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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Conselhos àqueles que buscam o Conhecimento Verdadeiro.



A revolução ocorrida nos meios de comunicação nos últimos séculos, desde a invenção da impressão de livros em larga escala, e da popularização de todas as formas de comunicação a ela ligado, bem como, o surgimento do telefone, correios, telégrafos, e por último a internet, criou a falsa impressão de que o conhecimento verdadeiro, ou a verdade sobre as coisas está ao alcance de qualquer pessoa. Os instrumentos tecnológicos, produtos do desenvolvimento da ciência, contribuíram, então, para criar uma legião de pessoas com acesso a informação fácil, e neste sentido a pergunta é: significa, pois, que todos tem acesso ao saber? A resposta é não, e vamos dizer as razões.
Nos últimos anos um instrumento tem chamado a minha atenção: o Google. Recentemente, vi uma reportagem na qual se dizia já haver viciados no Google. A explicação é simples. Se no século passado as pessoas consultavam o dicionário ou perguntavam aos mais velhos, hoje, pergunta-se ao Google. A diferença é que no passado você se confrontava, e no máximo, com uma dezena de respostas, hoje, no Google, você se estiver com sorte, vai se confrontar com uma centena de possibilidades. Como então escolher a resposta que mais se aproxima da verdade?
Não resta dúvida de que estamos diante de muita informação. No entanto, como já afirmou Edgar Morim, depois de anos de estudos e pesquisas no campo da Teoria do Conhecimento, “Informação não é conhecimento, e conhecimento não é sabedoria”, e, mais ainda, exclama o filósofo Francês: “Quanto de conhecimento se perde na informação, e quanto de sabedoria se perde no conhecimento”. Vivemos no tempo da muita informação com pouco conhecimento e do pouco conhecimento com ainda menos sabedoria.
A resposta para tal enigma pode ser encontrado ainda na filosofia dos Gregos Antigos. Platão em sua Paidéia, Aristóteles em Sua “Ética a Nícomacos”, de alguma forma já tentava responder a tal questão. Fiquemos com Aristóteles por ora. O sábio de Estagira soube reconhecer que a sabedoria é uma das cincos virtudes intelectuais, e que, tanto virtudes intelectuais quanto as virtudes morais, são na verdade virtudes da alma – uma forma interessante de resolver a dicotomia de Platão em relação ao mundo sensível e o mundo inteligível – mas que só era possível desenvolver as virtudes da alma, tanto a moral quanto a intelectual pelo exercício, sabendo que a moral se desenvolve pelo hábito, e que a intelectual gera e cresce pelo ensino.
Ora, então, a coragem, a veracidade, a amabilidade, o Justo orgulho, a espirituosidade, o respeito próprio, a gentileza, a magnificência, a liberalidade e a temperança se aprende na vida, com o hábito, por meio de exemplos, pelo bom senso, mas as virtudes intelectuais, estas só pelo ensino, sendo elas: O discernimento, a arte, a inteligência, a prudência e a sabedoria. O grande problema é que na vida real, na vida vivida as coisas se tornam ainda mais complexas, no momento em que no mundo vivido, ou mundo da vida ( para nos servir de Habermas), tudo acontece concomitante. Traduzindo, não é possível o aprendizado do justo meio sem o discernimento, e de nada serve o discernimento sem a inteligência, a inteligência sem a ciência, e, a ciência sem a sabedoria.
No mundo de hoje, é senso comum saber ler, e ser analfabeto é considero imoral por alguns, e, sendo assim, este é o primeiro passo para começar a busca do conhecimento. Uma vez, sabendo ler, encontramo-nos diante da maior armadilha pois começamos a acreditar que já podemos seguir por nós mesmos, sem precisa de tutores. A questão é que nem sempre o aprendizado da leitura vem acompanhado do aprendizado do pensar, ou o que alguns chamam de leitura de mundo. E, por isso, temos muitas pessoas que aprendem a ler, fazem faculdade, e até mesmo os modernos “Doutores da Lei”, que na verdade não passam de analfabetos funcionais por que não são capazes de pensar de forma livre, original e libertadora. São escravos do já feito e passam a vida como papagaios, aliás, consultando o Google.
Voltando ao início do texto, isso acontece, por que informação não é conhecimento. O conhecimento exige disciplina do corpo, exige em algum grau, virtude moral, ou que se saiba e se tome consciência de se viver e lidar com os vícios da alma. A muita informação poderá até fazer doutores, não fará, no entanto, pensadores. E como tudo é feito em série, podemos ter jornalista, escritores, e tantos outros, preocupados com vírgulas, pontos e vírgulas, parágrafos, tipo de letra, técnicas, menos capazes de produzir idéias que de fato produza coisas novas.
O conhecimento exige discernimento, saúde dos  sentidos. É necessário desenvolver a imaginação, não a imaginação doentia do mundo da fantasia pornográfica, mas a imaginação criadora. É preciso praticar a leitura como um passeio da alma pela estrada já construída pelos outros, e não a leitura para os sentidos doentes, para a imaginação doente, que busca ávido um pouco de paz na angústia da existência. É necessário desenvolver a sensibilidade, a acuidade, o senso crítico, o rigor – não o rigor formalista, mas o rigor da profundidade, do raciocínio correto que vem do desejo correto e do pensamento correto.
Não é possível, no entanto, desenvolver tais caracteres sem a saúde dos sentidos. A vida desregrada da atualidade, a falta de lucidez, a libertinagem que reina em todos os lugares, a falta de disciplina são as razões do crescimento da ignorância e da escuridão nos dias atuais. O aumento da informação banalizou o saber. Acredita-se que se sabe, quando na verdade, sequer existe o pensamento, e não existe saber sem o pensar.
O conhecimento foi banalizado na internet. Parece que tudo está ao alcance, do senso comum à metafísica. Difícil é saber o que é cada um deles. O senso comum, ou o mundo das opiniões misturou-se com os demais tipos de conhecimento, por isso, quando se pensa que se está lidando com o conhecimento teológico, é apenas com o senso comum do conhecimento teológico que se está lidando, e  o mesmo se aplica a ciência, a filosofia, a metafísica, e, ao ocultismo.
Ora, isso acontece por que cada um dos tipos de conhecimento exige daquele que se propõe alcançá-lo uma certa disposição de caráter. Assim, para a filosofia exige que se tenha um pouco de racionalidade, para a ciência, racionalidade, método e demonstrabilidade; para o conhecimento teológico a sobreposição da fé a razão, e no misticismo a capacidade da transcendência. No final, todos partem do senso comum, ou seja, o mundo dos sentidos e das opiniões, mas este é só o ponto de partida, nunca pode ser o ponto de chegada, aliás, é de se perguntar se na busca pelo saber existe um ponto de chegada.
Não conscientes disso, muitos colocam a disposição dos leitores verdadeiros aberrações que chamam de interpretação dos clássicos, seja da ciência, da filosofia, da religião ou do ocultismo. O que na verdade acaba chegando a maioria dos desavisados é apenas o a opinião de alguém sobre algo do qual muitas vezes nunca se pensou seriamente. Posto tais questões, deixo aqui alguns conselhos que poderão ser seguidos àqueles que buscam  o conhecimento com seriedade, como busca, e não apenas como instrumento da sobrevivência.
1.      Desconfie de tudo que é encontrado com muita facilidade. Quase nada é o que parece. Aliás, este foi o conselho de Descartes há séculos atrás. Faça tudo aquilo que é colocado diante dos seus olhos passar pelo crivo de sua razão, se não for claro, se pelo menos não lhe parecer claro não aceite como verdadeiro.
2.      Eduque os sentidos. É pelos sentidos que tudo começa, mas é também por eles que pode tudo terminar. Eles podem ser a  maior barreira na construção do saber. Sentidos doentes, viciados, embotam mente e impede o desenvolvimento da Inteligência e do discernimento.
3.      Desenvolva o aprendizado do pensar. Reflita sobre tudo que vê, lê, perceber. O maior livro da vida é a natureza, a vida vivida. Todos os livros da humanidade foram escritos apenas com o objetivo, de em ultima instância, compreender as relações homem-natureza.
4.      Mantenha a mente aberta, abra mão dos preconceitos, primeiras impressões, primeiras opiniões sobre o que quer seja. As primeiras impressões são, quase sempre, falsas, quando no máximo, são incompletas, e constituem-se em obstáculos ao desenvolvimento do discernimento.
5.      Busque sempre a mediania. A quietude é o segredo do caminho do saber. Quietude do corpo, quietude dos pensamentos. Aprenda a contemplar as belezas mais simples, desenvolver a compaixão, participar do universo.
6.      Não tenha medo do conhecimento e da sabedoria. O conhecimento não lhe tornará nem bom, nem mal, nem crente, nem ateu. No final, se fores livres você se tornará o que você escolher se tornar. No final, serão suas escolhas que farão a diferença.
7.      Convença-se de sua humanidade. É pelos nossos corações que tudo começa, e é nele que tudo termina. Somos, enquanto habitarmos esta terra, simplesmente humanos, dignos das coisas mais belas e, das coisas mais terríveis.
A primeira escolha a fazer é pois, se queremos continuar vivendo no mundo das opiniões, - este mundo onde todos parecem serem sábios sem na verdade ser – ou se queremos admitir a complexidade do viver, e por extensão a nossa ignorância. Somos colocados diante do fato de que não sabemos, não nos é possível ter opinião verdadeira sobre todos os fatos que nos são colocados o tempo todo, diante de nós. Que escolhamos então,e, não se esqueçam, tudo que está aqui pode  não ser conhecimento, pode ser apenas uma opinião.
Conselhos aos que buscam o conhecimento verdadeiro II – Os tipos de conhecimento.


No texto anterior, elencamos algumas idéias que consideramos necessárias àqueles que buscam o conhecimento das coisas, chegar a bom termo em suas jornadas. Neste, procuraremos ampliar um pouco mais, analisando alguns obstáculos[1] que podem ser encontrados no caminho. Em uma época com tanta informação, não basta mais a dúvida que leva à saída do senso comum, ou do mundo das opiniões, é precisar duvidar de cada dúvida, e se permitir trilhar caminhos já trilhados.
Supondo que o leitor seguiu os conselhos do texto anterior  e se encontra pronto para adentrar ao terreno do conhecimento, é preciso então alertar para o fato de que conhecimento não é sabedoria, e, necessariamente  não vai levá-lo a vida feliz. E, o que pode ser pior, é preciso tomar consciência da existência de várias formas de explicação do real, e, todas consideradas  não é mais como senso comum.
Na Grécia antiga aqueles, que buscavam a sabedoria ou o conhecimento verdadeiro das coisas, deparavam-se com a religião, o mito, e contrapunha-se o logos na esperança de abrir os horizontes aqueles que não conseguiam ver além das aparências. Na atualidade, o mito, a religião convive com o Logus, e Logus se fragmentou em diversas possibilidades. Para tornar-se mais complexo é preciso considerar o fato da existência do senso comum para cada um deles. Então, temos o mito, e o senso comum do  mito; a religião e o senso comum da religião, o conhecimento científico e o senso comum da ciência, o conhecimento ocultista, místico ou metafísico e o senso comum correspondente.
Neste sentido é que se torna necessário caracterizar cada um dos tipos de conhecimento naquilo que se aproximam e se diferem operando em suas categorias definidoras para compreendermos o seu logos e o seu senso comum. Pode  dizer que hoje temos os seguintes tipos de conhecimento: O mito, o conhecimento teológico; o conhecimento Filosófico; O conhecimento Científico; e o Conhecimento oculto, místico ou metafísico. Na atualidade todos eles convivem de forma popularizada e dá se a falsa impressão de que todos podem ter acesso ao conhecimento verdadeiro sobre todas as coisas.
O mito.[2]
Já se disse entre os antropólogos  que o mito, hoje, faz parte de uma necessidade humana. Os homens precisam do mito. Necessário ou não, nosso objetivo aqui é caracterizá-lo. Neste sentido, é preciso dizer que o mito se define como uma narrativa fabulosa de acontecimentos envolvendo deuses, a natureza e o homem, sempre procurando estabelecer uma mediação entre o sagrado e profano, e dando assim, sentido a existência humana.
Compreender o mito é questão ainda mais complexa. Um conhecimento ou modo de explicar o sentido da existência humana o mito é rico em símbolos. A forma como cada um apreende estes símbolos é determinante na forma como se interpreta os mitos do passado, e quase sempre, mito se refere ao passado primórdio. Hoje, quase todo ser humano já ouviu falar dos mitos, sobretudo, os mais populares no ocidente, os mitos gregos. No carnaval deste 2001, lá estava na avenida diversas representações dos mitos gregos, de forma que ao entrar em contato com as formas, figuras e símbolos, estes por si só transmitem algum tipo do conhecimento transmitido pelo mito. A apreensão que se dá deste conhecimento fica a cargo daquele que recebe. Daí, pro que é preciso tomar cuidado com o senso comum do conhecimento do mito. Entender a rica trama do Olimpo, de deuses, semideuses e homens não é algo possível pela compreensão de alguns símbolos. É um trabalho que exige dedicação e, sobretudo entrega.
Neste sentido, o mito não é uma invenção, uma lenda, uma ficção. Para Roland Barthes decifrar o mito é decifrar-se, querendo dizer com isso que o mito é uma narrativa que explica o sentido da existência humana, e por isso, revela um acontecimento verdadeiro que em sua profundeza de significado traz toda a verdade sobre nossa existência.
Dito isso, creio ficar claro, o nosso alerta que não é possível compreender o mito de forma simplificada. É preciso entrar  no mundo do primitivo, do arcaico, vivenciar os sentimentos e emoções provocados pelos símbolos para se compreender os seus significados.
O logos, ou o Conhecimento Filosófico.
Passa-se a idéia para o senso comum de que adentrar-se no terreno da filosofia é abandonar o mito. Ledo engano. O mito é necessário ao conhecimento filosófico. Muitos chegam a afirmar que é impossível ao filósofo um conhecimento verdadeiro sem um conhecimento profundo do mito. Talvez este foi um dos elementos da defesa de Sócrates pouco compreendido para aqueles que não alcançam o discernimento necessário a sabedoria. Socrátes foi acusado de corromper os jovens e renegar as tradições ( os mitos), em sua defesa ele, então, mostra que a sabedoria que ele buscava era algo divino e que só os homens que tem o beneplácito dos deuses podiam compreendê-la. Ele, Sócrates, era apenas uma amante apaixonado deste saber dado a ele pelos deuses, saber este que era preferível morrer a renegá-lo.
O mito é pois, essencial ao trabalho do filósofo. Afinal, só pensamos naquilo que cremos, ou naquilo que embaralha as nossas crenças, na expressão dos alunos de hoje, dá nó em nossa cabeça. O filósofo é pois um mítico em busca da compreensão da verdade revelada, é um apaixonado pela compreensão do ser, das coisa, do mundo, por isso, questiona, pergunta, duvida.
O primeiro homem a utilizar a palavra filosofia, cujo registro consta na história, foi Pítagoras. Nascido na cidade Grega de Samos, quase tudo sobre ele soa como lenda. Considerado no ocidente como um filósofo pré-socrático foi também o matemático cujos estudos é a base do conhecimento matemático na atualidade. Mas Pitágoras não era apenas matemático e filósofo, era também um místico apaixonado. Hoje, é  o grego de Samos é venerado em rituais em diversas sociedades ocultistas e místicas, como a Ordem Rosacrucianas, Cabalísticas, templárias, dentre outras.
Para Pítagoras não é possível ser filósofo ( amante da sabedoria), sem que antes se alcance o domínio de si. Daí por que sua escola foi uma Universidade, uma religião, uma fraternidade; como sintetizado por alguns, uma escola onde  a busca da compreensão dos mistérios do Universo e do Cosmo era a razão de todos que a compunha. Acreditava-se que apenas um homem livre, dono do seu destino era capaz de compreender a grandeza de Deus e do universo,e por isso, era necessário a este homem um esforço de auto-conhecimento para encontrar em si a grandeza do cosmo do qual participava.
Considerando as proposições pitágoricas, fica claro que um dos obstáculos para se tornar um filósofo nos dias atuais, é a forma como tem sido entendida a moral. O desregramento existente na atualidade, a forma como se o homem tem lidado com os sentidos e buscado satisfação dos prazeres da carne sem nenhuma moderação torna impossível o encontro com o saber.
O conhecimento Científico.
A filosofia precisou de séculos para se sistematizar, no entanto, alguns problemas simplesmente teimavam em não encontrar uma solução racional. Os neoplatônicos ao  retomar a importância do mito, da religião e do misticismo como forma de tentar superar o dualismo platônico, de certa forma contribui diretamente para o surgimento da ciência moderna. A observação da vida prática, do comportamento moral do homem, já iniciado pelo gênio de Aristóteles, e agora, estendido a tentativa de compreender objetivamente os mistério dos deuses, dota o homem da necessidade da observação, sistematização, demonstração daquilo que ele subjetivamente ousava entender ser capaz de compreender do mundo inteligível.
Homens como Descartes, Francis Bacom, foram dotados de uma forte intuição intelectual, e, de profundo conhecimento místico, mítico e filosófico. Em seu tempo, sentiram a necessidade de tornar demonstrável aquilo que fosse considerado verdadeiro, desde a mais simples idéia àquelas que ousavam explicar a existência das estrelas e dos astros. Ao estabelecer esta ligação profunda entre a observação, experimentação à racionalização das coisas, estabelecia as bases do moderna ciência.
Esta racionalidade, em sua essência, não torna inútil nem o conhecimento mítico, nem o metafísico, ou mesmo o filosófico. Aliás, a razão se alimenta de todos os eles de alguma forma, devido a historicidade do próprio desenvolvimento humano. Talvez foi isso que quis ensinar o gênio alemão quando disse: A pouco ciência torna os homens incrédulos, muita ciência leva o homem a curvar-se diante de Deus. Ou mesmo, o gênio francês, quando disse: Ciência sem consciência é a ruína da alma.
Como se vê, novamente é colocada a questão dos sentidos. Não se pode alcançar o conhecimento científico sem saúde dos sentidos. O equilíbrio, ou seja, o aprendizado das virtudes é necessário a aquisição ou a iniciação ao saber, seja ele científico, teológico, filosófico, metafísico ou mítico. Apenas ao homem comum é permitido o desregramento moral, afinal, este não possui o compromisso com  a veracidade, tão somente com o ego e as opiniões.
Paulo Sales de Oliveira na obra Metodologia das Ciências Humanas tece considerações interessantes sobre a iniciação a ciência. Segundo ele, o processo de iniciação a ciência começa pelos sentidos e pela leitura. Deste modo é preciso e urgente desenvolver a sensibilidade, a imaginação criadora, a percepção, acompanhado de uma disciplina, de rigor, de ceticismo e confiança no método. Quanto a leitura, deve se ler não apenas de forma externa e exterior, mas exercitar o que ele chama de passeio da alma por uma estrada onde tantos já passaram. Outros autores são pródigos em exemplos do que é necessário para se adentrar aos portais da ciência.
Em comum, todos os autores falam, na atualidade, da necessidade de se aproximar as diversas ciências. Assim, surgiram variados nomes como multidisciplinaridade, transdiciplinaridade, interdisciplinaridade, transversalidade, dentre outras; sempre tentando mostrar que o aprendizado de fato de uma ciência requer contato com diversas outras, e que a formação dos futuros cientistas não pode mais se dar de forma fragmentada. O grande problema é encontrar os limites entre o senso comum da ciência e o início do aprendizado  da ciência pretendida.
A mesma questão, eu penso, se aplica aos diversos tipos de conhecimento. No momento atual da história da humanidade, a busca da sabedoria requer uma espécie de transdisciplinaridade entres os tipos de conhecimento. Não dá mais pra pensar a realidade e o sentido da existência humana, buscar e encontrar respostas isoladas em um tipo de conhecimento. Urge que ciência, religião e misticismo dêem-se as mãos nas mentes dos cientistas. Questões delicadas como a genética humana  (o clone de humanos), o aborto, a pena de morte, exigem mais do que respostas científicas, religiosas, ou filosóficas. Requer respostas que estão além dos limites de cada um destes conhecimentos. E não é apenas fazer a filosofia da religião, ou estudar a religião de forma científica, ou quaisquer outros tipos de inversão realizados. É necessário entrecruzamentos, encontros, entrelaçamentos para que se possível um novo modo de ver as coisas, totalmente novo do que até agora está posto.

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