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Vigésimo primeiro dia de quarentena – A nação prestes a chorar.

Goiânia, 05 de abril de 2020 É domingo de ramos, eu quase não me lembrei. A notícia da enfermeira goiana, Adelita, falecida no dia anterior ainda estava tão forte em minha mente que não me lembrei do calendário litúrgico. Não que seja um católico praticante, até por que não aderi ao jejum nacional convocado pelo presidente contra o vírus. Achei tudo uma hipocrisia sem fim. A busca pelo conhecimento levou-me a buscar a ver a vida com uma sinceridade de quem se olha no espelho e se aceita como é. Não é o caso dos religiosos que fizeram jejum hoje. São hipócritas. Jesus os teria chamado de hipócritas se fariseus. Defendem um jejum mais espoliam os pobres, defendem a torturadores, falam com violência, e, desprezam aqueles que mais precisam de conforto. Quero voltar a Adelita.   A morte dela foi noticiada pelos grandes jornais do país. Era enfermeira, tirou fotos pedindo para as pessoas ficarem em casa. Os pais assistiram seu enterro ficando a vinte metros de distância. Embor...

Décimo oitavo dia de quarentena.

Goiânia, 02 de abril de 2020. Em mais um dia de quarentena no Brasil, o que se destaca é o debate político em torno do tema. Hoje, Lula e Janaina Paschoal foram os protagonistas do debate com Bolsonaro. O primeiro, ao elogiar João Doria, que ao retribuir publicamente o elogio atraiu a ira dos bolsonaristas de plantão e seus robôs virtuais. Ao fim da tarde, o próprio Bolsonaro foi as redes contestar o fato de que “gente do bem não pode dialogar com bandido”. Mesmo caminhando para o pico da crise, Bolsonaro mantém o discurso do Nós do bem, contra eles do mal. Já Janaína, que há muito tempo vem atraindo a ira dos apoiadores do mito, discursou para a mídia chamando as Forças Armadas para depor Bolsonaro. É até difícil dizer qual disparate é maior -   Lula pedir o impedimento do presidente em plena crise do Corona vírus ou se Janaina discursar em defesa de um Golpe a esta altura dos acontecimentos. Mas pior ainda, foi a posição de muitos jornalistas e formadores de opiniões ...

O Poço – Uma reflexão.

O filme “O poço” está entre os dez mais vistos na Netflix há vários dias. Começou de forma discreta e logo passou a ser descrito como fascinante e perturbador pelo púbico no Brasil. Não é raro ver nas redes sociais indicações e comentários do filme, comentando-o ou comparando com o momento atual que o pais enfrenta na pandemia do Corona Vírus. O poço é uma produção original da netflix de 2019, dirigido pelo diretor espanhol Galder Gaztelu-Urrutia, um filme com passagens violentas e que remete a simbologias da organização da sociedade, dos modelos políticos e sobretudo de como as pessoas podem manifestar comportamentos violentos   em situações extremas, mas também, pode ser visto, para estudantes do Misticismo como um metáfora da vida. A entrada no poço. O protagonista parece entrar no poço, uma prisão vertical, divida por andares, onde cada andar fica dois presos, por livre vontade. Entretanto, ao chegar lá, percebe que todos que estão ali, cometeram algum crime. A met...