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quinta-feira, 10 de março de 2016

A Delicada Situação.


Nelson Soares dos Santos

Talvez estes seja um dos últimos artigos que eu escreva antes de calar-me perante a situação delicada que o Brasil vive, não por medo, mas por que há momentos que falar não contribui para a construção da paz. “Há tempo de falar e  há tempo de calar”, disse Salomão há mais de dois mil anos atrás. Caso eu opte pelo silêncio neste artigo vou expor algumas idéias que possam justificar minha atitude.
1.     O Brasil vive hoje uma situação profundamente delicada. Parece um momento de travessia, um daqueles momentos históricos onde muitos atores se tornam importantes no processo e, portanto podendo ser responsabilizados pelo desenrolar da trama.
2.     Dos 39 partidos políticos existentes, quase uma dezena estão envolvidos profundamente em corrupção e acusação de desvios de recursos públicos. O PMDB por meio dos seus principais líderes, Presidente do Senado e da Câmara; O PSDB, com citações diretas dos seus principais líderes em escândalos com destaque para o seu principal Líder Aécio; O PT, pelas acusações envolvendo Lula e os principais líderes do PT, O PP e o PR, já com diversos condenados; o DEM que há pouco tempo teve um dos seus quadros de destaques expulsos da vida política ( Demóstenes Torres); o que dá os principais e maiores partidos da república com a confiança comprometida.
3.     Os poderes da república estão todos comprometidos. O poder executivo não consegue administrar o país engessado pelas denúncias de corrupção e pela incapacidade da Presidente Dilma de conseguir Governar; O Poder Legislativo com grande parte dos seus membros e os altos dirigentes sendo acusados de corrupção, com destaque para o presidente do Senado e da Câmara, e, envolvido em brigas intestinas do poder não consegue votar aquilo que realmente interessa ao crescimento do país; e, o Poder Judiciário, de um lado, na cúpula, mostra-se dividido quanto os rumos a seguir; e na base, um grupo de magistrados que na ânsia de inovar exorbita a competência a eles atribuída pela constituição.
4.     Um sistema educacional falido. O  nosso sistema educacional está tão falido que menos de 30 anos depois poucos se lembram do que foi o regime militar. Estamos sem memória histórica e um povo sem memória histórica está sempre em perigo. Não temos educação das massas, nem educadores das massas. O povo não tem um exemplo no qual se espelhar dando espaço assim a falsos heróis que na verdade não possuem grandeza moral para serem erguidos ao pedestal desejado. As faculdades e Universidades ou o sistema como um todo não provê os seus egressos dos elementos básicos de formação, a saber: competência Lingüística, pensamento lógico e moralidade autônoma. E criou-se uma massa de indivíduos que tendo opinião e crenças pensa ter pensamento crítico e autonomia moral para fazer escolhas livres.
5.     Um sistema de segurança comprometido. O crime parece ter criado raízes em todos os seguimentos da sociedade. Ser desonesto parece ter se tornado regra moral de viver. Toda as autoridades parecem ter adquirido vida própria para além da constituição e aos poucos e de forma sutil, justiça vai sendo confundido com vingança, juízes e polícia como justiceiros sob os aplausos ensandecidos de uma massa desorientada.
6.     Um sistema de saúde precário. A crise da saúde agravada pelo aparecimento da Zica não parece ter sido suficiente para uma mudança de postura da população quanto ao problema. O nível de corrupção e desvios de verbas nestas áreas chegam a níveis estratosféricos. A vida humana vai se tornando menor do que a busca desenfreada por vantagens materiais. Faltam médicos e equipamentos nos hospitais até das principais cidades do país.
7.     A situação se espalha pelos estados, repetindo o domínio do crime sobre o republicanismo, a mentira toma o lugar da verdade e chega até aos municípios e aos lares com o endividamento das famílias e a criação de uma clima de desrespeito às autoridades. ( Parece natural uma multidão xingar juiz ou a presidente de anta no facebook ou em outras redes sociais, mas o mesmo desrespeito vai se alargando com o professoro em sala de aula, com o médico no consultório, com o policial nas ruas e os filhos com os pais em suas casas).

8.     Por tudo isso é que mais que nunca necessitamos de serenidade. A luta por justiça  e, por justiça social não pode colocar em risco ou diminuir o valor sagrado da vida. É preciso que se tenha consciência de que toda e qualquer vida possui exatamente o mesmo valor e de que a lei moral que rege o supremo bem é universal e implacável. O estímulo ao ódio e ao confronto não ajuda no processo evolucionário, antes, apenas contribui para a banalização do mal e em última instância para derramamentos de sangue desnecessários.

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