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quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Por que fazer Política.


Nelson Soares dos Santos[1]
Recebi hoje uma convocatória para uma reunião da executiva do diretório municipal do PPS Goianiense. Como resposta pedi o meu afastamento em uma carta. A questão que me move é “Por que fazer Política”? A convocatória da reunião vem com uma pauta: eleições 2016. A questão é que mal terminamos a eleição de 2014, não fizemos nenhuma avaliação da participação do partido no processo eleitoral, e não sabemos qual será o real papel político do partido no ano de 2015.
É claro, dirão muitos, que estou sendo inocente. Dirão que quem manda no PPS Goiano é o Marconi e  que o partido fará tudo que o Marconi quiser ou mandar. Neste caso e se este for o caso meu afastamento é acertado. Não concordo com a política educacional, e tão pouco com diversas outras políticas do Governador. O pior é que se esta for mesmo à questão o açodamento em lançar candidato à prefeitura de Goiânia só está relacionado com a disputa de cargos na base do governador.  A disputa de cargos em um governo que está inchado, endividado e sem saber qual caminho tomar, não parece ser o que chamo de boa política.
Creio que de fato é hora de nos debruçarmos sobre a realidade dos municípios goianos e buscar propostas políticas para resolver os problemas das municipalidades, mas tudo começa com uma boa avaliação da executiva estadual do partido sobre qual o real papel o PPS pode exercer doravante no cenário goiano, dado que possui um deputado federal. Afinal, iremos defender as bandeiras da educação, da igualdade racial, da justiça social, da segurança pública, do fortalecimento do poder local, ou iremos apenas fazer o que o Marconi mandar?
A discussão política precisa preceder a discussão de pessoas e processos. Se não formos capazes de compreender o papel dos partidos políticos, e do próprio papel que o estado deve ter doravante, não seremos capazes de dar respostas efetivas as demandas da sociedade. Não. Não posso seguir o caminho de dizer sempre sim, de forma cega, surda e muda.


[1] Nelson Soares dos Santos é Professor Universitário.





Goiânia, 10 de novembro de 2014

D.D Deputado Federal  Marcos Abrão
Presidente do Diretório Estadual PPS – Goiás.
Senhor Darlan Braz de Oliveira
D.D, Presidente do Diretório Municipal PPS – Goiânia


Por meio desta dirijo-me respeitosamente a vós com dois objetivos: O primeiro é colocar a disposição meu cargo de Primeiro Secretário da Executiva Municipal do PPS Da cidade de Goiânia; o segundo, explicar o motivo de minha ação.
Coloco meu cargo a disposição por entender que o lançamento da candidatura a prefeito de Goiânia coloca o PPS metropolitano em novo patamar, e como é o atual presidente estadual o nome mais cotado para a disputa, entendo que o mesmo deve se sentir a vontade para reconstruir o partido, inseri-lo de forma mais orgânica na sociedade e construir novas pontes. Sendo assim, é interessante que tenha a liberdade de construir novas pontes, novos nomes que representem o pensamento atual do partido para Goiânia.
Não me sinto a vontade para esta construção nos moldes nos quais se deram as relações durante o processo eleitoral de 2014. Creio que é necessária uma nova recomposição. Como candidato, senti-me abandonado pelo partido, compromissos não foram cumpridos e planos e projetos foram abandonados. Acredito na política como instrumento de servir a sociedade, e que em seus aspectos internos e externos as atividades partidárias devem primar pela ética, pelo respeito e pela coerência. Por outro lado , todos tem conhecimento da minha discordância do apoio acrítico dado pelo partido ao Governo Marconi, enquanto este apoio perdurar, eu serei uma  voz do dissenso, uma vez que acredito que Goiás precisa de políticas progressistas em várias áreas, sobretudo em Educação, Segurança pública e promoção da igualdade, e não acredito que Marconi Perillo represente esta possibilidade.
Desta forma, deixo livre a direção estadual em Goiás para substituir-me na direção municipal do partido em Goiânia, licenciando-me de todas as atividades de direção no munícipio e permanecendo como filiado ativo do partido. O ponto de aglutinação é sempre a busca inteligente de quem faz política com P maiúsculo, desta forma estarei sempre aberto ao dialogo político programático. O PPS pode apresentar a sociedade um plano e um projeto para Goiânia e para Goiás, entretanto os sinais atuais, sobretudo de aparelhamento absoluto do partido pelo Governo do Estado não é uma questão programática.
Acredito ainda, que toda a direção municipal deveria colocar os cargos a disposição em uma demonstração de desprendimento para deixar livre a direção Estadual para uma recomposição programática da direção municipal.


Atenciosamente


Nelson Soares dos Santos.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O PPS e Igualdade Racial no Brasil.

 Nelson Soares dos Santos[1]


Na Cidade de Salvador para participar da reunião do Movimento Negro da Coligação na entrega da “Carta de Salvador” a Marina Silva pude conhecer melhor nossa candidata a presidente. Olhar calmo, demonstrando certo cansaço pelas atividades do dia, exalava uma bravura serena típica daquela característica habermasiana de quem compreende o papel do político na Esfera pública burguesa.  Na entrevista Coletiva, ouvindo Marina, fiquei  a lembrar das propostas feitas no Congresso Nacional do PPS, Partido Popular Socialista, pela criação de uma coordenação Nacional de Igualdade Racial e da tentativa de criarmos um movimento que plantasse um novo modelo de luta por igualdade racial no país.
Chamamos nossa proposta de “Política Humanista de Igualdade Racial”, por que nossa ideia não criar mais um movimento negro no país, mas reconhecer que o Brasil é o país da diversidade e que estamos condenados ao respeito às diferenças. Não significa que não compreendamos a necessidade imperiosa de implantação de políticas afirmativas que ajude a emancipar as massas excluídas de negros nos diferentes estados do país, mas mais que isso, significa que entendemos a luta por igualdade atrelada ao biônimo  - oportunidade iguais, Educação de qualidade.  O que não queremos é mais um movimento que instigue o ódio, o rancor, a ideia reparacionista que olha para o passado em vez de olhar para o futuro.
Na nossa “Política Humanista de Igualdade Racial”, não há lugar apenas para negros, mas para todas as minorias ou raças oprimidas no seio da sociedade. Trata-se de uma luta por emancipação de um país, na qual a educação de qualidade para todos tem lugar preponderante. É na formação de uma consciência política elevada, na formação humana integral que vemos a verdadeira emancipação, e para quais as políticas afirmativas como cotas etc, são apenas um instrumento passageiro, um meio para se alcançar objetivos maiores, por isso, determinadas políticas devem ser transitórias, sobretudo na vida dos indivíduos.
Uma política humanista de Igualdade racial e inspirada nas ações e lutas de Nelson Mandela e Martim Luther King, tem no aprendizado do amor, na inclusão, seu eixo central, e isso por que sabemos que “ninguém nasce odiando ninguém, e se aprenderam a odiar também podem aprender a amar.” ( Nelson Mandela.).  É para isso que defendemos a força da educação cultural, da mistura de culturas, do aprendizado da música e da arte clássica nas escolas públicas para que se dê a oportunidade do país ter ao seu dispor os seus melhores talentos. E por que não podemos sonhar com um Brasil onde tenhamos campos de futebol tenham negros, brancos e índios na mesma quantidade e do outro oposto, também nas orquestras sinfônicas, na pintura, nas profissões nobres como medicina, matemáticas tenham negros, índios e brancos na mesma proporção?
A luta por igualdade racial é por fim, uma luta por uma humanidade onde o conceito de raça perca importância e todos os seres sejam tratados como seres que tem vida humana e por isso dotados de talentos que somados podem levar a sociedade a um novo salto de evolução. Evolução esta que só é possível por meio de uma educação de qualidade, igualitária para todos, com fundamentos no bom uso da liberdade, da tolerância e da generosidade.  É esta a nossa luta. Enquanto houver um só ser humano oprimido, discriminado, vítima de preconceito esta luta será travada todos dias, todas as horas e sem nenhum descanço.



[1] Nelson Soares dos Santos é Licenciado em Pedagogia, Mestre em Educação Brasileira, Professor Universitário