Pesquisar este blog

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Carta de desfiliação

Goiânia, 10 de Fevereiro de 2016


Caros companheiros da Direção Nacional do Partido, filiados e simpatizantes.
Toda minha vida sempre tive mais razões para agradecer do que para pedir.  Tenho a firme convicção de que a gratidão é uma arma poderosa que move o mundo e uma das poucas capazes de sublimar as leis naturais.
 Digo isso por que acredito nos sete princípios conhecidos como leis que movem o Universo.  O primeiro,  O  Princípio da Correspondência – que a firme de que a analogia é um meio poderoso de compreensão, quando afirma que o que é em cima é análogo ao que é em baixo; ora, isso muitos nos ensina sobre hierarquias e suas similaridades.
O segundo princípio, o principio do Mentalismo, que afirma que no Universo tudo é mental. Se é possível simplificar poderíamos dizer que uma mente de um grande homem ou de grandes homens unidos podem construir longos projetos quando se afinizam, quando pensam, falam e agem na mesma direção;
O Terceiro princípio é o princípio da Vibração, - poderia ser definido como ou similar a Lei do movimento. Qual seja, tudo vibra, tudo muda constantemente, nada está parado, e mesmo o que parece estar parado está se movendo constantemente;
O quarto princípio é o princípio da Polaridade, que afirma que tudo tem seu oposto, mas, que quando se há sabedoria todos os opostos podem ser reconciliados;
 O quinto principio é o ritmo, que afirma que tudo tem suas marés, tudo tem fluxo e refluxo, mas o ritmo é a compensação. Quando não há compensação então é hora de agir, afinal, é para isso que existe o sexto princípio.
 O  sexto princípio é  a lei da causa e efeito, muito conhecido dos estudiosos da física e afirma: Toda causa tem um efeito, e todo efeito tem uma causa, mas nada, nada mesmo escapa a lei.  O sétimo e último princípio é o de Gênero, não no sentido como se fala em Gênero nos movimentos feministas atuais, mas no sentido de que a mente possui em si o masculino e o feminino, e que o grande inconsciente coletivo obedece as mesmas leis. E quando há um desequilíbrio entre os dois pólos o que se provoca é dor e sofrimento.
Digo isso para reafirmar minha profunda gratidão a forma como fui recebido no partido, posteriormente na direção estadual do partido, e no último congresso na Direção nacional do Partido. Minha caminhada junto de vocês, no entanto, sofreu um  refluxo desde o ano de 2014; um refluxo consistente demais e que exige uma ação no sentido fazer-se mover as marés da vida.
Eu acredito muito na força do PPS, e como acredito na força de todos os dirigentes nacionais do Partido. Não consigo compreender, é verdade, por que não conseguimos delinear e praticar um projeto novo e uma nova forma de fazer política, mas percebo as dificuldades enfrentadas por cada dirigente e o esforço sincero de elaboração que cada um faz ao seu modo.
Se é permitido dar pitaco enquanto se retira porta a fora, poderia dizer que falta coerência e coesão, no sentido de que um partido tem que ser um grupo que se ajuda e se faz bem, e que sobretudo, caminhe na mesma direção. O partido tem sido uma cabeça solitária distante de algumas partes essenciais do corpo. Produzimos boas idéias mas não conseguimos implementar, tão pouco, dialogar com a sociedade. A sociedade espera de nós a indicação de um modo de viver, um caminho a seguir, um jeito de governar e ser governado. Até proclamamos que o Humanismo, o Socialismo, a radicalidade democrática, a sustentabilidade entre outros seriam nossos guias, mas não conseguimos efetivá-los por meio de nossas ações.
Então acabamos por ficar neutralizados. É assim que me sinto desde o ano de 2014. Um caniço inútil que insiste em não ser levado pelo vento das massas que insufla o ódio e uma guerra dualista que não reflete a situação real da sociedade. 
Quero acreditar que o PPS continuará a buscar e pensar um modelo educacional que possa mudar a realidade desse país. Não há possibilidade de progresso e mudança se não empregarmos todas as nossas forças em  mudar o nosso modelo de educação. A educação superior entregue ao mercado está se constituindo em verdadeiro crime de lesa pátria. Os estudantes estão saindo pior do que entram em algumas Universidades e Faculdades. O déficit de professores bem como o número de professores que estão  adoecendo é assustador. Grande parte das Universidades, até mesmo algumas federais estão deixando de formar cientistas e colocando no mercado/sociedade meros homens detentores de um conhecimento de senso comum, sem nenhum espírito crítico, sem espírito científico ou filosófico.  Não é por acaso que o debate político na esfera pública é cada vez mais pobre e horroroso.
Hoje, colocar uma criança na educação pública é o mesmo que condená-la ao crime e a vida de marginal. Falo isso por experiência de alguém que até este momento mantém a filha fora da escola por não conseguir as condições financeiras para matricular em uma escola privada e recusar a vê-la correndo verdadeiro risco de vida em uma escola pública.
Outra questão flagela nossa sociedade é a questão moral. Estamos vivendo um momento de refluxo da moralidade, do respeito ao valor sagrado da vida, do respeito as leis a naturais. Quanto mais se fala em sustentabilidade menos é feito para se construir uma sociedade sustentável.
Quero acreditar que o PPS continuará a buscar uma construção teórica e prática para fazer valer o respeito e convívio entre as raças. Não podemos tratar o preconceito, o racismo e a discriminação como questões de somenos importância. Em um mundo globalizado a questão da  convivência pacífica ,entre as raças, deve estar na ordem do dia de todos os homens de bem.
Dito isso, mais uma vez agradeço a minha presença nesta direção Nacional, e que me sinto extremamente honrado por ter feito parte deste partido eu luta pela construção de um país melhor e que tem homens e mulheres sinceros, honestos, em uma palavra, virtuosos, e batalhadores.

Despeço-me, não sem antes, agradecer aos valentes companheiros de Goiás, valentes e democratas que vivendo em um estado totalmente patrimonialista tiveram coragem de tentar e ousar construir um partido democrático na gestão que antecedeu a gestão atual.
Sincera e fraternalmente  me despeço


Nelson Soares dos Santos

Nenhum comentário:

Postar um comentário