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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Feliz 2014!!! Que o novo ano seja cheio da verdadeira prosperidade.



Nelson Soares dos Santos[1]
Há um senso comum de que pobreza é a falta de bens materiais e isso é verdade. Sem que se tenham as necessidades materiais básicas supridas nenhum ser humano consegue, facilmente, desenvolver a criatividade, o humanismo e ou mesmo a espiritualidade. Talvez por isso,  a luta contra a fome se tornou tão forte nestas terras tupiniquins. Entretanto, apenas saciar a fome de comida pode não ser a condição suficiente para se vencer a pobreza e daí por que as políticas sociais do Governo Lula/Dilma tem sido insuficiente como recurso para propiciar um desenvolvimento humano em bases seguras. Nos últimos anos quanto mais se tira gente da pobreza material no Brasil, mais aumenta a violência no trânsito, a criminalidade e tantas outras formas de doenças da sociedade. E mais ainda, está aumentando vertiginosamente outras formas de pobreza contras às quais é imperiosa uma luta constante se quisermos de fato construir uma sociedade com justiça social.

A Pobreza Política

Nos últimos anos tem ganhado corpo uma campanha pelo voto nulo baseado na ideia de que a forma para se mudar a política é votar nulo ou não ir votar. É a tentativa de resolver uma forma de pobreza política já denunciada pelo Professor da Universidade de Brasília, Pedro Demo, por outra forma ainda pior. Até então a pobreza política no Brasil se revela pela venda escancarada do voto, que, aliás, ainda persiste e explica as somas estratosféricas de dinheiro gasto em campanhas eleitorais, que por sua vez, explica a corrupção, as licitações viciadas, os escândalos e tantos outros males. Outra forma de pobreza já denunciada é a incapacidade do eleitor de conhecer as propostas políticas, saber diferenciá-las para então, poder escolher, de forma consciente aquela que acreditar ser a melhor.
A pobreza política da campanha do voto nulo e ou do não votar é tão ou mais cruel que as demais citadas por que feita por pessoas com algum nível de condições materiais e intelectuais. Trata-se de uma forma equivocada de travar uma luta que, de fato, só tem sentido pelo exercício da verdadeira cidadania e da supremacia da sociedade civil sobre o Estado, o que  não é possível acontecer quando aqueles que podem influir nos resultados simplesmente se recusam a participar do processo. Morbidamente, os representantes desta nova forma de pobreza tem grande porcentagem dos seus entre aqueles que tiveram acesso a  educação e aos bens materiais de que desfrutam por meio das políticas sociais implementadas nos últimos anos.

Pobreza Intelectual

Antigamente a pobreza intelectual do povo de nosso país era facilmente explicada pelo grande número de analfabetos. Agora, a questão se tornou mais complexa de se olhar. Os dados recentes revelam que grande parte da pobreza intelectual não se explica mais pelo grande número de analfabetos e sim de uma nova categoria de analfabetos: aqueles que estiveram na escola, uma grande parte dos que estiveram mesmo nas universidades e até nas boas Universidades, mas não são capazes de ler, interpretar ou escrever um bom texto. São os chamados analfabetos funcionais.
As mídias sociais estão cheias deles, e por que não aprenderam a pensar acreditam de forma dogmática  que possuem a verdade e saem por ai propagando as tais verdades nas quais acreditam; e se alguém ousa deles discordar são facilmente agredidos das formas mais vis e antidemocráticas que se pode esperar. Tenho medo da pobreza intelectual. É ela que é a semente do fanatismo, do dogmatismo e de todas as formas de ismos que tem levado a humanidade a guerras tão cruéis como aquelas que se matam em nome de Deus.
A pobreza intelectual já não está mais restrita as mídias sociais, estão nos jornais ( talvez este artigo sé esteja sendo publicado se beneficiando da existência dela), nas universidades, e nestas de forma perversa representada por um grande número de alunos que mesmo tendo sua formação financiada pelo dinheiro público estão terminando o curso superior sem saber ler, interpretar ou escrever. E se gabam, do que, não faço a mínima ideia por que nunca entendi para que Server um curso superior no qual o individuo não conseguir aprender as regras básicas do pensar.

A pobreza dos relacionamentos.

Há uma profunda pobreza dos relacionamentos em nossa sociedade. Os recursos tecnológicos que deveriam aproximar as pessoas têm o efeito contrário. É natural ver casais de namorados jantando juntos, em restaurante com uma dose extra de romantismo e cada um com os olhos fixos no celular navegando na internet. Já quase não existe tempo para o outro, aquele que está bem ali diante de nós. Pais e filhos cada vez mais distantes, esposos e esposas e neste diapasão a sociedade vai se adoecendo, aumentando a violência, a criminalidade e tantos outros males.
A pobreza dos relacionamentos é uma pobreza do amor e de amar. Nunca na história da humanidade o amor foi tão pobre e de tão pobre já não se ama mais sem fazer contas, afinal, o consumo e o desejo desenfreado de consumir tomou conta do conceito de ser feliz e de felicidade. A eterna busca do ser humano pelo ser vai se transformando em sua prima pobre – a busca pelo ter. E tão pobre a situação que mulheres não querem mais serem companheiras ou esposas, querem ter namorados ou maridos; e os homens de forma recíproca, com a diferença de que animados por uma cultura machistas ainda acreditam que tendo dinheiro e poder para consumir podem ter a mulher que sonham.
Nesta arena de gladiadores homens e mulheres se tornam solitários, amargos e infelizes. E quando buscam conforto na religião encontram aos milhares, não os pastores que podem os ensinar o caminho de volta ao ser humano, ao lado divino do ser humano, mas uma seara de falsos profetas cada um com uma verdade, e no final, em todas as verdades falsas lá está o ter sobrepondo sobre o ser, o consumir sobrepondo ao existir. Não é fácil reencontrar o caminho, que, aliás, se encontra no interior de cada ser humano, no lado mais divino e único de cada homem e cada mulher.
Feliz 2014.
2014 será um ano muito melhor se tivermos coragem de enfrentar todas as formas de pobreza que certamente não se restringe às citadas neste artigo. Há inúmeras outras, com inúmeras gradações. A coragem para superar todas as formas de pobreza é o caminho do humanismo, o caminho que coloca o homem, o ser  humano como centro de nossas reflexões. Neste caminho não se pode deixar de valorizar a educação, o professor, os pais, a família. Será no encontro com o outro que venceremos o maior desafio do ano que vindouro – o desafio de nos tornar melhores como seres humanos.
E este desafio será vencido quando formos capazes de transformar em pauta doméstica um debate que envolva a coragem de propor e enfrentar um saneamento moral. Falar de virtudes humanas e viver as virtudes humanas que só é possível quando o outro deixa de ser coisa para ser semelhante. Reconhecer a alteridade, ver no outro um espelho, nas lutas as oportunidades de sermos melhores – Eis as lutas para o ano que se inicia. Feliz 2014. E que todos tenhamos uma no qual lutamos e vencemos diversas formas de pobreza nos tornamos mais humano, e mais divino.





[1] Nelson Soares dos Santos é Professor Universitário, Licenciado em Pedagogia, Mestre em Educação Brasileira, 1º Secretário Geral do PPS goianiense, membro Executiva do PPS-Goiás, e membro da Direção Nacional do PPS

Um comentário:

  1. Parabéns Professor Nelson Soares, tenha um ano novo cheio de realizações e muito sucesso que Deus te cubra e que você receba o melhor desta terra.. Grande abraço
    Companheiro Marlos Marques
    Pres.do Diretório Municipal do PPS de Rio Verde

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