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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Silas Malafaia, Deus e Religião.


 
Mais de uma dezena de ex-alunos tem me perguntado o que eu achei da entrevista do Silas Malafaia no Programa “De Frente com Gabi”. À maioria, respondi com a sinceridade de sempre: Não assisti. Simples, eu não assisti ao programa, mas de tanto ver a repercussão, de tanto ler sobre, deixo aqui algumas considerações:

1.           Quem já teve de assistir minhas aulas, quando toquei no assunto, sabe que não aprovo nenhum tipo de fundamentalismo, nem cristão, tão pouco anticristão. Sempre utilizo o exemplo do Nazismo e do Fascismo para mostrar que formas fundamentalistas de olhar a vida e a existência humana quase sempre leva a guerras de extermínio. O comunismo, o Islamismo e o cristianismo em suas formas inquisitoriais são exemplos de ideias fundamentalistas que levam ao extermínio. As ideias de Silas Malafaia são extremistas e fundamentalistas em sua essência e por isso já são merecedoras de reprovação.

2.           Aqueles que me perguntam se esta ou aquela religião é ruim, o que digo é que esta resposta deve ser buscada por cada um. Toda religião acaba ensinando algo que pode ser útil a alguém; pode não ser para mim, e sei que não é, mas pode ser que para alguém os ensinamentos do Silas podem ter serventia. Neste caso, sigo Voltaire – Discordo frontalmente de praticamente tudo que ele ensina, mas defendo a liberdade dele o fazer. E assim como ele deve ter o direito de seguir com a religião dele, aqueles que são as suas vítimas preferidas tem o mesmo direito. Se alguém acha que é feliz sendo homossexual, que seja. Tal questão, assim como a escolha de uma religião deve ser de foro íntimo de cada pessoa.

3.           Quando um aluno me pergunta se depois de tudo que já estudei, consigo acreditar na existência de um Deus com as características do Deus de Silas Malafaia, a minha resposta é a mesma dada pela apresentadora: Não. O Deus de Silas Malafaia não existe para mim. O Deus que vejo existir é cheio de tolerância e amor para com todos, e não se permite perder um homem sequer. Tal Deus, vê na reintegração de um homem a reintegração de todos os homens, e na perdição de um homem a perdição de todos os demais. Parece uma leitura bem à Espinosa de Deus, e talvez seja. É que não consigo ver um só ser humano, por mais vil que seja, que não tenha em si uma centelha divina.

4.           A um aluno que pergunta o que acho dos novos missionários milionários, a resposta é que talvez fosse o caso do Estado utilizar com mais força a sua condição de laico, taxando, por exemplo, tais fortunas, procurando separar o joio do Trigo, por que para longes das chamadas Igrejas Neopentecostais ( Edir Macedo – IURD; Valdemiro Santiago, Silas Malafaia, etc), existem religiões com seriedade bem mais elevada e que realizam grande trabalho social, como é o caso da Igreja Adventista, Igreja Batista Tradicional, entre outras. O que não deveria ser permitido é que se acumule fortunas em nome e  com o auxílio de subvenção de impostos.

5.           Por fim, e para concluir, é preciso discutir se tais igrejas representam o que é ser uma religião no seu verdadeiro conceito de religião. Neste caso, cada pessoa deve buscar expandir sua própria consciência no sentido de não aceitar como verdade nada que não seja claro. E basta que se aplique tal máxima cartesiana e certamente uma grande parte de fiéis descobriria que a verdade pode ser muito mais do que se anda pregando pelas esquinas deste país.

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