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sexta-feira, 30 de maio de 2014

Diário de um Perplexo: O PPS e a Luta contra a Cidadania Mitigada.



Nelson Soares dos Santos[1]

O PPS tem um histórico de lutas em defesa de uma Goiânia Melhor. No Governo de Pedro Wilsom teve a vice-prefeitura na tentativa de oferecer a cidade dias melhores. Conhecendo os rumos que o PT dava a forma de administrar, rompeu com o PT e nas eleições seguintes apoiou o candidato do PP. Em 2006, lançou candidato próprio na disputa pela prefeitura, aliado ao Partido Verde, quando o partido já apresentava sua vocação em defesa da sustentabilidade. Em 2010, lançou chapa aliado ao PMN ( Partido da Mobilização Nacional), desta vez na luta para evitar o descalabro que hoje reina por todos os lados.
Em todas as situações o PPS defendeu uma Goiânia Criativa, humanista, democrática, sustentável, com valorização da Educação e dos educadores. O PPS defendeu uma gestão focada no poder local, na valorização da cidadania, na participação popular, no respeito as leis e no que tem de mais nobre no ser humano. O PPS sempre lutou para que Goiânia crescesse de forma moderna, criativa, e se tornasse uma cidade digna do seu passado, orgulhosa do seu presente e confiante no seu futuro. Entretanto, não é esta a Goiânia na qual estamos vivendo.
A situação de Goiânia está caótica. Isso é notícia em todos os jornais, inclusive em outros estados da Federação, Goiânia já virou manchete daquilo que o PT consegue produzir de pior no país. O que acontece em Goiânia é fruto de uma cidadania mitigada. Pior que transformar diversas cidades em caos o que de pior o PT está produzindo é um tipo de cidadania pobre. Na tentativa de se manter no poder, o partido utiliza mecanismos dos mais diversos e nem sempre republicanos. Em Goiânia, cortou a insalubridade de servidores da saúde, ao invés de cortar nos cargos comissionados. Há notícia de servidores em cargos administrativos ganhando menos de um salário mínimo, caso de telefonistas e auxiliares administrativos que sem os complementos e benefícios tiveram salário líquido de 400 reais.
O Partido dos Trabalhadores não dá a mínima para professores e outros servidores em greve. Já não se preocupa se milhares de famílias vão enfrentar dificuldades financeiras pelas perdas dos benefícios oriundos de uma gestão incompetente. O Partido dos trabalhadores é um partido que já não se importar se há ou não trabalhadores em situação de miséria. Pior, as ações e atitudes dos seus gestores pode levar diversos servidores, trabalhadores ao aumento do endividamento familiar. O partido dos trabalhadores já não mais se importa com a defesa do bem estar dos trabalhadores.
Mas por que se vota tão mal? Por que se escolhem gestores e políticos tão ruins? A resposta está no tipo de cidadania que tem se construído no Brasil. Vivemos em uma época de cidadania pobre, de não participação política, de dependência quase total da sociedade em relação ao estado. Os jornais não são capazes de fazer uma análise profunda da situação vivida, do nível de corrupção que vive as instituições políticas por que sobrevivem basicamente da mídia do Estado. Diversas empresas só sobrevivem graças aos mecanismos de licitação do Estado. E, para além, disso, criou-se uma classe média que vive da assistência social do Estado.
A cidadania pobre leva o cidadão a não participar dos sindicatos, e estes, a estarem totalmente dependentes dos gestores políticos. Na verdade os sindicatos se transformaram em braços  das máquinas de fazer política e lutar pelo poder de alguns partidos políticos. Os sindicatos já não defendem mais seus afiliados, mas apenas os interesses de grupos na busca pelo poder do estado. E tudo se transforma em um ciclo vicioso, onde o egoísmo e o interesse próprio é quase que a única coisa que reina  e faz mover todos os entes  da engrenagem. O PT de Goiânia, é hoje o exemplo mais claro desta cidadania pobre, mitigada. Um exemplo de pobreza política que está colocando em risco o futuro de uma geração.  E para não esquecer, parece que tudo pode piorar pois já há reportagens especulando que o lixo pode voltar as ruas. Quando o PT administra o que está ruim sempre pode ficar pior.




[1] Nelson Soares dos Santos  é Professor Universitário, membro do Diretório Regional do PPS – Goiás e membro suplente do Diretório Nacional do PPS.

PPS 2014 – A Oportunidade de Construção de um partido Nacional.

Nelson Soares dos Santos[1]

Quando definiu em seu Congresso Nacional, instância soberana, apoiar a candidatura de Eduardo Campos para Presidente da república e arregimentar forças para derrotar o Lulo-Petismo, o PPS, pode ter feito mais do que se vê nas aparências. Na verdade, colocou-se a si mesmo o desafio de dizer a sociedade se quer ser um partido com Força Nacional ou se continuará a ser um partido médio e coadjuvante de outras forças de oposição ou situação. E, esta questão será definida pela forma com que cada diretório regional vai lidar com a liberdade de fazer coligações regionais, e, ao mesmo tempo cumpri a deliberação feita no Congresso Nacional de apoio a Eduardo Campos. Na verdade, o partido estará lidando com um dos desafios da modernidade: a afirmação ou não da importância da Instituição “Partido Político”.
É sabido de dirigentes, militantes e simpatizante dos partidos políticos, que estes enfrentam uma crise de reafirmação perante a sociedade, e que é cada vez maior o número de cidadãos que procuram se afastar da política pelos mais variados motivos. Esta crise, em grande parte motivada pelo alto nível de corrupção na política, pela incapacidade dos governantes de propor soluções para melhorar a vida do povo, embora não atinja apenas os partidos políticos, tem produzido um isolamento e uma dificuldade imensa para que os mesmos cresçam em número de militantes e simpatizantes diante da sociedade. Daí por que a importância da coerência e unidade  na ação política.
Acrescente-se o fato de que as redes sociais contribuirá para o confronto entre os diversos posicionamentos do partido nos diversos estados. Não será difícil para a população perceber a existência de diversos partidos de acordo com a conveniência ( se houver) das lideranças nos mais diversos estados, principalmente se além de apoiar candidatos diferentes, vier apoiar um candidato a presidente que não defende as propostas adotadas pelo partido. O partido se fortalecerá nacionalmente na medida em que todos os candidatos, dirigentes e militantes do partido se unir em defesa das propostas chaves que fazem a razão de existir da agremiação.  A defesa da valorização da Educação, da sustentabilidade, de um novo  modelo de saúde e de segurança pública devem se fazer presente nas discussões onde o partido se fizer presente, com voz forte na defesa da radicalidade democrática e do humanismo que são os fundamentos da sociedade que almejamos.
É hora de termos uma só voz. Uma voz que diga aos brasileiros de todos os cantos do nosso país que há um grupo de homem e mulheres que se uniram sob a bandeira do humanismo, da democracia de do socialismo; e que possuem um único desejo que é de construir uma sociedade com justiça e equidade social. Um país onde todos possam ter igualdade de oportunidades e o direito de sonhar, lutar e alcançar condições de viver melhor. Mais do que o momento que se vive, o partido decidindo ser único em todos os estados estará plantando as sementes de um amanha, um amanha glorioso no qual poderá mostrar que a política pode ser um ato de servir e contribuir para evolução da comunidade na qual vivemos, do nosso estado, do nosso país e de toda a humanidade.



[1] Nelson Soares dos Santos é professor Universitário, membro do Diretório Regional de Goiás, e membro Suplente do Diretório Nacional.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Diário de um Perplexo: Goiânia merece mais.


Nelson Soares dos Santos[1]

Os Educadores da cidade de Goiânia estão em greve, noticiam os jornais do Estado. Reivindicam mais uma vez melhorias nas condições de trabalho, melhores salários, mais respeito, etc. Estão certos os educadores. Greve é um direito constitucional e deve ser usado sempre quando o poder público ou os patrões se recusam a ouvir as necessidades dos trabalhadores. Entretanto, a questão na cidade de Goiânia é extremamente mais grave. O problema dos educadores da cidade de Goiânia pelo que se lê nos jornais, e se vê em todos os cantos da cidade é um dos menos graves. Goiânia está mergulhada em uma crise que nunca vi nos últimos vinte anos da história da cidade. É de longe, a pior gestão dos últimos 30 anos de história.
Recentemente o lixo esteve espalhado por toda a cidade. Era lixo que não acabava mais. No setor Sudoeste,  era possível ver urubus voando sobre os lixões espalhados pelas ruas, e até, mesmo os setores mais nobres, as ruas principais, e os parques, todos tiveram sua cota de lixo apodrecendo. A razão – fruto de uma péssima gestão da Comurg  ( Companhia Municipal de Limpeza da Cidade) que acumula diversos escândalos de Corrupção. Agora veja, como falar de Cidade Sustentável um gestor que deixou a cidade cheia de lixo por mais de vinte dias?
A Guarda Municipal está em greve. Segundo se sabe, o plano de cargos e salários da Categoria teve adiado a implantação por seis meses devido a crise financeira da prefeitura. E pior, diversos serviços estão parados por falta de pagamento incluindo o aluguel da frota de veículos utilizados pela Guarda Municipal. Agora veja, como falar de cidade sustentável em uma gestão que não consegue manter a Guarda Municipal nas ruas?
Os servidores públicos da Prefeitura estão assustados. Trabalham o mês todo sentindo medo de que no final do mês  podem não ter o dinheiro do seu salário disponível para sustentar suas famílias. Recentemente, o secretário de finanças avisou que a prefeitura não vai pagar a data-base dos servidores, alegando que não se tem condições financeiras para arcar com os custos. Como falar de cidade sustentável quando se espalha o medo nas mentes, nos corações e nas almas daqueles que  servem diuturnamente aos cidadãos?
Poderia aqui se falar de muitas outras coisas como serviço de tapa-buracos, a questão da saúde precária, os parques, etc. Mas a realidade é tão cruel que dá medo falar e sentir-se contribuindo com o aumento do medo, da insegurança e do terror na cidade. E de se pensar que este Governo que aí está se elegeu com o mote da “Sustentabilidade”. Cidade Sustentável – diziam eles. O que se vê é uma situação insustentável.  Justificativa suficiente para justificar a greve dos professores por que só um povo com uma educação de péssima qualidade pode eleger um governante capaz de tamanho descalabro. No Ano da Eleição escrevi um artigo dizendo que se eleito Paulo Garcia seria um descalabro, e que Goiânia merecia muito mais. Alguém tem dúvida agora que Goiânia Merece mais?



[1] Nelson Soares dos Santos é Professor Universitário, Membro do Diretório Regional do PPS – Goiás, e membro do Diretório Nacional do PPS.

domingo, 25 de maio de 2014

A questão Educacional e as Eleições do Sintego.



Nelson Soares dos Santos[1]

Os últimos anos não foram bons para a Educação. Os salários são ruins, a infraestrutura é péssima, as verbas são insuficientes, os professores estão adoecendo, a gestão e os resultados são os piores do mundo. Isso praticamente todos aqueles envolvidos no processo educativo e nas políticas educacionais possuem a consciência. A questão é que quando se resolve buscar um culpado o primeiro apontado são os gestores públicos, mais especificamente prefeitos, governadores e Governo Federal. O que poucos tendem a observar é a contribuição que tem dado os pais e os próprios profissionais da Educação  para a construção da decadência da escola ou da Educação pública neste país.
Eu poderia falar sobre os pais, ou sobre os governos. Vou falar um pouco dos próprios profissionais da Educação, aproveitando as manchetes que ainda estão quentes na memória dos Goianos. As eleições do Sintego acabam de acontecer, mas nos próximos cinco dias haverá recontagem de votos, e uma troca infinda de acusações entre as duas chapas mais votadas. É acusação de todo tipo. Trapaças, fraudes e outras mais. Nos últimos dez anos tem sido comum em todas as eleições do sintego, praticamente a mesma história. E quem quiser ter a curiosidade de conhecendo o enredo  buscar os nomes dos atores e autores de tais peripécias, verão que são sempre os mesmos. A verdade é que o Sindicato dos Professores de Goiás, se transformou em um elemento da luta partidária, e a própria luta interna na qual está mergulhada representa a tentativa de controle feita por diversos partidos políticos, mas, ainda sob controle total do PT e de seus dissidentes.
As regras e movimentos quando se dá um enfrentamento com os Governos, ou  quando se vai discutir a possibilidade de uma greve não tem sido mais os interesses dos profissionais da Educação. Aliás, a maioria dos que dirigem o sindicato não deveriam se dar o nome de Educadores  pois se transforam em sindicalistas ou quando não políticos profissionais a serviço de algum partido. Quem bem se lembra os últimos enfrentamentos tanto com o Governo Estadual quanto com o Governo Municipal da Cidade de Goiânia tinha unicamente os interesses políticos partidários como fundamento, ou o que explica a existência descarada de dois pesos e duas medidas?
O movimento contra o chamado “Pacto pela Educação” do Governo Estadual e que legitimamente ganhou o apoio da classe trabalhadora e dos profissionais da Educação foi um exemplo claro de como o Sintego não tem mais legitimidade para defender os interesses dos Educadores. O Sindicato fez o jogo político em sua pior forma, e se, alguns direitos foram preservados não foram por causa da atuação do Sindicato e sim de um grupo de professores dissidentes que manteve a mobilização e recebeu o apoio de amplos setores da Sociedade Goiana. O Sintego perdeu a oportunidade de reviver o espírito de luta dos educadores por dias melhores na educação. Perdeu a oportunidade de envolver pais e alunos na discussão de um verdadeiro Pacto pela Educação, por que na verdade, estava mais interessado em defender os interesses de partidos políticos no jogo político e eleitoral.
Durante os próximos dias, é mister que todos aqueles interessados nos rumos da educação em Goiás, acompanhe o desenrolar das trocas de farpas que ocorre no processo eleitoral do Sindicato. O que ali está em jogo não é apenas quem vai ter a máquina do sindicato nas mãos para ajudar este ou aquele candidato; é muito mais. O que está em jogo são elementos importantes de como se dará a luta por uma educação de qualidade em nosso estado. Entretanto, não se enganem: nenhum dos envolvidos tem legitimidade para representar os professores e servidores da Educação Goiana; são pelos currículos que apresentam velhos políticos profissionais a fazer um triste trabalho em defesas de interesses que nada contribui para a construção de uma Sociedade melhor.



[1] Nelson Soares dos Santos é Professor Universitário, membro do Diretório Estadual do PPS em Goiás, e membro Suplente do Diretório Nacional do PPS.

Roberto Freire, Presidente Nacional do PPS: A voz do Otimismo e da Esperança.



Nelson Soares dos Santos[1]

Segunda Feira dia 26 de Maio próximo o PPS Goiano reunirá seus  afiliados, dirigentes e Simpatizantes para receber Roberto Freire, presidente nacional da Legenda. Entre entrevista e reuniões políticas com aliados, estará presente na inauguração da nova sede do PPS em Goiás, hoje presidido por Marcos Abrão, uma aposta que o partido está fazendo na luta por ter um deputado federal por Goiás. Roberto Freire tem andado por todo o Brasil, colocou-se a si mesmo a missão de unir a  oposição para derrotar o Lulo-petismo e criar uma nova alternativa de Governança para o Brasil. Quem acompanha suas falas Brasil a fora, vê um eco de Otimismo e Esperança; e, uma vontade férrea de mudar os rumos do pais, e as formas atuais de se fazer política.
Quando conheci Roberto Freire, já havia conhecido e até convivido com outros ícones da resistência a Ditadura no Brasil. Convivi com Aldo Arantes, que uma citação apenas já dá ao leitor a importância que o mesmo teve na luta pela democracia uma vez que não há nenhum livro sério que descreveu a história da resistência a ditadura que não o cita; e, já havia conhecido e estado bem perto de outro ícone, João Amazonas, que por anos dirigiu o Partido Comunista do Brasil. Outros, como Haroldo Lima, Pinheiro Sales, entre tantos, havia deixado em mim  um certa tristeza. Com exceção de João Amazonas e Aldo Arantes – Homens cuja esperança latejava sempre no peito, e o anseio por justiça parecia-lhes a companheira inarredável -; via-os sempre como homens apegados ao passado, incapazes de compreender que fazer história é viver o presente de olho no futuro.
Foi no Congresso Nacional do PPS que vi esta faceta de Roberto Freire. Entre um debate e outro sobre temas como Educação, Saúde, Segurança, Sustentabilidade; que do nada os olhos do velho líder brilhou. Sentiu que o partido se renovava, buscava saída, estava viva a luta por dias melhores; e, tirando energia da experiência de luta assumiu a condução das novas propostas que vem colocando o PPS a frente na luta em defesa da Sustentabilidade, Saúde, Educação e Segurança de qualidade para todos.
Sua presença em Goiânia será, certamente, uma oportunidade dos goianos perceberem o empenho do PPS na defesa de serviços públicos de qualidade para todos, da defesa de uma Educação de qualidade, da valorização dos profissionais da Saúde, Educação e Segurança. Oportunidade de conhecer as propostas e caminhos apresentados pelo PPS na luta contra o racismo e pela construção de uma identidade nacional respeitando as diferenças existentes no seio deste grande país.
O tempo é de construção de caminhos e propostas por um Brasil melhor, e, por isso, certamente quem se fizer presente terá a oportunidade de ouvir sobre as razões pelas quais o PPS tão cedo se aliou ao PSB, ( Partido Socialista Brasileiro), na tentativa de proporcionar um novo caminho, uma nova esperança de ajustes no sentido de colocar o nosso país no caminho do desenvolvimento de forma definitiva. Quem lá estiver verá um homem otimista e cheio de esperança de que é possível vencer a corrupção, diminuir as desigualdades sociais, conquistar a democracia radical que permita a todos aqueles que querem ter a oportunidade de exercer a cidadania de forma digna.
A candidatura de Eduardo Campos será certamente o tema central de todas as conversas por que tem ele a consciência de que também o PPS Goiano e todos os seus militantes e dirigentes tem um papel a cumprir na luta por um Brasil melhor. Roberto Freire trará consigo a essência do que significa a Democracia do PPS, fruto do seu Congresso que traçou ali um caminho de lutas, uma proposta de dar  vida a política, trazer o cidadão a participação e oferecer novos caminhos e canais de exercício da cidadania. É por tudo isso, que digo, - Seja Bem vindo Roberto, Presidente Nacional do PPS, às Terras de Goiás.



[1] Nelson Soares dos Santos é Professor Universitário e membro da Direção do Estadual do PPS, e  membro Suplente da Direção Nacional.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Três dilemas de Friboi


Nelson Soares dos Santos[1]
Friboi tem muito dinheiro. Isso todo goiano já sabe. Entre as famílias mais ricas do país e dono do maior frigorífico do mundo são as credenciais mais apresentadas para que se proponha a governar o Estado. Apesar de todo dinheiro que se tem, Friboi vive os dilemas de um general inexperiente. Não parece saber comandar, não parece compreender a arte da política, e tão pouco ter a sensibilidade da preocupação com o bem comum. Fica claro que os objetivos de Friboi não são o bem comum do Estado, e sim, criar as condições para que sua empresa torne –se ainda mais poderosa, principalmente por que governará um dos estados com maior potencial agropecuário do país. O maior dilema de Friboi, e para a sorte dos Goianos, foi ter tentado tomar o PMDB de assalto acreditando que passaria fácil por cima do velho guerreiro Iris Rezende Machado.
Dilema 01 . Não ter liderança política. Como todos aqueles que não possuem lideranças de base Friboi utilizou o único estratagema que lhe daria o controle de um partido no qual pudesse fazer o que bem quisesse. Tal estratagema é comum e usado, sobretudo, por aqueles que têm muito dinheiro e querem ser candidatos a cargos públicos, quase sempre para cacifar os negócios familiares. Seguindo tal receita, Friboi negociou com a Cúpula do PMDB. Não tendo muito que fazer, e não havendo impedimento legal a sua filiação, a base se calou. Iris Rezende agiu como um soldado da base, uma vez que não lhe foi dado a condição de opinar como liderança. Entretanto, todos sabiam que o velho líder não deixaria de ser líder por uma decisão de cúpula. Afinal, ninguém deixa de ser líder por vontade própria. Não tendo liderança, Friboi teve de oferecer o que possuía, e, deu munição aos seus adversários.
Dilema 02. Conhecimento da Arte da Política. Até agora impressiona os erros cometidos por Friboi. Desde a escolha do PMDB até os movimentos mais simples de relacionamento com a imprensa. Um grande empresário deveria saber que assim como o mercado, a política é arte da Guerra onde sobrevivem aqueles que possuem conhecimento da configuração estratégica do poder. Parece faltar a Friboi as virtudes de um Bom General. Subestimar um dos maiores partidos do Estado e um dos seus maiores líderes definitivamente não foi uma decisão inteligente, afinal, qualquer leigo em Goiás, saberia que Iris não sairia do páreo facilmente. Friboi, no entanto, não subestimou apenas um partido e um líder, ele subestimou a todos os goianos ao colocar a riqueza como o elemento principal  a garantir sua condição de futuro governador.
Dilema 03 – Inexistência do Efeito Surpresa. Ao colocar o dinheiro a frente de todas as demais questões Friboi anulou a possibilidade de apresentar um efeito surpresa. O dinheiro que se anuncia como solução é sempre a fonte de males e perversidades. O dinheiro como fonte de virtudes é silencioso e não se anuncia facilmente a não ser diante de uma situação complexa e como solução dos problemas apresentados. Ao se anunciar como o homem do dinheiro Friboi transformou em piada sua imagem afirmando estar preocupado com a Educação, Saúde e Segurança, uma vez que ao longo de sua carreira como empresário não há registros de que tenha tido alguma generosidade com seus funcionários em relação a tais questões.
Para além destes três dilemas pode citar outros  e grandes dilemas. Como lidar com os assessores mal preparados e atraídos pela ideia de ganhar muito dinheiro? Como lidar com os candidatos – muitos sem votos – que se aproximaram pela ideia de se ter muito dinheiro para campanha? Como administrar tudo isso sem fazer inimigos cruéis que trabalhará de graça para qualquer outro candidato se for agora descartado?  Como lidar com o fato ( não negado por ele) de que sua empresa é devedora do Estado que pretende administrar? Como contar ao Cidadão que será dele a última palavra pra resolver conflitos de interesse entre o bem comum e os interesses particulares dele. Julgando pelas  análises dos passos dados por Friboi na Política é possível imaginar que sua riqueza foi construída pelas regras mais selvagens e agressivas do mercado capitalista. O problema é que se esqueceu de oferecer a Friboi a música do Jair Rodrigues: “ ..., por que gado a gente marca, tange, fere, engorda e marca, mas com gente é diferente”.




[1] Nelson Soares dos Santos é Professor Universitário, membro da Direção Estadual do PPS em Goiás, e membro suplente da Direção Nacional.