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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Quatro anos de luta por Desenvolvimento Humano e Democracia: O PPS que temos e o PPS que queremos.



Nelson Soares dos Santos1

Quatro anos atrás assumimos como membro da direção do Partido Popular Socialista em Goiás, e a direção da Fundação Astrogildo Pereira, tornando o e dirigente responsável pela equipe de formação política ao lado do Ex – Vereador e Presidente do PPS da cidade de Anápolis. Nestes quatro anos, travamos várias lutas e a mais importante delas e colocadas como meta era transformar o PPS Goiano em um partido com identidade em defesa das amplas liberdades democráticas, do desenvolvimento humano e em defesa das minorias sociais. E se tem algo que aprendemos nestes quatro anos é que a luta em defesa das minorias é uma luta que começa dentro do próprio partido. A luta em defesa das minorias é muitas vezes, uma luta contras as minorias, pois estas às vezes, passam a servir como porta-vozes dos seus algozes.

A luta pela Educação e a defesa das minorias.

Tínhamos as expectativa muito grande de que o Governo Marconi fosse o melhor dos governos da vida dos goianos, e estivemos juntos quando o PPS aprovou o apoio ao retorno do mesmo, sendo o primeiro partido a fazê-lo. Mesmo antes do governo se iniciar as forças conservadoras se apresentaram e infelizmente o governo quase que sucumbiu. Pagamos o preço de termos ficado totalmente a margem do Governo e das benesses do Governo mas erguemos nossa voz em defesa das minorias de dos trabalhadores.
Na questão da Educação participamos ativamente do debate em torno do Pacto pela Educação, que continuamos achando que foi um equívoco e não produziu os resultados necessários ao avanço da Educação Pública estadual. O Pacto foi uma proposta pequena, que tolheu a liberdade e a criatividade dos professores, uma cópia mal feita das propostas neoliberais aplicadas como receita mundo a fora. Passamos a utilizar nosso blog pessoal no endereço www.amigosdosabor.blogspot.com como instrumento de defesa de nossas posições, e através dele, fizemos chegar nossa voz nos jornais em defesa das nossas posições na luta por uma educação de qualidade. Muita gente confundiu nossas posições, mas elas não entenderam que eram tão somente a coerência de quem defendeu no Congresso Nacional do Partido que fosse colocado o tema da Educação como uma das lutas prioritárias do partido por parte de todos os dirigentes e militantes.2
A questão do pacto pela educação está em sua essência. O próprio conceito de escola pública está vilipendiado. Enquanto acreditarmos que podemos ter uma escola pobre para os pobres não estaremos cumprindo o dever de dar aos nossos jovens esperança de um futuro decente. Não pode haver nenhuma reforma educacional que dê certo sem investimento forte na qualificação e valorização do Educador. Os países que seguiram o caminho da qualificação e valorização do Educador fizeram uma revolução em seus sistemas em menos de 30 anos, e pode ser citado o caso da Coreia do Sul e Cabo Verde.

A participação no Governo Marconi

Vencidos na batalha, em nenhum momento baixamos nossa cabeça. Continuamos o diálogo com professores, lideranças sindicais, e tantos outros, em busca de divulgar uma concepção humanista de Educação, uma concepção humanista e libertária de sociedade onde o desenvolvimento humano fosse o centro, e não apenas o desenvolvimento econômico. Logo em seguida, após a greve dos educadores veio a chamada “Operação Monte Carlo”; considerada por muitos o maior caso de corrupção do Estado. Tal caso fragilizou ainda mais o Governo, colocou a equipe do governo da defensiva e foi cassado o Senador Demóstenes Torres, grande aliado do Governo. Na época, devido ao fato de a Direção Nacional do Partido ter rompido com o Governador do Distrito Federal, o Petista Agnelo Queiroz, defendi que o partido também deveria romper com o Governador Marconi Perillo, uma vez que ambos foram citados e chegaram a depor na CPI que apurou a questão. O partido naquele momento, se apequenou, de um lado não se posicionou na luta contra a corrupção, de outro, se acreditava na inocência do Governador, os principais líderes, ou a própria executiva não teve a coragem de sair em defesa do mesmo. O silêncio obsequioso foi prejudicial a construção de nossa identidade.
A nossa luta continuou tentando apresentar uma via diferente na política de goiana. E a tentativa era fazer uma experiência na disputa da prefeitura de Goiânia. Aliados ao PMN, que apresentou o Deputado Elias Jr, como cabeça de chapar lançamos uma alternativa ao povo de Goiânia: Elias Jr, e Darlan Braz. O alcance de 10% dos votos obtidos nas urnas mostrou-nos que estávamos certos e que existe uma grande parcela da sociedade que quer mudança e sair da polarização PSDB/PT-PMDB. Os dois mais votados gastaram mais de dez milhões na campanha para prefeito, mostrando um lado perverso das relações público/privadas que permeiam as campanhas em nosso país.
Travamos um debate duro sobre o papel do partido no Governo Marconi, por que acreditamos que aqueles que representam o PPS deve estar em defesas da luta por desenvolvimento humano, amplas liberdades democráticas e apoio as lutas das minorias marginalizadas. Como resultado da luta, diversos quadros deixaram o partido e permitiu que assumíssemos um discurso mais consistente em defesa de uma sociedade democrática e dos trabalhadores. Nesta quadra, o governo também começou uma lenta recuperação, com construção de estradas, obras, investimento no social por meio da bolsa futuro, aumento das bolsas universitárias e outros investimentos. Entretanto, aquela parte que nos é mais cara , - a educação – foi mantido o pacto do início do governo e nada ainda foi feito para recuperar os direitos perdidos pelos professores. Manifestamos nosso apoio a todas as lutas dos trabalhadores indiferente qual fosse o Governante. No caso da cidade de Goiânia, acompanhamos de perto a ocupação da Câmara Municipal e a luta dos professores contra o governo do PT, que também , e de sua forma, considerou a possibilidade de retirar direitos já adquiridos pelos professores.

A Luta contra a intolerância e o preconceito.

Lutamos ainda em outras frentes, seja na luta contra o racismo, contra a intolerância religiosa, a homofobia, e todas as formas de preconceitos. Pugnamos sempre por uma sociedade democrática por que acreditamos que a nossa sociedade deve ser tratada não como segregacionista, e sim como uma grande arca de noé, onde a educação, a ciência e a tecnologia sejam colocadas a serviço do desenvolvimento físico, mental e espiritual do homem. Daí por que nos é cara a luta pela educação. Acreditamos que só uma educação da mais alta qualidade pode nos colocar em condição de transformar o que acreditamos em realidade.
Internamente no partido, realizamos diversos encontros regionais com o objetivo de conscientizar os dirigentes municipais, filiados ativos e simpatizantes da importância do exercício da cidadania nos locais onde vivem. Nossa luta foi para desenvolver a ideia da cidadania no poder local e portanto, uma concepção de política totalmente diferente do municipalismo, por que fundada em uma democracia, onde os conselhos participativos e toda a sociedade tem voz e condições de interferira nas decisões sobre o futuro da cidade, e não, como até agora tem sido, quando os prefeitos se comportam como verdadeiros coronéis locais e os cidadãos cabe obedecer de forma servil e sofrida. No momento atual estamos na tutoria de um curso EAD – Educação a Distância com 75 alunos matriculados. Este curso proporcionado pela Fundação Astrogildo Pereira, é um desafio de estabelecer um debate profícuo sobre qual partido queremos, e sobretudo qual partido a sociedade precisa para encontra os novos caminhos que procura.
A luta que continua.

Com as condições que tínhamos tudo que estava ao nosso alcance foi feito. Os dirigentes que hoje, continuam no partido se entregaram e deram o melhor de si na construção de um partido democrático que chegasse a este congresso forte e com expectativas de seguir adiante construindo a esperança. Hoje, o partido está organizado em mais de 150 municípios, possui mais de 60 vereadores, e mais de 50 diretórios municipais. A relação da direção estadual com as direções municipais sempre foi de respeito as bases, de diálogo que busca o consenso de ideias respeitando as opiniões divergentes. Nunca abrimos mão de nossos fundamentos – o desenvolvimento humano, o desenvolvimento da consciência politica para fortalecer a cidadania loca em harmonia com o processo de globalização, no qual o cidadão seja o sujeito de sua própria história.
Ao fim, deste mandato, temos a agradecer a toda a sociedade que nos permitiu discutir democracia, discutir liberdade, lutar contra o preconceito, a intolerância em todas as suas formas, a corrupção e tantos outros males e lutas dos quais participamos e que nos tornou mais fortes e mais dispostos a construir uma alternativa onde o desenvolvimento humano e a democracia, a sustentabilidade e a justiça social sejam os reais fundamentos de um governo. É este o caminho no qual pretendemos continuar, pois é através dele que contribuiremos para diminuir a violência e tantos outros males que assolam a sociedade. Viva o PPS, viva o humanismo, viva a democracia.

1Nelson Soares dos Santos é membro da Executiva Estadual do PPS, Diretor da Fundação Astrogildo Pereira, e Professor Universitário
2Segue anexo o vídeo onde defendemos no Congresso Nacional do Partido nossa posição na luta pela educação.

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