Sobre morte, amor e paternidade
Nelson Soares dos Santos. Tenho de confessar que com trinta e sete anos vividos nunca tinha pensado em minha própria morte, mesmo sendo a morte um elemento presente em meus estudos, leituras e questões do cotidiano. Entrei em contato com a morte aos dez anos de idade quando faleceu um tio, que segundo minha mãe era muito parecido comigo em personalidade. Depois, estive de frente com a morte vendo meu pai perder suas últimas forças, consciente de que havia chegado a hora dele. Recentemente, estive com a morte no enterro da minha avó, e na semana seguinte de um Tio muito querido, a quem amava como pai. Em todas estas situações, pessoas que eu amava foram levadas, partiram, na hora esperada por elas. O meu pai, horas antes da morte chamou todos os filhos para estar no quarto com ele, pediu que cada um fizesse uma oração, e ao final, na última oração, fechou os olhos e se foi. Minha avó, um mês antes falou comigo ao telefone e pediu que eu levasse logo minha filha para conhecê-la pois a...