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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Buemba!! Tem aluno que aprende na Escola Pública



Fizeram uma nova pesquisa. Uma parceria entre Instituições respeitadíssimas[1], portanto, difícil alguém fazer alguma suspeita. Foi então que descobriram aquilo que todo mundo já sabia. A diferença é que, segundo eles, agora está tudo demonstrado, medido, calculado, pesado e tirado prova por mais uma vez. Afinal, foi feito uma prova de nome ABC. Quando vi a sigla pensei que o objetivo era saber se os estudantes  brasileiros terminavam o Ensino Médio sabendo o ABC; não, não é. É apenas uma sigla que significa “Avaliação Brasileira do final do Ciclo de Alfabetização”.
O ciclo brasileiro de alfabetização, diz-se do tempo que o aluno precisa estar na escola para considerar que já é possível ter aprendido ler, escrever e contar. Então este ciclo atualmente, foi definido ( não me pergunte por quem e nem os critéiros), incluindo a Educação Infantil e os três primeiros anos do Ensino Fundamental. Logo, para quem definiu tais critérios  trata-se de estudantes na faixa etária de 09 a 12 anos. Isso considerando que os de 09 anos são aqueles que tiveram sucesso, e ou de 12 anos, considerando a média de reprovação atual da escola brasileira.
Então veja só. Esta nobre pesquisa descobriu que milagres é possível de acontecer. Tem alunos aprendendo na escola pública brasileira. E olha, que é muita gente, pois em algumas regiões o percentual chega a quase 50 %. Imagine, 50 % dos alunos que estudam em escolas caindo aos pedaços, com professores mal remunerados, constrangidos, alunos estes que na maioria vivem passando fome; isso e mais que um milagre e merece comemoração. Os brasileiros não desistem nunca mesmo.

As descobertas.

A grande descoberta e a mais chocante é que em média mais de 60% dos brasileiros que estudam na rede pública não conseguem aprender a ler, tão pouco a escrever. Em um estado em que nosso  Príncipe Secretário ( Ops, Thiago Peixoto), brinca de educador, divulgando IDEB nas portas das Escolas, deixando de pagar o piso nacional aos professores; e reforçando as políticas do par de botinas; é material que exige reflexão. Outro dado também chama a atenção: nas escolas particulares, em média 25 % dos estudantes saem sem saber ler ou escrever. Este segundo dado,  eu considero mais cruel que o primeiro, por uma simples razão: no primeiro dado, referente as escolas públicas, são crianças que se alimentam mal, não tem livros, não tem acesso a cultura; no segundo, é gente que não aprende por que a escola não ensina mesmo. E pior, eles estão comprando um produto caro e não estão levando.
No reino imaginário do Estado de Goiás, nosso sábio governante, quando Deputado quis piorar o segundo dado. Aprovou lei liberando o numero de alunos por sala nas faculdades particulares. Um absurdo, todos sabemos. É que nosso magnífico líder não entende de educação, vive da vaidade, do orgulho e dos holofotes, na verdade, não entende nem mesmo de desenvolvimento econômico, pois se pensa que é possível desenvolvimento econômico sem educação de qualidade não aprendeu nada de economia.
Nos dados da pesquisa divulgada na Revista Época, e no site do UOL e na Folha[2] consta que o problema é mesmo geral, mas é bem pior no norte e no nordeste do país. Nestas duas regiões a quantidade de analfabetos detectados pela pesquisa chega a quase 80 %.  Minha mãe diria, - ué filho, é quase todo mundo. Na leitura, 43 % dos alunos não são capazes de encontrar informações em um texto escrito. 48% dos alunos não conseguiram alcançar o esperado em matemática. Na rede pública 51,4 % dos alunos não conseguiram alcançar o esperado na leitura, e na escola privada, não ficou muito diferente. O interessante é que se percebe que a escola pública vai mal, o que não pode ser novidade para ninguém afinal ninguém que estuda em escola caindo aos pedaços, com fome, sem livros, com professores mal remunerados e constrangidos até, pode aprender alguma coisa; a escola privada não vai bem, aliás, vai muito, mas muito mal.

As soluções dos sábios governantes.

Em Goiás, algumas soluções devem resolver logo o problema de leitura, escrita e matemática. A primeira medida tomada foi colocar o IDEB na porta da Escola. Para quem não sabe, o IDEB é uma outra avaliação que já vem detectando o péssimo estado das escolas públicas há anos, mas só agora, um sábio descobriu que se divulgar o IDEB na porta da escola todo o problema da educação estará resolvido. Não está preocupado em pagar o piso dos professores, aliás, que piso? Deveria estar preocupado em pagar um salário digno de viver, pois mesmo o piso nacional é uma vergonha, e inaceitável que os educadores estejam lutando por tal piso, deveriam estar lutando para pelo menos triplicar este piso.
Também não vejo preocupação com a formação dos professores. Caso houvesse deveríamos estar ouvindo de investimentos maciços na UEG – Universidade Estadual de Goiás; programas de formação continuada, licenças remuneradas para formação de pesquisadores para a rede básica e outras medidas sensatas. Também, não tenho ouvido falar de preocupação com a saúde dos trabalhadores em Educação. Pior, parece que o IPASGO, vai aumentar em 145 % a cobrança no plano de saúde dos familiares dependentes dos servidores públicos, aqui incluída a Educação.
Também não vejo nenhum programa de inserção cultural dos Educadores Goianos, tipo, cinema itinerante, acesso dos educadores à banda Larga, fortalecimento das bibliotecas escolares; inclusão no tempo de trabalho do professor de tempo para leitura e atualização cultural, etc. Não, não tenho visto nada disso. No reino imaginário do Estado de Goiás parece que tudo será resolvido por meio dos holofotes, das mídias, das noticias noticiosas que não traduzem em resultados na vida do cidadão.
Sabemos que existe a co-responsabilidade entre a União, os Estados e os Municípios, quanto a questão da Educação. No entanto, em um estado no qual todos os prefeitos são dependentes do Governador na política quanto na economia, não existe por que cobrar dos prefeitos. O problema é do Governador e da União, já que os primeiros vivem de pires nas mãos.

A verdadeira solução.

A educação brasileira vai  mudar quando o brasileiro tornar-se um cidadão. As famílias descobrirem que é interesse das classes dominantes manterem os pobres na ignorância, no analfabetismo, e que estes governos que estão ai governam apenas para os ricos. E não se trata de ser marxista, trata-se apenas de uma questão de justiça. O que está ocorrendo e sempre ocorreu no Brasil é que tira a vida e a força vital dos pobres para suprir a preguiça e a leniência dos ricos que não possuem nem um pendor para as virtudes. Infelizmente, no Brasil temos uma elite vaidosa, egoísta, e hipócrita. Não querem o crescimento do país, querem apenas refestelar sobre a vida sustentada pelo suor alheio.
Os estudantes que estão na Universidade, sobretudo aqueles que vieram da escola pública e que hoje pagam muitas vezes por uma faculdade de qualidade duvidosa é que podem mudar tal situação. Não aceitar para si, nem para os seus filhos, nada mais que uma educação de qualidade. Desconfiar dos saberes fáceis, dos diplomas quase gratuitos, dos discursos camaradas que insiste em dizer que a escola não ensina e sim a vida. Desconfiem dos mercenários do ensino, dos palhaços de circos travestidos de professores, dos ladrões disfarçados de empresários.
A solução definitiva é desconfiar de toda a informação fácil, de todo conhecimento simplificado, de tudo que não é complexo. Todas estas coisas não passam de senso comum, preconceito e ideologia que visa promover mudanças com o objetivo de nada mudarem. Thiago Peixoto na Educação em Goiás é isso. Muita mudança para nada mudar.


[1] Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais ( Inep) Fundação Cesgranrio; Fundação Montenegro/Ibope;
[2] Não encontrei a pesquisa na página do IBOPE e nem tão pouco na página do INEP;

Um comentário:

  1. Oi Nelson. Bom dia! Nossa, mas que maldade sua ser t�o cr�tico nesse texto. Nossos pr�ncipes, est�o se esfor�ando pra que tenhamos uma escola p�blica de 1� qualidade, ainda mais agora com a prova do ABC. N�o seja t�o cruel professor.... rsrsrsrsrs..... � de rir mesmo, educa�o � educa�o! Senhores pr�ncipes, brincadeiras � parte!

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