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segunda-feira, 20 de junho de 2016

O voto solitário de Rubens Otoni e a resistência progressista em Goiás.


Nelson Soares dos Santos[1]

No dia da votação do impedimento da presidente na câmara houve quem tivesse a esperança de que dois ou três deputados goianos votassem contra. São deputados que durante o processo eleitoral se colocam como progressistas e democratas perante os eleitores criando uma imagem de compromisso com o bem comum. Flávia Morais foi o caso mais emblemático. Filiada ao PDT, muitos dos seus eleitores esperavam que ela votasse contra o processo do impedimento. De outro lado, outra parte dos seus eleitores que identificam como sendo da base do Governador Marconi pressionavam para que votasse a favor do impedimento. Mantendo o mistério até   a última hora, a deputada votou pela aceitabilidade da denúncia deixando assim o deputado Rubens Otoni como único voto contra na bancada goiana.
Quem conhece o modelo de operação política do Governador Marconi sabe que é possível que  ele tenha tentado influenciar mesmo o voto do deputado Rubens Otoni. Até mesmo aqueles que lutam por uma política progressista em Goiás acabam envolvidos pelo aspecto do progressista sedutor e trapaceiro vivido por Marconi e seus aliados. É como naquele filme “Golpe Duplo” com Will Smith que mesmo quando parece que tudo é real não passa de um golpe cujo desenlace final é manutenção do poder e o controle das massas. Apesar disso, e talvez por essa razão é razoável refletir sobre o voto solitário de Rubens Otoni e o significado para a construção de um campo política progressista em Goiás.
A primeira questão que se impõe e que ninguém, nenhum líder conseguirá construir uma posição progressista em Goiás se não estiver com o controle total de um partido e, se esse mesmo partido não estiver com laços rompidos com o Governador Marconi e, ainda, sem disposição de negociar com o mesmo. Wanderlam é um exemplo claro desta imposição. Considerado por Marconi um adversário de peso vem sendo cercado pela base aliada para não se constituir como alternativa de poder ao marconismo. A mais recente jogada do Governador para anular Vanderlan foi assumir o controle do PSB e PPS no Estado. Não se pode afirmar que as direções nacionais de tais partidos se venderam, mas no mínimo negociaram, levados pela esperança de um crescimento da legenda que na prática nunca ocorrerá. Ao longo prazo tais legendas serão descaracterizadas no estado, perderão suas identidades ideológicas, o respeito do eleitor, e conseqüentemente prejuízos nos projetos nacionais.
O PC do B foi outro partido que teve a maioria dos seus quadros cooptados pelo marconismo. Induzidos pela possibilidade de um avanço progressistas no primeiro governo Marconi, o partido se perdeu, perdeu o respeito do eleitor e nunca mais elegeu um deputado federal no Estado. Isso significou um grande prejuízo para a luta progressista nacional uma vez que Aldo Arantes, um Deputado de altíssima qualidade deixou de prestar seus serviços à nação. A luta progressista, a defesa dos direitos dos trabalhadores, a educação, a saúde e a segurança nacional ficou em prejuízo fruto de uma jogada política do Governador para manter o poder em Goiás.
O caso do PDT de Flávia Morais e George Morais foi apenas mais um capítulo desta triste história de trapaças que se transformou a política em Goiás. Ao colocar o controle do partido no Estado nas mãos de pessoas ligadas ao Governador a direção Nacional do Partido selou o seu destino. Mesmo que viesse a ter deputados federais e estaduais todos rezam na cartilha do Governador. As relações políticas em Goiás são fundadas na trapaça, uma espécie de pôquer misturado com o jogo do Bicho, onde quase tudo acontece na informalidade. Os acordos são feitos na por meio da trapaça, da sutileza, do blefe, e,  da esperança.
Rubens Otoni conseguiu manter sua fidelidade ao projeto nacional do PT devido as circunstâncias coletivas. Entretanto, mesmo isso não significa uma possibilidade de uma política progressista em Goiás. As correntes mais progressistas do PT, são hoje minoritárias no Estado. Não temos nem um nicho político de diálogo e ação política que possibilite a manifestação da cidadania. Jornais, revistas, e todos os mecanismos de ação política são sutilmente controlados, ou por meio da trapaça, ( quando os indivíduos são controlados sem que se percebam que estão sendo controlados). A construção de uma corrente verdadeiramente progressista em Goiás só será possível quando aqueles que se opuserem ao Governador aliar paixão pela política a sinceridade de se colocar a serviço do bem comum. Quando isso acontecer, talvez possamos dizer que a esperança vencerá a trapaça. Enquanto isso veremos o Governador reinar sozinho controlando tudo e todos em terras goianas.









[1] Nelson Soares dos Santos é professor Universitário.

terça-feira, 14 de junho de 2016

EDUARDO CUNHA E A CULTURA DA CORRUPÇÃO NO BRASIL


Nelson Soares dos Santos[1]

Quando saiu o resultado da votação do Conselho de Ética pela cassação de Eduardo Cunha, muitas pessoas comemoraram nas redes sociais. De fato, é um alívio. Foram seis meses convivendo com cinismo em rede nacional, ao vivo, em cores, gravado e documentado. Parece que é óbvio comemorar, entretanto, o fato de Eduardo Cunha ser cassado agora pode estar revelando algo ainda mais preocupando sobre a sociedade brasileira. Se for feito  pergunta: Por que Cunha durou tanto tempo? Por que afinal, quando toda a opinião pública sabia da falta de decoro e corrupção ele ainda encontrou forças para aprovar e presidir o impedimento de um presidente da república? E por que tantos intelectuais justificavam que não era hora de cassar Cunha pois era preciso servir dele para derrubar um presidente?
Esta última pergunta é a mais preocupante. Quando a opinião pública manipulada, ou aqueles que formam a opinião pública fazem o périplo que fizeram para justificar a presença de Cunha presidindo o impedimento de Dilma é um ato profundamente simbólico de que é natural no Brasil o uso de meios escusos para se alcançar objetivos pretensamente sadios. É um sinal de que Maquiavel ainda é o mestre da política no Brasil e que por aqui os fins ainda justificam meios. Para ser mais claro é só pensar que o que se fez no caso Eduardo Cunha foi como você aceitar que um Ladrão seja juiz por que não ninguém capaz de julgar o processo, mesmo sabendo que o Juiz ladrão está usando o processo para tirar proveito da situação. A história saberá julgar não apenas a classe política mas todos aqueles que, de alguma forma argumentaram em defesa de tal situação e revelaram assim o nível moral que conseguiram alcançar.
Independente de se o Processo de Impedimento da Presidente da República Dilma tenha sido legítimo ou não o que fica claro e todos já admitem, mesmos os intelectuais que antes nas redes e jornais diziam que Cunha era um mal necessário, o que fica claro é que Cunha não tinha legitimidade para ser presidente da Câmara, sequer tinha legitimidade e honra para ser um representante do povo no parlamento brasileiro caso queiramos falar de real respeito as leis e a constituição do país. Quando aceitamos que alguém que não tenha nenhuma legitimidade, nenhuma condição moral assuma os destinos e rumos de uma nação é por que algo de muito podre está no ar. Se existe alguma esperança e alento neste momento ele depende de Cunha contar a verdade, toda a verdade com a qual ele afirma ser capaz de derrubar o presidente Temer, ministros, 150 deputados, senadores e até mesmos ministros do Supremo Tribunal Federal.
A mudança possível.
Podemos, no entanto, ter real esperança. E esta possibilidade está na coragem de cada brasileira e brasileiro assumir posição em defesa de um novo modelo de sociedade. É preciso colocar fim aos arranjos políticos familiares, investir em Educação de qualidade para todos e construir uma cidadania fundada na participação política meritória e na livre expressão das vontades do povo. A luta contra a corrupção não terá sentido se não vier acompanhada por luta em defesa de uma sociedade humana, livre de preconceitos, fundada no respeito as leis, ao Estado Democrático de Direito e a todas as formas de diferenças do nosso espectro cultural.
O Governo Temer mesmo que consiga restabelecer a confiança na economia não terá legitimidade para propor mudanças nas estruturas sociais que provoque uma evolução ética e moral por que nasceu de forma ilegítima, marcado pela traição, pelos conchavos, e, sobretudo por um anseio de uma ala conservadora em avançar sobre os direitos sociais dos trabalhadores bem com um retrocesso no campo dos direitos humanos. Chega a hora que aqueles, que por alguma razão, e possivelmente com alguma razão, lutaram para colocar um fim nos governos do PT de refletir se querem ver a sociedade brasileira retroceder no campo dos direitos sociais e trabalhistas ou se querem de fato, combater a corrupção e ajudar a construir uma sociedade humanizada e avançada no nosso país. Chegou a hora de esquerdistas democratas se unirem, progressistas de todas as matizes, por que ao final o que interessa é o avanço civilizatório do nosso povo. E isso que vai nos colocar, no futuro, como líderes de outras nações.



[1] Nelson Soares dos Santos é professor Universitário.

A intervenção no PDT e o sonho de uma esquerda democrática em Goiás.


Nelson Soares dos Santos[1]

No ano de 2001, então dirigente do PC do B no Estado defendi efusivamente o lançamento da candidatura de Aldo Arantes para Governador do Estado, e fortalecia o sonho de ter nosso estado governado por uma esquerda democrática. Goiás nunca teve um governo voltado para o humanismo e a democracia. O Governador que mais poderia aproximar deste título teria sido Mauro Borges, e, mais recentemente Henrique Santillo. Entretanto ambos estiveram presos nas estruturas do coronelismo fundado nos meios de produção da Agricultura e da pecuária e, em uma cultura de submissão por parte da sociedade civil a um modelo de vida ultrapassado de cidadania pobre e periférica. Na verdade é difícil dizer que existe em Goiás cidadania política. Os últimos dois Governadores ( Iris Rezende e Marconi Perillo) tornaram-se verdadeiros coronéis e não contribuíram para fazer avançar um modelo de sociedade democrática em Goiás.
Recentemente li nos jornais que o Presidente Nacional do PDT Carlos Lupi, por meio de decisão do colegiado da direção nacional do partido, decidiu intervir em Goiás. Afastou os dirigentes George Morais e a Deputada Flávia Morais da direção e estará vindo a Goiânia no dia 24 de Junho para consolidar o processo. Vejo como corajosa a decisão do PDT Nacional por que em Goiás nenhum partido vive fora da esfera de influência do Governador Marconi Perillo. E eu acredito que se a Deputada Flávia Morais votou pela admissibilidade da denúncia contra Dilma foi em grande parte pela influência do Governado. O Governador tem suas digitais em todos os partidos das mais variadas formas, controla a todos como bonecos ventríloquos e pratica os atos que bem lhe aprouver e ai daquele que não seguir as ordens dadas pelo Chefe.
Caso concretize o processo de intervenção O PDT poderá vir a prestar um grande serviço a Goiás no Futuro que é de abrigar todos aqueles que desejam exercer a cidadania política longe das influências do Governador. Depois de 18 anos dominando o Estado e quase nada tendo sido feito pelo desenvolvimento humano e pela cidadania, com a educação as traças ( ameaça de implantar as OS na Educação sem ouvir a sociedade, ) saúde com todas as mazelas possíveis e tantas promessas não cumpridas Marconi segue impávido em seu projeto de se manter no poder. Um partido que pudesse se construir longe desta influência maléfica seria um sopro de esperança em um estado no qual a liberdade há muito tempo deixou de existir.
O caminho da construção.
Mantendo as esperanças é preciso dizer que caso o PDT queira mesmo ser o sopro de alento na construção de uma cidadania política no estado de Goiás, é preciso se construir e se constituir alinhado a um projeto nacional e que coloque Goiás em sintonia com os destinos da nação. Se, é para construir desde agora a possibilidade de o PDT ser alternativa em 2018 com Ciro Gomes, é preciso também que desde já o PDT se construa com pessoas que vestirá a camisa desse projeto desvencilhando das influências políticas da base do Governador. É preciso sobretudo que o PDT comece a pensar a se construir como um partido que poderá ter em 2018 candidato próprio a Governador, não apenas para constituir palanque para o candidato a presidente, mas sobretudo, para se colocar como alternativa a ser o capitão na construção de uma esquerda democrática em Goiás.
Para tanto, é preciso que o PDT traga para Goiás, ou acolha no estado pessoas que possuam identidade com passado de lutas do Partido, sobretudo a luta pela educação. No caso da educação é um momento de verdadeira desolação no qual o partido poderia vir a se tornar a voz daqueles que defendem uma educação de qualidade com oportunidades iguais para todos. As lutas, todas as lutas devem estar conectadas. Não para defender um novo modelo de educação para o Brasil, defender qualidade nos serviços públicos e aceitar de cabeça baixa o que o Governador faz com o povo Goiano. Se queremos um novo modelo de sociedade temos de ter coragem, de no mínimo seguir os caminhos por onde o processo pode evoluir. Aceitar a estagnação, o retrocesso, os desmandos em nome disso ou daquilo é servir a deus e o diabo e não ir a lugar algum. A zona cinzenta da política não nos levará ao caminho da luz, da liberdade, do desenvolvimento humano e da democracia.



[1] Nelson Soares dos Santos é professor Universitário.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Em defesa de Lula e do PT: Ou de como a sociedade não retrocederá

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[1]Nelson Soares dos Santos

No primeiro momento a impressão que se dá é que a situação do PT é indefensável. Eu nunca fui um petista roxo. Minha primeira candidatura a um cargo público foi a vereador da cidade de Divinópolis de Goiás pelo Partido Progressista. Recém saído do internato já guardava em meu ser as idéias humanistas que hoje defendo, entretanto, achava o partido dos trabalhadores radical demais e não concebia como ainda não concebo as mudanças na sociedade por meio da revolução e sim por meio da evolução. Não acreditava no Socialismo/Comunismo como visão de mundo e modo de vida, nem tão pouco como forma de governo de Estado.
Embora mergulhasse nos estudos das obras marxistas nos anos 90, acompanhado a queda do muro de Berlim, o fim da União Soviética e a ascensão da Social Democracia nunca me conteve a idéia de que o fim de um mundo Socialista/Comunista representasse o fim das lutas por um mundo com menos desigualdade social. De outro lado também não me enveredei na busca de uma nova forma de socialismo/Comunismo como alguns fizeram. Apesar destes fatos no ano de 1998 filei-me ao Partido Comunista do Brasil no qual pude conhecer melhor a máquina burocrática do Governo Estadual e a forma do fazer política no Brasil. No PC do B aprofundei e consolidei em meu ser as idéias humanistas de igualdade de oportunidades, a necessidade de valorização dos trabalhadores, a erradicação da fome e da pobreza no Brasil, a necessidade de se investir em políticas públicas em Educação, Saúde e Educação para todos.
Embora considerasse o PT radical demais em suas propostas foi com tristeza que vi o mesmo escrever a chamada “Carta aos Brasileiros” durante a campanha que elegeu Lula para o primeiro mandato. Vi naquela carta as sementes de todo o imbróglio que se vive hoje. O tipo de concessão que ali foi feito não poderia ter outros resultados. De um lado a elite não se comprometeu a mudar sua forma/visão de mundo, portanto, não se comprometeu em modificar as formas de relações sociais entre a elite dirigente e os dirigidos, oprimidos e marginalizados da sociedade. O PC do B por meio de sua direção entendeu que o Governo Lula seria um “Governo em Disputa”, explicado como de um lado, estaria os movimentos sociais e as forças de esquerda, de outro as forças de direita que buscaria manter o status quo. O problema é que não se pensou como processo de corrupção e “jeitinho brasileiro” afetaria tal situação. O PT não tinha consciência da imensa podridão que poderia ser a Elite Brasileira, e, esta, apostou na possibilidade de envolver os principais dirigentes do PT no processo de manutenção do Status quo.
Foi portanto, o fracasso da disputa na base do Governo que ajudou ao fortalecimento do chamado “Centrão”, o aumento da corrupção e do poder de voz e voto dos chamados “deputados periféricos”. Estes deputados, sem idéias ou ideologias, preocupados sempre em defender interesse pessoais e particulares se fortaleceram formando bancadas que em vez de revelar preocupações com o interesse público passaram a esconder os interesses pessoais e privados dos seus componentes. Juntos com os interesses escusos estas bancadas passaram também a “esconder” os interesses de uma elite reacionária e conservadora, apresentando-se ao povo como defensores dos interesses da coletividade.
O Grande Erro do PT e de Lula.
É verdade que o PT e Lula errou. Mas a raiz do erro não foi o envolvimento na podridão da corrupção tão pouco o abandono de diversas políticas que poderiam mudar a sociedade brasileira e sua cultura de organização social. O grande erro do PT foi em nome da possibilidade assumir o poder na chamada “Carta aos brasileiros” ter concordado em negociar o que era inegociável. A grande origem do erro do Partido dos Trabalhadores foi não ter tido paciência de esperar a sociedade amadurecer para que os principais dirigentes das Instituições da sociedade civil compreendesse a necessidade de dar mais um passo na busca da equalização das oportunidades na sociedade em um processo de erradicação da pobreza, erradicação da fome, avanço nos direitos trabalhistas e sobretudo a necessidade de constituir uma sociedade onde todos, negros, brancos, índios, mulheres, homossexuais e outras minorias pudessem ser vistas como tendo direitos iguais aos da maioria ou daqueles que detém o poder financeiro e dos meios de produção.
Se é possível fazer uma defesa do PT é de que o PT não inventou a corrupção no Brasil, tão pouco foi o responsável por retirar dos trabalhadores direitos sociais. É verdade que o PT não conseguiu fazer todos os avanças necessários para que pudéssemos, neste início do século XXI tornarmo-nos uma sociedade mais igualitária e mais esclarecida. Não foi capaz de sequer tocar as estruturas sociais, tão pouco modificá-las. A sociedade permaneceu desigual, preconceituoso, e dividida. Entretanto, ao tentar fazer reformas periféricas feriu suscetibilidades de um lado, e de outro, alimentou esperanças com promessas que não foram cumpridas.
O PT não conseguiu implantar um novo modelo educacional que pudesse dar oportunidade iguais de esclarecimento aos brasileiros. A educação Brasileira continuou a ser dualista, excludente e podemos até dizer que tal situação se agravou com um processo de adoecimento dos servidores da educação pública e estatal. O PT não conseguiu fortalecer o SUS, não conseguiu resolver o problema da violência, e, tão pouco da vida no campo ( agricultura familiar e reforma agrária). E uma das razões para tantos fracasso é que não é possível resolver tais problemas sem que se mexa nas estruturas sociais. Finalmente, o PT não fracassou por que tentou mudar. O PT fracassou por que aceitou que a sociedade não deveria mudar.
Os erros do PPS, PSB, REDE, ( Esquerda democrática).
No ano de 2014, filiado e membro da direção Nacional do PPS ( Partido Popular Socialista) mais do que nunca eu estava convencido de que a mudança social só é possível se formos capazes de compreender o momento vivido pela sociedade, tocar as estruturas sociais, e, aguardar o momento propício para que aconteça a evolução. Entendia que o modelo de Governo do Partido dos Trabalhadores estava vivendo um profundo esgotamento e que para o bem comum deveria ser urgentemente superado. Foi desta forma que apoiamos com entusiasmo a formação de um novo bloco liderado por Eduardo Campos ( PSB), Marina Silva ( Rede) e PPS.  A idéia era propor a sociedade que era possível avançar na equalização das oportunidades, na conservação dos direitos sociais conquistados e por meio de um novo concerto, um novo pacto fazer avançar sobre as estruturas sociais existentes reparos nas formas de tratar as minorias, erradicar a pobreza em todas as suas formas tornando a sociedade mais produtiva. Embora tal proposto não tinha como objetivo modificar as formas do como se lidar com o enfrentamento da forma atual da propriedade dos meios de produção seria possível avançar nos investimentos em Educação, Saúde e principalmente na busca do entendimento do respeito aos direitos das minorias e, sobretudo, a possibilidade de expressão destas próprias minorias no seio da sociedade.
A morte de Eduardo Campos ( prematura e mal explicada), colocou fim neste sonho. Marina Silva não conseguiu representar os anseios das parcelas da sociedade que apoiavam o projeto e a derrota levou uma grande parte dos progressistas, premidos pelas circunstâncias ao apoio a Aécio Neves. O fracasso de Marina pode ser explicado de forma simplificada pela sua tibieza a enfrentar as formas ultrapassadas de se fazer política, e de outro lado pelas contradições internas da coligação. Entre o PT de Dilma, e o PSDB de Aécio Neves qualquer um dos eleitos significaria um estelionato eleitoral para com a população  que foi possível exatamente pelo fortalecimento das lideranças sem voz, periféricas, sem idéias ou ideologias e que escondiam nos seus discursos interesses escusos e particulares em tautologias que logravam defender os interesses coletivos.
Como candidato a deputado estadual vi meu partido (O PPS) caminhar para cometer os mesmos erros do PT. Por impaciência e imperícia tornou-se coadjuvante periférico do PSDB e DEM e após as eleições em nome da derrubada do PT do poder abandonou a possibilidade de construção de um projeto alternativo de desenvolvimento social calcado no humanismo, na evolução da sociedade, no respeito aos direitos sociais, humanos, trabalhistas das minorias, no investimento na construção de novas políticas públicas no campo da Educação, Saúde, Segurança pública e renda mínima que permitisse de forma evolutiva mudanças na estrutura da sociedade. Ao se bater pelo impeachment o PPS e a chamada esquerda Democrática ai incluída o PSB e a Rede cometeram erro igual ou pior que o PT no final dos Anos 90.
Ao assumir o Governo, Temer não somente ignorou as chamadas pautas da “esquerda democrática”, como entregou ao Ministério da Educação a um partido Ultra liberal e conservador ( DEM), retirou verbas já parcas da Educação, ameaça diminuir o Sus, e retrocede em avanços já consolidados ou pelo menos tenta. Entretanto, é justo este erro que pode ajudar a sociedade avançar ainda mais no caminho do humanismo, do rompimento com estruturas sociais ultrapassada, com costumes e idéias que já não se coadunam com o novo momento vivido pela civilização.
E é neste campo que reside as novas esperanças de luta dos progressistas e democratas: A compreensão de que a luta contra a corrupção é possível no marco das mudanças dos costumes sociais, das estruturas da sociedade civil, do respeito as minorias, do respeito ao Estado Democrático de Direito, e sobretudo do avanço na construção de uma sociedade onde a igualdade de oportunidades seja o marco ou ponto de partida.  A sociedade não retrocederá. Se  o PT foi derrotado não se pode pensar que as pautas que ousou defender, as bandeiras e esperanças que prometeu implantar e tornar realidade não acabaram. E sim, pelo contrário estão mais vivas por que o processo civilizatório exige de todos nós o repúdio a formas preconceituosas, racistas e de toda forma de exclusão, e, mais que isso, a construção de uma sociedade humanista e inclusiva.






[1] Nelson Soares dos Santos é professor Universitário.