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sábado, 19 de dezembro de 2015

Indignação seletiva - a voz dos imbecis



É verdade que com o advento das redes sociais muitos que não tinha voz passaram a ter. E concordo com Zigmut Baumam que a internet concedeu voz a um número enorme de imbecis que antes só batiam palmas nos discursos no centro da cidade ou nas igrejas. Em tempos assim é bom tentar definir alguns sinais se aquela postagem que aparece em seu feed é uma indignação moral que vale a pena ser lida ou é apenas um desabafo de algum imbecil alienado e doente. Então vamos lá:
1.           Indignação não é revolta, embora seja sinônimos. Indignação é um ato moral de alguém que de forma autônoma, consciente, se recusa a aceitar algum ato ou fato como sendo normal e motivado por um profundo respeito a vida e a dignidade humana. Por exemplo, se uma pessoa defende uma pessoa que provocou danos a vida humana e a coletividade e no dia seguinte, por alguma razão sai em defesa de outro pessoa que cometeu o mesmo crime ( indignação seletiva), denota que na verdade esta pessoa não está indignada e sim que ela faz parte de uma facção.
2.           A indignação como ato moral é um ato consciente. Isso significa que a pessoa precisa por si mesmo analisar a situação e ser capaz de compreender os fatos. Fora disso, a pessoa está reproduzindo a consciência ou verdade de outro. Então não é indignação. É fé, é fanatismo.
3.           A indignação como ato moral pressupõe autonomia. Isso significa que a pessoa que sai por ai distribuindo folhetos, pedindo dinheiro para manifestações e se obriga a seguir regras impostas por outros, é qualquer coisa menos indignação como ato moral.
4.           A indignação como ato moral pressupõe responsabilidade. Capacidade de assumir responsabilidades está diretamente ligado a questão da autonomia, mas, aqui tem também o significado de ser capaz de ser dono de si. Não tem responsabilidade ou capacidade de tomar decisões o filho que vive dependente do pai, a mulher dependente do marido ou vice-versa, etc. Funcionários públicos que protestam por medo de perder o emprego não deveriam ser levados a sério. Da mesma forma, militantes pagos não são sujeitos morais. E pode ser incluído, mesmo, empresários que protestam unicamente movidos por interesses financeiros.
5.           Por fim indignação como ato moral – ato consciente, responsável, autônomo – é movido por princípios e valores. Nesse caso os princípios elevados do respeito a vida como valor sagrado e a humanidade toda como sendo uma mesma família. Foi esta a indignação de Martim Luther King, Mahatma Gandi e todos aqueles que de fato lutaram por um mundo melhor.


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