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quarta-feira, 1 de junho de 2011

A polêmica dos livros didáticos e o país dos que não sabem ler e escrever


Confesso que não sei escrever. O fato de conseguir colocar algumas idéias no papel não significa que eu saiba escrever. Disseram-me quando ainda criança que para aprender a escrever bastava saber ler, pois dizia do ditado: “Quem mal lê, mal ouve, mal vê”. Não sei até onde este ditado é verdadeiro, e talvez seja e o problema é que também eu  não saiba ler. E, ou tal vez eu não li bem o ditado, afinal, não se pode deduzir dele que quem bem lê, bem ouve, e bem escreve.
A razão desta minha confissão é a polêmica em torno dos livros didáticos no Congresso Nacional. Cinco anos passados vivi esta polêmica que na academia é chamada de “preconceito Lingüístico”, e como bem afirmou o ministro existem muitos teóricos renomados a defendê-lo. Segundo tal contexto o importante é que a criança aprenda a ter acesso às regras do discurso e consiga estabelecer uma comunicação com o mundo. Contra tal, eu sempre argumentei que a idéia de poder falar e escrever diferente da norma culta ou infringindo-a é uma forma de manter uma distância entre a elite e as possibilidades de emancipação do povo, afinal, não conheço nenhuma escola de elite que aprove tal idéia, isso só cabe nos livros do MEC e voltados para a escola pública.
Ironia do destino, PSDB e DEM, estão lutando na trincheira abandonada pelos comunistas e petistas. Não faz muito tempo o deputado comunista Aldo Rebelo lutava, inclusive querendo transformar em lei  proteção da norma culta de todos os tipos de estrangeirismo, bairrismos, etc. A justificativa do então projeto de lei era que a proteção a norma culta padrão da língua ajuda a manter a unidade nacional, a idéia de nação e o acesso ás regras da norma culta padrão da língua ajuda  no processo de emancipação do individuo. Neste sentido, no momento, PSDB e DEM, traem suas bases de Higienópolis do país a fora, na medida em que luta para que o povo tenha acesso ao padrão culto da língua, e, assim favoreça ainda mais a emancipação.
Eu concordo plenamente com a idéia de manutenção do padrão e de que todos devem primar pelo uso da norma culta. Pensar que não ter acesso à norma culta não impede o acesso a posições importantes na sociedade é a mesma coisa que acreditar que alguém andando a pé pode seguir um outro andando a cavalo no meio da mata.
Pesa ainda mais no argumento o fato de que dados de pesquisas recentes mostram que somos um país de analfabetos. Pesquisa de 2004, do IBGE, mostrava que do número pequeno de pessoas com educação superior que compram jornal a maioria absoluta apenas olham, não lêem. Pior, o mesmo IBGE, mostra que o brasileiro está entre os povos que menos lêem no mundo. Ou seja,  não temos o  hábito de ler.
O gargalo se explica também pelo pequeno número de pessoas que tem acesso a educação superior. Uma média de 12% da população brasileira possui curso superior, e isso, incluindo os cursos superiores chamados de tecnológicos. A experiência em sala de aula me diz algo ainda mais preocupante: na verdade está saindo da faculdade todos os anos uma grande quantidade de alunos com muita dificuldade de leitura e escrita.
Ou seja, não sabemos ler, não sabemos escrever no padrão culto da língua. Entretanto, não sinto vergonha da minha confissão. A leitura diária dos discursos dos senadores, empresários, governadores, até mesmo jornalistas e escritores mostra que este é um problema generalizado, que o diga os revisores, estes sim, anônimos sofredores das noites e madrugadas. E mesmo assim, o que vemos são textos pobres, de uma pobre língua que não é mais respeitada.

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