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terça-feira, 14 de junho de 2016

A intervenção no PDT e o sonho de uma esquerda democrática em Goiás.


Nelson Soares dos Santos[1]

No ano de 2001, então dirigente do PC do B no Estado defendi efusivamente o lançamento da candidatura de Aldo Arantes para Governador do Estado, e fortalecia o sonho de ter nosso estado governado por uma esquerda democrática. Goiás nunca teve um governo voltado para o humanismo e a democracia. O Governador que mais poderia aproximar deste título teria sido Mauro Borges, e, mais recentemente Henrique Santillo. Entretanto ambos estiveram presos nas estruturas do coronelismo fundado nos meios de produção da Agricultura e da pecuária e, em uma cultura de submissão por parte da sociedade civil a um modelo de vida ultrapassado de cidadania pobre e periférica. Na verdade é difícil dizer que existe em Goiás cidadania política. Os últimos dois Governadores ( Iris Rezende e Marconi Perillo) tornaram-se verdadeiros coronéis e não contribuíram para fazer avançar um modelo de sociedade democrática em Goiás.
Recentemente li nos jornais que o Presidente Nacional do PDT Carlos Lupi, por meio de decisão do colegiado da direção nacional do partido, decidiu intervir em Goiás. Afastou os dirigentes George Morais e a Deputada Flávia Morais da direção e estará vindo a Goiânia no dia 24 de Junho para consolidar o processo. Vejo como corajosa a decisão do PDT Nacional por que em Goiás nenhum partido vive fora da esfera de influência do Governador Marconi Perillo. E eu acredito que se a Deputada Flávia Morais votou pela admissibilidade da denúncia contra Dilma foi em grande parte pela influência do Governado. O Governador tem suas digitais em todos os partidos das mais variadas formas, controla a todos como bonecos ventríloquos e pratica os atos que bem lhe aprouver e ai daquele que não seguir as ordens dadas pelo Chefe.
Caso concretize o processo de intervenção O PDT poderá vir a prestar um grande serviço a Goiás no Futuro que é de abrigar todos aqueles que desejam exercer a cidadania política longe das influências do Governador. Depois de 18 anos dominando o Estado e quase nada tendo sido feito pelo desenvolvimento humano e pela cidadania, com a educação as traças ( ameaça de implantar as OS na Educação sem ouvir a sociedade, ) saúde com todas as mazelas possíveis e tantas promessas não cumpridas Marconi segue impávido em seu projeto de se manter no poder. Um partido que pudesse se construir longe desta influência maléfica seria um sopro de esperança em um estado no qual a liberdade há muito tempo deixou de existir.
O caminho da construção.
Mantendo as esperanças é preciso dizer que caso o PDT queira mesmo ser o sopro de alento na construção de uma cidadania política no estado de Goiás, é preciso se construir e se constituir alinhado a um projeto nacional e que coloque Goiás em sintonia com os destinos da nação. Se, é para construir desde agora a possibilidade de o PDT ser alternativa em 2018 com Ciro Gomes, é preciso também que desde já o PDT se construa com pessoas que vestirá a camisa desse projeto desvencilhando das influências políticas da base do Governador. É preciso sobretudo que o PDT comece a pensar a se construir como um partido que poderá ter em 2018 candidato próprio a Governador, não apenas para constituir palanque para o candidato a presidente, mas sobretudo, para se colocar como alternativa a ser o capitão na construção de uma esquerda democrática em Goiás.
Para tanto, é preciso que o PDT traga para Goiás, ou acolha no estado pessoas que possuam identidade com passado de lutas do Partido, sobretudo a luta pela educação. No caso da educação é um momento de verdadeira desolação no qual o partido poderia vir a se tornar a voz daqueles que defendem uma educação de qualidade com oportunidades iguais para todos. As lutas, todas as lutas devem estar conectadas. Não para defender um novo modelo de educação para o Brasil, defender qualidade nos serviços públicos e aceitar de cabeça baixa o que o Governador faz com o povo Goiano. Se queremos um novo modelo de sociedade temos de ter coragem, de no mínimo seguir os caminhos por onde o processo pode evoluir. Aceitar a estagnação, o retrocesso, os desmandos em nome disso ou daquilo é servir a deus e o diabo e não ir a lugar algum. A zona cinzenta da política não nos levará ao caminho da luz, da liberdade, do desenvolvimento humano e da democracia.



[1] Nelson Soares dos Santos é professor Universitário.

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