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domingo, 31 de março de 2013

Democratas de Goiás, uni-vos!!



Nelson Soares dos Santos[1]

Precisamos observar mais as ondas do mar. Observar como elas se formam, se avoluma e se quebram  nas praias. Uma onda sempre se forma de modo sutil. Distante, lá quase no meio do oceano parece pequena, mas eis que se aproxima cada vez das praias, fortalece, cresce e se avoluma. Para um observador na praia quando ela está distante quase nada significa na imensidão distante do mar. O surfista, esportista que dedica sua vida a descobrir ondas sobre as quais pode se fazer belas e radicais manobras fica ali, deitado em sua prancha, olhar distante, sentindo a direção do vento, pensando nos movimentos das marés. Ele sabe que existem momentos das “boas ondas”, momentos da ressaca, e momentos perigosos, os quais devem remar de volta a praia e respeitar a violência do Oceano.
Todos os dias se formam ondas na vida de um país, de um povo, de uma nação. E precisamos cada vez de mais sabedoria para identificar qual momento vivemos e quais ondas estão se formando, de que forma elas vão crescer, se avolumar e arrebentar nas praias da nossa existência material. Eis que uma onda de conservadorismo reacionário parece de longe se formar em nosso país. Conseguiremos surfar e fazer boas manobras ou seremos engolidos pelas águas e até morrermos afogados?
Muitos são os fatos e movimentos que nos indica que uma longa, grande e poderosa onda conservadora estão se formando. As mais recentes podem ser vistas no projeto de Lei do Deputado João Campos que dá o direito as Entidades religiosas a contestar a constitucionalidade das leis votadas pela maioria dos representantes legítimos do povo brasileiro. Ora, não se trata de intolerância religiosa, trata-se de reafirmar a importância do conceito de Estado Laico. Os cidadãos podem ter religião, os cidadãos podem ter dogmas, os cidadãos podem ouvir os religiosos, o Estado, jamais. E é simples, o Estado deve representar a totalidade das vontades dos seus cidadãos.
Sintoma de número 2. Outro sintoma é o caso “Pastor Feliciano”.  O problema do Pastor Feliciano não é apenas do Pastor Feliciano e da Bancada Evangélica. O problema do Pastor Feliciano diz respeito a um jogo político que envolve todos os partidos que tem representação no Congresso Nacional. E se o Pastor Feliciano tornou-se presidente de uma comissão tão importante, e para o qual, todos afirmam, agora, que ele não tem o perfil adequado, este é um problema de todos, e agora de todo povo brasileiro. Isso mostra que algo pode estar errado no crescimento e desenvolvimento de nossa democracia. Que o pastor Feliciano seja racista, não me preocupa, pois em uma democracia ele representa todos os racistas desta democracia e eles tem direito a serem representado por alguém; que ele seja homofóbico, machista, e tantos outros mais; não me importa. Em uma democracia homofóbicos, racistas, machistas, feministas, multirracialistas, igualitaristas, todos, todos possuem o direito de serem representados. O que assusta é ver que o coletivo responsável pelo equilíbrio destas representações permite que a democracia seja maltratada, o decoro seja quebrado, as minorias derespeitadas, a constituição rasgada por pessoas que estão ali para zelar pelas conquistas desta mesma constituição. O que assusta é não ver vozes surgir em defesa da constituição e da democracia.
Sintoma de número 03 – O Supremo Tribunal Federal condena os envolvidos no caso mensalão ou ação penal 470. O Presidente da Câmara Federal, entidade que deveria ser a guardiã da nossa constituição, brada aos quatro cantos que não vai respeitar as decisões do STF. Os condenados assumem, na mesma eleição que elegeu o Pastor Feliciano Presidente da Comissão de Direitos Humanos, a Comissão de Constituição e Justiça. Vejam, condenados em uma ação Penal tornam-se membros da Comissão de Constituição e Justiça da Entidade que deveria zelar pelo respeito a constituição, pela Justiça, pela liberdade, e por todas as conquistas da nossa democracia.
Sintoma de número 04 – Faltando quase dois anos para as eleições a presidente da República se lança candidata a reeleição. Atrás de si todas as principais lideranças se lançam na discussão da sucessão. Enquanto isso ninguém parece estar preocupados com a situação da Educação no país. Professores sendo esmurrados por alunos, professores adoecendo, escolas caindo aos pedaços de norte a sul do país, e os principais líderes preocupados com a reeleição. Deveríamos todos estar discutindo as reformas de que o país precisa para continuar avançando. Deveríamos estar discutindo uma reforma profunda no modelo educacional que temos, a reforma tributária, a reforma urbana, a reforma agrária, a sustentabilidade, o meio ambiente. Não... nada disso parece importar.  Uma onda parece se formar sutilmente, e vai envolvendo a todos, e crescendo parece indicar que uma onda conservadora se forma para em breve, em poucos anos, arrebentar-se nas praias da existência material, matando a liberdade afogando a nossa pequena e frágil democracia.
É possível que muitos outros sintomas possam ser identificados. Em Goiás, um sintoma que muito angustia um observador em sua prancha é a luta solitária dos homens defensores da democracia, da liberdade, da igualdade e da fraternidade. Apesar de que muitos não conseguem ver, existe em Goiás um grande número de homens defensores da democracia, da liberdade e da justiça social. Eu conheço pessoalmente uma centena deles. É verdade que muitos deles estão quietos, se recusam a entrar “no jogo” da política. E lutam silenciosamente, cada um a sua maneira. Uma pena que suas vozes pouco são ouvidas nos nossos dias. Em um passado mais recente, quando ainda começava minha vida na militância política ouvi muitos deles a gritar. Pinheiro Sales, Niraldo, Osmar Magalhães, Niso Prego, Iran Saraiva, Henrique Santillo. Tive a honra de conviver com alguns deles: Aldo Arantes, Marcos Araújo, Denise Carvalho, Edwirges Carvalho, João Pires, Goiás do Araguaia Jr, Anselmo Pessoa, Romualdo Pessoa, Eline Jonas, Lúcia Ríncon, Silvio Costa,  Adalberto Monteiro. Este último, o grande responsável por hoje eu ainda estar na luta quando convidou-me para fazer parte da Direção Estadual do PC do B de Goiás, no ano de 1998.
Estes homens que nunca concordaram com a  corrupção. Homens que se espalharam na lonjura de suas vidas como indivíduos é que agora vejo uma necessidade de que voltem a se unir. Homens democratas, homens defensores da liberdade e que sabem perceber quando uma onda conservadora parece aproximar para nos engolir.  Cada um destes homens formou ao redor de si uma multidão de centenas de outros homens e eis que agora é o momento de uma nova união. Uma união agora pode evitar o retrocesso na construção de nossa democracia. A história os conclama a voltar a luta, ajudar a formar novas gerações com os valores da liberdade, da igualdade e da fraternidade nos corações. Estes homens que em Goiás lutaram contra a Ditadura Militar, fizeram parte do chamado “Bloco Popular”, no primeiro Governo de Iris Rezende Machado; que estiveram ao lado de Henrique Santillo, e que praticamente estivera todos juntos apoiando o primeiro Governo de Marconi Perillo; são destes homens que goiás agora precisa.


[1] Nelson Soares dos Santos é Pedagogo, Mestre em Educação Brasileira, professor Universitário, Secretário Geral do PPS da Cidade de Goiânia, Diretor da Fundação Astrogildo Pereira em Goiás e Membro da Executiva Estadual do PPS de Goiás.

quarta-feira, 27 de março de 2013

A Serra Negra da Vida.


 

Foi na minha querida terra

Que aprendia a filosofar.

Subindo tão grande serra

Sozinho a pedalar.

 

Todo dia da semana eu e a negra Serra.

Eu e minha bicicleta na madrugada fria.

Passava pela cidade e subia o Boa Perna,

Cantando canções tristes para chamar alegria.

 

Minha bicicleta velha e o velho pai de companhia.

Tão juntos e tão sozinhos na dura serra da vida.

Quando não era lama era poeira que no rosto se espargia.

Mas tinha que pedalar ou empurrar  as feridas.

 

Já quase no meio da serra, as pernas estavam cansadas.

Pedras, buracos, poeira, lama  no rosto e na alma

Os ricos subiam de carro, passando pela mesma estrada.

E devagar o velho dizia: Filho sobe com calma.

 

No final, no cume da Serra Negra, a labuta esperava.

Um dia inteiro no sol com enxada que caleja as mãos.

A comida na marmita, quase fria, requentada;

E o sonho distante e frio que acalentava o coração.

 

O velho pai por vezes ensinava.

- Filho, ouça os mestres e preto-velhos, guerreiro do coração,

Que na luta que a vida trava

Só vence que sabe manejar a espada e o facão.

 

Era a tarde tensa e fria. A tarefa terminada.

Um quadro de 15x 10, toda terra em plantação;

Hora de descer a serra que a noite era chegada.

E quase tudo escurecia até mesmo o coração.

 

Feixe de lenha na garupa. O peso que empurra a vida.

E sobre a bicicleta que descia desembestada;

Pois freio não segura na descida cruel e comprida.

Tem se que contar com a sorte na descida louca da vida.

 

Segurava-se como podia. Corpo e coração tremendo.

E, enfim, quando chegava no velho e bom Boa Perna;

Agradecia a sorte por mais uma descida sem queda..

Por vezes, caia-se. E machucado, levantava e continuava descendo.

É assim as descidas da vida que hoje minha alma externa.

 

Hoje tantos anos depois, na sina do meu caminhar.

Ainda subo e desço a Serra Negra da vida.

Como poeira, lama e quedas, machucado e a sangrar.

Só não tenho o velho pai mostrando os buracos e saídas.

Saudade da Terra que amo.



 

Sou apegado a minha terra e a minha gente.

Sou muito apegado a terra onde nasci.

Entenda você que veio da Europa, da Ásia ou do Oriente.

Sou muito apegado a minha terra,  amo muito o lugar onde cresci.

 

Você que é de São Paulo ou de qualquer lugar do Sudeste;

Você que é Gaúcho ou das belas terras do Sul;

Você que é da Paraíba, ou das belas praias do Nordeste,

Saiba que na minha terra o céu é muito mais azul.

 

Tenha piedade você, que é da cidade maravilhosa.

Minha terra não tem mar, ou parques tão verdejantes.

Mas há algo em minha terra que a faz tão grandiosa;

Que faz a saudade assolar o peito de uma forma estonteante.

 

Ah terrinha querida. Pedaço de mundo que amo.

Minha terra é Ouro Minas, Nova Roma,  Divinópolis.

Minha terra é este rincão chamado Nordeste Goiano.

Minha pequena cidade maior que qualquer metrópole.

 

Nada é mais bela que minha terra querida.

Por que ela me trouxe a luz...

Por que ela me trouxe a vida.

 

Divinópolis é Magalópe dentro do meu coração.

É de lá que vejo o mundo em toda a sua amplitude.

Vejo o passado Glorioso e  o futuro da nação.

E sem um pouco de dor, vejo o presente rude.

 

Nada, nada é mais belo que minha terra querida.

E a saudade corta o peito por estar tão longe dela.

É dela que minha alma tudo vê, determinada, enternecida;

E segue pintando a vida como leve aquarela.

 

 

terça-feira, 26 de março de 2013

Acusações contra o PPS – Isso me diz respeito.

 

Hoje uma pessoa muito querida perguntou-me se as declarações feita  aos Jornais se referiam a minha pessoa, se eu era dirigente do PPS e se eram verdadeiras as acusações que se fazem  ao PPS. De certa forma a pessoa sente com se as acusações já estivessem atingindo minha história de luta e minha honra. Quem me conhece sabe que nunca troquei minha luta, meus ideais por emprego, mesmo que por isso tenha me colocado em dificuldades inúmeras vezes na vida.

Diversas vezes na vida tentaram me cooptar. Foi assim em Divinópolis de Goiás, Campos Belos e Arraias. Nunca me afastei da minha luta e dos meus sonhos. Por tudo isso, afirmo: São mentirosas as acusações que são feitas ao PPS. Como dirigente do PPS, faço sim, parte do Grupo que luta para construir um PPS forte, grande, democrata, de esquerda, enfim, todos os sonhos de uma sociedade justa que todos aqueles que acompanham minha história já conhecem. Foi a luta por estes ideais que me afastou deste que nos acusa. Da mesma forma que a luta por estes ideais me afastaram de inúmeros outras lideranças políticas no Nordeste Goiano. Eu quero um PPS grande. Eu quero um PPS forte. Eu quero um PPS humanista. Eu quero um PPS para todos e não que fique apenas “no bolso” de alguém como instrumento para sustentar ter alguns carguinhos no Governo. Não acredito que um PPS fraco interesse alguma liderança política, seja ao Governador Marconi ou a oposição. Um PPS fraco não é interessante para ninguém, e muito menos para o povo.  Um PPS fraco só interessa a grupelhos egoístas que vivem de migalhas e já não tem mais sonhos.

Tenho orgulho de ser um dos nomes indicados pelo Partido para substituir  o atual Secretário. Com 11 votos, fui o segundo mais votado da lista. Sei, no entanto, como disse um amigo do Nordeste Goiano, que não devo alimentar esperanças. Sei e tenho consciência da luta pelo poder dentro da base, sei das lutas, dos grupos de interesses e que no final, as ideias que defendo tem pouco espaço no meio disso tudo. Já quase não existe espaço para quem realmente defende os interesses do povo. Por isso mesmo, minha luta é estar ao lado do povo. É lutar por uma sociedade onde o espírito de justiça esteja presente na vida dos que tem força de vontade. A indicação do meu nome na lista é somente uma forma do partido dizer ao Governador que acredita no projeto de fazer o melhor Governo da vida dos Goianos, mas que o atual secretário filiado ao partido não representa mais o projeto de sociedade que o partido defende. Portanto, o centro do meu interesse não é ter um cargo no Governo Marconi, mas ajudar o Governo Marconi estar a serviço da construção de uma sociedade justa. E se tiver que atender o chamado do Partido e fazer parte do Governo Marconi será para continuar lutando pela construção de uma sociedade mais justa, humana e democrática.

O que me preocupa é a construção de m PPS forte, forjado na luta do povo e esta é a é minha luta: Construir um PPS forte, forjado na luta do povo, na defesa do povo, defensor firme dos ideias de justiça, liberdade e humanismo. Quem quiser conhecer este PPS está convidado para o Evento que será realizado no dia 20 de abril, onde diversos dirigentes estaduais estarão reunidos discutindo  o Futuro do PPS e de Goiás.  Não tenham medo os que sempre acreditaram em mim. Não abandonei minhas ideias quando minha família passava fome no Nordeste Goiano e eu era um jovem, por que deixaria agora já tendo vencido uma boa parte da minha luta? Não amigos. Sou sim dirigente do PPS e sofrer as acusações que estão sendo vistas nos jornais aos dirigentes do PPS é só mais uma daquelas lutas que viram no passado enfrentar com extrema desvantagem, mas anos depois, sair vitorioso. Não por mim, mas para melhorar a vida de todos que estiverem a minha volta.