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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Pobreza Política, Educação e a Petrobrás: O menino traquino e a Mulher feia que quer ser Miss.


Nelson Soares dos Santos[1]
Vinte anos atrás li um livro que tinha o título  “Pobreza Política e Educação”.  O autor, Sociólogo Pedro Demo, da Universidade de Brasília, fazia uma longa digressão sobre as consequências da pobreza política de nosso país, e, como a falta de uma educação de qualidade agravava a situação, e até era o fundamento da mesma. Crítico da Lei de diretrizes e bases em vigor, a lei 9394/96, o autor de forma irônica e ferina parecia prever o descalabro que está sendo os argumentos na imprensa e nas redes sociais do Partido dos Trabalhadores, do ex-Presidente Lula, da Presidente Dilma e dos seus defensores.  Outro dia li que a  presidente Dilma insinuou que a culpa da corrupção na Petrobrás era do Governo FHC, dias depois, o ex-presidente Lula fez o mesmo, e, um pouco mais, deputados que os representam propôs estender a investigação até o período de FHC. Que saibam que não tenho nada contra investigar tudo que tenha que ser investigado, o que argumento aqui, é a pobreza dos argumentos utilizados para negar, ou para contradizer aquilo que é óbvio: Há um tremendo esquema de corrupção na Petrobrás e que no mínimo se aprofundou nos Governos Lula/Dilma.
O argumento do menino traquino de que ele não tem culpa por que antes dele alguém fez o mesmo, tornou-se argumento falsamente científico para justiçar as ações políticas dos governantes. De outro lado, os argumentos da mulher feia que quer se miss, que sabia que o homem não achava bonita, e, que tão pouco a levaria ao altar e seria fiel a ela; que sai bradando aos quatros ventos que foi ingenuamente enganada, e que agora está abandonada, tornou-se o argumento dos eleitores do PT que elegeram Dilma para mais um mandato. Quiçá pode se acrescentar os argumentos dos sadomasoquistas, aqueles, mulheres ou homens que apanham e são machucados de todas as formas em uma relação, mas, são incapazes de deixar o parceiro por que não acreditam serem capazes de encontrar nenhum outro parceiro mais legal e que o possa fazer mais feliz, do que pretensamente, embora ele grite que está infeliz e com o corpo todo ensanguentado, diz que precisa continuar na esperança de que tudo em algum momento vai mudar.
Argumentos tão pobres para justificar a alta da inflação, a corrupção, a ineficiência das políticas públicas, a retirada dos direitos dos trabalhadores só é possível por que a sociedade encontra-se em um momento de tamanha pobreza cultural, educacional, intelectual e espiritual que pode ser definida como uma sociedade doente. Sim. É a pobreza educacional que leva a pobreza cultural. Só isso explica o sucesso que faz certas músicas, certos livros e programas de Televisão. É também a pobreza educacional que leva a argumentos  tão infantis, de gente pretensamente educada, com curso superior, alguns até com mestrado e doutorado, em defesa de um governo que já se tornou indefensável. A pobreza de uma educação que levou um país inteiro a uma pobreza cultural e espiritual.  A pobreza de uma educação que levou um país inteiro a não perceber que existe uma ética das virtudes, e, que a contradição não elimina a totalidade.
A luta pela educação torna-se mais do que nunca necessária. Não mais por que temos que educar nossos jovens, as futuras gerações; mas por que é preciso curar as doenças latentes que invadem as redes sociais na forma de ideologia neo-facistas, dogmáticas, doutrinárias, de um dualismo aterrador, como se toda a realidade fosse apenas uma luta simples entre o bem e o mal, e, como se quem estivesse do nosso lado representasse o bem supremo, e do outro lado só exista o mal supremo. A luta pela educação é a luta contra esta pobreza política que faz uma multidão acreditar em um discurso de falta de alternativas, como se alternativas não fosse uma coisa que pode ser criada e recriada pela vontade coletiva soberana. Só a educação pode mostrar que existe alternativa a corrupção, existe alternativa ao PT. Existem inúmeras possibilidades se a pobreza já não for tão grande que tenha retirado de todos inclusive a capacidade de sonhar.



[1] Nelson Soares dos Santos é Professor Universitário.

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