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Sobre morte, amor e paternidade

Nelson Soares dos Santos. Tenho de confessar que com trinta e sete anos vividos nunca tinha pensado em minha própria morte, mesmo sendo a morte um elemento presente em meus estudos, leituras e questões do cotidiano. Entrei em contato com a morte aos dez anos de idade quando faleceu um tio, que segundo minha mãe era muito parecido comigo em personalidade. Depois, estive de frente com a morte vendo meu pai perder suas últimas forças, consciente de que havia chegado a hora dele. Recentemente, estive com a morte no enterro da minha avó, e na semana seguinte de um Tio muito querido, a quem amava como pai. Em todas estas situações, pessoas que eu amava foram levadas, partiram, na hora esperada por elas. O meu pai, horas antes da morte chamou todos os filhos para estar no quarto com ele, pediu que cada um fizesse uma oração, e ao final, na última oração, fechou os olhos e se foi. Minha avó, um mês antes falou comigo ao telefone e pediu que eu levasse logo minha filha para conhecê-la pois a...

A insônia ou a vida como vontade.

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Nelson Soares dos Santos Não dormi. senti um cansaço enorme desta vida com pouco ou nenhum sentido. Cansado de ver os inimigos avançar em minha direção e não me sentir tranqüilo o suficiente para pegar em armas, ir a guerra, e lutar com todas as forças, não importando com o potencial de destruição que as batalhas impõe aos homens de bem. Cansado de tentar evitar batalhas, tentando com isso diminuir os efeitos colaterais de uma guerra que no final, todos sabem impossível de evitar. Aproveitei a noite para estudar o pensamento humano. Filosofia, ciência, tudo que pode explicar estes sentimentos desconhecidos; estas coisas estranhas que o mundo não soube nos explicar. Nada consta nos livros capaz de nos mostrar um caminho que de fato leve a essência. Tudo parece uma meiga e grande ilusão. As religiões, tornaram-se meros fantoches de uma existência sem tempero, uma peça mal encenada, um diretor míope que não consegue fazer rir seus  telespectadores. Não, não dormi. E  a noite ...

Lições do Culto do Cerrado.

Eram cinco horas da manha. Os monitores entravam de quarto em quarto acordando os corajosos que decidiam acordar ainda mais cedo, no único dia no qual se podia dormir um pouco mais na vida que se vivia dentre os muros invisíveis do Instituto Adventista Brasil Central. Tudo na verdade começava no dia anterior. Os amantes do culto do cerrado passavam de quarto em quarto convidando a cultuar a Deus logo cedo e no meio da natureza, antes mesmo do sol nascer. Era o que se chamava culto do Cerrado. O culto do cerrado tinha naquele momento vários significados. Um deles, era o fato de se constituir um momento único no qual se podia estar mais perto das meninas, e hoje, não tenho dúvida, para nós, estar mais perto das meninas, sentindo aquele perfume matinal de mulher era mesmo como estar bem mais perto de Deus. Não tenho lembranças de colegas, que por mais religiosos que fossem, conseguisse separar estas duas coisas no culto do cerrado: estar perto de Deus e estar perto daquela menina, àquel...

A embriaguez como pecado capital ou O Remédio de minha tia para problema dos rins.

Muitas pessoas têm vergonha dos vícios que possuem. Vícios, em sua maioria são pecados capitais. A luxúria, a gula, a ganância, a avareza, a embriaguez de todos os tipos; são alguns dos chamados sete pecados capitais. Diz-se que os pecados capitais nunca estão sozinhos, são unidos, por vezes vivem todos juntos no mesmo hospedeiro co-habitando no mesmo espaço, muitas vezes desafiando mesmas as leis da física. Quando o assunto é embriaguez quase sempre vem acompanhado da luxúria, da torpeza e de alguns outros quesitos mais. E não se pode falar que embriaguez é apenas o uso de bebidas que nos faz perder a lucidez dos sentidos. Embriaguez é tudo aquilo que nos faz perder a   lucidez dos sentidos. Assim, não é de se assustar que tem muita gente por ai embriagada de futebol, de trabalho, de religião, de conhecimento. A embriaguez entorpece cega, mutila nossa visão correta das coisas, e, quando menos, distorce a realidade. Dizem que a embriaguez, segundo o dicionário Aurélio, é o entorpe...

A fantástica história de Didi Mentira

Dizem que Didi mentira viveu nas margens do Rio Claro no Estado de Goiás, mas precisamente no município de Caçu. A história que se conta é que recebeu a alcunha de “Didi” por ser engraçado, em alusão ao Didi do grupo “Os Trapalhões”. Não posso dizer se Didi mentira ainda está vivo. A   história que ouvi refere-se apenas ás suas fantásticas mentiras. Ele era engraçado por mentir, mas não era aquela mentira maldosa, com objetivos de tirar vantagens ou coisas que o valha. Era a mentira que tornava a vida mais alegre. E Didi não mentia como quem inventava histórias; suas mentiras pareciam fazer parte de sua vida, mas do que uma mentira o Didi de caçú parecia viver em um mundo imaginário; um mundo feito de acontecimentos nas quais só as crianças são capazes de acreditar. Talvez Didi mentira não mentisse, fosse apenas um ser que acreditava em seu próprio mundo. A mentira é   definida como sendo um nome dado a afirmações falsas ditas por alguém que sabe, ou no mínimo suspeita de tal ...