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domingo, 17 de novembro de 2013

Reflexões sobre o Mensalão, seus prisioneiros e Julgadores.



Nelson Soares dos Santos

Eu sei que este artigo que ora escrevo vai decepcionar muita gente. Eu sempre tentei ser um livre pensador. Sempre tentei, e lutei ser dono do meu destino e capitão da minha alma, para utilizar uma expressão não criada por minha pessoa, mas muito cara. E é neste sentido que tenho dificuldade de falar sobre o mensalão do PT e todo processo que descambou na prisão. Confesso que tenho evitado falar sobre o assunto até com as minhas filhas. E por que tenho feito isso? Como não consigo avançar em meus próprios pensamentos para uma análise sobre todo o episódio vou aqui tentar dizer, pelo menos, o que tem trazido o incomodo e impedido de dizer o que penso.
          1. A Justiça. É difícil dizer que a prisão dos mensaleiros do PT é uma questão de se fazer justiça. Digo isso pelo simples fato que o conceito de justiça em sua origem deve primar pela imparcialidade. E se pode dizer que houve de tudo durante o episódio do mensalão, menos a tal imparcialidade. Até o fato de que foram os líderes do PT, os primeiros a serem presos diz da imparcialidade. Quantos outros casos, quantos outros correm de forma lenta e nunca termina para colocar os possíveis “culpados” na prisão? Por que não se apressa a questão dos corruptos de todos os partidos para que se coloque todos os corruptos na cadeia? E o mensalão do PSDB? E a máfia do ISS do PSD? E tantas outras mazelas que envolvem tantos outros partidos? Serão julgados com celeridade e os culpados mandados para a cadeia? Não parece que isso vá acontecer, e se não acontecer não terá havido justiça, e sim, uma forma nova de linchamento.
          2. A Polarização. Não se pensa mais em nosso país. O que se vê, seja nos jornais, ou nas redes sociais é uma forma nova, ou o surgimento dos gladiadores modernos. São guerreiros das palavras e estes tem como objetivo impedir a massa de pensar por ela mesma. De um lado está o PSDB, de outro o PT. Diferente da Revolução Francesa na qual de um lado havia os Jacobinos, e de outro, os Girondinos; e no meio, os da Planície, no Brasil não existe espaço mais para a ponderação. Tudo se transformou em radicalismos extremos. Não existe mais o centro, o que existe é direita, extrema direita, esquerda e extrema esquerda. O campo da racionalidade do livre pensamento está se extinguido lentamente. Isso incomoda por que todos são obrigados a pensar dentro de um determinado espectro de ideias, e quando isso acontece a criatividade começa a ser destruída e mutilada.
          3. Os prisioneiros. O comportamento dos prisioneiros não tem sido de inocentes, mas uma tentativa de dizer: “ Não podem nos prender por que todos são iguais a nós”. Isso não é verdade. Pode ser verdade que a corrupção no Brasil é sistêmica, que parte do povo gosta de levar vantagem em tudo, mas há um povo brasileiro trabalhador, honesto, e dispostos a viver da própria liberdade e da própria responsabilidade. Quando os dirigentes, agora presos, se comportam assim, eles estão apenas dizendo que os outros ( dirigentes opostos a eles) também são corruptos o que não significa que o Brasil e os Brasileiros não querem um governo e um Governante que esteja dispostos a construir nesta terra o respeito a coisa pública.
          4. Os julgadores. A Justiça no Brasil, penso, está precisando mesmo é ser reformulada. Não apenas a estrutura mas, e sobretudo, o conceito de justiça e do papel do estado na questão da justiça ou na dirimição de conflitos entre as partes no inconsciente coletivo da sociedade brasileira. Hoje, muito se tem dito que questões entre vizinhos que poderiam ser resolvidos pelo diálogo se transformam em querelas judiciais e vão parar nas mais altas cortes do país. Ademais, o Julgamento do mensalão com suas sessões ao vivo me fazia sempre lembrar a Roma Antiga e sua política e pão e circo. A política assistencial do Governo é o pão dado a miseráveis e o Congresso Nacional e os Tribunais com suas sessões ao vivo ajudam a construir o circo de horrores perpetrado pela imprensa.
          5. O Povo. Por fim, o povo. Como foi na proclamação da independência, na proclamação da república e em tantos outros momentos, o povo assiste a tudo meio bestializado. E não me venham dizer que o povo está aprendendo conceitos jurídicos que se tornaram populares pelo julgamento em um país onde mais de 70% são analfabetos funcionais e menos de 15 % da população são capazes de ler, interpretar e escrever um bom texto. O povo mesmo, e é em sua grande maioria, inclusive muitos dos que se acham filósofos nas redes sociais são mesmo verdadeiras viúvas “Porcina”, que acham os discursos belos, mas não entendem nada do que está sendo dito ou feito.
          6. Por tudo isso, tenho dificuldade de fazer uma análise do caso do mensalão do PT. Na verdade, continuo a pensar este país, o estado e a cidade onde moro. Penso que precisamos mesmo é de educação, muita educação para que o povo, tão sofrido, não seja mais tão manipulado. O tempo utilizado preocupando com as questões que tem sido postas na mídia é uma perda de tempo para quem quer olhar para o futuro. Eu quero pensar uma nova forma de ser cidadão, de ser livre, de viver com intensidade o espírito desta nação chamada Brasil.

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