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domingo, 26 de maio de 2013

O Mal do Personalismo e a necessidade de um projeto.



Nelson Soares dos Santos

Não são poucos os exemplos da história que comprovam ser difícil a arte de Governar. Compêndios foram escritos, descrições efetivas de momentos cruciais da história da humanidade mostra o governo uma das atividades mais difíceis de realizar. Por isso, aquele que consegue conquistar o poder, manter e perpetuar-se no poder é digno de honras e glórias. Para nós, goianos, três referências imagéticas permeiam nossa mente quando falamos do poder: Lula, Iris e Marconi. O primeiro por sua proeza de ter sido o primeiro operário a se tornar presidente da república; o segundo pela inconteste contribuição já dada ao desenvolvimento do nosso estado; e o terceiro por ser o presente daquilo que se pode considerar a honra de ser um vencedor.  Com todas as críticas que podem ser feitas ( e existem críticas justas que devem ser feitas), na política Goiana Marconi é o nome que representa o poder e a honra da difícil arte de Governar.

Governar para o Povo.

Marconi representa tal fato por diversas razões, a maior delas por ter sido aquele que derrotou o Irismo depois de 16 anos de poder, e outras não menores, como por exemplo, ter contribuído para um arejamento democrático nos seus dois primeiros governos. Quiçá, seja um vencendor, Marconi vive diversos dilemas da difícil arte de governar depois de perpetuar-se no poder e tornar-se vítima das armadilhas impostas pelo poder. Há um livro, que li e não gostei, que mostra de uma forma clara tais armadilhas. O titulo é “48 Leis do Poder”. Segundo tal livro toda vez que se constrói um império ou um governo com o tempo o governante vê se cercado de pessoas que estão mais preocupadas em acercar-se das vantagens do poder do que se preocupar com os destinos do Governo ou o bem estar coletivo, e que, portanto, as intrigas, as disputas,  tornam-se constantes, por vezes colocando em risco os destinos do governo.

As recentes manchetes de jornais mostram um alerta ao governador. As disputas internas entre os grupos estão chegando ao paroxismo. Dos bastidores extravasaram-se para os jornais e muitos resolveram até dialogar por notas oficiais publicadas em jornais e na internet. Quando um dos nomes mais fortes do Governo resolve desabafar na imprensa afirmando que existe bandidos no Governo alguma coisa já passou do limite. É como se já se soubesse mais quem de fato manda no Governo, segundo o Greene, aquele das “48 Leis do Poder”. A receita seria então uns choques de autoridade, demitindo aqueles que se acham intocáveis, valorizando novos quadros, vindo do meio do povo e quebrando o isolamento entre o povo e o Governo.  O desabafo do secretário mostra que existem sinais dos tempos que precisam ser lidos sobre os rumos do poder em goiás, ou do contrário seremos vítimas de aventureiros.

Oposição e Situação  - vítimas  do Mesmo mal.

Para uma leitura dos sinais dos tempos é preciso, antes, compreender o tempo que vivemos, e para se compreender o tempo no qual vivemos é preciso aceitar sua complexidade. Na política em Goiás, não é diferente. Se base de Marconi Perillo peca-se pelo personalismo exagerado fazendo tudo girar em torno de nomes e deixando os projetos, as ideias e os partidos em segundo plano; na oposição não é diferente.

Na verdade, sequer existe oposição em Goiás. O que existe são nomes que se digladiam dentro dos partidos ditos de oposição, sempre em busca de holofotes, de forma personalista e longe de estabelecer um diálogo com o povo com os votos dos quais querem se eleger. Os chamados “novos nomes” estão longe de ter um diálogo frutífero com o povo, e por isso, as pesquisas mostram Iris e Marconi como aqueles melhores posicionados nas pesquisas, fruto do diálogo que estes mantiveram com o povo em eleições anteriores. Friboi, não é político, é um empresário que ser político e o povo já há muito desconfia das razões pelas quais o mesmo é motivado. Afinal, ninguém em Goiás conhece alguma atitude ou ação do mega empresário que demonstrasse preocupação com o Bem estar coletivo.

Vanderlan Cardoso, no máximo repetirá 2010. O povo já teve oportunidade de conhecê-lo e a história política goiana mostra que dificilmente emplacará como candidato a ser levado a sério. Considerado um empresário Sério ( com bem mais credibilidade eleitoral do que o Friboi), não acredito que o povo daria a ele a oportunidade de Governar o Estado. Os exemplos históricos, aos quais ele deveria observar vêm das candidaturas de Paulo Roberto Cunha, Ronaldo Caiado e Otávio Lage. Tanto na situação quando na oposição, o personalismo só contribui para prejudicar as possibilidades de avanço dos processos democráticos no Estado, pois todos os nomes colocados tentam chegar até ao povo por meio das chamadas lideranças consolidadas ( deputados, vereadores e prefeitos), muitas delas tão velhas e desacreditadas que faz o povo ficar descrente de participar no sufrágio Eleitoral.

O Cavalo de Tróia.

A contradição do Governo Marconi é não ter oposição forte e ao mesmo tempo sentir-se sitiado. O que parece é que na verdade os adversários estão espalhados. Isso me faz lembrar-se de umas leituras feitas sobre Confúcio. Diz-se que certa vez Confúcio chegou a um Reino e logo foi chamado para aconselhar o Rei. Pediu ao Rei um prazo para que tivesse um conselho que refletisse a realidade.  Chegando lá, ficou o tempo todo em silêncio, ouviu o Rei, ouviu os conselheiros do Rei, e a esposa do Rei. Depois de a todos ouvir, e antes que terminasse o prazo dado pelo Rei, Confúcio reuniu os seus discípulos que o seguiam e disse que aqueles que quisessem continuar com ele deveriam partir na madrugada e em segredo. Inquirido sobre a razão de tal atitude Confúcio respondeu mais ou menos assim: Em um Reino onde quem manda não tem a segurança de que manda, e quem pensa que manda, na verdade não tem poder de mando o destino é o sangue e carnificina. Pouco tempo depois, aquele reino caiu em meio a traições, mortes, assassinatos e cruel carnificina.

Em artigo anterior, neste blog já havia escrito que é difícil analisar quem realmente tem influência política majoritária em Goiás. Na linguagem Confuciana, quem tem o TAO. E, dentro do governo, os últimos acontecimentos parecem mostrar o mesmo. A direita em Goiás tornou-se pluripartidária e a esquerda democrática apequenou-se. A realidade é que neste vazio surgiram diversos aventureiros servindo-se de ideias frágeis e já  superadas para ocupar um espaço da carência dos sentimentos humanos e transformá-los em objetos do fazer política, poder e de governar. No futebol, tais jogadores são chamados de “Pernas de Pau”, que entram em campo por falta de bons jogadores ou por que os bons jogadores se recusaram a jogar por falta de um bom juiz. O resultado da falta dos bons jogadores é a bola sendo jogada de qualquer jeito e os times sem aquele jogador meio campista que organiza o jogo e o torna um espetáculo belo de ser assistido.  A pancadaria que se vê na imprensa, tanto de oposição contra oposição, situação contra situação e oposição contra situação reflete a fata que faz bons jogadores em campo. Neste sentido, muito das adesões recebidas pelo Governador nos últimos anos revelou-se jogadores “pernas de pau”, quando pior, verdadeiros cavalos de troia.

Governar com Projetos e Ideias

Continuando com a metáfora futebolística o Governador Marconi está condenado a renovar o seu time e colocar maior atenção nas capacidades dos jogadores de produzirem boas jogadas, passar e movimentar bem a bola do que na história de fama dos jogadores. Neste sentido, o Governador precisa começar a repensar o projeto de desenvolvimento do Estado colocando o desenvolvimento humano a frente do desenvolvimento econômico; reforçando o aspecto progressista do Governo e a preocupação com o futuro das novas gerações. As ideias de sustentabilidade, poder local, combate a corrupção, defesa dos direitos humanos, combate a violência, ao tráfico humano, dentre outros deve tomar o lugar dos discursos centrado em pessoas e nas suas pretensas habilidades de bem governar. Não serão pessoas que irão fazer de Goiás um estado melhor para se viver, serão ideias progressistas transformadas em ações por pessoas que tem a capacidade de fazê-lo coletivamente.

Goiás carece de um projeto de Governo, mas, sobretudo, padece também de um projeto de reestruturação do estado que estabeleça novas relações entre o Estado e a Sociedade Goiana. Os velhos coronéis precisam entender que os tempos são outros, que a globalização exige a evolução do local, e que o desenvolvimento humano precisa acompanhar o desenvolvimento econômico. Preservação do meio ambiente não pode ser mais uma preocupação de um grupo de idealistas isolados, mas de todo homem público que queira bem governar. A reestruturação do estado deve ser pensada a partir da complexidade existente entre os aspectos globais e locais da existência humana para que se possa pensar um projeto que de fato faça avançar as conquistas por uma sociedade mais e justa e democrática.  Não se trata de negar os avanços, mas de compreender a necessidade de se continuar avançando.

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