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quarta-feira, 16 de abril de 2014

A frágil Unidade da Base Aliada.


Nelson Soares dos Santos[1]
A expectativa de poder une. O poder corrompe. A proximidade da derrocada dispersa. As últimas declarações de diversas lideranças da base aliada do Governador deveriam levar muitos a reflexão. Primeiro foi a debandada do “Democratas”, que por mais que alguns procurem diminuir a importância do mesmo, todos sabem que Ronaldo Caiado foi um líder importante na vitória de Marconi em Todas as eleições; depois, outros pequenos partidos vem deixando o barco da base aliada, o mais recente o PSDC ( Partido da Social democracia Cristã).
O que despertou ainda mais minha atenção foi as últimas declarações dos líderes do PTB. Mais de um deles afirmaram que se Marconi não for o candidato não tem por que continuar na base aliada, e para estes, o caminho mais natural seria o apoio ao PT de Antônio Gomide. No PPS, o líder recém chegado ao partido e bastante ligado ao governo, também mantém o discurso de que se Marconi não for candidato a discussão está zerada. Antes do mesmo chegar, diversas vozes no partido já defendiam o apoio a Vanderlam Cardoso do PSB, e certamente, voltarão a defender, caso o acordo feito na cúpula não siga adiante com a possível não candidatura de Marconi Perillo.
Consta que o PHS, tem sido extremamente assediado e especulações de jornais dão conta de que o líder Eduardo Machado mantém a porta aberta ao diálogo com outras forças, também, considerando na hipótese de Marconi não ser candidato. O PDT, que já apoiou Marconi na era Isaura Lemos, agora diz que vai apoiar Vanderlan, mas flerta com Antônio Gomide. O PR, que já foi controlado por Sandro Mabel, e hoje, controlado por Magda Mofato de Caldas Novas, diz estar com Marconi, mas em político, quando se mistura empresários com política tudo pode acontecer por que o pragmatismo chega às estratosferas.
Parece que resta marchando realmente como base o PP, controlado pelo vice-governador José Elíton, o PSD, dirigido por Vilmar Rocha e o PSDB, partido do Governador. No caso de não candidatura do Governador apenas os mesmos não se pronunciaram, ou, lendo nas entrelinhas, apenas estes ainda não consideraram publicamente a possibilidade do Governador não ser candidato. O que fica parecendo é que na verdade, em todos os partidos da base existem pessoas insatisfeitas e ansiosas por escolher um novo caminho ou um novo líder. O interessante é que nos partidos da base ninguém, até agora, se arriscou a se colocar como alternativa a possível não candidatura de Marconi.
De qualquer forma, uma base aliada que não sabe se seu principal e único líder continuará na liderança, que não tem nenhuma expectativa de substituto ou sucessor, e que dois ou três já demonstram ansiedade ante a resistência do único líder dizer se vai ou não continuar no comando, é uma base frágil e de unidade duvidosa.  Parece mais uma união de inimigos dominados por uma força maior que uma base aliada, e na  iminência de se espatifar em uma guerra sem fim, caso Marconi não seja candidato. A pergunta que fica é: Por que apenas Marconi é capaz de unir estes partidos? Que nó existe neste chamado “Tempo Novo” que só o Governador é capaz de desatar?
Todo poder é perigoso quando assentado em uma só pessoa e descolado de um projeto. Quando pessoas se unem ligados por questões personalistas é a democracia que está sendo colocada em risco. Se não se fala de projeto político, de ideias que podem resolver em um futuro governo o problema da Educação, da Segurança, da Saúde, continuar votando e implorando para o Governador ser candidato a reeleição é a solução para os problemas do Estado e do Povo? A verdade é que as bases dos partidos não estão sendo ouvidas;  o povo não está sendo ouvido. Isso faz lembra 1998.



[1] Nelson Soares dos Santos é Professor Universitário e membro da Direção do PPS – Goiás, e Do Diretório Nacional.

terça-feira, 15 de abril de 2014

Ajoelhando perante Deus e servindo ao diabo.


Nelson Soares dos Santos[1]

Nesta sexta-feira assistiremos uma cena que já tem sido comum todos os anos. No dia que é considerado como sendo da paixão de cristo para os católicos, e, portanto um dia santo, veremos muitos políticos ajoelhados diante de altares das mais diferentes igrejas, e, ou religiões. A imagem de homens públicos ajoelhados ou em profunda harmonia e confraternização com clérigos das mais diferentes religiões tem sido uma arma política, e, principalmente em ano de eleições. No imaginário popular passa uma ideia de que ali está homens justos, tementes a Deus, e propensos a prática da justiça.  Entretanto, tamanha e nefasta tem sido a prática política brasileira que o observador atento poderá perceber na mesma cena não homens justos e tementes a deus ajoelhados perante os clérigos, mas, antes, clérigos corrompidos pela política e servidores do diabo.
A prática política está tão corrompida que quase não há motivos para que se tenha esperança. Ou a própria sociedade se mobiliza em busca de uma grande reforma social que mude completamente o modelo educacional que temos, ou a decadência será tão grande que chegaremos à barbárie. O nível de corrupção chega a comicidade como no caso da Operação Poltergeist na qual um membro graduado do Conselho de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil foi um dos indiciados. Aliás, a questão dos cargos comissionados é algo tão terrível quanto a própria forma de ação da chamada burocracia dos concursados efetivos que emperra o estado, pouco produz e exige salários cada vez mais vultosos ao bolso do contribuinte.
As relações entre o poder público e as religiões estão cada vez mais nefastas. Não é de hoje, e nem é segredo para ninguém, que são muitos os religiosos influentes no poder e donos de cotas de cargos comissionados, e tantas outras benesses. E é só pela influência que os  mesmos tem sobre os fiéis que agem como gado levado ao matadouro votando em quem os iluminados pastores indicam que os políticos corruptos ou não, acabam se curvando ante esta corja que acredita poder ter o direito de vender na terra os bens que eles consideram divinos e celestes. No conluio existente entre instituições religiosas, partidos políticos, sindicatos  e outros instrumentos estão as  principais barreiras para o surgimento de novas lideranças, pois nada escapa aos olhos daqueles defensores dos interesses pessoais e grupos privilegiados.
Os acordos de cúpula impede qualquer renovação. Os mecanismos de compra e venda de dignidade humana é operada a luz do dia. A ação política e o tráfico de drogas e ou o funcionamento das grandes organizações criminosas parecem se igualar. De tão trágica, muitos ficam anestesiados diante da situação. E aumenta os assaltos, e aumenta os estupros, e aumenta a violência do trânsito, e aumenta a criminalidade, que faz aumentar a corrupção, que invade as igrejas, que se tornam modernas e abençoam os políticos.
Em um momento no qual o silêncio deve imperar para muitos, que estes se lembrem: a construção de uma sociedade justa não se faz no mundo das aparências. Não é possível melhorar o mundo que temos buscando o poder a qualquer custo. A lei da ação e reação e inexorável. A corrupção de hoje será o fim da liberdade do amanha. O ato contrito de se estar ajoelhado deve estar em harmonia com os desejos do coração, com os pensamentos que estão na mente, e  das ações que seguirão nos dias do porvir. Do contrário, é um inferno e não um paraíso que teremos.



[1] Nelson Soares dos Santos, professor Universitário é membro  do Diretório Nacional do Partido Popular Socialista