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sábado, 30 de novembro de 2013

Joaquim Barbosa e o Racismo Brasileiro


Nelson Soares dos Santos[1]

Estou cada dia mais preocupado com as manifestações do Racismo no Brasil. Estes dias, li nas redes sociais a expressão “Urubu quando não caga na entrada, caga na saída”.  Pasmem meus leitores, a expressão foi utilizada se referindo a Joaquim Barbosa, o presidente da mais alta corte judiciária do país, e, se alguém pensa que foi utilizada por pessoas pouco esclarecidas, pasme mais ainda, na verdade era um debate entre advogados com carteira da Ordem dos Advogados do Brasil que debatiam sobre os erros e acertos do Ministro Joaquim Barbosa.
Há quem diga e, eu concordo, que a presença de Joaquim Barbosa, um negro, na mais alta corte do país vem contribuindo para emancipar o negro brasileiro, fazer o mesmo assumir sua brasilidade e sua cor, sentindo assim que o Brasil é o seu país e de que ele, negro pode ser um cidadão. Esta é a verdade na qual eu quero acreditar. A presença, porém, deste tipo de debate nos alerta para outros problemas e para a necessidade de se criar novas formas de combate ao racismo tanto no plano cultural e intelectual quanto no plano jurídico.  No próprio debate, que o leitor pode ver no print abaixo, há quem saia em defesa do Ministro Joaquim de forma racional. E é verdade, que se Joaquim Barbosa possa ter cometido alguns erros não se pode afirmar que isso se deu por causa da cor de sua pele, pois o mesmo raciocínio levaria a entender que os condenados do mensalão ou outros tantos ladrões país a fora o são, também por causa da cor da pele.
O que preocupa mesmo no argumento utilizado é quem o utiliza. Quando operadores da lei e da justiça deixam a racionalidade para agir como torcedores de time de futebol, colocando de lado todos os métodos da hermenêutica jurídica para explicar erros utilizando como argumento a cor da pele do cidadão, pode se afirma sem medo de erra que há alguma coisa errada neste país, ou melhor, com a educação deste país. Certa vez Paulo Freire disse que o problema de alfabetizar pessoas é que uma vez tendo aprendido a escrever elas saem por ai escrevendo de tudo sem o mínimo de responsabilidade; aqui, e no caso, a internet age como era a alfabetização nos tempos de Paulo Freire. O individuo pouco sabe argumentar e, uma vez, sabendo organizar alguns parágrafos, pensa que é argumento e destila veneno e ressentimento nas redes sociais. É o Caminho aberto para a manifestação de um racismo enrustido, ressentido, maldoso e cruel. Esquece o individuo que acesso a internet não o torna capaz de análises profundas.
Argumentos como este têm proliferado nas redes sociais mostrando que temos um tipo de racismo cruel neste país, um racismo capaz de desrespeitar não somente as pessoas mas a própria nação, por que quer queira ou não, afirmar que Joaquim Barbosa erra por causa da cor da pele é uma forma de desrespeito a todos os brasileiros. E neste sentido, errou mais ainda o Ex- Presidente Lula ao afirmar que foi um erro dele indicar o Ministro JB. Ora, tal afirmação é também um profundo desrespeito a constituição, ao Congresso Nacional e a todos os brasileiros por que passa a mensagem de que na verdade Lula governou como um Ditador solitário em sua torre de Marfim.
Joaquim Barbosa  :  a defesa da democracia.
Qualquer pessoa com um mínimo de racionalidade é capaz de perceber que não foi Joaquim Barbosa que condenou os réus do mensalão, e sim, uma coorte. Aliás, uma corte onde a maioria absoluta é de brancos claramente descendentes de europeus. Atribuir a JB, a desgraça dos condenados é risível e uma forma de racismo em si mesmo. Qualquer que fosse o presidente teria que cumprir o rito regimental e o cumpriria cometendo erros e acertos provocados pela pressão das circunstancias.
Joaquim Barbosa tem tentando cumprir com zelo a sua função consciente da responsabilidade que tem para com o país, mais do que mesmo consciente da responsabilidade que tem para com os negros seus pares. Aliás, ele se recusa a processar racistas declarados que desrespeita a forma pela qual se deve tratar um ministro da mais alta Corte. Eu mesmo testemunhei sua recusa em processar o goiano Kid Neto quando se tinha as provas cabais do crime de racismo nas redes sociais. Tal comportamento não ajuda a emancipar os negros, pois se pessoas se acham no direito de desrespeitar um negro presidente da mais alta corte de um país, o que não fará estas mesmas pessoas com um garçom de restaurante?
Joaquim Barbosa tenta o tempo todo se fiel a Constituição de 1988, que todos sabemos ser um mar de contradições. Uma constituição que procurou agradar gregos e troianos e que na atualidade já tem tanta emenda que só os especialistas em direito constitucional sabem definir o que é a constituição e o que são as emendas. Mesmo assim, JB tenta salvaguardar a democracia, a impessoalidade do ato jurídico e da coisa julgada. Os advogados deveriam perceber isso, mas se contentam em exercer o juris esperneandis como se diz no mundo jurídico, ou seja, o direito de espernear. O estranho é que a decisão da condenação já transitou em julgado e é mais estranho ainda ver operadores do direito e da justiça contestando decisões da mais alta corte do país.
Joaquim Barbosa zela pela democracia quando procurar agir com imparcialidade. E não quero entrar no mérito aqui dos problemas pelos quais o acusa nas redes sociais de favorecimento do filho, relações com líderes do PSDB, etc . Esta confusão entre  público e privado não ajuda a enriquecer nossa democracia. A questão que se deve discutir é como procurar meios de se apurar todos e quaisquer delitos que possa impedir a democracia brasileira de se chegar a maturidade. O mensalão do PSDB, deve ser julgado pelo bem da democracia; o Trensalão paulista tem de ser julgado. Enfim, é hora mais do que nunca, de se passar este país. Ou enfrentamos a corrupção e a vencemos ou a corrupção destruirá o futuro deste país.
Não será atacando JB, tentando explicar os atos do mesmo tendo o argumento da cor da pele que vai acabar com a corrupção deste país. O que tem que ficar claro é que chegou o momento de negro ou branco respeitar a constituição, as leis, ou do contrário ser condenado e cumprir pena na cadeia. Chegou a hora de a lei ser para todos e não mais apenas para negros, pobres e prostitutas. Os “doutores” bacharéis deste país que saem de muitas faculdades de direito com dificuldade de escrever um bom texto, ou mesmo com dificuldade para ler e interpretar, deve saber que está chegando ao fim o tempo dos privilégios deste país. A Justiça é  para todos, será para todos. E que bom que é um homem ( de cor negra, o que necessariamente não deveria ser relevante), que está cumprindo o seu papel simbólico de dizer: chega de privilégios. Que a lei seja cumprida neste país e seja para todos.





[1] Nelson Soares dos Santos é membro do Diretório Estadual do PPS em Goiás, e Professor Universitário.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A democracia dos Cabos Eleitorais

Nelson Soares dos Santos1


Quando se põe a pensar nos problemas da democracia brasileira diversas situações nos vêm à mente. Algumas são profundamente discutidas como o Coronelismo, o Clientelismo, a apatia do povo, a corrupção, etc. Outras, já são tidas como normais e até necessárias. Ultimamente uma delas tem chamado minha atenção: É que nas campanhas eleitorais tem ume elemento denominado “Cabo Eleitoral”. A importância do cabo eleitoral cresceu muito desde 1988, e vem crescendo dia-a-dia. Para se tiver uma ideia, uma campanha proporcional de deputado estadual ou federal de estados pequenos como Goiás e ou DF, muitos candidatos planejam gastar em média dois milhões com os chamados “cabos eleitorais”.
Há poucos menos de um ano das eleições existem candidatos que já estão com mais de seis meses trabalhando com cabos eleitorais remunerados. Estes fazem o papel dos antigos militantes dos partidos, sejam nas redes sociais, ou na vida cotidiana, levando o nome do candidato e trabalhando para proliferar as ideias dos mesmos. Nas redes sociais os “cabos eleitorais” são os mais virulentos e fanáticos chegando ao ponto de ultrapassar os limites éticos em prol da defesa dos seus patrões.
Os cabos Eleitorais e máquina Pública.
Um dos problemas dos cabos eleitorais é que a maioria deles não são contratados apenas para trabalhar durante ás vésperas do ano eleitoral ( com o agravante de que todo ano é véspera de eleição); eles são contratados por um salário devido e mais promessas de se vencida a batalha da eleição serem acomodados dentro do serviço público por meio dos chamados cargos comissionados. Com isso, as máquinas públicas estão inchando ano a ano, levando as folhas de pagamento dos estados a uma situação insustentável. Isso acontece por que diversos cabos eleitorais não tem a devida qualificação para serem servidores públicos, mas por arrebanharem votos são contratados por salários, muitas vezes altos, com nenhuma função prática no estado, mas apenas para manter de uma nova forma os chamados “currais eleitorais”.
Pior ainda é constatar que praticamente todos os partidos se deixaram contaminar por esta prática, ao ponto de uma condição sutil para ser candidato é ter dinheiro ou condição de arrecadar dinheiro para pagar cabos eleitorais. Em alguns partidos criou-se uma máquina permanente de cabos eleitorais, outros partidos tornaram-se eles mesmos apenas instrumentos de arrebanhar cabos eleitorais, são os chamados partidos de aluguel. A rigor, temos no Brasil quatro ou cinco partidos com objetivos ideológicos, os demais são todos feitos para negociar apoio e possibilidades de eleição para mandatos proporcionais, o que os coloca bem próximos do papel de cabos eleitorais dos candidatos majoritários. Nestes casos seus dirigentes possuem uma secretaria garantida uma vez vencida as eleições, e muitas vezes, de porteira fechada.
Com esta situação, o eleitor comum, o cidadão fica cada vez mais distante da esfera política e dos partidos políticos. Outro dia convidei um amigo para se filiar a um partido e ele respondeu: - eu não, ainda tenho coragem de trabalhar; ou seja, a política passou a ser vista como lugar daqueles que perderam a coragem de trabalhar e de viver. O problema não é mais o fim dos militantes, é mesmo que tal prática tem destruído uma das possibilidades da construção da cidadania. Com isso, a própria democracia fica prejudicada, pois em vez de termos um país de homens livres temos mesmos é uma democracia de cabos eleitorais.




 Nelson Soares dos Santos é Pedagogo, Mestre em Educação Brasileira, Secretário Geral do PPS Metropolitano da Cidade de Goiânia , membro da Executiva Estadual do PPS Goiás e Diretor Regional da Fundação Astrogildo Pereira

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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Quem está interessado em Derrotar Ronaldo Caiado? - Marina Silva e a Política da Mediocridade.


Nelson Soares dos Santos1

Vou procurar neste artigo entender um pouco do que vive Ronaldo Caiado. Este político goiano, cinco vezes deputado federal, médico respeitado, representante do ruralismo no Brasil, ex- Candidato a presidente do Brasil, um liberal e conservador assumido. Um homem de voz firme na defesa da classe que representa. Um parlamentar respeitado e que de repente parece isolado na política goiana depois de ter se afastado da base aliada de Marconi Perillo, e ter sido afastado, a pedido da Ex- Senadora Marina Silva da possibilidade de participar da construção da Terceira Via em Goiás.
Alguns podem perguntar por que eu, um declarado homem de esquerda, humanista, democrata e socialista veio a interessar pela situação de um liberal conservador. A razão é simples: Existem basicamente três tipos de pessoas que fazem política no Brasil: Um, é o grupo daqueles que fazem negócio e nestes estão a grande maioria dos corruptos e larápios da coisa pública; Outro grupo é o dos imbecis, aqueles que acreditam que política é brincadeira de criança onde se pode afagar o ego e a vaidade na busca do poder e da honra; e um terceiro grupo, formado por aqueles homens, de esquerda, centro ou direita que acreditam que vieram ao mundo com a missão de definir e ajudar a decidir, quando não liderar a forma como a sociedade deve evoluir. Quanto maior o número de homens do terceiro tipo, de esquerda, centro ou direita, mais rápido um país se desenvolve, cresce e se torna exemplo para a humanidade. Eu classifico Ronaldo Caiado no terceiro tipo. É liberal, conservador, direitista por que acredita que é assim que a sociedade deveria ser.

Ronaldo Caiado pelos olhos de um trabalhador.

Quando eu era pequeno e meu pai me contava histórias sobre a família caiado eu tinha dúvida se eles não tinha parte com o demônio ou se eram o próprio demônio. Diziam que eles costumavam enviar jagunços atrás dos trabalhadores após fazer o pagamento aos mesmos, para que roubasse de volta o dinheiro pago por trabalho sofrido na lavoura. Eu duvido muito pouco que estes acontecimentos não tenha sido real uma vez que, ainda menino, vi muitos coroneizinhos dos municípios vizinhos fazerem coisas terríveis com as pessoas mais simples. Nos municípios os homens ricos mandavam e desmandava, agiam como deus e como o diabo sem ninguém conseguir lhe opor. Não havia lei nos anos 1980, nas cidades do interior de Goiás.
O desenvolvimento, no entanto, chegou ao interior do estado com a televisão, energia elétrica, a presença do Estado ( os delegados deixaram de ser nomeados pelo prefeito), e muita coisa foi mudando. É claro que ainda precisa mudar muito, mas muito se melhorou para a vida do povo simples e trabalhador de nosso estado e país. Com o desenvolvimento, estes homens de direita, conservadores tiveram que se adaptar aos novos tempos, e é possível que exista bem poucos jagunços trabalhando nos dias de hoje para tais poderosos.
Não se pode negar que Ronaldo Caiado faz parte desta linhagem de homens ricos e conservadores, grande produtores de leite, grandes agricultores, herdeiros de uma história e de uma saga que gostemos ou não faz parte da história de nosso Estado. Ronaldo Caiado é homem de direita e conservador, ele próprio nunca negou isso. Ao se adaptar aos tempos modernos tais homens utilizam do recurso propiciado pelo mercado capitalista, pelas ideias liberais apoiados nas leis do Estado e continuam explorando de forma cruel e quase desumana aqueles que vivem da venda de sua força de trabalho. Alguns deles, até mesmo burlam esta lei de proteção mínima ao trabalhador e, esta burla explica o fato da, ainda existência, do trabalho escravo que no Brasil de hoje chega a mais de 200 mil pessoas.
Ronaldo Caiado, é conhecido hoje como um competente deputado Federal, um médico renomado e um homem de caráter, com família, conservador, etc. Está no seu quinto mandato de Deputado Federal e até mesmo seus adversários admitem que ele tem um valor na política goiana. Para minha surpresa e de muitos, é este homem hoje, um homem isolado politicamente e segundo a imprensa com o risco de sair em uma candidatura solo para o Senado ou deixar a política. Se isso vier acontecer será um prejuízo para o contraditório na política goiana, pois perderemos um homem com capacidade para discutir ideias, que vamos convir, pode se contar nos dedos de uma mão, quantos políticos em Goiás são capazes de discutir ideias.

Marina Silva - A menina pobre e conservadora.

Marina Silva é aquela mulher que se tornou senadora pelo acre. Tem na sua história a honra de ter sido companheira de Chico Mendes. Pouco sei dela, ou de suas origens. Parece que hoje é evangélica, tentou criar a rede, um partido que mesmo sendo chamado de rede seria também um partido igual aos outros, inclusive quanto ao aspecto do financiamento. Marina foi ministra do Governo do PT, e não deixou o Governo quando estourou o escândalo do Mensalão. Saiu do Governo nos últimos minutos para fazer carreira solo e se candidatar a presidente da república pelo Partido Verde, partido, que aliás, fazia parte do Governo e continua fazendo.
Vê-se na imprensa que Marina é defensora do meio ambiente. Foi Ministra do Meio ambiente e segundo transparece pela observação dos acontecimentos que esta foi a razão da divergência com o personagem principal deste artigo. Do outro lado, o Político Ronaldo se defende – tudo que fez foi em defesa dos produtores rurais e aliás, da agricultura que segundo ele, e me parece real, é a agricultura um importante elemento da economia brasileira e a produção agrícola brasileira é importante para o Brasil e para o Mundo. No fundo da discussão há uma questão que muito interessa a este escrevinhador – a questão da sustentabilidade. De uma razão a outra a pergunta que deve ser feita é : Como produzir alimentos em grande quantidade para alimentar todos aqueles que necessitam de alimento sem colocar em risco a qualidade de vida, o meio ambiente e a própria vida?
Ronaldo Caiado responde com uma visão conservadora, capitalista, liberal por excelência. Marina não parece saber direito o que diz. A questão da sustentabilidade é uma questão complexa e eu mesmo a chamo as vezes de “Ecologia Espiritual”. E isso por que falar de sustentabilidade envolve uma totalidade da sociedade que uma discussão rasteira faz perder de vista. A ideia de sustentabilidade que deve limitar a todos é mesma ideia que nos faz acreditar ser o planeta uma Arca de Noé, onde todos os tipos de vida tem o direito de existir.
Marina Silva ao fugir do debate e preferir a exclusão simples do parlamentar goiano mostrou-se conservadora e renitente. Não fiquei surpreso. Antes eu já duvidara de que ela se filiaria ao PPS, já havia discordado do seu conceito de partido rede. Marina, ao final, se chegar ao poder poderá não respeitar o Estado Democrático de Direito. O comportamento excludente não é boa semente quando o assunto é democracia.
Apoiado neste pano de fundo, e de forma rasteira, Marina Silva protagonizou o estopim para isolar Ronaldo Caiado na política regional. Antes o mesmo se afastou da base aliada do Governo Marconi e chegou até mesmo a ter posições duras contra determinados acontecimentos. O que se interessa no momento, a pergunta que me move é: Se todo mundo no Estado e até no país, respeita Ronaldo, tem dele a visão de um homem que defende seu estado e sua classe com energia e vivacidade, a quem interessa o isolamento e a possível derrota de um homem assim?

Os imbecis e negociadores mercenários.

O que está colocando Ronaldo Caiado no isolamento não foram apenas as questões ambientais. Se fosse, que se faça o debate e que vença os melhores argumentos. É assim que deve ser em uma democracia. O que isola Ronaldo Caiado são os grupos citados no início deste texto, aliás, aos que mais interessa são justamente os dois primeiros, dos quais passo a tratar agora.
Os imbecis tem um interesse profundo em isolar o Deputado ruralista. Interessam por que todo imbecil é no fundo movido pela inveja. Não possuem a coragem para o trabalho e para luta mas sempre querem a honra dos vitoriosos. Os imbecis são vaidosos, adoram títulos de qualquer que seja e como narcisismos só veem a própria imagem. Os imbecis não pensam, são vaidosos ao extremo e estão sempre buscando um exemplo a quem imitar. São na verdade um cordão de puxa-sacos que dispostos a fazer qualquer coisa para fazer parte daquele grupo que se encontra no poder.
Os imbecis, puxa-sacos e sem pensamento próprio estão sempre a mando de alguém e quando se posicionam publicamente é sempre de forma raivosa como aqueles torcidas organizadas e fanáticas. As vezes, agem como verdadeiro terroristas. Não é difícil identificá-los nas redes sociais. Para eles é como se houvesse uma eterna guerra entre o bem e o mal, e óbvio, o lado que eles defendem é sempre o bem, e os adversários são sempre o mal.
O segundo grupo é o mais perigoso. São homens frios, racionais, calculistas que tem um único objetivo no meio político. Tirar vantagem do poder público para enriquecerem, ou muitas vezes, sustentar suas amantes e vícios empedernidos e cruéis. São negociantes, mas não negociantes no sentido tradicional do termo, daqueles que respeitam o mercado, a palavra dada e o contrato. Neste meio, nenhum contrato é respeitado por eles e tudo se muda de acordo com as conveniências dos mais fortes. Foi este tipo que produziu as maiores quadrilhas de assalto a coisa pública. Desde os Anões do Orçamento a todos os casos já julgados, para ficar só nos que houveram condenação: O mensalão, Tarja Preta, Monte Carlo – e tantas outras operações da Polícia Federal que deram ao Brasil a dimensão do domínio que este grupo tem sobre nossa política.
Tal grupo são pródigos em financiar campanhas, como o é em fraudar licitações. Eles não possuem nem um nível limite ético a não ser aumentar as expensas do sofrimento alheio a acumulação de riquezas. E para eles acumular riquezas não tem relação com as mesmas razões ou preocupações que já houve no passado de grande homens ricos e poderosos que viam nas suas riquezas uma oportunidade de fazer avançar o desenvolvimento da humanidade. O Deus deles é apenas o dinheiro e tudo que ele pode fazer pelo homem.
Ronaldo Caiado não é vítima dos idealistas de esquerda ou centro. É vitima dos imbecis e negociadores do Estado. Estes dois grupos não são inimigos apenas de Ronaldo Caiado, é inimigo de qualquer homem idealista por que para eles o discurso de que todos temos um papel na vida, um sentido, um missão, é uma coisa idiota, sem valor, sem razão de ser. Eles não acreditam em compromisso com a classe, com a família, com a cidade ou com a nação. A derrota de Ronaldo Caiado é pois, a derrota de todos aqueles que acreditam que a vida tem um sentido maior do que comer, beber, fazer sexo e dormir. A luta de Ronaldo é contra a política da Mediocridade.



1Nelson Soares dos Santos é Licenciado em Pedagogia, Mestre em Educação Brasileira, Professor Universitário e Dirigente Estadual do PPS em Goiás.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Da consciência negra à consciência humana : A luta contra a servidão moderna.



Nelson Soares dos Santos[1]

Toda minha vida, pesquisei, estudei e refleti sobre a situação do negro no Brasil, mas foi na graduação quando pela primeira vez, fiz um trabalho com um mínimo de cientificidade sobre o processo de abolição da escravatura no Brasil. Naquela época estava interessado em entender as diferenças de motivações que possuíam de um lado, os abolicionistas livres como Joaquim Nabuco, Castro Alves, entre outros; e de outro lado, os negros aquilombados com destaque para Zumbi dos Palmares. Eu conclui que Zumbi tinha uma motivação existencial enquanto os abolicionistas, em sua maioria, por vezes até eram libertários idealistas, mas parte de um sistema que em sua essência queria perdurar e fazer aumentar a oferta de mão-de-obra assalariada para o sistema capitalista.
Eu sempre dizia que os idealistas nunca entenderam as motivações dos negros aquilombados, nunca foram capazes de sentir a dor sentida pelos escravos, e nem tão pouco compreender a crueldade que significava a escravidão. Mesmo Castro Alves com seus versos que nos faz deixar as lágrimas rolar diante da dor que ele foi capaz de expressar não chegou a profundidade da dor sentida pelos escravos. Como nas guerras, aqueles que compreenderem a profundidade da dor não viveram para contar e expressar o sofrimento pelo qual passaram. A servidão é uma dor que além do corpo escraviza o espírito e a alma e deixa marcas que o tempo e as vezes, sequer a morte é capaz de apagar.
Crueldade maior, é perceber mais de cem anos depois que a abolição da escravatura foi uma grande ilusão para a grande maioria dos negros no Brasil. Sem lugar para viver, sem trabalho (substituídos que foram por imigrantes), sem comida, os negros foram jogados na rua, na sarjeta, e jamais foram tratados como cidadãos. Ficaram a margem da lei e ainda hoje, pouco pode ter de apoio do estado para a construção da verdadeira cidadania. O Sistema Capitalista agiu com toda a sua crueldade sobre os negros, agora livres, livres para não encontrarem ninguém que os quisesse escravizar em troco de míseros trocados que pudessem pelo menos saciar a fome e a dor de estar no mundo.

A consciência Negra.

Foi o sofrimento e a dor que levou os negros no Brasil a luta. O surgimento do movimento negro no Brasil, desde os mais radicais aos mais pacíficos não foi uma dádiva dos brancos ou do sistema de governo, de estado, ou de mercado. Foi uma luta árdua, dolorida, sofrida com muito sangue derramado desde os dos negros aquilombados, pelos revoltosos da Revolta da Chibata, e tantos outros anônimos que levantando a cabeça colocaram suas vidas em risco e ensinaram os filhos a resistir, a luta, a não aceitar nada diferente da igualdade e do direito de ser cidadão.
Foi assim que surgiu o dia da consciência negra, o direito às cotas, a luta pela educação de qualidade. Tudo que hoje temos é fruto de uma luta de milhares de mãos, uma luta pela qual se derramou literalmente sangue, suor e lágrimas. A consciência da negritude brasileira se fez sim, com a alegria do samba, mas também com o sofrimento. O acúmulo das lutas foi se somando até que o negro construiu um inconsciente coletivo no qual se descobriu como etinia, como povo também e essencialmente brasileiro mas que tinha uma origem própria, uma descendência da qual aprendeu a se orgulhar.

A Servidão Moderna.

A luta do negro, no entanto, mal começou. Quando se descobriu como participante do sistema, com alguns direitos, muitos deveres e uma tendência constante a ser marginalizado é que se percebe que a luta pela libertação é maior do que parecia ao primeiro momento. A escravidão do sistema é sutil. O trabalho dito livre, o salário reivindicado, o direito de consumir é também os símbolos de uma nova escravidão. E esta nova escravidão é mais cruel por que vem travestida do direito da liberdade de escolha. É o próprio individuo que luta para ser escravizado e disputa com o seu semelhante o espaço e o direito de ser tornar um escravo. E não foi esta a liberdade pela qual os ancestrais lutaram, não foi esta a busca de Zumbi dos Palamres, descobre o negro do século XXI, atônito e estupefato.
A luta então recomeça. Agora o negro sabe que a sua liberdade depende da liberdade do seu semelhante, que a consciência negra tem de se transforma em consciência humana, que ao final somos todos iguais, somos todos seres humanos em busca do desenvolvimento humano, físico, mental e espiritual. A luta é também por justiça social, democracia e uma nova forma de liberdade fundada na cooperação e não na competição. A nova cidadania requer uma sutileza na forma de lutar e virtudes que façam da sociedade um lugar de paz. É o tempo do guerreiro pacífico.
A luta contra a servidão moderna é contra o ato de se perder no perverso direito de ser livre para consumir. A mercadoria que se possui é a inimiga que escraviza que distancia os indivíduos e os faz escravos de suas próprias vontades. A luta é pelo domínio de si. A condição de possuir sem ser possuído e a educação do desejo de receber para compartilhar. E assim, o maior desafio é perceber o outro. Em tempos de uma vida em rede a percepção da existência do outro se tornou um desafio a ser vencido  todo momento. Libertar-se é poder ter a si mesmo para ter o direito de viver com o outro. Eis o fundamento da luta por uma consciência humana nos nossos dias.




[1] Nelson Soares dos Santos é Licenciado em Pedagogia, Mestre em Educação Brasileira e Dirigente Estadual do PPS em Goiás.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Quatro anos de luta por Desenvolvimento Humano e Democracia: O PPS que temos e o PPS que queremos.



Nelson Soares dos Santos1

Quatro anos atrás assumimos como membro da direção do Partido Popular Socialista em Goiás, e a direção da Fundação Astrogildo Pereira, tornando o e dirigente responsável pela equipe de formação política ao lado do Ex – Vereador e Presidente do PPS da cidade de Anápolis. Nestes quatro anos, travamos várias lutas e a mais importante delas e colocadas como meta era transformar o PPS Goiano em um partido com identidade em defesa das amplas liberdades democráticas, do desenvolvimento humano e em defesa das minorias sociais. E se tem algo que aprendemos nestes quatro anos é que a luta em defesa das minorias é uma luta que começa dentro do próprio partido. A luta em defesa das minorias é muitas vezes, uma luta contras as minorias, pois estas às vezes, passam a servir como porta-vozes dos seus algozes.

A luta pela Educação e a defesa das minorias.

Tínhamos as expectativa muito grande de que o Governo Marconi fosse o melhor dos governos da vida dos goianos, e estivemos juntos quando o PPS aprovou o apoio ao retorno do mesmo, sendo o primeiro partido a fazê-lo. Mesmo antes do governo se iniciar as forças conservadoras se apresentaram e infelizmente o governo quase que sucumbiu. Pagamos o preço de termos ficado totalmente a margem do Governo e das benesses do Governo mas erguemos nossa voz em defesa das minorias de dos trabalhadores.
Na questão da Educação participamos ativamente do debate em torno do Pacto pela Educação, que continuamos achando que foi um equívoco e não produziu os resultados necessários ao avanço da Educação Pública estadual. O Pacto foi uma proposta pequena, que tolheu a liberdade e a criatividade dos professores, uma cópia mal feita das propostas neoliberais aplicadas como receita mundo a fora. Passamos a utilizar nosso blog pessoal no endereço www.amigosdosabor.blogspot.com como instrumento de defesa de nossas posições, e através dele, fizemos chegar nossa voz nos jornais em defesa das nossas posições na luta por uma educação de qualidade. Muita gente confundiu nossas posições, mas elas não entenderam que eram tão somente a coerência de quem defendeu no Congresso Nacional do Partido que fosse colocado o tema da Educação como uma das lutas prioritárias do partido por parte de todos os dirigentes e militantes.2
A questão do pacto pela educação está em sua essência. O próprio conceito de escola pública está vilipendiado. Enquanto acreditarmos que podemos ter uma escola pobre para os pobres não estaremos cumprindo o dever de dar aos nossos jovens esperança de um futuro decente. Não pode haver nenhuma reforma educacional que dê certo sem investimento forte na qualificação e valorização do Educador. Os países que seguiram o caminho da qualificação e valorização do Educador fizeram uma revolução em seus sistemas em menos de 30 anos, e pode ser citado o caso da Coreia do Sul e Cabo Verde.

A participação no Governo Marconi

Vencidos na batalha, em nenhum momento baixamos nossa cabeça. Continuamos o diálogo com professores, lideranças sindicais, e tantos outros, em busca de divulgar uma concepção humanista de Educação, uma concepção humanista e libertária de sociedade onde o desenvolvimento humano fosse o centro, e não apenas o desenvolvimento econômico. Logo em seguida, após a greve dos educadores veio a chamada “Operação Monte Carlo”; considerada por muitos o maior caso de corrupção do Estado. Tal caso fragilizou ainda mais o Governo, colocou a equipe do governo da defensiva e foi cassado o Senador Demóstenes Torres, grande aliado do Governo. Na época, devido ao fato de a Direção Nacional do Partido ter rompido com o Governador do Distrito Federal, o Petista Agnelo Queiroz, defendi que o partido também deveria romper com o Governador Marconi Perillo, uma vez que ambos foram citados e chegaram a depor na CPI que apurou a questão. O partido naquele momento, se apequenou, de um lado não se posicionou na luta contra a corrupção, de outro, se acreditava na inocência do Governador, os principais líderes, ou a própria executiva não teve a coragem de sair em defesa do mesmo. O silêncio obsequioso foi prejudicial a construção de nossa identidade.
A nossa luta continuou tentando apresentar uma via diferente na política de goiana. E a tentativa era fazer uma experiência na disputa da prefeitura de Goiânia. Aliados ao PMN, que apresentou o Deputado Elias Jr, como cabeça de chapar lançamos uma alternativa ao povo de Goiânia: Elias Jr, e Darlan Braz. O alcance de 10% dos votos obtidos nas urnas mostrou-nos que estávamos certos e que existe uma grande parcela da sociedade que quer mudança e sair da polarização PSDB/PT-PMDB. Os dois mais votados gastaram mais de dez milhões na campanha para prefeito, mostrando um lado perverso das relações público/privadas que permeiam as campanhas em nosso país.
Travamos um debate duro sobre o papel do partido no Governo Marconi, por que acreditamos que aqueles que representam o PPS deve estar em defesas da luta por desenvolvimento humano, amplas liberdades democráticas e apoio as lutas das minorias marginalizadas. Como resultado da luta, diversos quadros deixaram o partido e permitiu que assumíssemos um discurso mais consistente em defesa de uma sociedade democrática e dos trabalhadores. Nesta quadra, o governo também começou uma lenta recuperação, com construção de estradas, obras, investimento no social por meio da bolsa futuro, aumento das bolsas universitárias e outros investimentos. Entretanto, aquela parte que nos é mais cara , - a educação – foi mantido o pacto do início do governo e nada ainda foi feito para recuperar os direitos perdidos pelos professores. Manifestamos nosso apoio a todas as lutas dos trabalhadores indiferente qual fosse o Governante. No caso da cidade de Goiânia, acompanhamos de perto a ocupação da Câmara Municipal e a luta dos professores contra o governo do PT, que também , e de sua forma, considerou a possibilidade de retirar direitos já adquiridos pelos professores.

A Luta contra a intolerância e o preconceito.

Lutamos ainda em outras frentes, seja na luta contra o racismo, contra a intolerância religiosa, a homofobia, e todas as formas de preconceitos. Pugnamos sempre por uma sociedade democrática por que acreditamos que a nossa sociedade deve ser tratada não como segregacionista, e sim como uma grande arca de noé, onde a educação, a ciência e a tecnologia sejam colocadas a serviço do desenvolvimento físico, mental e espiritual do homem. Daí por que nos é cara a luta pela educação. Acreditamos que só uma educação da mais alta qualidade pode nos colocar em condição de transformar o que acreditamos em realidade.
Internamente no partido, realizamos diversos encontros regionais com o objetivo de conscientizar os dirigentes municipais, filiados ativos e simpatizantes da importância do exercício da cidadania nos locais onde vivem. Nossa luta foi para desenvolver a ideia da cidadania no poder local e portanto, uma concepção de política totalmente diferente do municipalismo, por que fundada em uma democracia, onde os conselhos participativos e toda a sociedade tem voz e condições de interferira nas decisões sobre o futuro da cidade, e não, como até agora tem sido, quando os prefeitos se comportam como verdadeiros coronéis locais e os cidadãos cabe obedecer de forma servil e sofrida. No momento atual estamos na tutoria de um curso EAD – Educação a Distância com 75 alunos matriculados. Este curso proporcionado pela Fundação Astrogildo Pereira, é um desafio de estabelecer um debate profícuo sobre qual partido queremos, e sobretudo qual partido a sociedade precisa para encontra os novos caminhos que procura.
A luta que continua.

Com as condições que tínhamos tudo que estava ao nosso alcance foi feito. Os dirigentes que hoje, continuam no partido se entregaram e deram o melhor de si na construção de um partido democrático que chegasse a este congresso forte e com expectativas de seguir adiante construindo a esperança. Hoje, o partido está organizado em mais de 150 municípios, possui mais de 60 vereadores, e mais de 50 diretórios municipais. A relação da direção estadual com as direções municipais sempre foi de respeito as bases, de diálogo que busca o consenso de ideias respeitando as opiniões divergentes. Nunca abrimos mão de nossos fundamentos – o desenvolvimento humano, o desenvolvimento da consciência politica para fortalecer a cidadania loca em harmonia com o processo de globalização, no qual o cidadão seja o sujeito de sua própria história.
Ao fim, deste mandato, temos a agradecer a toda a sociedade que nos permitiu discutir democracia, discutir liberdade, lutar contra o preconceito, a intolerância em todas as suas formas, a corrupção e tantos outros males e lutas dos quais participamos e que nos tornou mais fortes e mais dispostos a construir uma alternativa onde o desenvolvimento humano e a democracia, a sustentabilidade e a justiça social sejam os reais fundamentos de um governo. É este o caminho no qual pretendemos continuar, pois é através dele que contribuiremos para diminuir a violência e tantos outros males que assolam a sociedade. Viva o PPS, viva o humanismo, viva a democracia.

1Nelson Soares dos Santos é membro da Executiva Estadual do PPS, Diretor da Fundação Astrogildo Pereira, e Professor Universitário
2Segue anexo o vídeo onde defendemos no Congresso Nacional do Partido nossa posição na luta pela educação.

domingo, 17 de novembro de 2013

Reflexões sobre o Mensalão, seus prisioneiros e Julgadores.



Nelson Soares dos Santos

Eu sei que este artigo que ora escrevo vai decepcionar muita gente. Eu sempre tentei ser um livre pensador. Sempre tentei, e lutei ser dono do meu destino e capitão da minha alma, para utilizar uma expressão não criada por minha pessoa, mas muito cara. E é neste sentido que tenho dificuldade de falar sobre o mensalão do PT e todo processo que descambou na prisão. Confesso que tenho evitado falar sobre o assunto até com as minhas filhas. E por que tenho feito isso? Como não consigo avançar em meus próprios pensamentos para uma análise sobre todo o episódio vou aqui tentar dizer, pelo menos, o que tem trazido o incomodo e impedido de dizer o que penso.
          1. A Justiça. É difícil dizer que a prisão dos mensaleiros do PT é uma questão de se fazer justiça. Digo isso pelo simples fato que o conceito de justiça em sua origem deve primar pela imparcialidade. E se pode dizer que houve de tudo durante o episódio do mensalão, menos a tal imparcialidade. Até o fato de que foram os líderes do PT, os primeiros a serem presos diz da imparcialidade. Quantos outros casos, quantos outros correm de forma lenta e nunca termina para colocar os possíveis “culpados” na prisão? Por que não se apressa a questão dos corruptos de todos os partidos para que se coloque todos os corruptos na cadeia? E o mensalão do PSDB? E a máfia do ISS do PSD? E tantas outras mazelas que envolvem tantos outros partidos? Serão julgados com celeridade e os culpados mandados para a cadeia? Não parece que isso vá acontecer, e se não acontecer não terá havido justiça, e sim, uma forma nova de linchamento.
          2. A Polarização. Não se pensa mais em nosso país. O que se vê, seja nos jornais, ou nas redes sociais é uma forma nova, ou o surgimento dos gladiadores modernos. São guerreiros das palavras e estes tem como objetivo impedir a massa de pensar por ela mesma. De um lado está o PSDB, de outro o PT. Diferente da Revolução Francesa na qual de um lado havia os Jacobinos, e de outro, os Girondinos; e no meio, os da Planície, no Brasil não existe espaço mais para a ponderação. Tudo se transformou em radicalismos extremos. Não existe mais o centro, o que existe é direita, extrema direita, esquerda e extrema esquerda. O campo da racionalidade do livre pensamento está se extinguido lentamente. Isso incomoda por que todos são obrigados a pensar dentro de um determinado espectro de ideias, e quando isso acontece a criatividade começa a ser destruída e mutilada.
          3. Os prisioneiros. O comportamento dos prisioneiros não tem sido de inocentes, mas uma tentativa de dizer: “ Não podem nos prender por que todos são iguais a nós”. Isso não é verdade. Pode ser verdade que a corrupção no Brasil é sistêmica, que parte do povo gosta de levar vantagem em tudo, mas há um povo brasileiro trabalhador, honesto, e dispostos a viver da própria liberdade e da própria responsabilidade. Quando os dirigentes, agora presos, se comportam assim, eles estão apenas dizendo que os outros ( dirigentes opostos a eles) também são corruptos o que não significa que o Brasil e os Brasileiros não querem um governo e um Governante que esteja dispostos a construir nesta terra o respeito a coisa pública.
          4. Os julgadores. A Justiça no Brasil, penso, está precisando mesmo é ser reformulada. Não apenas a estrutura mas, e sobretudo, o conceito de justiça e do papel do estado na questão da justiça ou na dirimição de conflitos entre as partes no inconsciente coletivo da sociedade brasileira. Hoje, muito se tem dito que questões entre vizinhos que poderiam ser resolvidos pelo diálogo se transformam em querelas judiciais e vão parar nas mais altas cortes do país. Ademais, o Julgamento do mensalão com suas sessões ao vivo me fazia sempre lembrar a Roma Antiga e sua política e pão e circo. A política assistencial do Governo é o pão dado a miseráveis e o Congresso Nacional e os Tribunais com suas sessões ao vivo ajudam a construir o circo de horrores perpetrado pela imprensa.
          5. O Povo. Por fim, o povo. Como foi na proclamação da independência, na proclamação da república e em tantos outros momentos, o povo assiste a tudo meio bestializado. E não me venham dizer que o povo está aprendendo conceitos jurídicos que se tornaram populares pelo julgamento em um país onde mais de 70% são analfabetos funcionais e menos de 15 % da população são capazes de ler, interpretar e escrever um bom texto. O povo mesmo, e é em sua grande maioria, inclusive muitos dos que se acham filósofos nas redes sociais são mesmo verdadeiras viúvas “Porcina”, que acham os discursos belos, mas não entendem nada do que está sendo dito ou feito.
          6. Por tudo isso, tenho dificuldade de fazer uma análise do caso do mensalão do PT. Na verdade, continuo a pensar este país, o estado e a cidade onde moro. Penso que precisamos mesmo é de educação, muita educação para que o povo, tão sofrido, não seja mais tão manipulado. O tempo utilizado preocupando com as questões que tem sido postas na mídia é uma perda de tempo para quem quer olhar para o futuro. Eu quero pensar uma nova forma de ser cidadão, de ser livre, de viver com intensidade o espírito desta nação chamada Brasil.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

A res – pública que não temos

Nelson Soares dos Santos

É possível que em algum canto do país, em alguma casa ou choupana alguém faça a pergunta: afinal, por que mesmo é feriado hoje? 15 de novembro, - a proclamação da república; - é possível que alguma outra voz responda. Para além da pergunta e da resposta, mesmo que seja feita em uma choupana ou em uma rica casa dos jardins, o que fica é que poucos sabem o que é a república, e por que somos uma república.
A transformação do Brasil de um império em uma república foi uma ação praticada por poucos homens, e talvez, até hoje seja assunto de poucos cidadãos da nossa pátria. José Murilo de Carvalho, em sua obra “ Os Bestializados” ao descrever o processo de como se deu a proclamação da república me fez ler algo que nunca mais vou esquecer e que me ensinou o quanto o nosso povo está distante de vivenciar de forma consciente o espírito da nação. Ele diz em seu livro que enquanto Deodoro montado em seu pomposo cavalo e cercado de oficiais percorria as ruas do rio na proclamação da república o povo assistia bestializado sem ter a mínima ideia do que estava acontecendo e qual diferença teria entre império e república.

Ainda bestializados – razões não públicas em defesa da res-pública.

Mais de 100 anos depois muito do nosso povo se encontra na mesma situação. Bestializado com os acontecimentos que envolvem a coletividade chamada república, e muitos, sequer sabem o que é república e por que somos uma república. A história diz que um dos elementos que influenciou a transformação da situação de Império em república foi entre outras questões, a questão da escravatura. Ora, dizem que os grandes fazendeiros ficaram irritados com a princesa Isabel, e, por isso resolveram apoiar os republicanos. Outra questão, foi a questão militar. Militares insatisfeitos após guerras e o trabalho de sufocar rebeliões internas julgaram não receber do imperador o merecido reconhecimento. E por fim, a questão religiosa tendo como centro o clero da igreja católica, que resumindo, estava insatisfeita com a lei imperial de que as bulas papais só poderia ser obedecidas no Brasil após a sanção do Imperador.
Olhando bem, veja que cada grupo tinha suas razões particulares para apoiar o fim do império do Brasil, e pior, as razões particulares eram contraditórias entre si, pois um grupo se opunha seus interesses aos demais. E, analisando ainda, dentro do espectro, a solução foi a proclamação da república por meio de um golpe militar. Não sou monarquista, mas não posso deixar de ver que o surgimento da república no Brasil não teve uma relação direta com a preocupação em transformar o poder do Estado em uma coisa pública, pelo contrário, foi justamente o descontentamento com questões como o abolicionismo que tornaria um país de todos os seus filhos, fazendo dos negros cidadãos uma das causas centrais que motivou seu surgimento. A república no Brasil surgiu da contrariedade por uma medida que tentava colocar o poder do estado a serviço de todos, ou seja, tornar o Estado uma coisa pública.

Ainda a república que não é uma Res-pública.

Cem anos depois, as contradições permanecem. Pensando que a palavra república veio da Grécia e queria dizer coisa pública, no Brasil o Estado ainda não é tratado com coisa pública. As capitanias hereditárias se mantiveram e ainda se alguém resolver fazer uma pesquisa verá que mais de 50% dos nossos políticos e parlamentares federais são descendentes das mesmas famílias poderosas da época do império. Em goiás são 15 famílias tradicionais que dominam a política desde a época do império e pouco espaço tem para alguém surgido do meio do povo.
As políticas, toda vez que é feito algo em prol do povo, da maioria que ainda sofre todos os tipos de males; o governante que se atreve a fazê-lo sofre as mesmas dores sofridas pelo Imperador. Foi assim com muitos, e o mais ilustre deles Getúlio Vargas, aliás, este poderia dizer que proclamou a segunda abolição no Brasil ao regulamentar as relações trabalhistas em nosso país. Somos uma república cujo aparato do estado não está a serviço da coisa pública e sim manietada para a defesa dos interesses de uns poucos grupos particulares com interesses por vezes, mesquinhos que prejudicam o desenvolvimento e a grandeza da nação. Por todas estas razões, devemos continuar lutando para transforma o Brasil em uma Res-pública, ou uma república verdadeira.

Errata.: este artigo foi envidado para os jornais com uma pequena errata. O nome do autor do livro foi escrito como José Guilherme, e na verdade o livro citado é de José Murilo de Carvalho.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Novos discursos e velhas práticas x velhos discursos e novas práticas.


Nelson Soares dos Santos

Lutar contra as velhas práticas políticas que dominam a sociedade e o meio político não tem sido uma coisa fácil por dois motivos: o primeiro, aquela ingenuidade egoísta daqueles que querem uma nova sociedade e uma nova política, mas vivem movidos pelo egoísmo e a vontade de sempre receber mais do que partilhar; o segundo, a astúcia dos velhos dominadores que não medem esforços para manter o poder que possuem. No meio dos dois extremos uma pequena parcela compreende a crueldade do jogo político e trabalham sob fogo cruzado tentando colocar o bem coletivo acima dos interesses individuais.
Os egoístas ingênuos.
Os egoístas ingênuos estão em diversos lugares, mas sobretudo, nas escolas e universidades. Em resumo, possuem potencial para serem bons políticos, mas o objetivo prioritário deles é alcançar estabilidade pessoal. Querem passar em um concurso público, ocupar espaço na sociedade, viajar, cuidar bem da família. Até então, tudo bem, o problema é que para realizarem tais desejos e sem perceberem se enredam por laços com a velha política de tal forma que quando tentam se desvencilhar é tarde demais.
Os egoístas ingênuos, na maioria das vezes, não sabem que são egoístas. Eles se dedicam tanto a conseguir um espaço na sociedade onde tudo se transformou em mercadoria que se transformam em mercadorias baratas e esquecem que podem ser sujeitos da própria história. Olhando de longe eles parecem pessoas de boa índole, mas uma vez com poder na mão ou possibilidade de ganhar algum dinheiro a mais do que estão acostumados se tornam perversos e esquecem totalmente de que existe uma sociedade cheia de desigualdade.
O velho travestido de novo.
O segundo tipo é sempre mais perigoso do que o primeiro. É feito daquele tipo de gente que passou a vida inteira mudando de partido político. E no rastro deles há os filhos, sobrinhos e netos. Eles não se preocupam com a política e nem tão pouco com a sociedade. Aprenderam a valorizar a família como verdadeira máfia e são capazes de fazer qualquer coisa para manter o patrimônio e a imagem da família.
A rigor, a família destas pessoas nada difere do resto da sociedade. Há separações, brigas, filhos mal educados, drogados e tudo o mais que é normal existir na sociedade. Entretanto, no meio deles há os chamados “filhos competentes”, que nem sempre são gente de bem, na verdade quase sempre são filhos egoístas e mimados que não conseguem fazer nada de bom se não estiverem bem apadrinhados. Quando tais entram na política costumam aparecer em fotos ao lado dos pais, dos tios, tias ou algum padrinho que insistem em pedir para o povo votar neles.
Este tipo é perigoso por que apesar de se apresentar como novo trazem no DNA, o velho discurso e as velhas práticas. São capazes de ameaçar a vida daqueles que podem atrapalhar seus planos, chantageiam, e, fazem qualquer coisa para alcançar os objetivos escusos sem serem descobertos pela população. São verdadeiros covardes que se escondem atrás das leis, dos sistemas e da ignorância e ingenuidade da população.
O esforço pelo novo.
Há muita gente cansada da velha política. E na verdade, muitos que gostariam de voltar a uma vida pacata. O problema é que estão enredados de tal forma que não podem mais se libertar sem colocar em risco a vida e o conforto dos familiares. No meio disso tudo, o novo se esforça para nascer sem se contaminar com o velho que, em alguns casos, é capaz de fazer qualquer coisa para não deixar o poder.

Lutar pelo novo na política é uma batalha árdua por que além dos inimigos já apresentados é preciso enfrentar a desilusão de uma população cuja capacidade de pensar não lhe propicia condições para ver além das aparências, a capacidade de leitura não lhes permite ler nas entrelinhas, e, a capacidade de ouvir não lhes propicia condições para ouvir o silêncio obsequioso. A luta por novas práticas é, no entanto, o único caminho pelo qual possamos trilhar em defesa do futuro da humanidade e do próprio planeta terra.