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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O complexo de Vira-lata e os Consultores dos Governantes de Goiás.



Vira-lata é o nome dado a cães que não possuem uma raça definida, segundo a enciclopédia livre da internet, Wikipédia. Os tais cães recebem estes nomes por que quando abandonados ficam vagando pelas ruas revirando as latas em busca de algo para matar a fome, diferente de cães de raças que caçam, atacam e matam para saciar a fome. A palavra complexo tem sua origem no pensamento freudiano, e diz respeito a um problema psicológico produzido pelas relações que diversos acontecimentos mantém entre si na mente do paciente.
A expressão complexo de vira-lata foi cunhada pelo autor Brasileiro Nelson Rodrigues. Diante da situação em que ficou o futebol brasileiro ao perder em pleno maracanã para a seleção do Paraguai, que segundo os historiadores, os jogadores brasileiros só foram se recuperar no ano de 1958; e, para alguns analistas, até  hoje, a seleção brasileira é vitima do medo da derrota quando joga no maracanã, especialmente se for contra o Paraguai. Os estudiosos, desde então, se debruçaram sobre este complexo de inferioridade que os brasileiros tem em relação a outras nações, embora seja um país com grandes feitos em todas as áreas.
Alguns estudos dizem que tal acepção vem de longe, coisa que não interessa discutir no curto espaço deste artigo, já que a intenção é cutucar  o complexo de inferioridade dos goianos. Importante este breve relato para mostrar que se temos um complexo de inferioridade em relação ao resto do pais, o complexo de vira-lata é uma coisa que está em toda nação brasileira. Eu me deparei pela primeira vez com o complexo de vira-lata quando recusei uma bolsa de estudos do Instituto Adventista de São Paulo. Naquela época todo goiano que saia do IABC – ( Instituto Adventista Brasil Central), tinha como sonho ir para São Paulo. Depois, recusei a tentativa de um amigo de conseguir uma bolsa para que eu fosse estudar nos Estados Unidos, México ou Argentina. Desta vez, muitos começaram a achar que eu era louco, e eu não era. Só não queria sair do meu Goiás.
Para piorar a situação voltei para minha cidadezinha no nordeste Goiano, e optei por fazer vestibular na faculdade mais próxima, a Universidade Estadual do Tocantins ( Unitins) em Arraias. Chegando lá, ao me apresentar no primeiro dia de aula comuniquei a todos que o meu objetivo era ser doutor em Educação. A sala inteira deu risadas, inclusive alguns professores. Para eles, era um pensamento de louco alguém estudar em arraias e pensar em ser doutor. No segundo ano eu consegui tornar-me pesquisador de iniciação científica do CNPQ ( Conselho Nacional de Pesquisa Científica), ainda assim, a maioria não acreditava que eu pudesse conseguir meus objetivos. Alguns aconselhavam a transferir para Palmas, Goiânia, para então, ai sim, conseguir continuar os estudos no mestrado ou doutorado.
Ao terminar o mestrado na UFG, ( Universidade Federal de Goiás), comuniquei a algumas pessoas que em breve eu tentaria o doutorado, mas que não tinha planos de sair de Goiás. Muitos disseram que fazer doutorado em São Paulo, Rio de Janeiro ou Minas Gerais seria uma forma de enriquecer o currículo. Eu não fui. Estou fazendo Doutorado na PUC – Goiás.  Mas o complexo de vira-lata não é apenas no campo científico. É em todas as áreas. No futebol, na política,  na educação, nos demais esportes. O goiano não acredita em seus pares, e quando vê um outro goiano se destacando logo começa a destratar de tal forma e a fazer piadas, que parece repetir a história de Carlos Chagas e o prêmio Nobel que ninguém recebeu em 1921.
Quando cheguei na Direção Central do Partido Comunista em Goiás, perguntaram-me em uma reunião quais eram minhas ambições políticas. Eu disse que queria ser presidente do Brasil. A grande maioria dos presentes deram boas gargalhadas, incluindo a então deputado Denise Carvalho, o na época Secretário de Ciência e Tecnologia, Gilvane Felipe, o vereador Fábio Tokarski, dentre outros. Duas pessoas ficaram em silêncio, e não descreram da possibilidade: Marcos Araújo e Adalberto Monteiro. Após a reunião disseram-me que a vida é feita de sonhos e de  homens que lutam por seus sonhos. O Adalberto ainda me disse que não importa onde eu quisesse chegar eu não deveria jamais se esquecer de onde era minha origem. E me apresentou um poeta que eu não conhecia até então: Pablo Neruda. Bom, apesar de todos os reveses da tentativa de iniciar uma carreira política, eu ainda quero ser governador de Goiás e presidente do Brasil.
Antes que o leitor pergunte, o que me fez falar mesmo do complexo de vira lata dos goianos, foi as vitórias dos nossos times nos campeonatos nacionais. Fico triste quando vejo goianos torcendo contra times goianos. Não se trata de bairrismo, trata-se de respeito próprio. Temos de nos respeitar, valorizar o que é nosso se quisermos ser valorizados. No campo da ciência, aqui não é diferente. Na academia, as pessoas faltam deixar escorrer baba pelo pescoço diante de um palestrante paulista, carioca, ou do sul, quando na maioria das vezes temos os nossos ilustres daqui que não são valorizados. É incrível a falta de respeito com que são tratados grandes doutores Goianos, como José Ternes, Ildeu Coelho, José Carlos Libâneo, e outros que são deixados no canto, mesmo conhecendo Goiás. Em vez de aproveitar o conhecimento rico que estes homens têm os governantes vão buscar consultores em outros estados, que na maioria das vezes aprenderam o assunto lendo alguns dos nossos goianos.
Eu não tenho complexo de vira-lata. E não quero sair do Meu Goiás. Não por bairrismo, mas não vejo necessidade nenhum de sair daqui. Tive várias oportunidades de sair, mas é aqui que quero ficar. Ajudar meu povo a crescer, vencer a pobreza, erradicar o analfabetismo, a fome, e, construir um lugar de paz para se viver. Eu acredito que podemos sim ser um estado forte, que podemos eleger um presidente da república que saída do governo de Goiás para o palácio do Planalto. Recentemente vi uma sugestão burra de que se o Marconi quiser dar vôos nacionais deve tentar governar outro estado – complexo de vira-lata. Não é saindo de Goiás que Marconi pode dar vôos maiores, é governando bem Goiás, valorizando seu povo, sua gente, enfim, tornando aqui um lugar melhor para viver.  No entanto, quanto aqueles que sonham com um goiano na presidência, não se preocupem: se o Marconi  não conseguir, eu conseguirei.  + Prontofalei.


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