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terça-feira, 25 de agosto de 2015

A lei da semeadura


“Quem canta, espanta seus males; se diz.
Quem planta,
é quem colhe,
é quem finca raiz.
Rolando Boldrin[1]
Nelson Soares dos Santos[2]
É “comum ouvir expressões do tipo: “Quem planta ventos, colhe tempestades”, ou do tipo, “ Tudo que você semear também colherá”. Esta última expressão foi pronunciada por Jesus, o Cristo em sua famosa parábola do semeador. Nela, um semeador sai pelo mundo a semear, e joga suas sementes e diversos tipos de terra. Em alguns tipos de terra, a sementes, germina, dá frutos, em outros não. Apenas seca ou germina plantas mirradas e com frutos mirrados.
O que  tem comum a parábola do Cristo, os ditados populares e  letra da música em epígrafe desse texto é que todas se referem a Lei da semeadura. Assim como a lei da gravidade, a lei do movimento uniforme, e tantas outras leis, a Lei da semeadura é uma lei que participa do Governo do Universo, é uma lei exata e que dela pode ser tirada algumas conclusões: 1. Ninguém pode colher se não houver plantio; 2. Todas as nossas ações são alguma forma de plantio; 3. Você é livre, totalmente livre para escolher o que quer plantar, mas não há liberdade no que colher. Só se pode colher aquilo que se planta.
Muitos que se intitulam “espertos”, acreditam que esta lei não vale para eles. Não sei, exatamente, se por ignorância ou má-fé. E ainda justificam dizendo que já viram inúmeras pessoas serem premiadas pela vida depois de terem feito maldade por um longo tempo. Estes geralmente têm uma fé que acredita que a vida se constitui entre o espaço de tempo entre o nascimento e a morte; ou de outro lado, ignoram como a lei da semeadura se relaciona com a lei do tempo ( kairós), o tempo certo das coisas. Cedo ou tarde, estes “espertos” são pegos pela lei do tempo. O tempo certo das coisas (kairós).
A Lei do Tempo Certo.
Não se engane. A lei da semeadura obedece à lei do tempo certo. Alguém já viu feijão germinar e crescer no mesmo tempo do arroz, da banana, do jiló, do tomate ou da manga? Cada fruto (ação) que você planta tem um tempo certo para germinar, exige a terra e   o adubo certo para crescer, e as condições climáticas corretas para produzir bons frutos. Assim, se quer que uma boa coisa aconteça não deve apenas plantar uma boa idéia no seu pensamento, ou praticar uma boa ação. É preciso da terra certa, do adubo certo, das condições climáticas corretas e específicas para que tenha uma colheita vitoriosa. De outra forma, é preciso sempre lembrar – Ervas daninhas cresce em todo o lugar.
Então é preciso que saiba. A maldade plantada crescerá. Atrairá animais peçonhentos. E se não for arrancada no tempo certo impedirá que qualquer coisa boa cresça no local. Por isso  não é preciso apenas plantar boas sementes, é preciso arrancar as ervas daninhas, os espinhos, espantar os animais peçonhentos criando as condições climáticas e ambientais necessárias para a produção dos frutos que esperados e desejados. E ainda terás que ter paciência para não colher frutos verdes. A natureza não segue a pressa moderna. A natureza segue seu ritmo.
No mundo atual a questão do tempo pouco tem sido respeitada. As pessoas confundem viver de forma apressada com viver de forma rápida e veloz. A confusão entre velocidade e pressa faz com as pessoas não respeitem mais o ritmo das coisas. Apesar disso as crianças continuam demorando nove meses para nascer. As quatro estações continuam acontecendo. O dia continua tendo o mesmo tanto de horas, a semana, o mesmo tanto  de dias, e o mesmo valendo para os meses e os anos. Na correria pelo ter o homem esqueceu que ser está diretamente relacionado a forma como se vive o tempo.
Pior, porém, do que viver o tempo de forma apressada e corrida é o mau uso que se faz do mesmo. Não basta estar sempre correndo. É preciso viver sem um foco específico. Ninguém mais presta atenção em nada. E tanta gente se vangloria de fazer duas ou três atividades ao mesmo tempo. Há aqueles que comem e acessam a internet no celular enquanto conversa com a namorada, tudo ao mesmo tempo. Outros julgam poder enganar o professor e se achar esperto por acreditar que pode aprender o ensinado em sala de aula navegar no mundo virtual ao mesmo tempo.
No final, o que acontece é que as pessoas que tem tais práticas não vivem o mundo real. Não sabe mais o que é o tempo real das coisas, não consegue perceber o tempo real das coisas. Vivem em um mundo virtual, paralelo, onde tudo é líquido, solvente, passageiro. E tudo desaparece tão rápido como uma postagem em uma rede social desaparece no meio de tantas informações inúteis. Eis o desafio que está posto:não é preciso apenas plantar, é preciso respeitar o tempo e suas leis, é preciso deixar de ser líquido, é preciso fincar raiz.  A lei da semeadura é para quem planta, mas só colhe quem sabe fincar raiz.



[1] Trecho da Música “Brasil Poeira” – Rolando Boldrin
[2] Nelson Soares dos Santos é Licenciado em Pedagogia, Mestre em Educação Brasileira, Professor de Filosofia Aplicada na Faculdade Delta e membro da Direção Nacional do Partido Popular Socialista.

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