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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Novos discursos e velhas práticas x velhos discursos e novas práticas.


Nelson Soares dos Santos

Lutar contra as velhas práticas políticas que dominam a sociedade e o meio político não tem sido uma coisa fácil por dois motivos: o primeiro, aquela ingenuidade egoísta daqueles que querem uma nova sociedade e uma nova política, mas vivem movidos pelo egoísmo e a vontade de sempre receber mais do que partilhar; o segundo, a astúcia dos velhos dominadores que não medem esforços para manter o poder que possuem. No meio dos dois extremos uma pequena parcela compreende a crueldade do jogo político e trabalham sob fogo cruzado tentando colocar o bem coletivo acima dos interesses individuais.
Os egoístas ingênuos.
Os egoístas ingênuos estão em diversos lugares, mas sobretudo, nas escolas e universidades. Em resumo, possuem potencial para serem bons políticos, mas o objetivo prioritário deles é alcançar estabilidade pessoal. Querem passar em um concurso público, ocupar espaço na sociedade, viajar, cuidar bem da família. Até então, tudo bem, o problema é que para realizarem tais desejos e sem perceberem se enredam por laços com a velha política de tal forma que quando tentam se desvencilhar é tarde demais.
Os egoístas ingênuos, na maioria das vezes, não sabem que são egoístas. Eles se dedicam tanto a conseguir um espaço na sociedade onde tudo se transformou em mercadoria que se transformam em mercadorias baratas e esquecem que podem ser sujeitos da própria história. Olhando de longe eles parecem pessoas de boa índole, mas uma vez com poder na mão ou possibilidade de ganhar algum dinheiro a mais do que estão acostumados se tornam perversos e esquecem totalmente de que existe uma sociedade cheia de desigualdade.
O velho travestido de novo.
O segundo tipo é sempre mais perigoso do que o primeiro. É feito daquele tipo de gente que passou a vida inteira mudando de partido político. E no rastro deles há os filhos, sobrinhos e netos. Eles não se preocupam com a política e nem tão pouco com a sociedade. Aprenderam a valorizar a família como verdadeira máfia e são capazes de fazer qualquer coisa para manter o patrimônio e a imagem da família.
A rigor, a família destas pessoas nada difere do resto da sociedade. Há separações, brigas, filhos mal educados, drogados e tudo o mais que é normal existir na sociedade. Entretanto, no meio deles há os chamados “filhos competentes”, que nem sempre são gente de bem, na verdade quase sempre são filhos egoístas e mimados que não conseguem fazer nada de bom se não estiverem bem apadrinhados. Quando tais entram na política costumam aparecer em fotos ao lado dos pais, dos tios, tias ou algum padrinho que insistem em pedir para o povo votar neles.
Este tipo é perigoso por que apesar de se apresentar como novo trazem no DNA, o velho discurso e as velhas práticas. São capazes de ameaçar a vida daqueles que podem atrapalhar seus planos, chantageiam, e, fazem qualquer coisa para alcançar os objetivos escusos sem serem descobertos pela população. São verdadeiros covardes que se escondem atrás das leis, dos sistemas e da ignorância e ingenuidade da população.
O esforço pelo novo.
Há muita gente cansada da velha política. E na verdade, muitos que gostariam de voltar a uma vida pacata. O problema é que estão enredados de tal forma que não podem mais se libertar sem colocar em risco a vida e o conforto dos familiares. No meio disso tudo, o novo se esforça para nascer sem se contaminar com o velho que, em alguns casos, é capaz de fazer qualquer coisa para não deixar o poder.

Lutar pelo novo na política é uma batalha árdua por que além dos inimigos já apresentados é preciso enfrentar a desilusão de uma população cuja capacidade de pensar não lhe propicia condições para ver além das aparências, a capacidade de leitura não lhes permite ler nas entrelinhas, e, a capacidade de ouvir não lhes propicia condições para ouvir o silêncio obsequioso. A luta por novas práticas é, no entanto, o único caminho pelo qual possamos trilhar em defesa do futuro da humanidade e do próprio planeta terra.

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