhas?


Nelson Soares dos Santos

 

Faltava poucas semanas para o natal quando conversava com uma distinta senhora na rede social do Twitter, falávamos sobre o julgamento do mensalão, e, eu tentava adotar uma postura sóbria, serena, sem pré-julgamentos e sobretudo tentando pautar pela ideia de justiça. Afinal, muitos pensadores tem afirmado que o que houve no caso do mensalão foi uma aberração e não uma ideia de justiça. Só pra ficar em apenas um, cito Bresser Pereira, que outrora foi pensador da nossa elite, e que agora, afirma serenamente, que a mesma elite que ele defendeu está perdida e sem rumo.

Do meu ponto de vista, creio que o maior problema do Mensalão foi ter sido julgado sob o clamor popular. Quando há clamor popular dificilmente pode existir justiça, quase sempre e em vez desta, o que vemos é o espírito da Vingança. O emblemático foi, para os pensadores que analisam, os juízes, não terem encontrado amparo legal para condenar os acusados, e então, para justificar as decisões de condenar, buscaram  o fundamento em uma doutrina conhecida entre os especialistas com Teoria do Domínio do Fato. Sem entrar nos meandros da tal teoria, o que resta é que de fato não houveram provas suficientes e cabais, para, de acordo com a Nossa Constituição condenar os acusados. Condenados, não havia por que quebrar o rito de esperar o trânsito em julgado para o cumprimento da sentença. O resultado do imbróglio acabou por fazer com que o Respeitável Ministro Joaquim Barbosa justificasse a não aceitação do pedido imediato de prisão utilizando jurisprudência anterior ao caso. E é aqui que muitos fatos interessantes podem ser analisados.

A primeira questão é que, se levado a sério, o julgamento do mensalão, terá que logo em seguida condenar também o chamado “mensalão mineiro” que pega de cheio metade da oposição; a segunda questão, é que se criaria uma jurisprudência na qual toda vez que um funcionário se corrompe ou é corrompido, o chefe hierárquico ou dono da empresa seria condenado. No país que vivemos, seria o mesmo que decidir colocar na prisão mais de 70% da população brasileira, e pior, todos os governadores e prefeitos seriam presos, pois desafio o politico atual que não transige com a corrupção. As campanhas caras, personalizadas, alimentam e retroalimentam o sistema corrupto e, as leis frouxas, e até mesmo, o sistema judiciário e policial infestado de corruptos não se sustentam.

Diante de tal realidade procurava mostrar a missivista que a corrupção não é privilégio do PT e seus Asseclas, e sim, um mal que está presente em toda a sociedade brasileira, e que a forma como está sendo tratado o julgamento do mensalão pode nos empurrar para um moralismo abstrato, e em seguida para perda da liberdade de expressão. Tentava mostrar que existe gente honesta e corrupta em todos os lugares, e que tais situações devem ser vistas com serenidade, acuidade e cuidado. Foi então que ela saiu com a bendita frase que dá titulo a este texto: Está tudo poder!! E tua ainda Sonhas?

Ao ler a frase fiquei parado e atônito. Passei a me questionar: Será eu um ingênuo a sonhar em uma sociedade que se aceita corrupta? Devo aceitar que está tudo podre? Ora, aceitar que está tudo podre é aceitar que eu mesmo estou podre e já não há mais nenhuma esperança. Os dias se passaram e o natal, ano novo, e as responsabilidades que se misturaram as festas não foram suficientes para esquecer a tal frase que martelava na minha cabeça: “Está tudo podre! E Tu ainda sonhas? As traições dos amigos, dos amores, das ex-mulheres, a traição dos companheiros políticos fisiológicos, tudo, mas tudo parecia comprovar que tudo estava podre.

Voltando a reler sobre as razões que fez com o respeitável Ministro Joaquim Barbosa não aceitasse a ideia da prisão imediata dos réus algo chamou minha atenção: ele se baseou em uma jurisprudência na qual mantinha em liberdade um réu condenado por crimes hediondos. Ficou a sensação de que a sociedade por mais podre que pareça não está perdida, e, pelo simples fato de que ninguém reclamou do ministro por comparar os figurões da república com um criminoso. Finalmente, a sociedade começa a aceitar que corrupção, desonestidade é crime.  Por mais que pareça que vivamos em um anomia a sociedade reage e busca a cura dentro da própria doença. O organicismo social não estava de todo errado, e se a sociedade evolui lentamente a própria expressão da missivista revela um desespero de quem sabe que não se pode mais continuar como sempre foi, e que sabe, que a condenação dos réus do mensalão é a condenação das práticas de uma elite que governou este país por mais de 500 anos.

Então sim, eu tenho esperança. Por que se está tudo podre é justamente agora a hora de sonhar. É hora de construir algo novo das cinzas que sobra. É a dialética que se manifesta mostrando que o novo tem de repelir o velho e que se o PT se juntou ao extremamente velho existe espaço para um novo que pode nascer. Nós que somos povo e que nunca governamos este país, e que não concordamos com atos cometidos pelo Partido dos Trabalhadores e seus figurões podemos ocupar o espaço deste novo, desta nova política, por que, não será a velha elite a ocupar este lugar, afinal, a velha elite sequer consegue ver que é da podridão que surge o adubo e alimenta as mais tenras plantas transformando-as em árvores frondosas. 

Para ver o nascer do Sol


 
Nelson Soares dos Santos

Quando era criança, tinha por volta de uns dez anos, costumava sair de madrugada nesta época do ano para ir a Olaria fabricar tijolos com o meu pai. O caminho, trilhas de cavalos e pedestres por entre pastos e matas costumavam estar infestados de cobras e todos os tipos de bichos. No caminho, tinha um rio chamado de Galheiros. Tínhamos de atravessá-lo, e por vezes, as águas chegavam a cintura. Meu pai, sempre repetia o mesmo conselho: “Caminhe com atenção, pise com cuidado, sinta sempre os pés no chão. Nesta hora da noite quando ainda está escuro todos os bichos saem de suas tocas e é hora preferida das cobras estarem nas barrancas dos rios. Ande com cuidado se quiseres ver o sol nascer”. Assim caminhávamos em silêncio ao lado um do outro, por vezes, meu pai na frente e eu atrás. Andávamos rápido, pois tínhamos pressa de chegar a Olaria, pegar a foice, descer nos buracos encharcados e amassar o barro. O barro frio sob nossos pés, o suor já em nossos corpos. Ali ficávamos por vezes cantando enquanto a labuta seguia, por vezes, o silêncio era quebrado apenas pelo corte da foice no barro. Todo esforço era feito com o objetivo de que, pelo menos 300 tijolos já estivessem lançados quando o sol nascer. E quando o sol começava a lançar os seus raios, parávamos, e enquanto tomávamos café, eu sonhava com o dia em que pudesse viver a história dos livros que lia nas horas vagas. Não consigo esquecer de um amigo, o Zé de Corcino que dizia sempre na hora do café : Este rapaz ainda vai ser doutor, é muita vontade de aprender pegar um livro pra ler depois de ficar três horas dentro deste barro frio.

O tempo passou e hoje não faço mais tijolos. Nesta madrugada a lua caminha para o quarto minguante, tempo bom, diria meu pai, para queimar os tijolos. Na direção do Partido Popular Socialista, educador, que tenta ser político, sente-se como quem ainda anda no meio do mato, no escuro da madrugada prestes a atravessar o rio na espera de quando o sol nascer todo o barro tenha se transformado em tijolos e possa sentar, contemplar o nascer do sol, olhando para a  obra, que agora quer que seja melhorar a vida do  povo. O que vejo e sinto porém, é que as cobras estão a soltas. Os bichos saem e vagueiam no meio do mato a procura de uma vítima descuidada que não olha onde pisa.

Outro conselho meu pai me dava quando estava a cavar o barro: “ Preste atenção menino, aprenda a discernir o barro bom da areia fofa, senão pode até se enganar enquanto amassa, mas quando cortar o tijolo na forma e for lancear, ele vai se desmanchar e todo o trabalho estará perdido”. Quando cá estou a garimpar ideias de como melhorar a vida do povo sinto-me o mesmo menino a procura do barro bom. Não adianta amassar o barro ruim, semear em areia fofa não produzirá senão tijolos que vão se tornar areia, senão quando lanceados, quando colocados na fogueira para queimar, sim, por que o tijolo bom quando se queima fica vermelho, forte como pedra e água não o desmancha. Há muito barro ruim na política. É preciso cavar em profundidade para encontrar barro bom. E pior, parece que existe areia misturada a todo tipo de barro.

Meu pai também costuma dizer que havia dois males que, uma vez os tendo o oleiro, os tijolos eram ruins. A fraqueza, pois esta impedia que o barro fosse bem amassado, e barro mal amassado era sinal de tijolos cheios de furos; e, a preguiça; se houvesse demora para cortar o barro e lancear os tijolos, o barro endurecia e teria que jogar nova água, e barro duas vezes amassado enfraquecia os tijolos. Temo que também existam dois males que estão atacando a nossa sociedade e impedindo a construção de tijolos bons, que uma vez passados pelo fogo não se desmanchem: a fraqueza moral que se traduz em corrupção e a preguiça que se traveste de falso moralismo.

Temos que, de um lado combater incessantemente a corrupção. Esta é hoje alimentada pelo pragmatismo utilitarista, que transforma o levar vantagem em utilidade e individualismo em individualidade. A corrupção está em todos os lugares e combate-la torna-se mais que um discurso, torna-se princípio para os políticos que fazem a política de forma amorosa e solidária. Ser honesto é desafio cotidiano, nas práticas, nos discursos e nas relações. Do outro lado está o falso moralismo das elites. Ora, as elites devem deixar os seus lugares de amos preguiçosos e decidir viver de produtividade. A preguiça é tão grande que torna o moralismo tão falso que ninguém acredita mais no que fala. Nem a elite acredita no que a elite diz. O povo, até para  contrapor, mergulha ainda mais no pragmatismo utilitarista que destrói todos os valores da vida em sociedade, transformando tudo em mercadoria e degradando assim o aspecto mais nobre da humanidade que é a capacidade de amar.

É preciso de novo coragem para sair de madrugada, andar no meio do mato, atravessar o rio no meio da escuridão, separar o barro, pegar a foice, sentir a frieza do barro sobre a pele, deixar o suor correr pelo corpo no esforço de transformar o barro em tijolo. Cortar o barro, caminhar, lancear. É preciso coragem para não desanimar. E por fim, esperar o sol nascer. Por que o Sol haverá de nascer. E quando o sol nasce podemos já deitar sobre a relva por que o sol espanta os bichos, as cobras voltam para as tocas, o orvalho alimenta as plantas e uma alegria toma conta do ambiente enquanto os pássaros cantam em uma orquestra divina que mais parece à voz dos anjos cantando a grandeza de sermos humanos. Sim, amigos, como naquela época o sol nascia e secava o barro dos tijolos já lanceados, o sol haverá de nascer. Então tenhamos coragem. Tenhamos coragem apenas um pouco mais.