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domingo, 5 de junho de 2011

O DESAPEGO.



Desapegar. Fico pensando o que esta palavra realmente possa significar. O que ela pode dizer ao nosso coração. Considerado como uma das mais importantes virtudes para nossa época o desapego traz em si aspectos contraditórios. Vamos primeiro entender por que ela se tornou uma virtude tão importante em nossa época.
Nos tempos antigos creio que as virtudes mais importantes eram a sabedoria, a prudência e a inteligência. Nos tempos cristãos, a fé, a esperança e o amor. Hoje, parece que a tríade está ficando por conta do desapego, da tolerância e da paciência. Por que o desapego? Vejamos as características de nossa época. Vivemos no tempo comandado totalmente pelo ego. A razão, as emoções, e até nosso espírito está sendo domado pelo ego. É o ego humano o responsável por tantos acontecimentos negativos no nosso planeta.
Veja as guerras, a violência, a destruição dos valores. Tudo tem sua fonte no desejo do homem de ter, possuir, tomar para si. A idéia de posse tornou-se tão hegemônico que chegamos ao absurdo de não nos preocuparmos mais com o ser, em tudo, lembramos apenas de ter. Muitos perguntam por que os relacionamentos não dão certo, e esquecem que para viver um relacionamento é preciso ser e não ter, no entanto, todos querem ter amigos, mas poucos querem se doar e ser amigo. Muitas mulheres querem “ter” esposos maravilhosos, mas não querem sacrificar-se para “ser” esposas maravilhosas. Querer “ter” e não querer “ser”, vai se repetindo em todos os lugares, de todas as formas, todos os dias.
Cultivar o desapego é desistir de ter, e desejar ser. Desapegar é cultivar a arte de viver com pouco, de repartir, de doar. Desapegar é arte de amar ao extremo. Muitos de nós nos apegamos a muitas coisas. Apegar demais ao relacionamento é ruim. Apegar demais ao trabalho, ao emprego, aos amigos, aos familiares é muito mais um sinal de egoísmo do que de cuidado, principalmente no nosso tempo no qual a realidade é entrecortada por profunda hipocrisia. Desapegar é deixar-nos sermos livres e aprendermos a lição da natureza que nos ensina que nada se perde, nada se cria e tudo se transforma.

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