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domingo, 11 de agosto de 2013

Mês de Agosto II



Ipê, velho ipê amarelo,
O marco de uma estação.
Fincado na terra seca,
Resistente à sequidão.

Ignoras toda a dor,
Que a seca pode causar.
E a copa se transforma em flor
Para o cerrado alegrar.

Queria que como tu, teimoso!
Fosse, meu combalido coração.
Resistir sempre amoroso;

Para ter flores em minhas mãos.

Mês de Agosto



Quem na vida se apaixona,
Não se esquece de um amor;
Quem a vida não se doma;
Só, resvala pela dor.

Quando o rio seca o seu leito,
Já no campo o fogo ardeu,
E sentiu queimar no peito...
O amor que se perdeu.

Foi assim que a contra-gosto
Da tua vida, eu sai,
Nasceste no mês de agosto;
E no mês de agosto eu morri.

Oh! Mês de Agosto, quase desumano.
És seco como nenhum outro
E parece secar os corações humanos.

Mas resta um grande Ipê.
Que resiste a sequidão;
E produz flores, que se vê..
De longe, na imensidão.

Nas paragens da poeira
Que se atraca em rosto e mãos.
Ainda existe uma ribanceira
Que sacia a sede do coração.

Eu sou o  ipê solitário na multidão.
Velho, resistente, carcamano.
Produzindo flores para alegrar seu coração;
Recusando-se a deixar de ser HUMANO.